sexta-feira, 23 de outubro de 2026

A praça e a identidade de suas árvores


Para que os nomes permaneçam entre as folhas



As árvores da Praça Governador Portela fazem parte da nossa vida de um modo tão silencioso que, às vezes, atravessamos seus caminhos sem lhes perguntar o nome. Conhecemos a sombra que oferecem, o desenho dos galhos, as folhas que o vento espalha pelo chão. Sob suas copas, gerações de bonjesuenses conversaram, descansaram e viram a cidade mudar.

Agora, algumas dessas companheiras ganharam pequenas placas de identificação. A iniciativa da Secretaria de Meio Ambiente merece reconhecimento: ao apresentar seus nomes e permitir o acesso a mais informações, abre uma oportunidade de transformar o passeio pela praça em descoberta.

Uma criança poderá aprender o nome da árvore sob a qual brinca. Um morador poderá olhar com renovado interesse para aquele tronco que acompanha sua caminhada há tantos anos. E quem sabe quantas perguntas nascerão dessa aproximação: de onde veio, quando floresce, quais pássaros encontram abrigo em seus ramos?

Conhecer também é uma maneira de criar afeto. Aquilo que aprendemos a reconhecer ganha um lugar mais próximo em nossa atenção e em nosso cuidado.

A boa ideia, porém, precisa de um aperfeiçoamento para permanecer. As placas estão apoiadas em hastes frágeis, cuja aparência suscita uma preocupação legítima com sua durabilidade. Expostas ao tempo e ao movimento cotidiano da praça, precisam de sustentação mais resistente, para que as informações continuem disponíveis aos visitantes.

Seria triste ver desaparecer tão cedo esse convite ao conhecimento. Por isso, cabe aprimorar os suportes, escolher materiais duráveis e assegurar uma instalação que preserve tanto as placas quanto as árvores e seus arredores.

Há meiguice em oferecer um nome a quem passa. Há responsabilidade em garantir que ele continue legível amanhã.

A Secretaria de Meio Ambiente plantou uma boa ideia na Praça Governador Portela. Agora, é preciso cuidar de suas raízes, dando firmeza às pequenas placas que nos ensinam a olhar para o alto, e a perceber melhor a vida que, há tanto tempo, nos oferece sombra.











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