terça-feira, 25 de agosto de 2026

Cachaça Bousquet, uma das melhores Cachaças do Mundo: o sabor de Bom Jesus dentro de uma garrafa


Da cana à arte: Bom Jesus também se revela em cachaça

Bousquet e Três Praias: o sabor de Bom Jesus que conquistou fronteiras

Um pedaço de Bom Jesus guardado em cada garrafa

Bom Jesus em uma garrafa: tradição, arte e sabor




Bom Jesus do Itabapoana possui uma cachaça que já conquistou reconhecimento e premiações, projetando para além de suas fronteiras uma tradição nascida entre canaviais, antigas usinas e histórias familiares. As cachaças Bousquet e Três Praias, produzidas no município, são mais do que bebidas: carregam consigo um pouco da terra bonjesuense.

Existem produtos que guardam muito mais do que um sabor. Guardam a terra onde nasceram, a memória das famílias, o trabalho de gerações e uma pequena geografia afetiva que cabe dentro de uma garrafa. É assim com as tradicionais cachaças Bousquet e Três Praias, encontradas, entre outros pontos, no Empório da CAVIL, localizado na Avenida Geraldo Magela Rodrigues. Na prateleira, suas diferentes apresentações formam quase uma exposição de um patrimônio genuinamente bonjesuense.

Da história das usinas nasceu um novo caminho

A história nos conduz à Fazenda Monte Castelo, de propriedade de João Luis Bousquet, onde está instalado o Alambique Bousquet, no caminho que leva à antiga Usina Santa Isabel.

É significativo que uma bebida ligada à cana-de-açúcar tenha encontrado morada justamente numa região profundamente marcada pela história dessa cultura. Segundo João Luis Bousquet, quando as usinas Santa Isabel e Santa Maria encerraram suas atividades, seu irmão, que lhes fornecia cana-de-açúcar, decidiu estabelecer o alambique.

Existe nessa passagem algo que ultrapassa a simples história de um empreendimento. Quando as grandes usinas silenciaram suas máquinas, a cana continuou brotando da terra. E o homem do campo encontrou outro caminho.

O que poderia representar apenas o encerramento de um ciclo transformou-se no nascimento de outro.

A cana que antes seguia para as usinas passou a alimentar uma produção artesanal, cuidadosa e profundamente identificada com seu lugar de origem. É uma história comum às terras que sabem resistir: quando uma porta se fecha, o trabalho abre outra.

Tradição, ciência e qualidade

A produção da Bousquet nasceu desse encontro entre tradição e conhecimento técnico. Segundo João Luis Bousquet, a bebida é produzida a partir de uma levedura selecionada da melhor cepa de cana-de-açúcar da plantação.

O alambique utiliza ainda uma técnica destinada a assegurar maior homogeneidade à bebida, buscando evitar variações de paladar entre as produções. É a ciência entrando discretamente no antigo universo dos alambiques, não para expulsar a tradição, mas para ajudá-la a alcançar regularidade e excelência.

E há o tempo.

Falar de boa cachaça é também falar dessa matéria invisível que nenhum homem consegue fabricar ou apressar. O tempo repousa nos barris, trabalha silenciosamente sobre a bebida e acrescenta aquilo que a pressa jamais poderia oferecer.

Entre os produtos da Fazenda Monte Castelo destaca-se também o Licor de Cachaça Cravo e Canela, elaborado exclusivamente com cachaça envelhecida em barril de carvalho. Há algo de quase poético nessa combinação: a força da cana encontra o perfume das especiarias e a paciência da madeira.

Gift of Gods: a arte bonjesuense em cachaça
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Há o caso da impressionante da garrafa Gift of Gods - Brazilian Spirit - Arte em Cachaça.

A garrafa alongada e elegante desafia o olhar. Seu corpo de vidro começa largo, como se estivesse firmemente plantado na terra, e depois se eleva lentamente até alcançar um pescoço extraordinariamente fino e comprido. Dentro dela, a bebida repousa em tons de âmbar, atravessada pela luz, lembrando a cor do entardecer quando o sol se despede dos canaviais.

Não é uma simples garrafa sobre uma prateleira.

É uma escultura.

O próprio nome inscrito no vidro, Gift of Gods, “presente dos deuses”, acompanhado das expressões Brazilian Spirit e Arte em Cachaça, revela a intenção de transformar a bebida também em objeto de contemplação.

E não há exagero nessa associação. A cachaça bonjesuense nasceu do encontro entre a terra, a cana, o fogo, o engenho, as mãos humanas e o tempo. Antes de chegar ao cálice, atravessa uma história profundamente ligada ao próprio Brasil.

Existe ainda algo especialmente belo na forma como essa garrafa foi concebida. Sua longa haste de vidro parece apontar para o alto, enquanto a base conserva a bebida junto à terra. É quase uma metáfora: a cana nasce no chão, recebe o sol, passa pelas mãos humanas e, depois de transformada, alcança outra dimensão.

Da terra para o alto. Do canavial para a arte

Ao lado das embalagens negras e douradas, a garrafa parece uma joia retirada de seu estojo. O dourado das inscrições conversa com o âmbar da bebida, enquanto a transparência do vidro permite que o verdadeiro protagonista permaneça visível.

Não se esconde o conteúdo. Exibe-se a cor do tempo.

Esssa é uma das maiores virtudes da cachaça artesanal bonjesuense: transformar simplicidade em distinção. Tudo começa com uma planta aparentemente comum, balançando ao vento em algum canavial. Depois vêm o corte, a moagem, a fermentação, a destilação, a paciência e o conhecimento acumulado ao longo dos anos.

E, ao final desse caminho, surge uma garrafa como esta.

Quem a observa pode ver apenas uma bebida cuidadosamente apresentada. Mas quem demora um pouco mais o olhar poderá enxergar outra coisa: um pedaço de Bom Jesus guardado no vidro, dourado como o sol, forte como a terra e elegante como aquilo que o tempo soube aperfeiçoar.

Bousquet e Três Praias: sabores de uma terra

Bousquet e Três Praias são mais do que nomes estampados em rótulos. Representam uma atividade produtiva nascida no território bonjesuense e capaz de levar consigo, para além das fronteiras municipais, o nome da terra onde tudo começou.

Num tempo em que tantas cidades procuram símbolos capazes de expressar sua identidade, Bom Jesus possui riquezas que, muitas vezes, estão diante de nossos olhos, ou, neste caso, cuidadosamente guardadas dentro de garrafas.

A imagem das cachaças no Empório da CAVIL ganha, assim, significado maior. Essas garrafas contam silenciosamente uma história: a história da cana-de-açúcar, das antigas usinas Santa Isabel e Santa Maria, da Fazenda Monte Castelo, do Alambique Bousquet, do trabalho de uma família e da capacidade de transformar tradição, conhecimento e perseverança em um produto de qualidade.

Certas cachaças, afinal, não foram feitas apenas para serem degustadas. Foram feitas também para contar histórias.

E no fundo de cada garrafa permanece um pouco da paisagem onde tudo começou.

Esse é o segredo das coisas verdadeiramente nossas: elas podem viajar, conquistar reconhecimento, receber premiações e atravessar fronteiras, mas conservam no sabor, na história e na memória o endereço de onde partiram:

Bom Jesus do Itabapoana.


João Luís Bousquet (arquivo)












Sede da Fazenda Monte Castelo 



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