sexta-feira, 22 de agosto de 2025

A casinha da Diná

 

Adalto Boechat Júnior 

A rua Carioca ainda é uma estradinha de chão no meu distrito. Essa mesma estradinha de terra quase engoliu uma velha casinha que hoje resiste apenas em algumas paredes de pé. Mas, na memória que guardo, ela continua inteira: uma casa viva, habitada por uma senhora caprichosa que cultivava uma horta sortida e um jardim florido.

O tempo, que parece ter asas, passou depressa demais. E no vento ficaram lembranças: a fumacinha da chaminé subindo mansa, o cheiro de alho frito, o café coado se espalhando pela cozinha, o canto das cigarras e o trinado dos passarinhos que rasgavam o silêncio.

Mas cadê tudo isso? O tempo, esse artesão paradoxal, constrói e destrói. Entre suas mãos invisíveis vivemos, frágeis, passageiros, e é nesse intervalo, breve e precioso, que a vida acontece.

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