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Na manhã de 19 de outubro de 2026, o Colégio Estadual Padre Mello, em Bom Jesus do Itabapoana, escreveu uma página especial de sua história. Diante dos tabuleiros, onze estudantes participaram do primeiro torneio interno de xadrez da instituição. No meio da concentração dos olhares e do movimento cuidadoso das peças, uma nova geração de enxadristas começou a se apresentar à sociedade.
Certos momentos históricos chegam assim, discretamente. Uma sala de aula, mesas reunidas, jovens pensando. No silêncio, cada participante aprende a avaliar caminhos, reconhecer dificuldades e decidir por si próprio. Antes de mover uma peça, é preciso assumir uma escolha, e aceitar que ela terá consequências.
A Sala de Xadrez ganha, dessa forma, vida e sentido. O trabalho de ensinar se desemvolve na atenção de quem observa o tabuleiro, na coragem de quem ensaia uma combinação e na disposição de recomeçar depois de um erro. Ali, a autonomia se exercita lance a lance.
A aluna Suzany Aparecida Vieira Quinto conquistou o título com cinco pontos, vencendo todas as partidas. Maria Isadora da Silva Brandão, com quatro pontos, ficou em segundo lugar, e João Lucas Gomes de Oliveira, com três pontos e meio, completou as três primeiras posições. São nomes que passam a integrar o primeiro registro dessa caminhada enxadrística dentro da escola.
O reconhecimento se estende aos onze participantes. Cada um ajudou a construir a manhã inaugural: levou ao tabuleiro suas dúvidas, suas descobertas e a vontade de aprender. Também há conquista no esforço de permanecer atento, de respeitar o adversário e de compreender uma posição que, à primeira vista, parecia sem saída.
O torneio homenageou a professora de matemática Luciana Belo, ex-servidora da instituição. A lembrança acrescentou ternura à competição. Uma escola preserva sua história quando reconhece aqueles que participaram de sua construção; ao homenagear uma educadora, oferece aos estudantes uma lição de gratidão.
Merecem os parabéns a diretora Nathyara Teixeira dos Santos, o coordenador pedagógico Dr. Marcos Cândido Mendonça e o professor de xadrez Fábio Sousa Vargas. O empenho desses educadores abre espaço para que novos talentos sejam descobertos e para que a aprendizagem encontre outras formas de acontecer.
Em uma época de respostas apressadas, ensinar um jovem a demorar o olhar sobre um problema tem um valor profundo. O tabuleiro convida à paciência. Pede que se observe o que está próximo e se imagine o que ainda pode acontecer. Ensina que o outro também tem planos e que compreender seus movimentos faz parte da própria caminhada.
Nesta manhã, o Padre Mello mostrou à sociedade jovens capazes de concentração, iniciativa e reflexão. Sobre as sessenta e quatro casas, começaram a desenhar caminhos próprios.
Essa é a imagem mais emocionante do primeiro torneio: uma escola que oferece oportunidades e uma juventude que, diante delas, estende a mão, escolhe uma peça e começa a construir o próximo lance.







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