terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Dr José Andrade e O Norte Fluminense: uma ponte viva entre os Açores e Bom Jesus

Dr José Andrade receberá a voz impressa de O Norte Fluminense



Em breve, o Dr. José Andrade, Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores, receberá, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, a edição física do jornal O Norte Fluminense, enviada de nosso município como quem envia uma carta escrita à mão, selada de memória e pertencimento.

O jornal deixará o vale do Rio Itabapoana, em Bom Jesus do Itabapoana, e cruzará o Atlântico, levando consigo o cheiro da terra quente e a voz de um povo que aprendeu a viver entre montanhas e rio. Partirá das margens serenas do interior fluminense para alcançar a ilha do basalto e da névoa, onde o verde se debruça sobre falésias e o oceano dita o ritmo do tempo.

Haverá, nesse gesto, uma travessia que é mais do que geográfica, é histórica. Assim como o açoriano Padre Antônio Francisco de Mello deixou os Açores e aportou em Bom Jesus do Itabapoana em 18 de junho de 1899, trazendo consigo textos, poesias e dignidade, agora, 126 anos depois, é Bom Jesus quem devolve aos Açores palavras impressas. Palavras que narram a realidade da nossa açorianidade, preservada no sotaque, na fé, nas tradições e na memória afetiva de um povo.

Nas páginas que o Dr. José Andrade abrirá estarão a notícia da posse da nova diretoria da Casa dos Açores do Espírito Santo, o nascimento da Tuna Açoriana da Casa dos Açores do Rio de Janeiro, e o registro da presença do jornal O Norte Fluminense e da TV Alcance no Rio de Janeiro, cobrindo aquele que já se inscreve como um momento histórico da cultura luso-brasileira.

Ali também estará a história de um e-mail enviado pelo carioca José Dativo Marques Moutinho, que passou a conhecer o jornal por meio da tradicional Banca do Rodolfo, ponto de encontro de leitores no bairro da Tijuca. Foi graças ao olhar atento do amigo açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves, que identificou traços de açorianidade nas páginas do periódico, que exemplares começaram a circular na banca. Desde então, ergueram-se pontes invisíveis entre Bom Jesus e o Rio de Janeiro, pontes feitas de papel, tinta e identidade.

O Diretor Regional também percorrerá a trajetória dos 79 anos de O Norte Fluminense, jornal que resgata a história de nossa açorianidade e registra a vida da comunidade bonjesuense e regional com a responsabilidade de quem sabe que cada edição é um fragmento de memória coletiva.

O exemplar que segue para os Açores viaja como uma carta antiga, enviada ao querido Padre Mello, não apenas ao homem que um dia atravessou o oceano, mas ao símbolo de uma herança que permanece viva. 

Se ele trouxe palavras que ajudaram a edificar dignidade de Bom Jesus e do Brasil, agora devolvemos palavras que testemunham que suas sementes floresceram.








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