quarta-feira, 14 de abril de 2021

Relíquia de Padre Mello é doada ao ECLB






 O teodolito usado por Padre Mello para as medições que costumava fazer foi doado ao Espaço Cultural Luciano Bastos, pelo saudoso Irmão Ederaldo do Carmo e sua mãe Terezinha.

Junto com o aparelho, veio um Manual do Agrimensor utilizado pelo padre açoriano, editado em 1926.


O primeiro mapa de Bom Jesus do Itabapoana, produzido por Padre Mello, em 15 de março de 1940, e doado ao ECLB pelo poeta Elcio Xavier, teve a utilização do referido teodolito.



No dia 2 de abril de 2018, o Ir Ederaldo do Carmo apresentou o teodolito por ocasião do Mês de Padre Mello, no ECLB.

Ir Ederaldo era sobrinho neto de Padre Mello.




Faleceu Alessandro Nunes

 


Faleceu, hoje, dia 14 de abril, de parada cardíaca, Alessandro Nunes, esposo de Cintia Nunes, diretora do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira.

Alessandro e Cintia doaram o terreno onde foi edificado o Memorial, localizado no Sítio Rio Preto, distrito de Calheiros.

Nossos sentimentos à família enlutada!

Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, no Sítio Rio Preto


terça-feira, 13 de abril de 2021

Faleceu Anísio Gomes Pimentel

 

Faleceu hoje, dia 13 de abril de 2021, de covid, Anísio Gomes Pimentel. Em 2012, o jornal O Norte Fluminense realizou a seguinte entrevista com ele. Nossos sentimentos à família enlutada!


 Da Série Entrevistas de O Norte Fluminense

O CANTOR DE DEUS

Anízio Gomes Pimentel
Anízio Gomes Pimentel nasceu em 15/12/1937, na Fazenda São Luís, zona rural de Rosal, distrito de Bom Jesus do Itabapoana.

Filho de Francisco Gomes Pimentel e de Hilda Araújo Leite Pimentel, teve como avós maternos Anízio de Araújo Leite e Maria José Alves Pimentel de Araújo Leite. Os avós paternos foram Francisco Gomes de Oliveira (Chico Gomes) e Ana Alves Pimentel de Oliveira.



CHICO GOMES E A 1a. BANDA DE BOM JESUS 


Chico Gomes fundou a 1a. Banda de Bom Jesus do Itabapoana, em sua residência, localizada na Fazenda Barra Funda, no dia 26 de julho de 1911. A banda existiu até o ano de 1946.

Uma fotografia dessa época é retratada abaixo. O maestro da banda era Ernestino, conhecido como Cafuxim, o primeiro sentado, à esquerda, na foto tirada em 1915. Ele havia sido maestro da Banda de Natividade (RJ) e fora trabalhar como carpinteiro na Fazenda de Chico Gomes, que costumava dizer que "um fio de cabelo do meu bigode vale mais que qualquer nota promissória assinada por mim". Chico Gomes teve uma filha com Maria Marques: Ana Cecília, que reside em Santa Fé.


Anízio se recorda dos seguintes parentes e vizinhos integrantes da banda (sempre com referência da esquerda para direita): Carlos Nunes, José Pimenta (terceiro, em pé), José Gomes (quarto, sentado), Sebastião Gomes de Oliveira e Júlio Gomes de Oliveira (sexto, sentado).



A 1a. Banda de Bom Jesus: Banda de Chico Gomes (direita), fundada em 1911


O LAMPIÃO DE ROSAL

Anízio se recorda de fatos marcantes da época de seu avô, Chico Gomes. 


Segundo ele, certa vez, fora morar em Rosal um homem conhecido como Tenente Silvino. 

"Diziam que ele era capanga de Lampião. Seria do Exército e teria desertado. Fora preso em Recife, mas quando um preso adoecera e fora acodido pelo carcereiro, ele e mais onze presos conseguiram fugir. Tenente Silvino, contudo, era considerado pior que Lampião. Ele chegava nas casas e se gostasse de alguma mulher, dava ordens e a possuia", conta Anízio.

Por conta disso, há comentários de que Tenente Silvino teria tido descendente na região.

Continua Anízio: "Se ele via, por exemplo, algum capado, determinava: 'mata aquele capadinho e coloca na lata para eu levar', fazendo o terror na região".

O homem dos 3 jotas

"Certa vez, à noite, o cidadão João José Jacomini estava andando de cavalo em Bom Jesus do Norte (ES), próximo ao cemitério. Neste momento, ouviu uma voz que gritou: "Quem vem aí?" João respondeu: 'Aqui vai o homem de três jotas'. A voz replicou: 'Pois aqui é o Tenente Silvino. Vamos, então, medir força!' Neste momento, tiros começaram a ser disparados em direção a João José, que caiu do cavalo, sem ser alvejado, e se embrenhou no mato. Depois de duas horas, após percorrer 4 quilômetros com todos os cuidados possíveis, conseguiu chegar até a sua casa", relata Anizio.

Rifas


"Tenente Silvino costumava realizar rifas em que os ganhadores eram sempre pessoas desconhecidas. Certa vez, ele ofereceu uma para Chico Gomes, que, contudo, recusou a compra.

Tenente Silvino resolveu, então, levar, à noite, cerca de seis capagans para matar Chico Gomes. Quando avistaram a residência de Chico Gomes, o Tenente Silvino gritou para Chico Gomes: 'Vamos cruzar o bigode!'

Ocorre que Tenente Silvino, ao observar atentamente a residência de Chico Gomes, constatou uma grande movimentação de pessoas. Ouviu uma falação alta e vultos se deslocando entre os esteios da casa. Supondo que lá estavam pessoas para defender Chico Gomes, resolveu se retirar do local.


Foi Zezé André quem informou este fato ao próprio Chico Gomes. Tenente Silvino disse a Zezé André que na casa de Chico Gomes havia 30 homens armados, muito falatório e atiradores de elite atrás dos esteios da casa. 


Chico Gomes, entretanto, esclareceu, depois, que estava acontecendo uma reunião festiva em sua casa, onde havia muita gente falando e as crianças brincavam se escondendo entre os esteios da casa. Como tudo era iluminado por lampião, deu-se a impressão que pessoas se movimentavam escondendo atrás dos esteios da casa. 

Tenente Silvino morreu em uma troca de tiros com cerca de 30 policiais comandados por um major que veio de Niterói. Quando morreu, Tenente Silvino estava acompanhado apenas de um capanga, uma vez que os demais resolveram fugir", registrou Anízio.


ESTUDOS, ESPORTE E FÉ

Anízio entrou para a escola aos 8 anos de idade, na Escola Estadual Monte Azul, onde estudou por 2 anos.  "Depois, vim estudar na Escola Luiz Tito de Almeida, em Rosal, onde terminei o primário".

"Mudei-me para a Fazenda Santa Rosa de Lima, em Bom Jesus do Itabapoana, no dia 3 de agosto de 1952. No dia 13 de agosto do mesmo ano entrei para a Associação Religiosa Congregação Mariana, na Igreja Matriz e, depois, na Igreja do Abrigo dos Velhos". No dia 15 de agosto deste ano, fez 60 anos de Congregado, onde foi homenageado com uma placa comemorativa.



Relata Anizio que "no dia 1o. de março de 1954, entrei para o Colégio Rio Branco, onde fiz a 1a. e a 2a. séries do ginasial. Parei os estudos em 1956 para fazer o Tiro de Guerra. No dia 13 de agosto do mesmo ano, fui campeão de corrida de fundos de 5.000 m na festa de agosto. Em 1957, fui estudar no Colégio Coronel Antônio Honório, em Bom Jesus do Norte, onde concluí o curso ginasial em 8 de dezembro de 1958".


Nesta época, integrou o Coral da Igreja Matriz, juntamente com Ruimar Viestel, Renato Reis, Carlos Heinrique Furtado, Edmundo Goulart, Jarbas Ferreira Dias e Geraldo Cyrillo.


Anízio e o Coral da Igreja Matriz em São Fidélis, em 23/04/1958

                                                  
Em 15 de novembro de 1958, atuou como atleta e, depois, como técnico do time de basquetebol do Colégio Antônio Honório. Nesta condição, disputou uma competição com todos os colégios do Estado do Espírito Santo e acabou sagrando-se campeão. "A final foi emocionante, e impomos derrota ao time do Colégio de Guarapari, pelo placar de 32 a 28. A equipe foi integrada por José Chaves, Surley Poubel, José Coury, Fábio Ronaldo, Sebastião de Almeida, Batista e Ademir Nunes ", esclareceu Anízio.


     Time campeão de basquete, em 1958, utilizando o uniforme do Aero Clube


"Em 1959, voltei para o Colégio Rio Branco para fazer o Curso Técnico em Contabilidade, terminando o mesmo em 8 de dezembro de 1961. No dia 1o. de março de 1960, resolvi também ingressar no Curso de Formação de Professores, sendo o único do sexo masculino a fazer este curso. Tive, contudo, de abandoná-lo por motivo de trabalho, mas o concluí em 1969."






Terço dos homens, na madrugada, organizado por Padre Francisco, em 1962

"Em 1o. de janeiro fui trabalhar no Ministério da Agricultura até o dia 30/06/1960, quando fui trabalhar na Gráfica Gutenberg, de Ésio e Luciano Augusto Bastos, onde permanecei até o dia 31/07/1962. 


No dia 07 de agosto de 1962, fui trabalhar na Distribuidora de Veículos União, que era representante de Willys Overland do Brasil. Depois, fui trabalhar na Ford, onde trabalhei até o dia 13 de agosto de 2003, quando se encerraram as atividades em Bom Jesus. Na época, eu já estava aposentado
.


"Fui eleito funcionário padrão na Ford, em 16 de outubro de 1995. No mesmo ano, fui técnico da equipe de futebol de campo da Ford, e sagrei-me campeão em torneio realizado em comemoração ao Dia do Trabalho, que era promovido pelo comércio local.
 
Anízio casou-se com Luzmar Aguiar Pimentel, que era professora, no dia 06 de fevereiro de 1966. Ela aposentou-se no Colégio Anacleto José Borges Neto em 1995. Desse casamento, tiveram 3 filhos: Francisco Alvim, Anízia Maria e Luiz Gonzaga Aguiar Pimentel. Posssuem 6 netos: Tiago Luiz, Douglas, Alvian, Mateus, Maria Clara, Miguel Arcanjo e Maria Micaela.

"Hoje, estamos aposentados e gostamos de tomar conta dos netos e ajudamos nossa filha Anízia Maria Aguiar Pimentel dos Santos, que é diretora da Escola de Música JEMAJ (Jesus, Maria e José) Musical", finaliza Anízio.


JEMAJ E A TRADIÇÃO FAMILIAR 

Fundada em 17 de fevereiro de 1997, e localizada na rua 21 de Abril, no. 115, com telefone 22-38311704, a Escola de Música JEMAJ dá prosseguimento a uma tradição familiar de fé e de amor à música, que teve início com Chico Gomes em 1911.



Anízia Maria, em foto de 2000

Escola de Música JEMAJ: luta pela preservação da tradição

O xadrez imortal de José Ronaldo Mascarenhas

            Gino Martins Borges Bastos


         José Ronaldo Mascarenhas

Na década de 1970,  quando eu era adolescente, aprendi a jogar xadrez depois que meu pai, Luciano Bastos, presenteou, no Natal, a minha irmã Francia com o Jogo de Xadrez do Mequinho.

José Henrique Mecking, o Mequinho, era o gênio do xadrez brasileiro que chegou a ser o terceiro melhor jogador do mundo. Enquanto Mequinho se despontava no Brasil, o enxadrista norte-americano Bobby Fischer, considerado outro gênio do xadrez, conquistava o campeonato mundial, desbancando uma tradição de campeões russos. Neste mesmo período, em Bom Jesus do Itabapoana, brilhava o gênio do enxadrista José Ronaldo Mascarenhas, que chegou a ser campeão olímpico no Estado do Rio de Janeiro.

José Ronaldo sempre foi referência para o xadrez bonjesuense, desde então. O Clube de Xadrez Epistolar Brasileiro, com sede na Bahia, tinha o seguinte lema: "Leva o xadrez, traz o amigo!". O xadrez, considerado um jogo-arte-ciência, sempre teve essa condição de promover grande amizade entre seus praticantes.

 José Ronaldo, nascido no dia 10 de outubro de 1955, pontificou no xadrez bonjesuense até o dia 11 de abril de 2021, quando faleceu, após uma tentativa de transplante de fígado. Antes de ir para o Hospital São José do Avaí, em Itaperuna, fez questão de  arrumar o espaço de xadrez em sua casa, colocando em ordem o extenso número de troféus que estava em uma prateleira. Ao ser levado de maca para a sala de cirurgia, lá foi ele jogando xadrez através do seu celular. 

Além de ter ensinado xadrez a um grande número de jovens e adultos, José Ronaldo deu início à tradição enxadrística em nossa região.

Bom Jesus do Norte (ES) passou a ter o seu Clube de Xadrez, funcionando na Biblioteca Romeu Couto, por iniciativa do Professor Fábio Sousa Vargas, com o apoio do Professor Alex Sandro Napomucena Gulinelli. Além disso, Fabio implantou o xadrez nas escolas de Bom Jesus do Itabapoana e Bom Jesus do Norte.

Fabio Sousa Vargas organizou o Clube de Xadrez Bom Jesus do Norte, com o apoio do Prof. Alex Sandro Napomucena Gulinelli, e implantou o xadrez nas escolas das duas Bom Jesus


Recentemente, Urubatan Rabello fundou, em Bom Jesus do Itabapoana, o Clube de Xadrez Expedicionário.  

Jones Urubatan Rabello e os jovens filhos, campeões de xadrez, Lorenzo, Gabriel, Jones Filho e Júnia. Ele fundou o Clube de Xadrez Expedicionário.


Com a implantação do xadrez nas escolas, centenas de jovens aprenderam a jogar xadrez, contribuindo para o desenvolvimento da capacidade de reflexão, controle emocional e agilidade no raciocínio, entre outras qualidades.

Olhando para o passado de glória de José Ronaldo, podemos olhar com orgulho para o futuro, e dizermos que as duas Bom Jesus constituirão a região onde os jovens se destacarão, em relação ao país, através da prática do xadrez e, consequentemente, com um estilo de vida diferenciado!

José Ronaldo Mascarenhas passou pela vida e, graças a seus lances magistrais, tornou o mundo melhor! Ele, que deixou como herdeiros enxadrísticos seus filhos Leonardo e Evandro Mascarenhas, será sempre lembrado por seu inestimável legado!

 José Ronaldo, presente!

 Legado de José Ronaldo Mascarenhas é para sempre!





sábado, 10 de abril de 2021

Os 91 anos de Toninho do Tupy

   Toninho do Tupy e seus famosos bonecos

Toninho do Tupy, cujo nome é Antônio Francisco de Paulo, completou 91 anos no dia 2 de abril passado. Ele nasceu na rua Guilherme Mathias, em Bom Jesus do Itabapoana. Teve 6 irmãos: Geraldo, José Carlos, Maria José, Neném, Odete e Aidê.

Depois da 2a. Guerra Mundial, Toninho mudou-se para o lado capixaba, onde seu pai, João Adão de Paulo ("João de Dão"), conseguiu uma casa, indo nela morar juntamente com sua mãe Rosa Maria da Conceição.



Conta Toninho que onde hoje funciona o SICOOB, estava estabelecido antigamente o prédio do Armazém Capixaba, de propriedade de José Mansur. Nos idos de 1958, Toninho, juntamente com Benedito Ramos, o Taioba, e Eron Tardin alugaram o prédio para criarem a ESCOLA UNIDOS DO SAMBA.

Posteriormente, quando Toninho disse a seu pai a respeito do desejo de adquirir uma casa na rua dr. Manoel da Silva, onde mora atualmente, em Bom Jesus do Norte, também de propriedade de José Mansur, o mesmo desaconselhou-o: "Você vai passar vergonha!". Mas outras pessoas o aconselharam a prosseguir em sua ideia. Havia, contudo, outro comprador interessado em adquirir a casa: "era João Alves, mas José Mansur deu preferência a mim, e fiquei pagando 80 contos por ano". Depois que Toninho perguntou a José Mansur a respeito de "qual fiador iria querer?", José Mansur respondeu: " Quem é filho de João de Dão não precisa de avalista!". Toninho se recorda que "fiquei com as pernas tremendo, de tanta responsabilidade".

José Mansur não costumava fornecer qualquer recibo, uma vez que a relação entre ambos era baseada na confiança mútua. Em 1961, José Mansur faleceu.

Posteriormente, o seu filho Adib, chamou-o e lhe disse: "embora meu pai não tivesse dado recibo a você, ele registrava tudo no livro. Observo aqui que só faltam duas parcelas. Mas você só precisa pagar uma. A outra eu lhe dou de presente para pagar as despesas". Ao final, Toninho acabou ainda entrando como "herdeiro de José Mansur para facilitar a escritura". Foi a partir daí que resolveu mudar-se para sua atual residência.

Toninho costumava ir sempre ao Rio de Janeiro, oportunidade em que marcava presença constante no "Clube Tupy", localizado na Rua Tiradentes. Foi inspirado neste agremiação que Toninho deu nome ao Clube que fundou, com localização no prédio contíguo à de sua residência. "Comprei a parte de Erlan e de Benedito, do Unidos do Samba, e mudei-me para esta casa. Mais tarde, abri o clube para os sócios contribuintes. A ata de fundação do Tupy Dancing Club foi feita pelo Dr. Luciano Bastos".Toninho se recorda, ainda, do apoio que sempre teve de "Zezé Borges, José Carlos Pereira Pinto, Jorge Assis de Oliveira, Sá Tinoco,  dr. Manuel Pereira das Neves e José Carlos Pereira Pinto", completa.

Toninho se recorda que pelo Tupy passaram várias orquestras, como a de "Cícero Ferreira, Parnaro de Muriaé e Samuel Xavier e Orquestra, além de outras de Campos dos Goytacazes".





BONECOS DO TUPY

Em relação aos famosos Bonecos do Tupy, Toninho diz que, em 1958, "foi um nordestino de pré-nome Rubens que veio visitar um compadre de pré-nome Bedenor. O compadre veio para a casa de Bedenor e, com a ideia de construirem bonecos gigantes para desfilarem no Carnaval, arranjaram material e fizeram juntos, na rua Carlos Xavier, dois desses bonecos: 1) Careca Barrigudo e 2) Boneca. O fato é que os bonecos foram um sucesso na Unidos do Samba e deram o início à tradição. Depois os bonecos aumentaram para seis. Construí também outro Boneco que fez grande sucesso, conhecido como 'Mula Rosada' ". Foi assim que Toninho aprendeu a fazer os bonecos, integrando a cultura nordestina à da região.

Posteriormente, pesquisadores da FAOP (Fundação de Artes de Ouro Preto -MG), com o apoio do SEBRAE, ministraram a Toninho e outros artesãos uma oficina para aperfeiçoarem a técnica  de fazer Bonecos Gigantes

Hoje, Toninho é reconhecido como artesão especialista em construir Bonecos Gigantes utilizando material reciclado.


                          André Luiz de Oliveira, em nome de O Norte Fluminense, acertou com Toninho do Tupy o retorno dos bonecos ao carnaval de 2017, organizado pelo secretário de cultura Raul Travassos


PERSEGUIÇÃO AO CLUBE

O Tupy funcionou, sem qualquer problema, por cerca de 3 a 4 anos. "Foi a partir daí que a Polícia começou a perseguir o Clube". Por este motivo, "o dr. Luciano Bastos sugeriu que eu registrasse o clube". Toninho chegou a ir até à casa do Promotor de Justiça reclamar da perseguição e levou consigo o estatuto do clube. O Promotor orientou-o a que, "quando a Polícia fosse lá, dissesse que era para irem, primeiramente, à Promotoria de Justiça".

 Toninho se recorda indignado que, certa vez, a Polícia entrou no Tupy e "prendeu as dançarinas. Acusaram-nas de vadias. Além disso, disseram que havia menores e que haveria quartos para alugar. Por este motivo, fecharam o clube".

Toninho resolveu, então, ir "até o Juiz de Direito em São José do Calçado e denunciou que, se haviam fechado o Tupy pela suposta presença de menores, havia também menores nos bailes do Centro Cívico, mas ninguém em Bom Jesus do Norte falava nada". O juiz teria respondido que "o negócio é com o Promotor. Fale com o Promotor". Segundo Toninho,  um "Desembargador de Vitória mandou investigar o que estava acontecendo e, ao final, pude reabrir o Clube".

"Cheguei a enviar carta denunciando a arbitrariedade ao presidente João Figueiredo e ao Secretário de Segurança", diz Toninho.

Segundo Toninho, tudo não passou de "perseguição". Toninho lembra  que convidou o Promotor de Justiça a vistoriar as dependências do Clube e verificar se haveria quartos para alugar. "Depois que constatou que não havia nada de ilícito, o Promotor passou inclusive a ser meu amigo. Foram quatro anos de perseguição!", desabafa Toninho.

           Phillip Johnson entrevistou Toninho para um documentário


As atividades do Tupy ficaram paralisadas  uma vez que o Clube ficou  sem teto, "por causa do cupim". Toninho chegou a colocar as ferragens para reerguer os pilares de sustentação."Se as pessoas ajudassem, seria possível reinaugurar o Tupy", acrescenta. Após a entrevista, O Norte Fluminense recebeu notícia de que o referido prédio teria sido vendido, encerrando o sonho de restabelecimento do Tupy.

"As pessoas, ainda hoje me perguntam: Por que acabaram com a tradição dos famosos Bailes do Tupy?" Toninho tem "saudades dos áureos tempos da Festa de Agosto. Mas não sou só eu", finaliza.



Em 2017, o jornal O Norte Fluminense acertou com Toninho do Tupy o retorno dos bonecos ao carnaval daquele ano.  Além disso, patrocinou um documentário sobre Tononho. Resgatou-se, assim uma tradição importante de nossa cultura.




segunda-feira, 29 de março de 2021

CALENDÁRIO - ABRIL


01. Nascimento de Napoleão Lyrio Teixeira, em 1911. Filho de João Manoel Teixeira, o Capitão Teixeira e Regina de Carvalho Teixeira, formou-se em medicina no Rio de Janeiro. Foi Coronel do Exército e radicou-se no Paraná. Foi professor de Psiquiatria e Medicina Legal. Escreveu vários livros científicos e era amigo de Monteiro Lobato, com quem mantinha vasta correspondência. Foi conferencista internacional e falava cerca de onze idiomas. Como jornalista, escreveu para os jornais O Globo, Estado de São Paulo, O Norte Fluminense e A Voz do Povo, sendo os dois últimos de nosso município. Escreveu cerca de vinte mil artigos científicos e crônicas. Era irmão de Amália Teixeira, professora do ex-governador Roberto Silveira, que dá nome a uma das praças de Bom Jesus do Itabapoana.
02. Falecimento de Ildefonso Bastos Borges, em 1970.
09. Falecimento de Agostinho Boechat, em 1999.
16. Garrafadas de Laje do Muriaé, em 1889. Por ocasião da Conferência Republicana realizada por Nilo Peçanha (futuro Presidente da República), este foi atacado por forças do Império. Ferido, foi socorrido pelo Cel. Luiz Vieira de Rezende, que o acolheu em Calheiros, na Fazenda Boa Fortuna, e levou-o, posterior¬mente, para tratar-se em Rosal.
17. Nascimento do músico, compositor, arranhador, instrumentista, escritor, poeta e editor, Beto Travassos, um dos gênios de nossa cultura.
20. Nascimento do escritor Delton de Mattos, na Serra do Tardin, em 1925, um dos gênios de nossa literatura.Faleceu, no sábado (22/06/2019), aos 94 anos de idade.
Filho de Mário Nunes da Silva e Pautilha Nunes de Mattos. Seus avós paternos foram Elias Nunes da Silva e Maria da Silveira Nunes. Os avós maternos, por sua vez, foram Porphirio Franca de Mattos e Etelvina de Mattos Picança.
Aos 12 anos, ingressou no Colégio Rio Branco, onde cursou o exame de Admissão.
Foi colaborador do jornal O Norte Fluminense, fundado por Ésio Bastos, no dia 25 de dezembro de 1946, desde o início das atividades deste.
Foi um dos grandes intelectuais do Brasil, tendo sido o pioneiro nos estudos da Tradutologia.
Autor de vários livros, editou ainda obras preciosas de autores bonjesuenses e bonjesuístas, como Padre Mello, Octacílio de Aquino, Romeu Couto e Athos Fernandes.
23. Nascimento de Athos Fernandes, um dos gênios de nossa literatura, em 1920. Tinha o consagrado poeta chileno Pablo Neruda entre seus amigos e correspondente.
24. Nascimento do historiador de arte, restaurador, artista plástico e poeta Adilson Figueiredo, um dos gênios de nossa cultura, em 1953.
25. Nascimento da musicista e compositora Ana Maria Teixeira Baptista, em 1943. É de sua autoria, juntamente com seus pais Oliveiro Teixeira e Tertuliana Simão Teixeira, o clássico "Rio de Minha Terra". Fundou o Grupo Musical Amantes da Arte; falecimento de Merhige Hanna Saad, em 1973.
27. Nascimento de Padre Mello (Antonio Francisco de Mello) na Ilha de São Miguel, Arquipélago de Açores (Portugal), em 1863, um dos gênios de nossa literatura e pai da cultura bonjesuense.
28. Início da 1ª FLIPir ( Feira Literária de Pirapetinga), em 2108, organizada pela seguinte comissão: Anízia Maria Aguiar Pimentel dos Santos, Bruno Cypriano, Daniel Márcio Amaral, Júlia Machado, Júlio César Barbosa e Mariana Cypriano Borges. Em 2019, passou a ser integrada também por Lauro Amaral e Juliana Machado.