Jornal fundado por Ésio Martins Bastos em 25 de dezembro de 1946 e dirigido por Luciano Augusto Bastos no período 2003-2011. E-mail: onortefluminense@hotmail.com
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Coisas que aprendemos tarde demais na vida, por Rogério Loureiro Xavier
Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.
*"Coisas que aprendemos tarde demais na vida."*
Que silêmcio também é resposta.
Que não previsamos agradar todo mundo.
Que descanso não precisa ser merecido, precisa ser permitido.
Que paz vale mais do que estar em evidência.
Que recomeçar não é fracasso,
é sabedoria.
Que comparação só rouba energia.
Que amor próprio não é egoísmo.
Que menos é, de fato. mais.
Que não precisamos dar explicações para quem não nos entende.
Que felicidade mora em coisas simples.
Que a vida não se mede por pelo que temos, mas por que sentimos.
Que o comum pode ser extraordinário, se olhado com calma.
*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*
Muchacho e o cinema que continua aceso na memória
Quantos instantes parecem comuns enquanto acontecem e, anos depois, se tornam preciosos?
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| Eliton de Souza Polverini, o Muchacho |
Basta pronunciar um nome, Cine Monte Líbano, para que o tempo encontre uma passagem e devolva ao coração a alegria de uma sessão que ainda vai começar.
Eliton de Souza Polverini, conhecido como Muchacho guarda essa luz. Ao recordar o cinema, suas palavras têm a espontaneidade de quem reencontra um lugar querido: “Que bom que eu tive o privilégio de viver e curtir cada momento no Cine Monte Líbano.”
Privilégio. É magnífica essa maneira de reconhecer o valor do que se viveu. Naqueles dias, bastava a expectativa do filme para fazer a felicidade acontecer. A espera já pertencia ao espetáculo. Havia uma história prestes a surgir na tela, e só isso era suficiente para dar àquelas horas um brilho especial.
Em sua lembrança, Muchacho fala da ansiedade feliz antes das sessões e dos momentos simples que permaneceram na memória e no coração.
Há uma bonita ternura nessa confissão: o tempo passou, mas não levou consigo aquilo que mais importava. A alegria encontrou abrigo dentro dele.
Um cinema também se conserva assim. Além das paredes, das cadeiras e da tela, existe o lugar que cada espectador leva consigo. Nesse espaço íntimo, nenhuma porta se fecha definitivamente. Podemos voltar, encontrar nosso assento e sentir outra vez a expectativa de quando tudo estava para começar.
Ao dizer que a felicidade morava nas pequenas coisas, Muchacho nos convida a olhar com mais carinho para a vida que estamos vivendo. Quantos instantes parecem comuns enquanto acontecem e, anos depois, se tornam preciosos? Uma saída para assistir a um filme, uma espera, uma noite que gostaríamos que demorasse um pouco mais.
Sua saudade tem também um sorriso. Há gratidão por ter estado ali, por ter participado daquela história, por poder dizer: eu vivi isso. E essa certeza aquece a lembrança, como a luz da tela aquecia os rostos na sala escura.
Hoje, ao compartilhar suas palavras, Muchacho faz o Cine Monte Líbano receber mais uma sessão. O filme é feito de momentos guardados; a emoção vem de quem os viveu.
E, por alguns instantes, podemos imaginá-lo novamente à espera do começo, feliz diante daquela tela, enquanto o coração, que conhece tão bem o caminho, já está sentado na plateia.
Bom Jesus, onde o futuro aprende a ler
Uma cidade que aproxima sua juventude da literatura prepara um amanhã que já começa a frutificar no presente.
É com esse sentimento que Bom Jesus do Itabapoana se prepara para receber, nos dias 14 e 15 de outubro, na Praça Governador Portella, a FLIB, Feira Literária de Bom Jesus do Itabapoana. No meio de histórias, música, teatro, brincadeiras e encontros, a praça poderá ganhar a intimidade de uma sala de leitura e a alegria de um recreio: um lugar onde aprender e imaginar caminham de mãos dadas.
A Secretaria Municipal de Educação, à frente a secretária Mônica de Fátima Bartolazi Boechat Amil, merece nossos cumprimentos pela realização dessa iniciativa, com o apoio da Prefeitura. A todos os educadores e profissionais envolvidos, nosso reconhecimento pelo trabalho de abrir caminhos para novos leitores. Cada criança que descobre o prazer de uma história leva consigo algo que nenhuma cerimônia de encerramento poderá apagar.
A FLIB chega a uma terra onde a literatura vem encontrando braços abertos. Segue os passos da FLICBonjê, que caminha para sua quinta edição e vem ajudando a cultivar entre nós o encontro com os livros, os escritores e as múltiplas expressões da cultura. Nesse percurso, Bom Jesus fortalece sua vocação literária e amplia os espaços em que sua gente pode criar, aprender e compartilhar.
É momento de unirmos esforços: apoiar a FLIB e fortalecer a FLICBonjê. Há muito a construir com a participação das escolas, das famílias, dos escritores, dos artistas, das instituições e do poder público. Quando essas mãos se encontram, os frutos alcançam toda a comunidade. A criança que hoje escuta uma história poderá amanhã escrever a sua; o jovem que encontra espaço para sua voz poderá ajudar a transformar a cidade.
Entre as atividades da feira, jovens descubrirão pela primeira vez que um livro também pode ser abrigo. Um estudante pode reconhecer num poema uma emoção que ainda não sabia nomear. Uma apresentação pode despertar um talento que esperava apenas uma oportunidade. São acontecimentos discretos, quase silenciosos, mas capazes de acompanhar uma vida inteira.
Por isso, celebrar a FLIB é também celebrar a esperança que ganha forma no trabalho dos educadores. É reconhecer que nossas crianças e nossos jovens precisam de oportunidades para desenvolver a sensibilidade, a imaginação e a confiança em suas próprias possibilidades.
Um novo futuro está sendo gestado em Bom Jesus. Podemos percebê-lo nas mãos pequenas que abrem um livro, nos olhos atentos diante de uma história e na coragem de quem se levanta para apresentar sua criação.
Que saibamos cuidar desse futuro juntos. E que, nas páginas que nossa cidade começa a escrever, nenhuma criança fique sem lugar.
Cine Monte Líbano: a primavera que Raul Travassos ainda ouve
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Existem músicas que nunca terminam. A última nota se dissolve no ar, os músicos recolhem seus instrumentos, os anos passam, mas alguma coisa continua tocando dentro de nós. Para Raul Travassos, os compassos iniciais de Vozes da Primavera, de Johann Strauss II, ainda abrem as portas do Cine Monte Líbano.
“Até consigo ouvir os compassos iniciais de ‘Vozes da Primavera’, de Strauss, prefixo musical que antecedia o início de todas as sessões do Monte Líbano”, recorda.
Sua lembrança nos devolve algo que uma fotografia não consegue guardar: o som de um lugar. Podemos contemplar a fachada, reconhecer as cadeiras, imaginar a tela. Mas é pela memória de Raul que voltamos a ouvir o cinema preparando-se para receber seus sonhos.
Antes das primeiras imagens, vinha a valsa. Enquanto as pessoas encontravam seus lugares, a música espalhava pela sala aquela promessa de primavera. Talvez alguém ainda procurasse uma cadeira; talvez uma conversa baixasse de tom para que os ouvidos acompanhassem a melodia. Cada espectador trazia consigo um dia inteiro de vida, e aqueles compassos anunciavam que chegara a hora de entregá-lo, por alguns instantes, à magia da tela.
Durante a música, ouviam-se três sinais sonoros e delicados.
O primeiro chamava a atenção. O segundo aproximava a expectativa. Ao terceiro, apagavam-se as luzes e começava o espetáculo.
Que magnífico esse pequeno ritual! O escuro chegava no momento combinado, acolhendo todos na mesma espera. Na tela, outra luz nascia. E Bom Jesus do Itabapoana se deixava conduzir por histórias que vinham de longe, mas encontravam lugar na intimidade de cada coração.
Na obra de Strauss, a primavera ganha voz: há o canto dos pássaros, a brisa, a natureza despertando. No Cine Monte Líbano, essa primavera também anunciava um despertar. Podia ser o começo de uma aventura, de uma gargalhada, de uma emoção que alguém levaria consigo ao sair da sessão.
Raul guardou os compassos. Guardou os três sinais. Guardou o instante preciso em que as luzes se apagavam. Sua recordação revela quanto da história de um cinema permanece nas pessoas que o frequentaram. Há um patrimônio feito de sons, gestos e esperas, preservado com delicadeza em algum recanto da memória.
Ao compartilhar sua lembrança, ele nos permite sentar novamente naquela sala. Por um momento, ouvimos com ele. Esperamos com ele. Reconhecemos, na música, o anúncio de uma felicidade antiga.
E, enquanto o Cine Monte Líbano caminha para reencontrar seu público, essa memória traz uma vontade singela: que Vozes da Primavera volte a percorrer a sala e encontre os ouvidos de uma nova geração.
Raul Travassos ainda consegue ouvi-la.
Talvez seja assim que um cinema comece a renascer: alguém se lembra de sua música, e uma cidade inteira se aproxima para escutar.





