Todos os agostos, uma mãe transforma tecido, vento e palavras em uma pequena eternidade.
Todo ano, quando agosto chega, uma faixa aparece à beira da estrada.
Não é uma faixa de festa. Não anuncia comércio, não convida para eventos, não promete prêmios nem celebra conquistas.
É uma faixa de saudade.
Nela, poucas palavras dizem o que talvez nenhuma palavra consiga dizer inteiramente:
“Juninho - 20 anos de saudade.”
Ao lado, uma pequena cruz.
E a estrada continua.
A faixa é colocada sempre no mesmo lugar, numa curva da estrada. Uma curva que, curiosamente, também parece fazer parte da história. Quem passa depressa talvez consiga ler apenas um pedaço da mensagem. A curva impede que as palavras sejam vistas por completo.
Mas a saudade é assim mesmo.
Nunca conseguimos enxergá-la inteira.
Ela aparece em fagulhas: numa fotografia antiga, numa música, num cheiro, numa lembrança que chega sem pedir licença. Às vezes, basta passar por determinado lugar para que alguém que partiu volte, por alguns instantes, a caminhar conosco.
Dizem que é a mãe de Juninho quem, ano após ano, faz questão de colocar a faixa.
E há algo profundamente humano nesse gesto.
O tempo passa. O pano envelhece. A chuva desbota as letras. O vento castiga o tecido. A faixa vai se desfazendo aos poucos, como se a própria estrada tentasse apagar aquela lembrança.
Mas a mãe volta.
E coloca outra.
Porque existem dores que o tempo não apaga. Apenas ensina a carregá-las de outra maneira.
Aquela faixa é uma espécie de oração estendida sobre a estrada.
Uma oração que não pede nada.
Apenas diz:
Ele esteve aqui.
Ele foi amado.
Ele continua sendo lembrado.
Há quem possa perguntar por que tornar pública uma saudade tão particular.
Mas o amor também tem necessidade de testemunhas.
Aquela pequena cruz, perdida na paisagem, transforma a margem da estrada em um lugar de memória. E os que passam certamente não conheceram Juninho, talvez nunca tenham ouvido sua voz, talvez não saibam de sua história.
Ainda assim, durante alguns segundos, sabem que alguém foi amado profundamente.
E isso basta.
A curva permanece.
A estrada permanece.
Agosto retorna todos os anos.
E a faixa, mesmo quando rasgada pelo tempo, parece dizer que existem ausências que se recusam a desaparecer.
Algumas pessoas partem da vida, mas não partem da memória.
E esse é o sentido mais bonito daquela faixa na beira da estrada:
a saudade também precisa de um lugar para morar.
Para Juninho, esse lugar é uma curva.
E, todos os agostos, uma mãe transforma tecido, vento e palavras em uma pequena eternidade.

Tem-se que se apegar, a uma forma de conviver com a saudade!
ResponderExcluirSaudações Bom-Jesuenses.