terça-feira, 24 de abril de 2012

RARIDADE no Acervo da Biblioteca do ECLB

O ECLB (Espaço Cultural Luciano Bastos) passou a contar com uma nova raridade no acervo de sua Biblioteca: trata-se de um volume encadernado com várias edições originais do Diário Official do Imperio do Brasil do ano de 1872.
Contando com a parte oficial e não oficial, os exemplares permitem que os leitores possam ter uma visão mais adequada daqueles tempos, com fatos curiosos e reveladores da época da escravidão, como o caso da detenção do escravo "Isaias", pelo fato de "estar na rua ades-horas (sic) sem bilhete" e do caso de um comerciante boliviano que teria se suicidado nas águas de um rio, com a aproximação do barco da polícia, que posteriormente recolheu o espólio.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

CARTA DE ELCIO XAVIER

Coluna livre de DELTON DE MATTOS

QUILÔMETROS DE LIVROS

...

"Rio.30.7.94. Meu prezado amigo Delton.

Nesta tarde sonolenta e triste deste último sábado de julho, cercado por pesado silêncio, revia papéis no meu arquivo quando deparei com seu inspirado artigo "Quando a lua ainda existia..." publicado no "Norte Fluminense".

Inapelavelmente voltei aos primeiros anos de minha vida para reencontrar nossa Serra do Tardin.

Revi-me menino de oito anos diante de minha casa muito branca, que assumia um tênue e belo azul quando as águas da chuva lavavam suas paredes.

Cavalguei célere, pelos pastos de longos horizontes meu dócil corcel trotão, Ventania, ora pastoreando o gado, ora cumprindo tarefas domésticas até a venda do sr. Dão, no pé da Serra.

Revivi os banhos nas cachoeiras e açudes do nosso valão, o futebol do negro Fulô e as aventuras plenas de pureza e alegria, junto aos quase irmãos da família Furtado, filhos de Dona Eufrázia, santa mulher; e os bailes na escola pública da Cachoeira, ao som da velha sanfona, onde jamais pude vencer a timidez que me impediu de aproximar das meninas do nosso pequeno e imorredouro mundo juvenil.

Nossos lugares eram extraordinariamente belos e graças ao Senhor ainda ilumina as nossas noites.

Passado o enlevo da longínqua juventude, responsável pelo lirismo que nos encheu a alma de perfumes e cores, desçamos no presente.

Vale aqui reiterar minha calorosa felicitação por sues atuais artigos no "Norte Fluminense", como já o fizera por telefone. Lamento apenas que não tivesse obtido o registro de sua candidatura, posto que já cabalava bons votos na minha aldeia, que é numerosa, para o amigo. Perde Bom Jesus e perde o Brasil, neste período tão crítico de nosso legislativo, um parlamentar culto e competente, alicerçado em ilibado caráter.

Seria gostos encontrá-lo agora em Bom Jesus, para matarmos saudades. Entretanto, estou de viagem marcada para Goiás na próxima semana. Sobre a Festa de Agosto, que poderia ser um elemento aglutinador para mim, não me atrai e posso lhe assegurar que me causou profunda decepção quando lá estive há dois anos.

Bom Jesus de hoje perdeu seu encanto e sua poesia: o Itabapoana está moribundo, a bela ponte é um monstrengo, o Calvário favelizou-se, a praça (nossa praça) é um terreiro de cimento, a majestosa igreja matriz está gradeada como fortaleza onde o cristão só penetra com hora marcada...

Nossa terra, meu caro amigo, perdeu suas tradições, o encanto e as luas do nosso passado. Teríamos condições de revivê-los?

Receba o afetuoso abraço deste seu velho amigo Elcio
".

NOTA - Nunca é demais lembrar: Elcio Xavier é um primoroso poeta, um dos mais puros e refinados que este país já produziu. Se não tivesse deixado de escrever tão cedo, logo depois da publicação do seu notável livro "O Véu da Manhã", com toda certeza teria sido um dos nomes mais festejados da chamada "Geração de 45", ao lado, até com vantagem de um Geir Campos, Ledo Ivo e João Cabral de Mello Neto, dentre outros.

Que posso eu dizer de sua linda carta, que tanto me honra? Revejo-me em cada uma de suas linhas, na infância e na juventude.

Quando fala do seu corcel "Ventania". traz-me imediatamente o meu fogoso "Monarca". Companheiro das madrugadas em busca do Rio Branco, e quando se vê nos bailes da escola pública de Cachoeira, que eu tanto frequentei, relembro-me ali, também solitário, porém soberbo, envergando pela primeira vez o uniforme branco de botões dourados, costurado habilmente pelas mãos maternas.

Relembro também as lindas irmãs Furtado, queridas colegas minhas, que já se foram deste mundo... Não sei como retribuir ao Elcio o brinde dessas emoções.

Em todo caso, reproduzo abaixo o seu belíssimo poema "Pobre Jardim de Aldeia", que tive a satisfação de publicar em maio de 1950, às págs. 18 e 19, do no. 3 da revista ALLIANCE, por mim dirigida em São Paulo,além do mais com uma belíssima ilustração de Geraldo de Barros, mais tarde festejado pintor da Paulicéia, com vitoriosa exposição até em Paris:

POBRE JARDIM DA ALDEIA

Pobre jardim da aldeia
onde deixei meus oito anos
junto ao chafariz de trevos:
leva-me ao teu grande mar
neste solitário fenecer!
Quero rever o castelo marinho,
a tempestade, o primeiro encontro,
as rosas-fadas que me amaram
e as queixas dominicais
de tuas sombras frescas.
Falta-me o azul de tuas tardes
e sinto que não verei o luar.
Não encontro meu sangue
nas lutas que partem da noite,
Não tenho memória dos tempos
nem vejo meu rosto na lagoa.
O mundo sucumbirá num suspiro
se minha infância não regressar.

(Artigo publicado na edição de 04 de setembro de 1994)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A 1a. PIANISTA DE BOM JESUS DO ITABAPOANA (RJ)

GEORGINA MEDINA DINIZ é o nome da 1a. pianista de Bom Jesus do Itabapoana e a 1a. a possuir um piano em nosso município.

É o que nos informa sua bisneta, GEORGINA MELLO TEIXEIRA, a dona NINA, atualmente com 87 anos de idade, que aprendeu a tocar o instrumento no piano alemão da matriarca, que também foi sua madrinha de Batismo.


Foto tirada em agosto de 1900.Atrás, da esquerda para direita: Ziata Diniz Quintela, Maria Diniz Mello, Carolino de Oliveira Mello, Carolina Diniz Freitas (tia Salica), Andrônico Medina Diniz e Odilon Diniz.Frente:Hamilton Diniz, Georgina Medina Diniz, Georgina Mediz Diniz e Virgílio Gonçalves Diniz


GEORGINA MEDINA era casada com VIRGÍLIO GONÇALVES DINIZ, que ocupava o cargo equivalente ao de coletor federal, e estabeleceu-se em nosso município no final do século XIX, tendo inspirado toda a família no amor ao piano. Em sua casa ocorriam concorridos saraus e dona NINA foi a quarta "GEORGINA" das família de pianistas. As outras duas "GEORGINAS" foram GEORGINA MEDINA DINIZ QUINTELA e GEORGINA FREITAS LIMA, todas igualmente exímias pianistas. "A 1a. pianista formada de Bom Jesus, contudo, foi IVETE SOARES DINIZ que colou grau na Escola de Música Nacional, na década de 1930", registra dona NINA.

Nos tempos de efervescência do estudo de piano em Bom Jesus, quando funcionava o Conservatório Brasileiro de Música, que foi sucedido respectivamente pelo Conservatório de Bom Jesus e pela Escola de Música Levy de Aquino Xavier, havia muitos pianos no município. Dona NINA pode nomear as residências que totalizariam cerca de, no mínimo, 62 pianos. "Contribuiu para isso, também, o fato de o Conservatório chegar a ter 200 alunos da região", lembra dona NINA.

                                               Dona Nina, a eletrola e os discos de vinil


Após a rápida entrevista na Sala de Visitas em sua aconchegante residência, dona NINA dirigiu-se à Sala do Piano, onde interpretou três músicas de seu vasto repertório. Em seguida, levou a reportagem de O Norte Fluminense para tomar um café na área dos fundos, ao som de vitrola do consagrado pianista Miguel Proença, que fez dedicatória à pianista bonjesuense em um disco de vinil por ocasião de uma apresentação no Colégio Zélia Gisner: "Para Nina com o melhor abraço e o carinho de Miguel Proença. 31-7-1990".

                                          Disco de vinil autografado por Miguel Proença


Uma informação curiosa que merece registro é que Miguel Proença, ao gravar referido disco com músicas de autoria de Ernesto Nazareth, incluiu uma cujo nome é "CORDOSINA". Seria Cordosina o nome de uma parenta? O nome de uma mulher por quem se apaixonara? A própria capa de disco esclarece a dúvida: o farmacêutico José Pinto Duarte havia encomendado ao compositor uma música para distribuí-la de brinde aos clientes. Ocorre que o projeto acabou esquecido, mas a bela música continuou com o nome "breguíssimo" de um "xarope contra tosse noturna".

                                                               Dona Nina ao piano


Pode-se dizer que a residência de dona NINA é mais que uma simples residência: constitui um verdadeiro altar onde a "sacerdotisa", a música e a cultura nos elevam imediatamente aos céus.


VOCÊ SABIA?

1. Miguel Proença é um pianista de renome internacional. Atuou em todo o mundo e é considerado um dos maiores intérpretes do compositor brasileiro Villa-Lobos.

2. Ernesto Nazareth, nascido no Rio de Janeiro em 1863, é pianista e compositor conhecido mundialmente, reproduzindo o ritmo do "choro" no piano, e estabelecendo um estilo único. Compôs 212 músicas.

3. O Chorinho é um ritmo instrumental oriundo das classes populares e nasceu por volta de 1870 no Rio de Janeiro. Foi assim chamado por sua musicalidade imbuída de lamento e de "choro".

sexta-feira, 13 de abril de 2012

HOUVE UMA "LADROEIRA", diz Membro da Comissão da Secretaria

A Crise no Hospital São Vicente de Paulo

PRESIDENTE DO HOSPITAL ANUNCIA AUDITORIA E APURAÇÃO DE TODAS AS DENÚNCIAS

ESTADO PROMETE APOIO AO HOSPITAL




Em entrevista com o associado dr. GINO MARTINS BORGES BASTOS, o novo Presidente do Hospital São Vicente de Paulo, dr. CELSO RIBEIRO abriu o jogo, anunciou a realização de uma Auditoria, informou sobre o apoio do Estado à regularização das atividades do Hospital São Vicente de Paulo e disse quer quer ver esclarecidas todas as denúncias envolvendo o Hospital.


Dr. CELSO RIBEIRO, Presidente do Hospital São Vicente de Paulo

Dr. CELSO iniciou o encontro dizendo que "assumi excepcionalmente a direção do Hospital, por indicação do Centro Popular, para ficar até outubro próximo, quando haverá nova eleição", registrando que a "Auditoria e Planejamento" só será possível graças ao apoio de um "bonjesuense anônimo" que ofertou gratuitamente ao Hospital tais serviços, que não ficam por menos de R$80.000,00.

Dr. CELSO informou ainda que "considerando que teve informação de que, por ocasião de sua posse, o setor contábil teria se expressado no sentido de que com minha ascenção à presidência o hospital iria acabar de afundar, considerei tal afirmação como um pedido de demissão, razão pela qual a área jurídica ficará a cargo do dr. GILBERTO CARDOSO, com remuneração adequada à realidade do nosocômio, tendo como assistente jurídica a dra. LAÍSA VAILLANT, com experiência em contratualização".

Salientou que fará uma gestão participativa, contando em sua equipe com os médicos diretores NIVALDO LADEIRA e DAVSON DE OLIVEIRA, três funcionários do Hospital de sua confiança, o novo administrador do nosocômio, a nova assessoria jurídica e a empresa que realizará a Auditoria.

Consignou, outrossim, que atualmente "o Hospital está funcionando com cerca de 1/3 a 50% de sua capacidade", mas recebeu doação de granito e de móveis, inclusive com apoio do Centro Popular, para que o laboratório volte a realizar análises clínicas. A Secretaria Municipal de Obras participou com a cessão de mão-de-obra. "O laboratório estará localizado ao lado do PU e já foi inaugurado. O PU, por sua vez irá para o prédio novo", assegurou o Presidente, que anunciou ainda a publicação de balancetes mensais e a participação nas reuniões mensais do Conselho Municipal de Saúde.

Assentou, por outro lado, que pretende, com o apoio do Estado, restabelecer o serviço do CTI, da Hemodiálise e do Banco de Sangue."O Estado vai investir ainda cerca de 2 milhões de reais para estabelecer uma Sala de Estabilização, destinada a atender pacientes em estado gravíssimo".

Dr. CELSO salientou que "tenho 33 nos de Hospital. Fui um dos fundadores do CTI, da hemodiálise e da endoscopia, e me deu tristeza ver todas estas atividades irem como se fosse para o ralo. Certa vez, no passado, me deram um prazo de 7 dias para eu desocupar o Hospital. Alguma acusação? nenhuma. Simplesmente disseram que iriam instalar os serviços no São Vicente de Paulo. Saí e montei minha clínica, mas continuei ligado ao Hospital. Outros saíram, e no final, o Hospital ficou sem poder oferecer os serviços à comunidade. Há pessoas que chegam com interesses escusos, mas vou promover, além de Auditoria, um Planejamento, e quero tudo esclarecido, não porque eu queira fazer uma caça às bruxas, mas porque necessito ter todas as informações. Além disso, vou nominar detalhadamente a respeito da dívida do consignado. Tive informação de que um funcionário que ganhava R$500,00 acabou gerando uma retirada de cerca R$40.000,00". Dr. CELSO diz querer esclarecimento a respeito da deliberação pretérita por parte do Conselho Deliberativo no sentido de tomar empréstimo de 1 milhão de reais junto ao Banco Itaú para fazer reserva, pagando juros. "Quero saber o que foi feito com tal dinheiro", assinalou.

O Presidente mencionou ainda a necessidade de se esclarecer a respeito da "aquisição do Arco Cirúrgico. Como foi o pagamento? E a venda do gerador? Foi vendido para quem? Como foi a aquisição do aparelho de eletrodinâmica? Como foi a aquisição da usina de oxigênio?. Quero saber tudo, pois preciso saber de tudo, já que sou Presidente da entidade. Nâo tenho medo de nada. Se quiserem me tirar é porque serei um pedra no sapato, mas quero tudo realmente esclarecido", salientou.

Dr. CELSO lembrou que pela primeira vez está trazendo um administrador com experiência no ramo. "Até então só foram contratados administradores amadores e maléficos. O dr. ALEXANDRE CARDOSO, que será o administrador, possui experiência em gestão hospitalar e está em Bom Jesus por questões familiares e por vínculo eclesiástico. Além disso, terá uma remuneração conforme as condições do Hospital". O Presidente fez questão de registrar que está tendo o apoio dos ex-presidentes ADEILDO GOMES e FRANCISCO DE OLIVERIA JÚNIOR, que se dispuseram a dar todo o apoio e prestar todos os esclarecimentos que forem necessários. Assegurou, por fim, que "todos os meus atos administrativos estarão à disposição dos associados e da sociedade, desde que haja ofício neste sentido".

Manifestação dos funcionários do Hospital, organizada pelo Sindicato, foi decisiva para o apoio do Estado



RELAÇÃO MÉDICO X HOSPITAL


Na oportunidade, o associado dr. GINO MARTINS BORGES BASTOS mencionou o documento "DIAGNÓSTICO ORGANIZACIONAL", elaborado pela empresa "MULTI-HOSPITALAR, Assessoria, Administração e Consultoria", que salientou não serem claras as relações entre médicos e hospital. Dr. CELSO esclareceu que no Hospital há cerca de 7 médicos celetistas, aos quais concedeu férias, uma vez que as mesmas estavam vencidas e levando-se em conta que tais médicos não estão exercendo suas funções no momento. Além disso, informou que há médicos prestadores de serviços e médicos terceirizados.


CONTAS DO HOSPITAL NÃO ERAM FECHADAS

"A conta não é fechada após a alta" : médicos negociavam com pacientes e não repassavam a parte devida ao nosocômio

Restou indagado ainda ao Presidente do Hospital, pelo associado, a respeito da afirmativa do mencionado documento, segundo a qual as contas do Hospital não eram fechadas, significando que médicos utilizariam o espaço do Hospital e negociariam diretamente com o cliente, sem repassar qualquer valor para a entidade.

Segundo o dr. CELSO, se procede tal afirmação, isso seria um "erro primário", fruto da "desorganização" existente no nosocômio, ressaltando, entretanto, que tudo será regularizado. Registrou que há vários casos de pacientes que, após o tratamento, não pagam nem ao médico e nem ao Hospital. Indagado sobre os motivos pelos quais não se faria a cobrança judicial, o Presidente do Hospital asseverou que a única cobrança que se fazia anteriormente era "mandar um carro da ambulância fazer a cobrança na casa do ex-paciente".

Questionado pelo associado a respeito de médicos que eventualmente teriam consultório particular dentro do Hospital, dr. CELSO confirmou o fato mas assegurou que os mesmos pagam um determinado valor ao Hospital pelo uso do espaço.


TERCEIRIZAÇÃO


Dr. CELSO RIBEIRO anunciou também a terceirização de vários serviços. "Os de Laboratório ficarão sob a responsabilidade do laboratório KASHIMA, os do Setor de Imagens devem ser comandados pelos médicos DIACRES e FRANCISCO, os da Hemodiálise devem ficar sob a responsabilidade do dr. PINHO, do Rio de Janeiro, e os da CTI devem ficar sob o comando dos médicos MOTA, de Carangola, e AFONSO, de Bom Jesus".

Indagado pelo associado se não seria uma incoerência realizar tais terceirizações num momento em que o Hospital necessita de recursos e essas anunciadas terceirizações incidiriam exatamente sobre as áreas que mais injetariam dinheiro ao Hospital, Dr. CELSO respondeu que se trata de uma necessidade no momento, acentuando, contudo, que a única terceirização acertada é em relação ao laboratório e que as demais ainda estão em processo de discussão e, caso ocorram, serão periódicas, uma vez que não há recursos para o Hospital adquirir materiais nestas áreas.

Questionado ainda sobre processos-crime que responderia um suposto sócio do laboratório Kashima no município de Guaçuí (ES), dr. CELSO respondeu que o responsável pela empresa é outro familiar.

Indagado ainda em relação às medidas tomadas para realizar o controle de estoque, dr. CELSO informou que está acertando detalhes para contratação de farmacêutica especializada que ficará responsável por este setor. Além disso, informou que está havendo rigorosa cotação de preços na compra de todos os bens necessários para o Hospital.


DÍVIDA E CREDORES DO HOSPITAL


Dr. CELSO entregou ao associado dr. GINO a relação de credores, com valores e indicação de fatos geradores dos créditos, como havia sido prometido pelo ex-presidente ADEILDO GOMES.

Em relação à dívida do Hospital, dr. CELSO indaga: "Que dívida é essa? Quem sabe o valor da dívida? Ninguém sabe!", acentuando que a Auditoria irá esclarecer tudo.

Da análise dos documentos entregues ao associado consta um crédito de R$72.737,87 com a empresa "Disk Med Pádua Dist. Medicamentos", empresa que segundo funcionários do próprio Hospital, costumaria vender produtos acima do preço de mercado.

Segundo ainda os documentos, dos R$ 4.511.199,45 referentes a dívida com fornecedores, cerca de R$ 476.174,29 referem-se a aquisição de remédios que, devido à inexistência de controle de estoque, puderam ser furtados livremente do nosocômio.

Chama a atenção ainda, na relação de débitos, o valor de R$ 2.684,00 relativo a despesas de hotel e o de R$ 6.281,60 relativo a ressarcimentos de despesas com viagens de ex-funcionário.


Há dívidas do Hospital sob suspeita


CRÉDITOS DE MÉDICOS SOB SUSPEITA


Não são, contudo, apenas os créditos de fornecedores e outros credores que estão sob suspeita.

Segundo fonte do Hospital, " há créditos de médicos gerados assim: o médico dizia simplesmente que o Hospital lhe devia 'x' e o Hospital registrava este crédito, sem nenhuma exigência de documento que comprovasse o serviço realizado".

Portanto, dos R$844.292,20 (valor relativo ao início de 2011) que constam como créditos de médicos, há valores que não possuem suporte fático.


"LADROEIRA"


Informou o Presidente que esteve em Bom Jesus do Itabapoana uma equipe técnica da Secretaria Estadual de Saúde, comandada pela dra. LUZIA LAMOSA, que realizou críticas construtivas em relação ao que ocorreu no nosso nosocômio. "Ela checou item por item, analisando o aspecto físico e financeiro. Ela pretende dar o apoio para regularizarmos o Banco de Sangue, a Hemodiálise e a CTI. Posso dizer que 90% das solicitações que fizemos foram atendidas, mas não deu prazo para atendimento".

"Devolvam o que roubaram, pra pagar nosso salário!" foi um dos gritos dos manifestantes, no dia 17 de março


Pontuou dr. CELSO a informação de dra. LUZIA, no sentido de que o Estado adiantará recursos para normalizar o pagamento das 6 folhas de pagamento dos funcionários e médicos que estão em atraso.

Segundo o Presidente, ainda, ele chegou a ouvir por parte de integrante desta comitiva o termo "ladroeira", relativo ao o que ocorreu no Hospital. "É um absurdo, uma bagunça, é ladroeira", teriam sido os termos utilizados.



PREFEITURA


De acordo com dr. CELSO, "estamos em negociação com a Prefeita BRANCA MOTTA, que disse não poder pagar uma média de R$5.000,00 aos médicos, decorrente do sobreaviso. A prefeita é carismática, guerreira, tem trânsito com a Secretaria Estadual de Saúde, e está estudando nossa reivindicação". Salientou que "como a ocupação do Hospital São José do Avaí em Itaperuna está com cerca de 120%, há interesse do Estado em investir em nosso Hospital, para regularizar o atendimento médico em nossa região".

Segundo dr. CELSO, "cerca de 40 pacientes de Bom Jesus vão para Itaperuna e Campos fazer Hemodiálise. Por outro lado, estamos solicitando recredenciamento para mais 5 leitos para o CTI, de modo que tenhamos um total de 10 leitos".


FIM DE CONVÊNIOS "DE BOCA"


Dr. CELSO garantiu que "não vai haver mais sobreaviso de boca, como ocorria antes. Haverá contrato para todos os convênios, inclusive para o sobreaviso do médico. Não existirá mais o "quebra galho" ou a "ajuda de boca".

Salientou, ao final, que "preciso de apoio e ajuda nos questionamentos. Já fui assediado pelo telefone: 'Deixa pra lá'. Mas não abro mão de dossiês sobre todas as denúncias. O Hospital é autossustentável e bem administrado dá lucro", finaliza dr. CELSO.

O dr. GINO MARTINS BORGES BASTOS declarou ao O NORTE FLUMINENSE, que "é possível que ex-dirigentes do Hospital e membros do Centro Popular Pró-Melhoramentos e do Conselho Deliberativo possam ser responsabilizados judicialmente por eventuais omissões ou atos comissivos que tenham causado prejuízo ao Hospital".

segunda-feira, 9 de abril de 2012

USINA SANTA MARIA: A GLÓRIA QUE RESISTE

A VIAGEM


No dia 24 de março, às 9h30min, a reportagem de O Norte Fluminense embarcou em um ônibus da Empresa Santo Antonio, na rodoviária de Bom Jesus do Itabapoana, com destino ao distrito da Usina de Santa Maria. A linha teria como ponto final o distrito da Serrinha.

A maioria dos passageiros, com suas sacolas, indicava que fez compras em Bom Jesus. Com efeito, Agnaldo de Oliveira Souza, de 65 anos, conta que os preços das mercadorias na Usina de Santa Maria costumam ser mais caros. Ele nasceu em Mimoso do Sul (ES) e veio para a Usina Santa Maria quando era jovem, seguindo seu pai que veio trabalhar na mesma. Adulto, acabou comprando uma casa no distrito porque "aqui tudo é tranquilo".

João Batista, outro passageiro, mas que tem como destino a Serrinha, contudo, recusou outras perguntas: "não gosto de dar informações sobre mim", encerrando a entrevista.

Gregório, outro morador da Usina, no entanto, não hesitou palavras: "não há político que esteja ajudando a Usina Santa Isabel. Eles só pensam em passar máquinas e mais nada. Nós não temos saneamento básico e nem calçamento. A única coisa que não posso reclamar é do serviço de água. Hoje, somos 800 residências, e era necessário que tivessem mais atenção com o nosso distrito", complementou ele.

Gregório, morador da Usina Santa Maria: "não há político que esteja ajudando o distrito"


José Gonçalves de Souza, com 54 anos, por sua vez, nasceu em Natividade (RJ). Seu pai trabalhou na Fazenda Santa Lúcia, entre as localidades de Mutum de Baixo e Mutum de Cima. Posteriormente, foi trabalhar na Usina. Ao receber um exemplar do jornal O Norte Fluminense, exclamou: "Estudei no Colégio Rio Branco. Meu pai, conhecido como Zé Galvino, foi amigo do dr. Luciano Bastos". Em seguida, registrou que "a Usina é um lugar muito carente".

José Gonçalves de Souza: "o distrito de Usina de Santa Maria é muito carente"

Na altura da Fazenda Providência, o ônibus pára e o cobrador vai entregar em uma casa, a pedido de uma passageira, alguns ramos da árvore "marmelada", que serve de alimento para passarinho. Neste momento, um cheio de borracha queimada passa a dominar o interior do ônibus, e alguém grita: "o ônibus está pegando fogo!". Saem todos. Motorista e cobrador jogam baldes de água obtidos na casa onde vive o passarinho, mas não conseguem debelar o fogo. O cobrador pega então o extintor de incêndio: "Vou usar pela primeira vez!". E o fogo é finalmente extinto.

Extintor de incêndio foi necessário para acabar com o fogo no ônibus

O motorista chama todos, em seguida, para o interior do ônibus: "Estamos próximos da Usina e dá pra chegar até lá!". Todos confiam no condutor, mas um passageiro faz uma ressalva: "Não pisa no freio!". Outro diz: "A lona está encostando no pneu!" E um terceiro: "Está faltando um parafuso!". O fato é que pouco mais adiante chegamos com alívio à Usina Santa Maria, que foi o fim de jornada também para os 13 passageiros que iriam para Serrinha.

Usina Santa Maria: fim de linha para os passageiros que iam para Serrinha



USINA SANTA MARIA: PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL


Preciosidade arquitetônica da Praça Governador Portela foi preservada por Merhige Hanna Saad: aqui foi, também, sede do governo do Estado em 1959 e 1960

Andar atentamente pela Usina Santa Maria é deparar com um conjunto de prédios históricos que dão uma ideia da grandeza que imperou na região há cerca de 60 anos atrás.

Primeira locomotiva a transportar cana da Fazenda Santo Amaro até a Indústria, em 1931: relíquia na entrada do distrito.


Festa na Usina na década de 50, do livro "Quem quebrou a casa de meu pai", de Antonio Carlos Pereira Pinto



CLUBE CONCHITA DE MORAES


Prédio do Clube Conchita de Moraes: patrimônio ameaçado


Eduardo Rosa, com 75 anos, nasceu em Apiacá (ES), foi jogador de futebol em Mimoso do Sul (ES) e foi morar na região conhecida como Balança, na Usina Santa Maria, para jogar futebol e exercer a profissão de sapateiro.

Eduardo Rosa, o solitário guardião do Conchita de Moraes


Ele reside atualmente em cômodos onde funcionou o "salão de beleza da proprietária da Usina. Lembro-me que ela tinha de 4 a 5 empregados. Ela entrava e sentava na cadeira do salão e todas as funcionárias faziam o serviço de embelezamento", diz Eduardo. Este cômodo é contíguo ao Clube Conchita de Moraes, construído na década de 30 como Cinema e, posteriormente utilizado como Teatro, antes de se tornar um Clube. Por conta dessa proximidade de sua residência, Eduardo Rosa passou a ser naturalmente o guardião deste prédio, que vai ruindo pouco a pouco, sem que nenhuma autoridade cumpra seu dever de zelar pelo patrimônio histórico-cultural.

Pode-se dizer que graças a Eduardo Rosa a estrutura deste prédio histórico ainda não foi destruída por vândalos como ocorreu com outros bens da Usina de Santa Maria.

Eduardo possui as chaves do antigo Clube, cujas portas, por segurança, possuem poltronas dificultando a entrada de eventuais intrusos.

Outros guardiões do prédio são os inúmeros marimbondos que povoam os cômodos do prédio.

Mas, adentrar no interior do Clube é se dar conta da penúria em que o mesmo se encontra. Segundo uma vizinha do prédio, Antonia Assis, de 67 anos, "sempre quando venta forte ou chove, ouço o barulho de madeira caindo do teto".

Eduardo Rosa: "É maldade, ninguém ajuda"


"Quando o Cinema foi construído, passaram poucos filmes, mas acabou tornando-se um grande Clube. Com a decadência da Usina, as cadeiras foram levadas e o patrimônio foi dilapidado", lastima Eduardo.

O guardião do Conchita até hoje se recorda com orgulho do tricampeonato do Santa Maria Futebol Clube, para depois soltar outro lamento: "não podiam deixar acabar as duas Usinas: a de Santa Isabel e a de Santa Maria. Houve época em que o açúcar era exportado e a Usina de Santa Maria fora incluída no rol das que fabricavam açúcar para a exportação". Mas o problema não é só esse: "hoje, quando chove, a rua de minha casa e do clube fica sem condições de trânsito", reclama mais uma vez Eduardo, que considera Jorge Pereira Pinto o grande nome da história das duas Usinas: "Era um usineiro muito organizado. Possuía granja, com vários tipos de criação".

Time do Santa Maria Futebol Clube, tricampeão em 1959, 1960 e 1961. Ao centro, JORGE PEREIRA PINTO.


Ao final da reportagem, Eduardo avisa à reportagem: " Você é o último a quem dou entrevista. Já veio gente demais aqui me entrevistar. Tiraram fotos e mandaram até para Brasília, fizeram muitas promessas, mas até hoje ninguém fez nada por este prédio histórico, que pertence à comunidade. A Prefeitura poderia ajudar ao menos na reparação do teto. Eu já pedi várias vezes, mas não me atendem. É maldade, ninguém ajuda", desabafa com inconformismo.

Sobre a porta de entrada do Clube, está escrito: "O Povo Unido Jamais Será Vencido" e "Aqui será o Centro Cultural Histórico da Usina Santa Maria".

Em uma das residências do antigo prédio da Estação de Luz da Usina, vive Dinalva Maria Venâncio dos Santos, que há 6 anos montou um salão de beleza, aprovado por Dulce Maria Francisco.


A maioria dos moradores da Usina de Santa Maria vive hoje das glórias do passado, e talvez seja apenas isso o que lhes reste.




VOCÊ SABIA?


Conchita de Moraes foi uma atriz importante no cenário artístico brasileiro. Seu nome era Maria de la Conceptión Alvarez Bernard, mas sempre foi conhecida como Conchita de Moraes. Era mãe da grande atriz Dulcina de Moraes. Conchita nasceu em Santiago, de Cuba , em 27 de setembro, de 1885. Ela se casou com o também ator Átila Moraes, com quem teve cinco filhos. Ela e o marido formaram uma companhia de teatro mambembe, isto é, companhia que viajava por todo o interior brasileiro, sem se apresentar em grandes salas de espetáculo.

Conchita trabalhou nas peças teatrais " Tia Mame"," Vida e Morte de Santa Teresinha do Menino Jesus", " O Rei dos Piratas", " Zazá", "Deslumbramento", " Esta Noite Choveu Prata", " As Arvores Morrem de Pé" e muitas outras.

No cinema começou em 1914, em : "Amor de Perdição". Em 36, fez: " Bonequinha de Seda". Em 37: " O Grito da Mocidade" ,ainda em 37: " O Bobo do Rei" e " Bombonzinho". Em 40:" de Pureza". Em 41: " 24 Horas de Sonho".

Conchita de Moraes trabalhou também em televisão, no começo dela e foi então pioneira. Foi uma das fundadoras da Fundação Brasileira de Teatro, em 7 de julho de 1955. Em homenagem a ela foi inaugurado o TEATRO CONCHITA DE MORAIS, em Santo André, em São Paulo e em 6 de agosto de 91, a sala CONCHITA DE MORAES, no Teatro Dulcina, em Brasília.

Conchita de Moraes faleceu no Rio de Janeiro, em 9 de outubro de 1962.
(extraído de http://www.museudatv.com.br/biografias/Conchita%20de%20Moraes.htm)