terça-feira, 7 de agosto de 2012



SOB PRESSÃO, GREVE TERMINA: PRESIDENTE DO SINDICATO RENUNCIA


"O CENTRO POPULAR VIROU UM 'PANELÃO' "
Leia entrevista com Ana Maria da Silva Motta


                                        Greve dos funcionários durou dois dias


Como anunciado anteriormente, os funcionários do Hospital São Vicente de Paulo entraram em greve no dia 28 de julho passado, mas a pressão sobre os funcionários, que foram ameaçados de demissão, fez com que o movimento paredista terminasse dois dias depois, com a renúncia do presidente do Sindicato, Waldir Batista Motta.

O ex-presidente declarara ao O NORTE FLUMINENSE, no dia 28, que os funcionários estariam "com quase três meses sem receber os salários, não havendo nenhuma perspectiva de solução para o problema, porque não há produtividade suficiente. Se o CTI, a Hemodiálise e o Banco de Sangue voltassem a funcionar, haveria aumento na arrecadação, mas a situação continua como antes. Por outro lado, a direção do Hospital ainda não nos chamou para um diálogo".

                           A Polícia Militar foi chamada pela direção do Hospital


Waldir salientara ainda que o sindicato estaria cumprindo a lei de greve, mantendo 30% dos serviços, registrando, ainda, que "não desejamos prejudicar a sociedade, que, há muito tempo, já está sendo prejudicada pela crise no Hospital, mas queremos mostrar à sociedade que estamos trabalhando sem receber".

Waldir aproveitara para lamentar o falecimento do médico Aloísio Iram que "sempre apoiou a instituição, incluindo os funcionários. Foi uma perda para a sociedade".

Por outro lado, ainda no dia 28,  funcionários acusaram a direção do Hospital de chamar a PM para "intimidar os funcionários", assim como de divulgar notícias de que "ocorreriam demissões para quem aderisse à greve".

No dia seguinte, 29, Waldir apresentou carta de renúncia à presidência do sindicato, tendo a greve terminado no dia 30. 

De acordo com o dirigente sindical Celso Leonardo, a direção do Hospital anunciou, no dia 31, o pagamento de 50% dos salários relativo ao mês de maio. Além disso, assinalou que haverá uma reunião da diretoria para decidir quem ocupará a presidência da entidade.



ENTREVISTA COM ANA MARIA MOTTA



              
                      Ana Maria da Silva Motta: "O Centro Popular virou 'um panelão' "


Ana Maria da Silva Motta completará 70 anos de idade no dia 27 de agosto. Nascida na Fazenda Matinhos, distrito de Serrinha, é filha de Lauro da Silva Motta, ex-vereador de Bom Jesus do Itabapoana, e de dona Dora.

O interesse pelo que ocorre com o Hospital São Vicente de Paulo vem desde o tempo em que seu pai lutava pelo nosocômio. Conta ela que " se recorda da época em que se fazia a campanha da Rainha da Festa de Agosto para  obter recursos e ampliar o Hospital. Meu pai participava com paixão, porque o objetivo era ajudar o São Vicente. Todo mundo chegava junto. Lembro-me, por exemplo, que a Cooperativa até doava um percentual de leite para o Hospital".

Ana Maria afirmou que "na época, todo o dinheiro era utilizado dentro do Hospital. Por isso o Hospital cresceu. Além disso, havia prestação de contas. Todos queriam o crescimento do São Vicente".



                    Ana Maria divulgou Carta Aberta às autoridades em 2008
 
Sua atenção com o São Vicente se acentuou, segundo ela, a partir do ano de 2008, com o fim de um plano de saúde, da qual era associada por 17 anos, e que possuía conexão com a antiga Casa de Saúde Aurora Avelino: "na época, distribuí uma 'carta aberta às autoridades de Bom Jesus', denunciando que estava acontecendo 'mais uma vergonha para a população' ". 
 
Continuou: "ressaltei, no documento, há quatro anos atrás, que a omissão é a pior desgraça numa sociedade... esse Hospital pertence ao Centro Pró-Melhoramentos de Bom Jesus, foi construído pelo povo e para o povo...o Hospital encontra-se em péssimas condições de funcionamento, espaço (consequência do fechamento da Casa de Saúde), roupas de cama, material e muito mais... O povo bonjesuense tem conhecimento destes fatos, mas não possui condições de lutar sozinho contra esses problemas graves de saúde que afetam a todos nós' ".
 
Ao final do documento, conclamou os vereadores para que se unissem ao povo e lutassem "para que alguns não destruam o nosso Hospital São Vicente de Paulo, que foi construído por homens de bem da nossa sociedade durante muitos anos".

Ana Maria: "parte da verba para ampliação do Hospital teria sido desviada por político"


"HÁ MUITO MAIS COISA ALI DO QUE O SENHOR PENSA"

 
De acordo com Ana Maria, a partir de sua luta, ela passou a receber informações de que estaria ocorrendo, desde aquela época, desvio de dinheiro do Hospital, razão pela qual encaminhou os documentos recebidos às autoridades: "Chegou aos meus ouvidos, por exemplo, a notícia de que uma grande soma de dinheiro teria ficado com um político, por ocasião da ampliação das instalações do Hospital. Recebi até ameaça de morte, mas não temo nada, vou continuar a denunciar e a lutar pelo Hospital até o fim", para acrescentar, com ares de suspense: " Há muito mais coisa ali do que o senhor pensa!".


"HOSPITAL SEM PLANTONISTA"

 

Ana Maria, que sofre com problema na coluna e está para receber intervenção cirúrgica para a implantação de duas placas e parafusos, conta que seu irmão, Claudio, está internado no Hospital, como associado da UNIMED: "na tarde do dia 8 de julho passado, meu irmão ficou com 160 de glicose e pressão 8. Ele necessitava de um atendimento urgente de um médico, mas não havia médico plantonista no Hospital. Foi necessário que o médico que fazia plantão no PU saísse de suas atividades para atender meu irmão. Eu consegui um médico, mas muitas pessoas ficam desesperadas por não conseguirem médico para atender seus parentes e entes queridos".
 
Ana Maria termina a entrevista dizendo que "no Centro Popular Pró-Melhoramentos, entidade que rege o Hospital e o Instituto de Menores não há 'panelinha', mas um verdadeiro 'panelão'. Ali não há prestação de contas e nem há transparência. A verdadeira saída para o Hospital é se abrir para a sociedade. Mas eles não abrem para novas pessoas. Eles atuam sempre em lugar fechado e, num ambiente assim, o ar fica viciado. O uso do cachimbo faz a boca ficar torta", finaliza Ana Maria.


ASSOCIADO CONTINUA SEM RESPOSTA


Não obstante o artigo 11 do Estatuto do Centro Popular Pró-Melhoramentos de Bom Jesus garanta aos associados, em sua alínea "f", o direito de "fazer representações à Diretoria e ao Conselho", o associado André Luis ainda não foi atendido nos requerimentos apresentados ao Hospital no dia 30 de abril de 2012, em que requereu as seguintes informações: a) "cópia da Prestação de Contas do período de março e abril de 2012"; b) "esclarecimentos a respeito da liberação por parte do Conselho Deliberativo no sentido de tomar empréstimo de 1 milhão de reais junto ao Banco Itaú. O que foi feito com tal dinheiro?"; c) "informações acerca da contribuição ao INSS dos servidores. Está sendo feita?"



domingo, 5 de agosto de 2012



Laje do Muriaé (RJ) integra o 3o. Circuito Cultural Arte Entre Povos


Laje do Muriaé (RJ), que tornou-se município em 07 de março de 1962, integra o 3o. Circuito Cultural Arte Entre Povos, graças à atuação da assessora-adjunta da Secretaria Municipal de Cultura, Maria Beatriz da Silva, uma entusiasta da cultura.




                                                        Casa da Cultura



                                                             Auditório


                                                    Palco para espetáculos



As atividades do Circuito Cultural ocorrerão na Casa da Cultura, inaugurada em 5 de julho passado. Para marcar o evento, Maria Beatriz, que é poetisa e apaixonada por Portugal, idealizou a rádio Circuito Cultural, que passou a funcionar nesta semana, via internet (www.radiocircuitocultural.com).



                              Maria Beatriz no studio da rádio Circuito Cultural


Por outro lado, a jovem atriz lajense Lara Leal está programando, a partir do Circuito Cultural, a criação de um grupo de teatro no município. Laje  do Muriaé desponta, portanto, na região, como um importante pólo irradiador de cultura.


                                                  A atriz lajense Lara Leal




A MESTRA FORMADORA DE GERAÇÕES

Da Série Entrevistas de O Norte Fluminense








A entrevistada deste mês é a professora Maria Apparecida Dutra Viestel,  que completará  82 anos de idade em  09 de setembro. Neta de Pedro Gonçalves da Silva,  primeiro prefeito de Bom Jesus do Itabapoana - que passou a ser município no dia 24 de novembro de 1890 - ,  foi graças a seu pai, o historiador Antonio de Sousa Dutra, que os originais das edições do primeiro jornal de Bom Jesus, o "Itabapoana", de 1906, chegaram até nós. Pedro Dutra, irmão de Maria Apparecida, deu continuidade à preservação destas relíquias e, posteriormente, acabou doando-as a Luciano Bastos. Hoje, elas se encontram no Museu da Imprensa, localizado no Espaço Cultural Luciano Bastos (ECLB), à disposição de toda a sociedade. Outros jornais, revistas e escritos de Antonio de Sousa Dutra, a quem Luciano Bastos dizia ser um homem além do seu tempo, também se encontram no mencionado Museu.



Maria Apparecida foi sempre portadora de uma bondade e mansidão transformadoras, peculiar das  pessoas santas.  Com 13 anos de idade, já escrevia textos como "ANCHIETA", publicado no jornal "A Voz do Estudante", órgão literário dos alunos do antigo Ginásio Rio Branco.


                                            Maria Apparecida Dutra Viestel



Maria Apparecida foi sempre portadora de uma bondade e mansidão transformadoras, peculiar das  pessoas santas.  Com 13 anos de idade, já escrevia textos como "ANCHIETA", publicado no jornal "A Voz do Estudante", órgão literário dos alunos do antigo Ginásio Rio Branco.



Pode-se dizer, além disso, que Maria Apparecida é uma síntese do que foram o seu avô e seu pai, aglutinando a singular capacidade de liderança com um notável tino de observação dos acontecimentos. Soube passar estas qualidades, como nenhuma outra pessoa, às gerações de alunos que formou em salas de aula ao longo de quatro décadas.

Deixemos, contudo, que Maria Apparecida discorra sobre sua vida:





MARIA APPARECIDA POR ELA MESMA




" Minha vida se confunde com a História de Bom Jesus.
Se tenho algum mérito, devo aos meus antepassados e a inúmeras pessoas desta terra.


ORIGENS

Pelo lado materno, descendo do meu avô Pedro Gonçalves da Silva, que foi o 1o. Intendente de Bom Jesus do Itabapoana. Minha avó, Isabel de Figueiredo, era descendente do alferes Silva Pinto, que foi um dos colonizadores de Bom Jesus.

Pelo lado paterno, meu avô, Joaquim Dutra, era proprietário de uma das primeiras fazendas de Bom Jesus, localizada na zona rural de Quebrados.


Meus pais, Alice Gonçalves da Silva e Antonio de Sousa Dutra, deixaram como herança para mim e para meus irmãos Pedrinho e Lúcia, os ensinamentos para vivermos uma vida de dignidade e de serviço ao próximo.


 

Em 1899, 
Padre Mello fez a
"Consagração 
do Gênero Humano ao
Coração Sacratíssimo 
de Jesus Christo Rei"


 






  (Acervo de Maria Apparecida Dutra Viestel)






A PAIXÃO PELOS LIVROS E OS ESTUDOS


Do meu pai, tanto eu como meus irmãos, herdamos também o amor pela leitura: desde a infância, nossa principal diversão nas férias eram os livros de Monteiro Lobato e de Malba Tahan.

Eu e meu irmão Pedrinho  fizemos o curso primário na Escola da grande educadora Amália Teixeira, nos idos de 1930. Recordo-me dos professores Alice Moreira e Nenci Castro, filha de Abílio Castro. Na época, havia também a Escola da dona Nair Melo, que funcionava no bairro Volta d’Areia.  Na década de 1940, enfrentamos o rigoroso exame de admissão no Colégio Rio Branco, cujas provas tinham como modelo aquelas que eram aplicadas no Colégio Pedro II do Rio de Janeiro. O inspetor era o dr. Abelardo Vasconcelos, médico que clinicava em Bom Jesus e o diretor era o sr. Olívio Bastos.

Na adolescência, tive grande influência das "Leituras Católicas de São João Bosco". Eram livros e revistas que recebíamos de Colégio Salesiano de Niterói, onde meu irmão Pedrinho estudava; por isso, mais tarde, ele dizia que eu devia a ele minha predileção pelas leituras religiosas; esta dívida tenho também pela grande educadora Adélia Bifano, que foi, além de professora, quem preparava os jovens para ingressar nas associações da Igreja. Adélia chegou a passar para o vestibular de Medicina no Rio de Janeiro, em 1930. Ocorre que o marido de sua irmã, Bárbara, falecera, e ela preferiu ficar em Bom Jesus para apoiar a irmã.  Por outro lado, com tábuas cedidas por seu irmão, o pai de Adélia, que era pedreiro, construiu alguns bancos e Adélia acabou criando sua escola. Este é um exemplo de vida para quem começa do nada.


BACHARÉIS DE 1945
Homenageados: Rozendo M. de Azevedo,  Dr. Francisco Baptista, Halley Jansen, Lenita São José, José de Oliveira Borges, Dr. Colombino Siqueira (Inspetor), Stella Aguiar, Dr. Benjamin Haman, Humberto Cappai, Alfredo Silva

Formandos: Maria da Penha da Silva, Maria Apparecida Gonçalves Dutra, Maria Alves Pereira, D. Maria do Carmo Baptista de Oliveira (Diretora) Dr. Deusdedit de Rezende (Paraninfo), Olívio Bastos (Diretor),  Pedro Gonçalves Dutra, Nilton Matos da Silva, Ediberto Rezendo Dutra

Maria Sylvia Maia Costa, Maria da Coneição Fragoso de Oliveira, Teresinha Moreira Megre, Wilma Nacif, Maria da Penha, Lair Junger, Walter Oliveira, Adeil Pedrosa Leandro, Carlos Borges Garcia, Washington C. de Oliveira 

Cristina T. Pontes, Josette Helena Costa, Alíria Tinoco Matias, Nair Borges Barbosa, Georgina Mello Teixeira, Aliozete Batista Poubel, Geraldo Batista, Antonio Carlos Menezes, Gabriiel da Fonseca, José Nahim.




Em 1945, terminamos o curso ginasial no Colégio Rio Branco, com uma solene formatura, da qual foi paraninfo o Dr. Deusdedit Tinoco de Rezende, insigne professor de Geografia Geral e do Brasil. O orador foi o aluno Pedro Gonçalves Dutra.

Em 1953, terminamos, eu e minha irmã, Lúcia Gonçalves Dutra, o curso de formação de professores no Colégio Rio Branco, onde era diretora Dona Maria do Carmo Batista de Oliveira, mais conhecida como Dona Carmita. Os métodos por ela adotados, tanto na direção com em sala de aula, na disciplina e aprendizagem de História, que ela lecionava, hoje seriam desaprovados, no entanto, deixaram bons resultados.


TURMA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DO COLÉGIO RIO BRANCO em 1953.Terezinha Mansur, Maria Apparecida, Maria Stela, Maria José Borges, Célia Machado, Neusa Siqueira, Luísa Seródio, Dulce Pedrosa, Arieth Taliuli, Mariazinha Ferolla, Juracy de Aguiar-sobrinha de Octacílio de Aquino- Laura Silveira, Amélia Salim, Lúcia Gonçalves Dutra, Terezinha Chalhoub, Aline Borges Campos, Maria da Penha Freitas, Otália Boechat e Sirley Loureiro. Sentada: Dona Carmita


Como prova destes resultados, foi a preferência que tivemos, eu e Pedrinho, ao escolhermos, na Faculdade, o curso de Estudos Sociais.

O MAGISTÉRIO, OS FILHOS E OS NETOS


Durante 4 décadas exerci o magistério, procurando transmitir aos alunos não só os ensinamentos curriculares, mas também os princípios para uma vida digna.

É gratificante quando encontro com um ex-aluno e ele se recorda principalmente dos conselhos para agir corretamente. Estes mesmo exemplos alegro-me de ter passado aos filhos, aos sobrinhos e aos netos, que procuram cumpri-los, cada um em sua vocação.

Meus filhos são:
Miguel Ângelo, bancário aposentado, é professor de Biologia. Maria Alice é professora de Educação Musical e Artística. Maria Adelaide é farmacêutica e divulga a cultura brasileira na Dinamarca. Marco Antônio exerce a profissão de bancário no Centro Cultural do Banco do brasil. Maria Angélica é veterinária da UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense).

Os netos Henrique e Bernardo são universitários. As netas Alice, Raquel e Luísa são estudantes.

Ao completar 80 anos de vida, sente-se o desejo de dizer: missão cumprida! Porém, há o apelo das amigas, dos jovens que nos procuram, incentivando a fazer algo mais.

Naquela data natalícia - 09/09/2010 - recebi dos sobrinhos mais um incentivo, na mensagem escrita e enviada por Luísa, Kenneth e André:


AOS 80 ANOS DA TIA APPARECIDA



É uma grande alegria pdoer comemorar este aniversário! São vários os motivos desta alegria. O mais egoísta dele é a esperança de também chegarmos lá. Outro, não menos egoísta, é contar com uma pessoa especial para torcer, rezar, zelar por nós. É muito bom saber que ela está aí.


Além do mais, quem vai lebrar da história? Para quem podemos ligar e perguntar sobre coisas passadas e presentes? Quem tem tempo para ouvir e procurar saber? A quem procuramos quando precisamos lembrar de alguma coisa? E, mais que tudo, quem faz isso com dedicação e afeto?


Muitos de nós queríamos fazer uma super-festa, mas respeitamos o desejo de tranquilidade e sossego da aniversariante. Festejamos, então, nos nossos corações.


Saúde e muitos anos de vida!!


Feliz aniversário!


Luísa,


Kenneth


André
"




A RESIDÊNCIA DA FAMÍLIA  GONÇALVES DA SILVA


 
                                      Maria Apparecida Dutra Viestel




1822 - A colonização e o povoamento de Bom Jesus, pelos mineiros, começaram nas terras onde cultivavam o café.



1850 - Construção de casas para residência no "povoado" - freguesia da Comarca de Campos dos Goytacazes.




              Pedro Gonçalves da Silva, o 1o. Intendente de Bom Jesus do Itabapoana

1880 - Pedro Gonçalves da Silva, farmacêutico, vindo de Campos a convite do deputado Dr. Leônidas Peixoto Abreu Lima, estabelece-se em Bom Jesus. Pedro Gonçalves da Silva compra do sr. Modesto Andrade Camargo a "Farmácia Normal" e a casa ao lado, de outro proprietário.

                  O sobrado de Pedro Gonçalves da Silva e a Farmácia Normal

1921 - A residência de Pedro Gonçalves da Silva, ao lado da Farmácia, passa a ser sobrado, em estilo colonial, em cuja fachada ainda constam a data da reforma e as iniciais PGS.



 
                           
O sobrado e a fachada, destacando-se: 1921 e PGS




 
1925: Praça Governador Portela
                                   



                                   Praça Governador Portela em 1925


1960 a 2006 - A residência passou a pertencer à família de Pedro Gonçalves Dutra, neto de Pedro Gonçalves da Silva. Atualmente, o prédio pertence à senhora Márcia Mascarenhas Soares. Na parte térrea localiza-se um consultório médico e uma
barbearia.


             A residência do 1o. Intendente de Bom Jesus foi vendida


Vista parcial da praça Governador Portela, a partir da sacada da residência.
 



Os familiares de Pedro Gonçalves da Silva levaram consigo fotografias e recordações

Fazenda do Bonito: Patrimônio Histórico em Pirapetinga de Bom Jesus




                                  Antiga sede da Fazenda do Bonito


A Fazenda do Bonito, localizada no distrito de Pirapetinga de Bom Jesus, foi edificada na década de 1870, tendo como mola propulsora do desenvolvimento a produção do café.

Um dos seus primeiros proprietários foi João Catarina, que exerceu a presidência da Câmara Municipal de Itaperuna (RJ), no período de 1920/1923, e foi um dos que se dedicaram à luta pela segunda emancipação de Bom Jesus do Itabapoana. 


                                                            João Catarina

Posteriormente, a propriedade foi transferida para Aulo Machado. Com o falecimento deste, a viúva Nadir Costa casou-se com Fernando Costa, que implementou grande desenvolvimento à fazenda.

Conta o atual proprietário, Jacinto Seródio, que "a fazenda era café puro e ia até o distrito da Barra do Pirapetinga, chegando a ter 250 casas de colonos. Na fazenda  havia serraria, máquina de secar café, máquina de arroz e de luz, tudo tocado a água. Recordo-me, quando criança, de ter visto cerca de 300 a 400 burros carregando café pela fazenda. Entre 200 e 250 pessoas trabalhavam em volta do terreiro. A Fazenda do Bonito disputava, na época, com a Fazenda das Areias, de Chichico das Areias".



                   Quadro da Fazenda do Bonito, de Renan Dias dos Santos
                           (Acervo do Museu da Imagem de Pirapetinga)


FARMÁCIA e TERRA DE JARARACAS


Jacinto nos leva, então, a um compartimento do casarão onde chegou a funcionar uma "farmácia ". Quem nos dá maiores informações sobre ela é Marta Lopes de Freitas, residente em Pirapetinga de Bom Jesus e que já morou na fazenda: " foi Fernando Costa quem implantou a farmácia na fazenda. Ele mandava os empregados capturarem cobras jararacas, para que pudessem fazer remédios a partir do veneno das mesmas. Devido a este fato, ele passou a criar jararacas em caixas, sendo que o veneno era mandado para o Rio de Janeiro".


                                                    professormarcostorres.blogspot.com.br

              Do veneno de jararaca se produz remédio para combater a pressão alta


Continua Marta: "quando Fernando Costa resolveu vender a fazenda, preferiu soltar todas as jararacas. Por este motivo, a região está cheia destas cobras. Minha mãe foi picada sete vezes, mas sempre tratou o veneno com chá de quiabo, com êxito. Por outro lado, recentemente, meu neto, que trabalhou na região conhecida como Espelho, plantando arroz de morro, teve de matar várias dessas cobras, mas tem receio de continuar trabalhando por lá".



RELÍQUIAS DA FAZENDA DO BONITO

 

Jacinto Seródio explica que, quando adquiriu a fazenda, há cerca de 37 anos atrás, "um alpendre que existia ao lado do casarão tinha ido ao chão. Uma parte da ala superior do casarão também tinha desabado. Fiz, então, uma espécie de varandão. As outras partes continuam intactas", ressalta. 


                               Jacinto Seródio e o interior do casarão

José Luiz da Silva, que nos dias de folga ajuda Jacinto no cuidado com a fazenda, leva-nos ao local onde havia uma grande tulha, hoje caída ao chão. Conta José Luiz que era por ali que ficava localizado o tronco dos escravos.

José Luiz relata que "na tulha, havia uma serraria e uma máquina de beneficiar café. Infelizmente ela veio abaixo. À frente do casarão, havia também uma capela onde os capuchinhos vinham celebrar missas e casamentos. Hoje, só existe a base do prédio".




                "Carrocinha": rodas de madeira de lei da época da escravatura



Na Fazenda do Bonito há uma "carrocinha de madeira" da época da escravidão: "as rodas foram feitas de madeira de lei e estão em perfeito estado até hoje. Elas foram, na época, cobertas apenas por ferro", salienta José Luiz.

Adentrando no casarão, constatamos outra raridade do tempo dos escravos: "nesta panela cozinhava-se capado e fazia-se doce", revela Jacinto.



                                                  Caldeirão do século XIX


Na fazenda, Jacinto cria atualmente gado de corte e construiu uma casa a poucos metros acima de onde está situado o histórico casarão.

Preservar com sustentabilidade indica ser o lema de Jacinto Seródio. Com efeito, ele olha para os morros e mostra, com orgulho, a mata atlântica preservada ao redor dos mesmos, e de onde vem a água que abastece a região. Em seguida, mira, com idêntico orgulho, para o valioso patrimônio histórico que está sob seus cuidados. 

Cuidando da Fazenda do Bonito, Jacinto preserva a natureza e uma parte da história de Bom Jesus do Itabapoana.



 Jacinto Seródio e o ajudante José Luiz da Silva: preservando o patrimônio histórico



FILHA DE ESCRAVOS e HISTÓRIAS

 

Rosinda Pereira de Souza Freitas nasceu em Penha, localidade de Natividade (RJ), no dia 05/04/1910. Filha de escravos, com 102 anos de idade, mora em Pirapetinga de Bom Jesus, próximo à Fazenda do Bonito. Diz ela, com dificuldade, que seus pais vieram da África, tendo seu pai trabalhado na Fazenda do Bonito e na Fazenda das Areias: " meu pai, depois de liberto, continuou trabalhando em ambas as fazendas. Foi ele quem fez, juntamente com seus companheiros, as estradas que dão para Itaperuna (RJ) e para Bom Jesus do Itabapoana".

                             Três gerações: Marta, Rosinda e Oséias


Rosinda conta histórias do tempo da escravidão: " uma velha parteira dos escravos, conhecida como Tia Lúcia, contava que, certa vez, ela estava fazendo sabão no tacho. O capataz dos escravos brigou com uma escrava e acabou jogando-a dentro do tacho de sabão e mandou que Tia  Lúcia continuasse mexendo no tacho. E a escrava virou sabão, diante da horrorizada Tia Lúcia".

Outra história contada por Rosinda: "um outro capataz mandou, como castigo, que alguns escravos cavassem em um formigueiro. As formigas começaram a atacar os escravos que, revoltados, acabaram matando o capataz, jogando-o dentro do formigueiro. O escravo que matou o senhor fugiu para a Fazenda do Bonito, passando a usar um outro nome".

Rosinda foi casada com Marins Miniano Freitas, que trabalhava na roça branca, cultivando milho, arroz e feijão. Ele faleceu há 43 anos. Tiveram 8 filhos: Marta, Dalva e Emi, que moram em Pirapetinga de Bom Jesus, Ismael e Loidi, que residem em Bom Jesus do Itabapoana, e Osvaldo e Eni, que residem em Cabo Frio (RJ). O outro filho, Melquides, é falecido. Segundo Marta Lopes, “minha mãe possui mais de 100 netos, cerca de 50 netos e outros 50 tataranetos. Cuido dela com o mesmo carinho com que ela me cuidou. Construímos aqui um lar de paz”, completou.


sábado, 4 de agosto de 2012

A CASA DA DONA AUGUSTA



                                                    A casa de dona Augusta


Uma das casas centenárias localizadas na rua principal do distrito de Rosal foi construída em 1910 por Augusta Roseira. Foi ela quem incumbiu seu filho, José Roseira, a tarefa de edificar a residência, que hoje é habitada por Dalton Vargas, seu neto, e a esposa Maria Fitaroni Vargas.

Adentrar na residência de dona Augusta é passear pela História, pisando nas tábuas de madeira de lei, que foram reformadas, e respirar o ar do jardim das gerações que por ali passaram.

Dalton é filho de Luís de Assis Vargas e Luzia Roseira Vargas, de origem portuguesa. Nasceu em Rosal e estudou, em sua juventude, em Bom Jesus do Itabapoana, Guaçuí (ES) e São José do Calçado (ES). Residiu em Muriaé (MG) onde nasceram todos os seus filhos: Marco Antonio, Carolina, Luís Carlos e Marlúcia. Ele fez questão, contudo, de retornar a Rosal e adquirir a residência que pertenceu a sua avó  para "preservá-la e voltar a viver no lugar onde nasci".

Olga Vargas, Carolina Fitaroni e Caetano Fitaroni, com Cecília, de um ano, em foto de 1920


Sua esposa, Maria Fitaroni Vargas, por sua vez, é filha de Carolina e Caetano Fitaroni, um dos proprietários do antigo cinema de Rosal, juntamente com Francisco Nunes. Ela nasceu na Fazenda Boa Vista, no distrito de Calheiros.

Maria Fitaroni relata que seu avô, o italiano Leopoldo Fitaroni, veio para o Brasil no final do século XIX e casou-se com Maria Pudica, com quem teve 12 filhos. Seus irmãos são falecidos: Cecília, Levi, Adir, Eli, José e Élia. Maria Fitaroni é a caçula da família e, junto com o marido Dalton, são testemunhas de uma época de desafios e de realizações.

Retirar-se da casa da dona Augusta é levar para o futuro as recordações e as emoções do passado que ali estão sempre presentes.


                 Dalton Vargas e Maria Fitaroni no interior da casa de dona Augusta

3piano contagia no ECLB



                    Luis Otávio Azevedo Barreto, Ana Luíza Xavier e Antônio Bendia Júnior


Em mais uma noite memorável, o 3piano contagiou o público presente no auditório do ECLB (Espaço Cultural Luciano Bastos), no dia 3 de agosto.



Com um repertório eclético e interpretação de tirar o fôlego, os jovens pianistas Luis Otávio Azevedo Barreto, Antônio Bendia Júnior e Ana Luíza Xavier executaram composições como "Nimrod (Enigma)", de Edward Elgar, "A Noite do meu bem", de Dolores Duran, "L'Amour Toujours", de Gigi D'Agostino, "Prelúdio em sol menor" e "Scherzo em sol maior", ambas de autoria de Diógenes de Oliveira, compostas originalmente para o violão.
 
 
 
 


Os pianistas fecharam a programação com chave de ouro, interpretando, a seis mãos,  "Concerto para uma voz", de autoria de Saint-Preux. O público respondeu à altura, aplaudindo de pé o "3piano".
 
 
 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Emoção no desfile das famílias dos imigrantes italianos em Varre-Sai (RJ)






Ocorreu no dia 29 de julho passado, em Varre-Sai (RJ), o município mais italiano do Estado do Rio de Janeiro, a 37a. edição do Festival de Vinho, com destaque para o desfile das famílias dos imigrantes italianos que colonizaram a região. Ao som da música italiana Funiculì Funiculà, composta em 1880, as famílias protagonizaram momentos inesquecíveis de confraternização e de fortes emoções.







O Norte Fluminense esteve presente ao evento e constatou a presença de 32 famílias de descendentes de italianos, cujos membros vieram de várias partes do país, para reverem os parentes e recordarem a saga dos antepassados: Martelini, Purificati, Salino, Pizano, Bagnaci, Bendia, Fratejani, Magro, Amitti, Liqueri, Lichotti, Fabre (Fabbri), Rampazzo, Possodeli, Tupini, Celebrini, Paulanti, Meloni, Bovi, Oghioni, Tonnati, Maddêo, Lugatti, Cavalini, Grillo, Zanganelli, Rodolphi (Ridolphi), Pirozza, Fabricante, Bervilato, Constantino e Miugnari.


















Outro ponto de destaque de Varre-Sai relaciona-se às Adegas onde são vendidos vinhos de jabuticaba e licores. A Adega Rodolphi, de propriedade de Geralda Rodolphi, por exemplo, teve início com os os avós do esposo de Geralda, que passaram a fazer vinho de jabuticaba, fruta que substituiu a uva. Maria Bernadete Rodolphi, filha de Geralda, ajuda na administração da Adega, que  existe há quase 80 anos. A Adega Bendia, por outro lado, está estabelecida em Varre-Sai há cerca de 100 anos.

O calor humano que permeou o encontro das famílias deu a todos a certeza que a luta dos antepassados não foi em vão.