Há homens que passam pelo mundo. E há os que o redesenham com as próprias mãos, como quem cultiva um jardim de ideias no terreno do impossível.
Um deles atende pelo nome de Pedro Antônio de Souza, médico psiquiatra, pensador da cultura, fundador e presidente da Academia Maria Antonieta Tatagiba - Artes - História - Letras, sediada no Sítio Histórico de São Pedro do Itabapoana.
Dr. Pedro diz que sente ser portador de uma missão. E não apenas sente, age como sente. Foi um dos idealizadores da transformação de São Pedro do Itabapoana em Sítio Histórico, devolvendo à paisagem não apenas o título, mas a consciência de seu valor.
Para ele, preservar é também projetar o futuro. Com reverência à memória literária do Espírito Santo, fundou a Academia em homenagem à sao-pedrense Maria Antonieta Tatagiba, a primeira poetisa capixaba a publicar um livro.
De sua iniciativa nasceu também a oficialização da data de nascimento da autora como o Dia Estadual da Poetisa Capixaba, e o Dia da Poesia em Mimoso do Sul, gestos simbólicos que restituem às letras femininas o lugar de honra que sempre lhes pertenceu.
Não satisfeito, idealizou ainda os Encontros Literários do Sul Capixaba, ampliando o diálogo entre história, arte e comunidade em Mimoso do Sul e o próprio Sítio Histórico de São Pedro do Itabapoana.
Entre os dias 13 e 15 de março de 2026, ocorrerá o III Encontro Literário e Cultural do Sul Capixaba. A programação é vasta e simbólica: o projeto “Vivificando Legados no Sul do ES”, o “Bosque de Livros”, visitas guiadas, sarau, noite de autógrafos da reedição de Frauta Agreste, shows e uma Missa em Ação de Graças às poetisas capixabas, ao som do organista Pedro Poubel.
Haverá ainda homenagem às poetisas destaque de 2026, a emocionante Marcha das Poetisas e tributos especiais à escritora Ester Abreu Vieira de Oliveira, a quem o evento é dedicado, e à poetisa Jô Drummond.
Em tempos em que a pressa ameaça apagar memórias, Dr. Pedro escolheu acender lamparinas. Sua fé na cultura não é retórica, é prática. Ele crê no que faz e faz conforme acredita.
Apenas um espírito visionário e ativista teria fôlego para mover engrenagens tão delicadas do mundo civilizacional. Ao unir história, literatura e comunidade, ele se torna mais que gestor: torna-se farol.
E faróis não gritam. Apenas iluminam.




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