quarta-feira, 20 de junho de 2012

SESQUICENTENÁRIO DA PARÓQUIA DO SENHOR BOM JESUS



Pe. Vicente Osmar, pároco da matriz do Senhor Bom Jesus, na celebração de abertura dos festejos


          No dia 1o. de junho passado, teve início a abertura dos festejos em comemoração aos 150 anos da Paróquia do Senhor Bom Jesus, na Igreja Matriz.
                           
         
                                                 Coração de Jesus reentronizado


           Deve-se ressaltar que Raul Travassos remodelou a antiga imagem do Sagrado Coração de Jesus, concluiu o ostensório que guarda o Santíssimo Sacramento na Capela e refez a histórica imagem de Nossa Senhora das Dores destruída por cupins. Além disso, está atualmente na conclusão da imagem também histórica de São José.


Novo sacrário e ostensório

          Essas últimas foram esculpidas pelos espanhóis que aqui residiram nas décadas de 20 e 30, patrocinadas pelos libaneses e sempre estiveram em destaque no interior da Matriz.

                                                      


                  Raul Travassos e a imagem restaurada de Nossa Senhora das Dores


VOCÊ SABIA?

A Paróquia do Senhor Bom Jesus foi criada aos 14 de novembro de 1862 conforme o Art. 1º do decreto 1261 – “O Arraial do Senhor Bom Jesus – na freguezia de Nossa Senhora da Natividade, no Município de Campos, fica ereto em freguezia com a invocação do Senhor Bom Jesus do Itabapoana”.

Bibliioteca do ECLB recebe outra preciosidade: KÓSMOS, no. 1, de 1904





A biblioteca do ECLB (Espaço Cultural Luciano Bastos) já conta em seu acervo com outra obra rara: trata-se do número 1 da "KÓSMOS, Revista Artística, Scientifica e Literária", publicada em janeiro de 1904.

Tendo como Diretor Mario Behring e Editor-Proprietário Jorge Schmidt, o editorial assinala que a publicação toma "por modelo as mais notáveis publicações ilustradas européias e norte-americanas".

Na revista, há um esclarecedor artigo a respeito dos limites do Brasil com a Bolívia, estabelecidos graças à atuação do Barão do Rio Branco, através do Tratado de Petrópolis.

Há, outrossim, uma alusão à ameaça de morte da indústria do livro, como assentou a seguinte "Chronica": " O livro está morrendo, justamente porque já pouca gente pode consagrar um dia todo, ou ainda uma hora toda, à leitura de cem páginas impressas sobre o mesmo assunto", prevendo que "talvez o jornal do futuro, para atender à pressa, à ansiedade, à exigência furiosa de informações completas, instantâneas e multiplicadas - seja um jornal falado e ilustrado com projeções animatographicas, dando a um só tempo a impressão auditiva e visual aos acontecimentos".


Doação ao ECLB


 
                                                     "Seu" José Grando e dona Creuza


O ECLB (Espaço Cultural Luciano Bastos) recebeu importante doação por parte de CREUZA GRANDO e JOSÉ GRANDO, ambos residentes em Guaçuí (ES).

Trata-se de vários tinteiros, canetas tinteiros e tintas sobressalentes muito utilizados pelos estudantes na década de 1930, inclusive no Colégio Rio Branco, em Bom Jesus do Itabapoana (RJ). As carteiras eram construídas para receberem os tinteiros arrendondados.

Este precioso material era vendido pela Casa Simões, em Guaçui, fundada por JOSÉ SIMÕES. Posteriormente, a empresa incorporou dois novos sócios: GUMERCINDO GRANDO e JOSÉ GRANDO. Firma prestigiada em Guaçuí, chegou a abastecer outros municípios como Alegre, Iúna, Ibitirama e até Palmital, distrito de São José do Calçado, segundo relata dona CREUZA. A empresa foi desativada por volta de 1984.

JOSÉ GRANDO nasceu em Faria Lemos (MG), na data de 22/09/1922, e possui três filhos: Flávio José Miranda Grando, engenheiro, residente em Vitória (ES), Ângela Maria Grando Bezerra, viúva, professora da da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo, formada em História Universal da Arte pela Sorbonne, de Paris, e Francelino Jósé Grando, advogado, Doutor em Direito Ambiental, que foi Secretário do Ministério de Ciência e Tecnologia quando Roberto Amaral foi o titular da pasta, tendo ainda atuado em missão da ONU por 1 ano, no Quênia, na África.

Dona CREUZA GRANDO, nascida em Alegre (ES), no dia 27/10/1935, é a maior liderança da sociedade civil de Guaçuí, onde está radicada há mais de 50 anos. Devido à sua integridade e força moral, conquistou respeito de toda a sociedade. 

O casal, que estava de posse desse material desde quando a firma foi extinta, resolveu doá-lo para o ECLB, "para que os visitantes possam saber como os alunos escreviam nos bancos escolares, antigamente", finalizou dona CREUZA.
 
 
                      A 3a. Sala do Colégio Rio Branco, com a doação do casal Grando, no ECLB
 

terça-feira, 19 de junho de 2012

O TIPÓGRAFO QUE FRUTIFICOU

Da Série Entrevistas de O Norte Fluminense


                                             Helton de Oliveira Almeida


Helton de Oliveira Almeida, conhecido como Heltinho, nasceu em Bom Jesus do Itabapoana, no dia 11/05/1929.

Seu pai, José Tarouquela de Almeida, nasceu em  São Domingos, hoje distrito de Aré, Itaperuna (RJ), e teve quatro filhos: Dalton, Hélvio, Maria José e Ildes. Sua mãe se chamava Benedita Tarouquela.

Diante da situação de crise econômica pela qual passava São Domingos, José Tarouquela resolveu mudar-se para Bom Jesus com dois irmãos: Catão Tarouquela de Almeida e Ernani Tarouquela de Almeida. Adquiriu, então, uma chácara, em 1923, onde está localizado atualmente o Espaço Cultural Luciano Bastos. Ali, já existia uma casa, que, posteriormente, "foi modificada um pouco, para que fossem instaladas as dependências do Colégio Rio Branco, que funcionava em outro endereço. "Meu pai só vivia para a família, não se associando a nada. Ele vivia na roça, mas gostava mesmo é de mexer nas máquinas. Foi fornecedor de madeira, através de carros de boi, para a estação de trem em São Domingos. Ele ficava impressionado com o telégrafo da estação. Posteriormente, passou a ser o operador do mesmo", relata Heltinho.

Prossegue Heltinho: "Em Bom Jesus, a vocação pelas máquinas continuou forte e resolveu vender a chácara para comprar uma máquina francesa Alauzet de propriedade de Tebas Ananias, de São José do Calçado (ES), em 1925: "Esta máquina estava desmontada e foi o italiano Vitório Cassamali, um ferreiro, que, curioso, ajudou a montá-la em Bom Jesus. Uma vez recomposta a máquina, meu pai uniu-se a Osório Carneiro, que era meu padrinho e Delegado de Polícia, e que gostava de escrever. Assim, montaram uma gráfica e o jornal A Voz do Povo. A sociedade era informal: meu pai prestava serviço a Osório Carneiro para que fosse confeccionado o jornal.

"Posteriormente, meu pai adquiriu tipos da Tipografia Helena, da família de Joel Vasconcelos, que havia em Bom Jesus do Norte (ES) e se encontrava fechada. A gráfica foi estabelecida, no início, num prédio localizado próximo à Praça Governador Portela, e pertencia à família Teixeira. Meu pai alugou cômodos grandes até 1928. Posteriormente, ele construiu uma casa em frente à Relojoaria do Joaquim. A partir daí, foi fundada a firma Irmãos Tarouquela, com a gráfica funcionando num galpão, ao lado da residência. O nome fantasia da firma era Tipografia Almeida. Em seguida, A Voz do Povo passou a funcionar em 1930 onde era a Gráfica Guntenberg".

Houve um período, contudo, em que  "Ésio Bastos e Jorge Pereira Pinto compraram a casa e a gráfica, tendo Esio fundado o jornal O Norte Fluminense. Esio passou também a imprimir A Voz do Povo para Osório Carneiro, que, mais para frente, adquiriu a máquina Marinoni, passando a estabelecer uma gráfica na Praça Governador Portela.Com a venda da gráfica em Bom Jesus,  meu pai acabou mudando-se para Niterói, onde estabeleceu outra gráfica, na rua Barão do Amazonas. Ocorre que o negócio não deu certo, Dalton tomou outro rumo e acabaram vendendo a gráfica. Retornamos a Bom Jesus e montamos outra tipografia, restabelecendo a Irmãos Almeida, com Dalton e Hélvio. Como na época o jogo do bicho era aberto, passamos a imprimir talões de bicho para a 'Mina de Ouro' que chegou a e encomendar 100 talões. Posteriormente, com o desenvolvimento da nossa gráfica, passamos a fabricar cadernos. Chegamos a ter 48 empregados. Só admitíamos moças como funcionárias, em geral indicadas por um pastor".



Heltinho e o reencontro com a máquina francesa Alauzet, do século XIX, no Espaço Cultural Luciano Bastos

Segundo Heltinho, "chegamos a vender cadernos para 20 prefeituras. Fazíamos cadernos com as capas dos prefeitos. Chegamos a vender 100 mil cadernos para Duque de Caxias. Era a época da offset. Passamos a fazer, também, a editoração de livros. Chegamos a estabelecer um escritório em Campos dos Goytacazes (RJ), mas a concorrência passou a pressionar para que não participássemos das licitações. Além disso, "a prefeitura de Campos dos Goytacazes queria que pagássemos ISS em Campos e não em Bom Jesus. O fato é que a chegada, no mercado, do caderno universitário acabou com a nossa fábrica de cadernos. Não pudemos concorrer com as grandes fábricas. As capas dos cadernos influenciavam os alunos.

"Eu era sócio majoritário da firma e, depois, deixei a direção com meu filho Guilherme. Eu é que fazia a estatística e o balanço todo o mês. Era meu trabalho. Com o falecimento de Guilherme e o inventário, saí da empresa e deixei a direção com meu genro, que preferiu, depois, acabar com a firma, há cerca de 4 anos. Vendi o prédio, mas até hoje estou pagando dívidas da firma", acentua.

Helton Almeida é casado com Gláucia Figueiredo Almeida, de Rosal, e teve 4 filhos: Glícia, Guilherme, Gláucia e Hélcia. Ao final da entrevista, ocorrida no dia de seu aniversário, recorda, emocionado, do falecimento de Guilherme e Hélcia, e diz que "não há como descrever a dor da perda de um filho. É como se eu estivesse vivendo um filme em preto e branco e não mais colorido. O que eu mais desejaria neste dia de meu aniversário, é ter todos os filhos juntos de mim". Em seguida, aponta para uma poesia que está fixada em uma parede, e que escreveu em homenagem a Guiherme, no dia 31 de dezembro de 1996.


                                Heltinho e Gláucia


CASTELO NA AREIA

Ao saudoso filho José Guilherme

Nossa vida é um castelo
Nas areias modelada
Para a  nossa vista tão belo!
Em nossas mãos foi formado!

Não previmos que num lance
As ondas do mar avançassem
Na dura realidade
Este castelo erguido
Foi assim destruído
Restando só a saudade.

 
 


                                          

Helton leva, então, a reportagem de O Norte Fluminense para um cômodo no subsolo de sua casa e diz: "quando acabei com a gráfica, pensei: 'vou levar uma lembrança dela' ". Assim, trouxe para este cômodo a máquina de cortar papel, uma guilhotina manual e uma prensa. "Hoje, compro papéis, faço bloquinhos e distribuo para as pessoas", assinala.

Heltinho, no cômodo de sua casa, onde se pode dizer que estabeleceu uma pequena gráfica, revive a cada momento a trajetória que seu pai iniciou um dia em Bom Jesus do Itabapoana, que ele próprio soube recomeçar, e que seu filho Guilherme levou adiante até o fim de sua vida. Trajetória repleta de frutos, como atestam os jornais bonjesuenses que perseveram até hoje: A VOZ DO POVO e O NORTE FLUMINENSE.



                                                  Heltinho e a recordação de sua gráfica

2a. OFICINA LITERÁRIA DO ECLB

 "DRUMMOND NO MEIO DO CAMINHO"








Com Adriano Moura, professor de Literatura e Língua Portuguesa, autor e ator teatral.


"DRUMMOND NO MEIO DO CAMINHO" é uma oficina que desenvolve atividades e técnicas de expressão poética a partir de poemas do escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade, que completaria 110 anos de nascimento em 2012. Os exercícios poéticos utilizados se originam de recursos expressivos e de temáticas comuns à obra do poeta de Itabira. Busca-se uma intertextualidade verbal e visual para que os versos de Drummond saiam das páginas de seus livros e ganhem novos significados nas mãos dos que, durante a oficina, não atuam apenas como leitores, mas também autores.

Sábado, 23 de junho de 2012, das 14h às 16h, no Espaço Cultural Luciano Bastos (ECLB), Praça Amaral Peixoto, 13, Centro. Bom Jesus de Itabapoana, RJ. Vagas Limitadas. Inscrição: R$40,00. Facilitação para Alunos e Professores. Informações: (22)3831-1056 e
espacoculturallucianobastos@ig.com.br. Blog: espacoculturlalucianobastos.blogspot.com