O “Dicionário visual de arquitetura”, publicado pela Editora Quimera em 2014, é mais do que um livro: é um edifício de papel. Suas 654 páginas erguem colunas invisíveis, abrem portais ornamentados e convidam o leitor a atravessar séculos de história com os olhos.
Sob a coordenação de Lorenzo de la Plaza Escudero, com textos de Adoración Morales Gómez, infografias de Maria Luisa Bermejo López e desenhos de José María Martínez Murillo, a obra se apresenta como um templo do conhecimento. Logo na introdução, o visitante, ou melhor, o leitor, encontra-se diante de arcos e ordens arquitetônicas, cada uma desenhada com precisão, cada detalhe nomeado como se fosse uma jóia.
E ali, página após página, descobrem-se estilos e metamorfoses: o gótico que sobe em agulhas, o renascimento que busca harmonia, o barroco que se desdobra em teatralidade. No coração do livro, o churrigueresco espanhol do século XVIII surge como um clarão: portais carregados de volutas, figuras antropomorfas, leões e crocodilos, águas em movimento, um mundo inteiro feito de curvas e excesso, quase música transformada em pedra.
Folhear o dicionário é como passear por uma cidade sonhada. Cada página guarda uma surpresa, cada ilustração parece competir pela beleza com a anterior. Não é apenas um manual: é um convite ao assombro. Dá vontade de voltar sempre, como quem retorna a uma praça antiga para ver de novo a mesma fachada, e descobrir, a cada olhar, um detalhe que antes escapava.
No fim, percebe-se que este livro é mais que fundamental para estudantes e profissionais. É também um refúgio poético para qualquer um que ame a arquitetura como quem ama a vida: feita de linhas, curvas e silêncios, mas também de memória e encantamento.
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