Em certos dias, a poesia deixa a intimidade do papel e vem sorrir diante de nós. Veste amarelo, traz medalhas sobre o peito e conserva, no olhar, aquela alegria que nenhuma premiação consegue medir por inteiro.
Assim nos chega a imagem de Cristiana Ana Lima, de Manguinhos, na Serra, celebrada pelo primeiro lugar no Concurso Estadual de Poesias da ACLAPTCTC. No meio do dourado da homenagem e o azul das fitas, seu sorriso é o que mais demora em nossos olhos. Há nele a felicidade de quem vê sua palavra encontrar acolhimento.
Não temos diante de nós os versos premiados. Ainda assim, podemos pensar no caminho silencioso que precede uma conquista literária: a folha à espera, a escolha de uma palavra, a leitura em voz baixa, o instante em que se retira um excesso para que o sentimento possa respirar. Quando chega o reconhecimento, é também esse trabalho discreto que ganha luz.
Manguinhos, com seu nome de mar e suas paisagens de litoral, participa agora dessa celebração. Dá vontade de imaginar a notícia percorrendo suas ruas, entrando pelas janelas, chegando àqueles que conhecem Cristiana e podem dizer, com a alegria próxima dos afetos: a nossa poeta venceu.
A homenagem registra também que as vozes femininas conquistaram o topo do concurso. Cada uma traz seu modo de olhar o mundo, sua memória, suas perguntas. Ao serem ouvidas, ampliam o espaço da literatura e permitem que outras mulheres reconheçam, na palavra publicada, a possibilidade de oferecer também a própria voz.
Nesse encontro, a Academia Capixaba de Letras e Artes de Poetas Trovadores cumpre uma tarefa preciosa: reunir pessoas em torno da criação e dar aos versos a oportunidade de seguir viagem. Um poema precisa de quem o escreva, mas frutifica de maneiras inesperadas quando encontra quem o leia.
Parabéns, Cristiana Ana Lima! Que a alegria desta conquista permaneça por muito tempo e lhe faça companhia diante das próximas páginas. As medalhas guardarão a lembrança deste dia; seus versos poderão chegar a lugares que você talvez nunca conheça.
Haverá sempre encanto nesse destino: em alguma casa, numa tarde qualquer, alguém abrirá um poema seu e encontrará as palavras de que precisava.

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