domingo, 13 de junho de 2021

Usina Hidrelétrica Itaipu: visita de uma bonjesuense


Dra. Stephanie Rezende Alvarenga Moulin Mares






A Usina Hidrelétrica Itaipu Binacional começou a ser construída em 1975, no governo militar do General Geisel. Como o rio Paraná pertence ao Brasil e ao Paraguai, criou-se uma empresa de direito internacional, metade do governo federal brasileiro e metade do governo paraguaio.

Na época, o investimento foi de 100 milhões de dólares, parte custeado por empréstimos feitos com bancos internacionais; ainda hoje sendo pagos em prestações mensais.

A empresa gera cerca de 40 milhões de watts por ano (o equivalente ao uso de 500 mil barris de petróleo, se fosse uma termoelétrica).

Tem 3 mil funcionários!

Demorou 16 anos para ser construída e 143 funcionários morreram em acidentes de trabalho durante a construção.

Inúmeras pessoas e instituições foram fundamentais para que tudo desse certo. A Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) da Marinha do Brasil, por exemplo, exerceu importante papel no estabelecimento da cota da lâmina de água do rio, junto à Comissão de Levantamento do Rio Paraná (CLRP).

Na lateral da estrutura ficam 3 comportas, que só ficam abertas extravasando um jato alto de água, se o nível do reservatório ficar acima de sua capacidade. Não era o caso, por isso estavam fechadas durante a visita feita em 23 de maio de 2021. As comportas têm ficado abertas cerca de 2 vezes por ano.

A usina tem 20 enormes turbinas. À frente delas há um prédio com a sala de controle de máquinas. O trajeto lembra a praça de máquinas de um navio, porém de um tamanho que vai além do que os olhos podem ver!

Foi um passeio adorável essa maravilha da engenharia!








* Dra. Stephanie é médica cardiologista da Marinha do Brasil e possui mestrado e doutorado na área de Fisiologia Cardíaca.

11 de junho: O EX-GOVERNADOR ROBERTO SILVEIRA COMPLETARIA 98 ANOS DE IDADE





O ex-governador Roberto Silveira estaria completando, dia 11 de junho, 98 anos de idade. Nasceu no Sítio Rio Preto, distrito de Calheiros, em Bom Jesus do Itabapoana. Logo depois, foi morar na Fazenda São Tomé, onde seu pai, Boanerges, respondeu a uma pergunta, lhe dizendo que teria nascido em cima de uma pedra. E a pergunta fora motivada pelo fato de um dos seus irmãos, Badger,  ter sido informado que fora encontrado numa moita de bananeira, enquanto o irmão Zequinha fora localizado próximo a uma porteira. 

Essa foi a razão pela qual o escritor João Sérgio Rocha deu título à sua grande obra "ROBERTO SILVEIRA, A PEDRA E O FOGO". A pedra significava sua "origem". O fogo significou o modo como morreu, no dia 28 de fevereiro de 1961, após um período em que passou internado em hospital, em decorrência dos ferimentos decorrentes da queda de um helicóptero, interrompendo sua ascensão à presidência da República. Sua morte gera, até hoje, sérias especulações de que ela teria sido planejada através de uma "preparação" da aeronave.

Em 2014, O Norte Fluminense já abordava esta questão, no link que segue.

http://onortefluminense.blogspot.com/2014/05/assassinato-do-governador-roberto.html

No dia 7 de agosto de 2016, a Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, protagonizou um momento histórico em nosso município: inaugurou o Memorial em honra aos dois ex-mandatários bonjesuenses, com o apoio da comunidade, dos amigos e da família Silveira e seus amigos. 

Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira: preciosidade bonjesuense no Sítio Rio Preto, distrito de Calheiros.

Vejam como foi o evento no link que segue. 
http://memogovrobertoebadgersilveira.blogspot.com/search/label/Roberto%20Silveira

O vídeo do emocionante acontecimento pode ser visto em:
http://memogovrobertoebadgersilveira.blogspot.com/2017/10/phillip-johnston-e-rocio-salazar.html

A seguir, a relação das personalidades que estiveram presentes na inauguração do Memorial.

http://onortefluminense.blogspot.com/2016/08/inauguracao-do-memorial-governadores.html?m=1

Vejam fotos inéditas de Roberto Silveira, a seguir.

http://onortefluminense.blogspot.com/2016/08/fotos-ineditas-do-cinegrafista-oficial.html

O Norte Fluminense registrou algumas relíquias doadas ao Memorial por Ismélia Silveira, viúva de Roberto Silveira, no seguinte link.

http://onortefluminense.blogspot.com/2016/08/viuva-de-roberto-silveira-doa-reliquias.html

Assistam a vídeos com músicas em homenagem à Silveirada.

SEMEANDO PRIMAVERAS (homenagem ao pai de Roberto, Badger, Zequinha, Maria da Penha e Dinah Silveira)
https://www.youtube.com/watch?v=zMWe65GGyzo

SIMPLESMENTE ISMÉLIA
https://www.youtube.com/watch?v=QRix1YCW8Ns
ROBERTO SILVEIRA E A PEDRA



Do livro "A PEDRA E O FOGO, ROBERTO SILVEIRA", de João Sérgio Rocha, Casa Jorge

Roberto Silveira vive!

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Bom Jesus e região ganharão um ateliê que pretende revolucionar a cultura

 


O aclamado artista plástico, restaurador, historiador de arte, escritor e poeta Adilson Figueiredo está trazendo para Bom Jesus do Itabapoana um projeto inovador: um Café Ateliê nominado "Cafézin".
 Segundo Adilson,
"estou transferindo meu ateliê, Café Atelier do Pátio, localizado na Antiga Fábrica Bhering, do Rio de Janeiro, para Bom Jesus".

Com endereço localizado na Avenida José de Oliveira Borges, no. 616, Adilson informa que pretende estabelecer "um espaço de arte, uma galeria, um café, um local para exibição de filmes e discussão sobre arte e literatura. Pretendo, ainda, promover saraus de poesia, aulas de desenho, de pintura e escultura. Resumindo, pretendo promover a 
cultura geral".

Adilson Figueiredo faz parte do Conselho Municipal de Tombamento de Bens Culturais em Bom Jesus do Itabapoana e é membro da Academia Bonjesuense de Letras.
Trabalhou na Secretaria do Governo do Estado na área da cultura, no Museu do Ingá e no Museu da Imagem de Som (MIS). Trabalhou, ainda, por 10 anos, no INEPAC (Instituto Estadual de Patrimônio Artístico e Cultural).

"Pretendo promover cursos pela manhã, à tarde e à noite. Aos  sábados, idealizo realizar cinemas de arte, com telão. Desejo, ainda, estabelecer
um dia de poesias, abrir espaço para o teatro, realizar
palestras sobre artes e promover Feiras Literárias. Pretendo dinamizar o máximo possível a área cultural, procurando trazer a juventude para essa área. Desejo incentivar, também, o voluntariado, para que as pessoas interessadas possam estar no ateliê se integrando ao ambiente artístico, assim como, quiçá, ganhar bolsa. Almejo, ainda, realizar parcerias para descobrir novos talentos artísticos".

"Saí de Bom Jesus quando eu tinha 15 anos de idade, e fui estudar no Instituto Abel, em Niterói. Depois, formei-me na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Posteriormente, ingressei na 
primeira turma da Faculdade de Restauro da Estácio de Sá. Em seguida, cursei
Pós-Graduação na Faculdade do Mosteiro de São Bento em História de Arte Sacra, no Rio de Janeiro.
Apresentei minha monografia no Congresso Internacional do Barroco Luso-brasileiro, em Braga, Portugal. O tema foi o antigo Convento de São Boaventura de Macacu. Fui diversas vezes à Europa conhecer os bastidores de museus".

"Quero retribuir à minha cidade tudo o que recebi.
Quero contribuir para o desenvolvimento cultural da minha cidade.
Acho que Bom Jesus e região precisam e merecem um espaço agradável que promova encontros, eventos, reunião de artistas e, também, discussão sobre turismo, entre outros". 

Adilson considera possível inaugurar seu ateliê em agosto, o que seria um momento histórico para nosso município. 

 Inscrições para os cursos e contato: 21_999696283.
Instagram:
@cafezinatelier
Facebook:cCafezin. 

Para consultas:
FACEBOOK:
Cafeatelier dopatio

Instagram:
adilsonfigueiredo315.

E-mail: figueiredoadilson@yahoo.com.br














Café Atelier do Pátio, na Antiga Fábrica Bhering/RJ. Adilson está transferindo seu atelier do Rio de Janeiro para Bom Jesus


Gênio de Raul Travassos brilha em Campos dos Goytacazes


Em 2011, o genial Raul Travassos brilhou, mais uma vez, ao assentar uma Capela particular na casa do bispo Dom Fernando Rifan, em Campos dos Goytacazes.

Raul Travassos corrobora, assim, que é um artista universal!










10 de junho: Padre Mello compôs poesia em homenagem a Camões


O  genial açoriano, Padre Mello, da ilha de São Miguel, era um grande admirador de seu compatriota, Camões. Em 1932, compôs uma poesia em homenagem ao bardo, com a seguinte recomendação: "Soneto composto expressamente para o dia de Camões (10 do corrente) e dedicado pelo autor à Colônia portuguesa de Campos".

O jornal O Norte Fluminense se associa às homenagens a Camões, a Portugal e às Comunidades de Língua Portuguesa, postando o famoso soneto escrito por Padre Mello.


CAMÕES, GÊNIO IMORTAL


Depois que dos barões assinalados
foste o nome espalhando em toda parte
e com tão alto engenho e com tal arte
que da morte as fizeste libertados;

depois que nos teus versos sublimados,
que não se encontra quem de os ler se farte,
ofereceste à Pátria um estandarte
que arranca ao mundo culto estranhos brados:

morres ao fim.Contigo a Pátria morre,
tu nas mãos do infortúnio, ela, na Espanha,
mas sem que do inimigo o sangue jorre.

Vence o patriotismo árdua campanha:
revive a Pátria independente e forte,
e tu revives superando a morte.

Junho de 1932

Padre Mello


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Padre Mello era apreciador das obras de Camões

domingo, 6 de junho de 2021

14 de junho: data do falecimento de Otacílio de Aquino, um dos gênios de nossa literatura!

 

               Octacílio de Aquino


Octacilio de Aquino, um dos gênios da literatura bonjesuense, faleceu no dia 14 de junho de 1959.




Octacilio de Aquino era pupilo de Padre Mello e integrou uma equipe de grandes escritores do jornal A Voz do Povo, nas décadas de 1930, 1940 e 1950.


Equipe de "A Voz do Povo", agosto de 1939
Em primeiro plano, da dir. para a esq., José Maria Garcia, José Tarouquella, Renato Wanderley, Osório Carneiro, Padre Mello, Octacílio de Aquino e Romeu Couto. Em segundo plano, Dalton Tarouquella, "Dico", Neiva, Ernani Tarouquella, Onofre, "Totinho", Helio Garcio e Elvio Tarouquella



O Norte Fluminense publica, a seguir, texto histórico sobre Octacilio de Aquino, do Dr. Luiz Alberto Nunes da Silva, magistrado de nossa comarca, por ocasião do lançamento de 4 livros editados por Delton de Mattos, com o apoio do Dr. Sebastião Freire Rodrigues, no dia 3 de outubro de 2015, na Câmara Municipal. Entre as obras, está "Antologia", de Octacilio de Aquino, fruto de esmerado trabalho de pesquisa de Delton de Mattos.

Amigo Chefe


  Dr. Luiz Alberto Nunes da Silva



Tive a honra de conhecer e partilhar um pouco da vida de Athos Fernandes e de meu primo Delton de Matttos. Mas, de outro lado, não conheci Padre Mello, Romeu Couto, tampouco Octacílio de Aquino.

Sobre Octacílio de Aquino, recebi a importante missão de, nessa memorável noite de evento cultural, falar-vos sobre a vida deste ilustre bonjesusense, Advogado, Promotor de Justiça em São José do Calçado, no Estado do Espírito Santo.

Nasceu em 07 de dezembro de 1900, e faleceu em 14 de junho de 1959, em Niterói.

Em 1939, quando Bom Jesus era ainda termo judiciário, foi nomeado pretor substituto. Foi, ainda, Juiz de Direito Substituto nesta Comarca (uma vez nomeado em 27 de março de 1948). Brilhante escritor e poeta bissexto.

A função de Juiz de Direito foi exercida, com pequenas interrupções, até o seu falecimento.

Permitam-me, por favor, de dirigir a todos que aqui estão – chamando-os simplesmente de: “amigo chefe”. Inclusive não usando o plural. Isso tem um significado profundo, porque era assim, simplesmente, como Octacílio de Aquino, de forma muito carinhosa e leve, se dirigia às pessoas. E, dessa maneira, me foi passado pelas pessoas que o conheceu. Foi como também ouvi várias vezes pelos corredores do fórum desta Comarca, aliás, local, onde frequento e visito há décadas, ora como Serventuário, ora com Advogado, ora como Magistrado.

Amigo Chefe”: Romeu Couto, hoje também aqui homenageado, a seu respeito dizia: “Poeta bissexto, rigorosamente bissexto, é o meu amigo Octacílio de Aquino, o qual filha mais amoroso que nós outros, continuou em Bom Jesus, sem ter tido a necessária capacidade de – abro aspas – “ingratidão” – fecho aspas – para abandonar a comum terra”. 

Homem solteiro dedicava-se profundamente aos estudos e às atividades literárias. Escreveu e publicou um livro intitulado “Antes da Revolução” e, segundo sabemos, estava empenhada na confecção de um Dicionário Analógico, obra essa que, lamentavelmente, não concluiu.

Além dessas preciosas informações, poderíamos acrescentar que Octacílio de Aquino foi orador brilhante, pertenceu durante vários anos à Loja Maçônica Moreira Guimarães Terceira de Bom Jesus, tendo participado dos embates políticos mais importantes da nossa região e também de inúmeras apresentações culturais em Bom Jesus e Municípios vizinhos. Devendo-se, ainda, ressaltar o seu grande interesse pela literatura, especialmente pelas obras dos grandes autores brasileiros.

Octacílio de Aquino entrou para o mundo das letras muito cedo, por volta de 1914, quando esboçou seus primeiros sonetos para o primeiro jornal desta cidade de nome Itabapoana. Escreveu, ainda, para os jornais: A Paroquia (Parochia), A Cidade, Bom Jesus Jornal, O Momento, O Norte Fluminense e depois, A Voz do Povo.

Embora não tenha casado, teve lá seus amores, notadamente um linda jovem, irmã de um antigo e conhecido farmacêutico de Bom Jesus do Norte.

Em homenagem às suas musas, certa vez, escreveu:


Começou por querer matá-la”. A mão.

Preme, brandindo o gládio protetor.

Mas, de subido, hesita e, num torpor,

“Deixar rolar o gládio pelo chão”.


E finalizou:


“Tenho direito de chorar por ele”!

Exclama. E aproximando-se, divina,

Beijando os lábios de Tristão, morreu...

(conforme consta de seu primoroso poema ISOLDA, procurando descrever o amor fenecido com a morte de Tristão).


Amigo Chefe,


Nesse momento de reflexão sobre um pouco da vida de Octacílio de Aquino, devo-vos confessar que após a “intimação” do Doutor Sebastião Rodrigues para essa importante missão – fiquei apreensivo. O que vou fazer, amigo chefe?

LEMBREI-ME do Desembargador Antonio Izaías da Costa Abreu, também notável homem de letras, bonjesuense como Octacílio.

Izaías é o Titular da Cadeira número 07, da Academia Bonjesuense de Letra, da qual o patrono é o próprio Amigo Chefe, valer dizer, o poeta Octacílio de Aquino. E dele me vali. Aliás, um socorro de imediato, sem empecilho. Isto é, fui prontamente atendido.

Ainda com o beneplácito da Doutora Nísia Campos, mestre e poetisa de renome, ilustre Presidente do ILA desta cidade, franqueou-me a famosa pasta ‘verde’, dita por Antônio Izaías, mas que na verdade é de cor ‘azul’, aliás, como o céu, o céu de esplendor, pelo seu magnífico conteúdo. Ali se encontra, verdadeiramente, a biografia cuidadosa, lapidada, de Octacílio de Aquino, na qual pude pincelar os trechos acima.

 À Doutora Nísia, meus agradecimentos pela gentileza. Ao Desembargador  Izaías, minha enorme gratidão, porque valeu apena.

Senhores,

Antes de encerrar, desejo, por justiça, fazer um pequeno relato. Octacílio de Aquino morreu pobre. Ficou doente. Era muito amigo de Roberto Silveira, então governador deste Estado.Roberto, sabedor da doença do amigo e de suas condições não só financeira, mas também de saúde, levou-o para se tratar em Niterói, então capital do nosso Estado, onde, diante da gravidade de sua enfermidade, veio a falecer. Mas cercado de todo carinho, aparato médico e hospitalar, aliás, como me foi passado. Graças a intervenção direta do Governador Roberto Silveira.

Prossigo.

Doutor Luciano Bastos, ainda era vivo. Fui procurado por ele e pelo doutor Sebastião Rodrigues. Iniciamos um movimento que, aliás, logo de pronto, a ele aderiam:  Antonio Izaias, o doutor Michel Saad, de Niterói,  a senhora Prefeita de Bom Jesus e o Presidente do Rotary local. Era nossa intenção trazer os restos mortais de Octacílio de Aquino para Bom Jesus.

De início, houve um degrau a ser ultrapassado: por exigência, aliás,  legal, da Prefeitura de Niterói: um parente de Otacílio tinha que autorizar o translado. O que é mais do que compreensível. Os integrantes desse projeto, então, começaram a se mover nesse sentido.

Porém, o movimento sofreu um profundo abalo. Perdemos o Historiador e Doutor Luciano Augusto Bastos. Com isso, o grupo passou a  vivenciar o impacto da morte de Luciano. E de minha parte, mais uma vez, confesso e registro: houve, por isso, um sentimento semelhante a uma nau que, ainda, não achou seu rumo certo...

Mas vamos, se DEUS quiser, concluir esse projeto, isto é, de ter de novo o Amigo Chefe, o Otacílio de Aquino, entre nós.

Muito Obrigado!   


Dr. Luiz Alberto Nunes da Silva é magistrado da Comarca de Bom Jesus do Itabapoana


Octacílio de Aquino, que assinava Octa-Quino, brilhou nas letras nas primeiras décadas do século XX, como nenhum outro.

Em 1930, lançou o livro "ANTES DA REVOLUÇÃO", impresso na Tipografia Helena, de propriedade dos Irmãos Vasconcelos, de nossa cidade.

O primeiro texto desta obra, que reproduzimos abaixo, para conhecimento do público, além de ter incrível atualidade, dá a dimensão exata de sua cultura, e constitui orgulho para nossa terra.



O RASGA-MORTALHAS DA RUA DO CARMO


Os processos jornalísticos de certa classe no Brasil andam a rastos de barata. Dia a dia resvalam para o campo das retaliações pessoais; e é espetáculo comum a magnitude das teses substituída pelo desconchavo dos ataques soezes. Exemplos, tê-mo-los sem conta, nessa linguagem de porneia onde se recruta a flor das obscenidades no vocábulo, e onde o menos que se perde é o hábito de lhaneza no convívio social. Nesta ordem de ideias baixaríamos a examinar, sem prevenções mas, também, sem misericórdia, o repugnante jornal de Mario Rodrigues, se algum vestígio de fé ressumbrasse ainda dessa Crítica descontrolada, por onde esguicha, diariamente, o vitríolo do ódio contra os vultos eminentes da história em nossos dias. Acontece, porém, que ali se publica, num dos últimos números, em versalete berrante e guarnição de luto, que o sr. Antonio Carlos, ídolo da população mineira e firme condutor da vitória aliancista, estava em transe de morte.
Nenhuma outra voz achou de trazer ao conhecimento público a mentira infame. Foi preciso que essa, já agora a mais aziaga do Brasil, guizalhasse o rebate odiento, opondo a perspectiva de um túmulo ao entusiasmo que vibra, nesta hora de graves conjunturas, n'alma impoluta do preclaro Andrada. Desmesurou-se a protérvia. Excedeu a craveira das abjeções. O libelista inglório, empenhado em votos sinistros de cruzes e sepulcrários, culminou, num desrespeito de raros iguais. Até então gargalaçava, impune, as bicas do vezo difamatório, e era, a tal ponto exceptuado. Mas o respeito à vida humana poupara-lhe, ainda, o lúgubre ofício das hienas. Agora desvenda-nos o articulista do escândalo uma dobra sombria do seu íntimo. E é interessante que no mesmo exemplar, onde o prenúncio grimpa a importância da caixa alta, a continuação fantasiosa do caso da bruxa de Itinga ocupe ainda quase toda a última página. Espírito de bruxedos, Mario Rodrigues reedita, à luz do sol, o macabro mister da megera da meia-noite. Essa a pureza da ética jornalística. Antonio Carlos haure a vida e a saúde nas montanhas de Minas liberal. Pois o profeta da Gávea lhe agoira os estos do coração incorrompido, ao rusgar de mortalhas. Mergulhado, ele sim, no claro-escuro de um ocaso que tomba para os seus triunfos pretéritos, conta arrancar - entre os protestos de um deus que ainda lhe há de bater às portas cerradas do coração - conta arrancar à credulidade comum das massas populares um delíquio de confiança na sorte do regime. Mario Rodrigues, o panfletário imenso da campanha civilista e da Reação Republicana, o dono egrégio das "mãos de artista", na referência de Ruy, sucumbe aos golpes que vibrou contra os píncaros da própria fama. Repudia-o a opinião pública. E ele, encarvoando um passado de raptos fulgurantes, atasca-se na violência, chegando a isto, que nem a mão de Fausto assinaria entre as cláusulas de Mefistófeles. Não há salvação para tamanho opróbrio.

Novembro - 1929.


Delton de Mattos, outro gênio de nossa literatura, lançou "Antologia", com textos de Octacílio de Aquino





13 de junho: 2 ANOS DE SAUDADE DA PROFA. JUDITH DO NASCIMENTO

 




No dia 13 de junho de 2019, falecia a Profa. Judith Arantes do Nascimento, destacada mestra de nosso município. Em 2016, O Norte Fluminense realizou, com ela, a entrevista que segue.

 O Norte Fluminense manifesta os sentimentos à família enlutada. Que Deus conforte a todos!


Da Série Entrevistas de O Norte Fluminense

PROFESSORA JUDITH  ARANTES: A MESTRA DA VIDA


Judith da Aparecida Arantes Tavares foi o nome dado pelos pais Floripes Bastos Arantes e João Esteves Arantes, ao bebê que nasceu no dia 11/06/1926, em Dores do Macabu, distrito de Campos dos Goytacazes (RJ). O segundo nome foi dado em honra à Nossa Senhora de Aparecida.  Segundo dona Judith, "minha mãe sugeriu o nome de Judith, inspirada em um romance, enquanto minha avó paterna, Umbelina, desejava que a madrinha fosse Nossa Senhora Aparecida. Era, aliás, um costume da época. Assim, meu pai resolveu atender a vontade de ambas". 


Primeira fila: avós maternos Umbelina com Aristóteles no colo, Euclides Moreira Bastos e bisavô paterno. Segunda fila: Laudelina (a tia Dina), Melchiedes, Isolina, Ari Moreira Bastos (que foi prefeito de Itaperuna-RJ), e Floripes, mãe de Judith. Foto de 1895, na Fazenda do Desengano,  em Retiro de Muriaé, distrito de Itaperuna (RJ)

Segundo Judith, "Minha mãe nasceu em Retiro de Muriaé (RJ), e meu pai em Ubá (MG). Quando eu tinha menos de um ano de idade, meu pai foi trabalhar no posto de linha férrea, em Ponte do Itabapoana (ES). Poucos meses depois, quando eu tinha cerca de um ano de idade, meus pais se mudaram para Bom Jesus do Itabapoana, uma vez que meu pai veio ser agente da estação de trem, tendo como chefe Olívio Bastos. Meu pai trabalhou também com Esio Bastos, filho de Olívio. Eu estudei com Luciano Bastos no Colégio Rio Branco. Quando fiz o exame de admissão, tirei o 1o. lugar juntamente com ele. Por este motivo, ganhei uma bolsa para estudar no educandário.", lembra Judith.

Dona Judith teve dois irmãos: Maria Luíza, que faleceu quando era criança, e João César. 

"Para minha prezada irmã Judith, com toda a amizade de seu irmão César. 25/9/1956": dedicatória no verso da foto


Judith se recorda que " quando mudamos para Bom Jesus, meu pai adquiriu uma chácara do engenheiro Clark, que tinha vindo a Bom Jesus construir a ponte de cimento. Ocorre que a esposa dele não se adaptou em Bom Jesus, o que permitiu que meu pai adquirisse a propriedade. Quando minha pequena irmã, Maria Luíza, contudo, faleceu por intoxicação, meus pais resolveram mudar de residência. Fomos então morar em Bom Jesus do Norte (ES), em casa localizada em frente à residência do libanês Abdo", registra. 


 Posteriormente, Judith foi estudar em Macaé (RJ): "Estudei no Ginásio Macaense, que era um internato, e cujo diretor era o bonjesuense José BarbosaEm seguida, fui estudar no Rio de Janeiro, e formei-me em Educação Física, pela Universidade do Brasil. Pela conclusão do curso, recebemos, como prêmio, uma viagem a Porto Alegre, com acompanhamento de uma professora", salientou.


Judith (E) e amigas ganharam uma passagem de avião para Porto Alegre, pela conclusão do curso de Educação Física, no Rio de Janeiro.


Judith e seus pais João Esteves e Floripes Bastos, após a missa realizada na Urca, no Rio de Janeiro, por motivo de sua formatura em Educação Física



Judith no campo do Ordem e Progresso F.C., em foto da década de 1960

Judith lembra que "em 1950, quando o Colégio Padre Mello foi fundado, o dr. Nísio Mattar foi indicado diretor interino. Em seguida, assumiu como primeiro diretor do estabelecimento o dr. José Marques. Posteriormente, por indicação do próprio dr. José Marques, eu assumi a direção, sendo, portanto, a 2a. diretora da história do educandário. Depois, fui professora de Biologia e Educação Física no Colégio Rio Branco, no Colégio Técnico Agrícola, no Colégio Zélia Gisner, e no Ginásio Mercês Garcia Vieira, de São José do Calçado, após a aposentadoria do dr. Aristides Rezende. Fui também chefe do sub-núcleo Regional de Educação no Espírito Santo".

Judith diz que, "certa vez, minha família resolveu mudar de residência, para uma casa localizada na conhecida como Rua do Calçado. Há 10 anos,contudo, resido no edifício Galiano Pimentel, na Praça Astolpho Lobo", salienta. 

 Quando comemorou 80 anos, amigos e familiares de Dona Judith realizaram uma grande festa de comemoração, que ocorreu na sede do Rotary Club. Seguem fotos do evento.

Comunidade marcou presença na sede do Rotary Club para a comemoração dos 80 anos de Judith

Epaminondas, Ivonildes, Judith e Therezinha Juliana: amigos de São José do Calçado (ES)


Judith diz gostar muito de São José do Calçado (ES): " Ali eu tenho muitos amigos. Eu pertenço à Academia Calçadense de Letras e não perco uma reunião", registra. Na festa de 80 anos, marcaram presença seus amigos Epaminondas, Ivonildes e Therezinha Juliana.


Elisa, Maria das Graças, Judith, Enid e Aparecida



Judith entre as irmãs Conceição e Maria Izabel  Fragoso


Parentes do sobrinho Paulo César estiveram presentes às festividades

Segundo dona Judith, "vivo a vidarecordando os grande momentos de vida que tive no passado e fico feliz quando fico sabendo que ex-alunos fizeram sucesso na vida. Orgulho-me quando meus ex-alunos brilham", finaliza dona Judith emocionada. 

Ex-aluno Gino Martins Borges Bastos e a alegria do reencontro com a mestra na Ótica Avenida: "Dona Judith, além de magnífica professora de Biologia, dava orientação de vida a todos os alunos. Isso é um tesouro que levamos sempre em nossos corações. Obrigado por tudo, querida mestra!"