16 de novembro de 2026 será uma das datas destinadas à eternidade. Às 19 horas, os sinos da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus não anunciarão apenas o início de uma celebração: anunciarão que uma página nova e luminosa estará sendo escrita na história religiosa de Bom Jesus do Itabapoana.
Nessa noite, a igreja que tantas gerações aprenderam a chamar simplesmente de Matriz será solenemente elevada e instalada como Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus e Santa Rita de Cássia. A Santa Missa Solene será presidida por Dom Roberto Francisco Ferrería Paz, Bispo Diocesano de Campos, transformando aquele momento em marco espiritual para toda a comunidade.
E haverá algo profundamente comovente nessa transformação: o templo será o mesmo, mas sua missão será ainda maior.
Continuarão ali as paredes que ouviram incontáveis Ave-Marias; o altar diante do qual famílias agradeceram e suplicaram; os bancos que acolheram gerações; as torres que aprenderam a conversar com o céu de Bom Jesus. Contudo, a partir daquela noite, aquele espaço de fé assumirá também, oficialmente, a vocação de Santuário, casa de peregrinação, acolhimento, oração e encontro com Deus.
Há nisso uma belíssima continuidade histórica. A majestosa igreja carrega em sua arquitetura e em sua memória a presença de gerações que construíram não somente paredes, torres e altares, mas uma identidade espiritual. Entre essas figuras resplandece o inesquecível Padre Antônio Francisco de Mello, sacerdote açoriano cuja trajetória se confundiu profundamente com a própria história bonjesuense. A ele está ligada uma parte fundamental da transformação arquitetônica da Matriz que atravessou o tempo e chegou até nossos dias.
Nessa noite de novembro, a História estará invisivelmente sentada nos primeiros bancos.
Ali estarão, na memória, os sacerdotes que passaram pela paróquia; os homens e mulheres que ajudaram a construir e conservar o templo; as mães que levaram seus filhos para o batismo; os noivos que caminharam até o altar; aqueles que acenderam velas em momentos de aflição; aqueles que chegaram chorando e partiram fortalecidos; aqueles que já não estão entre nós, mas deixaram suas preces impregnadas na alma daquela igreja.
E estarão presentes, sobretudo, Senhor Bom Jesus e Santa Rita de Cássia, devoções que agora se unem também no nome oficial do Santuário.
É bonito imaginar que, enquanto os sinos ecoarem pela cidade nessa noite, haverá algo maior acontecendo. Cada badalada parecerá atravessar décadas e chamar os antigos bonjesuenses para participarem, espiritualmente, da solenidade. Será como se passado e presente se encontrassem diante do mesmo altar para entregar o futuro nas mãos de Deus.
A Matriz não deixará de ser a casa afetiva dos bonjesuenses. Ao contrário: tornar-se Santuário será ampliar essa casa. Suas portas estarão ainda mais simbolicamente abertas ao peregrino que chega cansado, ao enfermo que procura esperança, à mãe que pede pelo filho, ao filho que agradece pela mãe, ao homem que busca respostas e àquele que deseja apenas alguns minutos de silêncio diante do sagrado.
Nessa noite, Bom Jesus do Itabapoana poderá olhar para suas torres com um sentimento diferente.
Uma cidade também é feita de seus lugares sagrados.
Lugares onde os homens constroem paredes, mas onde a fé constrói eternidades.
16 de novembro de 2026, às 19 horas.
Quando os sinos começarem a tocar, não estarão anunciando apenas uma Missa.
Estarão anunciando à cidade e às gerações futuras que a velha e amada Matriz atravessou mais uma porta da História, e tornou-se Santuário.

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