segunda-feira, 26 de outubro de 2026

A cássia que aprendeu a rezar

 

Na Praça Governador Portela, em Bom Jesus do Itabapoana, há uma oração que floresce.

Diante do Santuário do Senhor Bom Jesus, a cássia amarela ergue seus ramos em direção ao céu. Suas flores acompanham o movimento das torres e parecem buscar, lá no alto, a proximidade de Cristo. Sob o céu nublado, aquele amarelo guarda uma claridade que alcança os olhos de quem passa.

As torres sobem pela vontade dos homens que as construíram. A árvore cresce no ritmo silencioso da natureza. Entre elas, há uma delicada harmonia: a arquitetura e os galhos, os sinos e as pétalas, tudo voltado para o alto. Quem contempla a cena sente o próprio olhar subir, deixando por um instante as pedras da calçada, as grades, as urgências do dia.

Lá em cima, a imagem de Cristo permanece sobre a cidade. Aos seus pés, a cácia oferece o que tem: flores pequenas, reunidas em cachos luminosos. Um vento leve atravessa os ramos, e a oferenda se move. Algumas pétalas se desprendem e descem devagar, levando ao chão um pouco daquele encontro.

Pensamos nas pessoas que atravessam a praça com suas preocupações. Nas que chegam ao Santuário trazendo um pedido que mal conseguem dizer. Pode ser que alguma delas encontre, nessa árvore florida, motivo para deter o passo. Talvez olhe para os ramos, depois para as torres, depois para Cristo, e respire com um pouco mais de calma.

Existem dias em que a esperança começa assim: no inesperado amarelo de uma flor.

A cássia continuará ali, entregue ao sol, à chuva e ao tempo de perder suas pétalas. Hoje, porém, está florida. Hoje, na Praça Governador Portela, seus ramos se levantam junto ao Santuário do Senhor Bom Jesus, e a cidade recebe essa beleza simples, aberta a todos.

Ao partir, levamos a impressão de que a árvore ainda procura alcançar o céu.

E de que o céu, por um instante, veio florescer em Bom Jesus.



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