A Academia Itaperunense de Letras realizou uma Sessão Solene para a entrega da Comenda Flora Malta Carpi, instituída em homenagem ao centenário de nascimento da saudosa poetisa, nascida em 18 de agosto de 1926. Certificado e medalha materializaram um reconhecimento que, em sua essência, ultrapassa o metal e o papel: representam a reverência de uma cidade aos seus criadores.
Flora Malta Carpi pertence àquela categoria rara constelacão de pessoas que não desaparecem quando partem. Permanecem naquilo que escreveram, criaram, ensinaram e inspiraram. Mulher de dons multifacetados, deixou contribuição marcante para a cultura e as artes de Itaperuna. Agora, ao completar-se o centenário de seu nascimento, seu nome transforma-se também em símbolo destinado a reconhecer outros homens e mulheres que escolheram a arte como maneira de estar no mundo.
Existe aí uma bela continuidade: uma artista do passado empresta seu nome para iluminar os artistas do presente.
A solenidade ganhou significado ainda maior por ocorrer no contexto das celebrações do Dia do Artista, comemorado em 24 de agosto. Era, portanto, mais que uma entrega de comendas. Era Itaperuna contemplando a própria história cultural e dizendo aos seus artistas: nós reconhecemos o que vocês fizeram; sabemos que uma cidade também é construída com música, pintura, teatro, desenho, fotografia, poesia e imaginação.
Foram homenageados 25 artistas, representando diferentes linguagens e gerações da produção cultural itaperunense:
Alex Espirro, músico; André Codeço, músico e compositor; André Cunha, artista plástico; Armando Didora, músico; Beth Ximenes, artista plástica; Carmen Horr, artista plástica; Cristian Tardin, artista plástico; Dalvan Amaral, músico; Dico de Paula, músico; Duda Garcia, músico; Jaime Toledo, músico; Jamérico Garcia, cantor; Antonio Pinheiro Joe, designer gráfico; Jorginho Della Silver, músico e cantor; João Marins, ator; Kadim Duedel, músico, compositor e cantor; Luiz Cerqueira, músico e compositor; Matheus Marra, ator e gestor cultural; Luiz Motta, músico e compositor; NazQueiroz, ilustrador e caricaturista; Paulinho Cardoso, músico e compositor; Paulinho Trompete Lindão, músico; Raul de Oliveira, cantor e sambista; Rogério Almeida, músico e fotógrafo; e Valber Meireles, músico, cantor e compositor.
Cada nome chamado representava uma história. Cada medalha colocada no peito dizia que nenhum acorde executado, nenhum palco ocupado, nenhuma tela preenchida, nenhuma interpretação, nenhum traço ou gesto criativo se perdeu no tempo. A arte deixa marcas invisíveis, mas algumas cidades sabem torná-las visíveis.
E a noite não poderia terminar apenas com discursos e homenagens. Quando se celebra a arte, é preciso permitir que ela própria fale.
Foi então que Kadim Duedel, ao violão e voz, Rogério de Almeida, na gaita, Raul de Oliveira, na voz, e Paulinho Trompete Lindão, no trompete, transformaram o encerramento em música. Belas canções envolveram o Cineteatro, como se a solenidade encontrasse naquele instante sua tradução mais perfeita.
As palavras haviam homenageado os artistas. As medalhas haviam reconhecido suas trajetórias. Mas foi a música que explicou tudo.
Uma cidade não vive somente de ruas, prédios, documentos e datas. Vive também dos sons que suas gerações produziram, das telas que seus artistas pintaram, dos personagens que seus atores encarnaram, das imagens que seus fotógrafos eternizaram, dos desenhos que fizeram sorrir e pensar e das melodias que, muitas vezes, sobreviveram aos próprios acontecimentos que as inspiraram.
Ao instituir a Comenda Flora Malta Carpi, a Academia Itaperunense de Letras realiza, portanto, mais do que uma homenagem. Constrói uma ponte entre gerações.
De um lado, está Flora, nascida há cem anos, levando consigo a poesia e a sensibilidade de seu tempo.
Do outro, estão os artistas de hoje, carregando instrumentos, pincéis, câmeras, vozes, personagens, desenhos, composições e sonhos.
Entre eles está Itaperuna.
Uma cidade que, nessa noite, soube fazer algo essencial para qualquer povo que deseja preservar sua identidade: agradecer aos seus artistas enquanto suas obras continuam palpitando entre nós.
Essa é a mais bela comenda entregue no Cineteatro: não aquela presa ao peito, mas aquela gravada na memória. Medalhas brilham sob as luzes de uma solenidade. A arte, porém, continua brilhando depois que todas as luzes se apagam.





























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