segunda-feira, 9 de abril de 2012

USINA SANTA MARIA: A GLÓRIA QUE RESISTE

A VIAGEM


No dia 24 de março, às 9h30min, a reportagem de O Norte Fluminense embarcou em um ônibus da Empresa Santo Antonio, na rodoviária de Bom Jesus do Itabapoana, com destino ao distrito da Usina de Santa Maria. A linha teria como ponto final o distrito da Serrinha.

A maioria dos passageiros, com suas sacolas, indicava que fez compras em Bom Jesus. Com efeito, Agnaldo de Oliveira Souza, de 65 anos, conta que os preços das mercadorias na Usina de Santa Maria costumam ser mais caros. Ele nasceu em Mimoso do Sul (ES) e veio para a Usina Santa Maria quando era jovem, seguindo seu pai que veio trabalhar na mesma. Adulto, acabou comprando uma casa no distrito porque "aqui tudo é tranquilo".

João Batista, outro passageiro, mas que tem como destino a Serrinha, contudo, recusou outras perguntas: "não gosto de dar informações sobre mim", encerrando a entrevista.

Gregório, outro morador da Usina, no entanto, não hesitou palavras: "não há político que esteja ajudando a Usina Santa Isabel. Eles só pensam em passar máquinas e mais nada. Nós não temos saneamento básico e nem calçamento. A única coisa que não posso reclamar é do serviço de água. Hoje, somos 800 residências, e era necessário que tivessem mais atenção com o nosso distrito", complementou ele.

Gregório, morador da Usina Santa Maria: "não há político que esteja ajudando o distrito"


José Gonçalves de Souza, com 54 anos, por sua vez, nasceu em Natividade (RJ). Seu pai trabalhou na Fazenda Santa Lúcia, entre as localidades de Mutum de Baixo e Mutum de Cima. Posteriormente, foi trabalhar na Usina. Ao receber um exemplar do jornal O Norte Fluminense, exclamou: "Estudei no Colégio Rio Branco. Meu pai, conhecido como Zé Galvino, foi amigo do dr. Luciano Bastos". Em seguida, registrou que "a Usina é um lugar muito carente".

José Gonçalves de Souza: "o distrito de Usina de Santa Maria é muito carente"

Na altura da Fazenda Providência, o ônibus pára e o cobrador vai entregar em uma casa, a pedido de uma passageira, alguns ramos da árvore "marmelada", que serve de alimento para passarinho. Neste momento, um cheio de borracha queimada passa a dominar o interior do ônibus, e alguém grita: "o ônibus está pegando fogo!". Saem todos. Motorista e cobrador jogam baldes de água obtidos na casa onde vive o passarinho, mas não conseguem debelar o fogo. O cobrador pega então o extintor de incêndio: "Vou usar pela primeira vez!". E o fogo é finalmente extinto.

Extintor de incêndio foi necessário para acabar com o fogo no ônibus

O motorista chama todos, em seguida, para o interior do ônibus: "Estamos próximos da Usina e dá pra chegar até lá!". Todos confiam no condutor, mas um passageiro faz uma ressalva: "Não pisa no freio!". Outro diz: "A lona está encostando no pneu!" E um terceiro: "Está faltando um parafuso!". O fato é que pouco mais adiante chegamos com alívio à Usina Santa Maria, que foi o fim de jornada também para os 13 passageiros que iriam para Serrinha.

Usina Santa Maria: fim de linha para os passageiros que iam para Serrinha



USINA SANTA MARIA: PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL


Preciosidade arquitetônica da Praça Governador Portela foi preservada por Merhige Hanna Saad: aqui foi, também, sede do governo do Estado em 1959 e 1960

Andar atentamente pela Usina Santa Maria é deparar com um conjunto de prédios históricos que dão uma ideia da grandeza que imperou na região há cerca de 60 anos atrás.

Primeira locomotiva a transportar cana da Fazenda Santo Amaro até a Indústria, em 1931: relíquia na entrada do distrito.


Festa na Usina na década de 50, do livro "Quem quebrou a casa de meu pai", de Antonio Carlos Pereira Pinto



CLUBE CONCHITA DE MORAES


Prédio do Clube Conchita de Moraes: patrimônio ameaçado


Eduardo Rosa, com 75 anos, nasceu em Apiacá (ES), foi jogador de futebol em Mimoso do Sul (ES) e foi morar na região conhecida como Balança, na Usina Santa Maria, para jogar futebol e exercer a profissão de sapateiro.

Eduardo Rosa, o solitário guardião do Conchita de Moraes


Ele reside atualmente em cômodos onde funcionou o "salão de beleza da proprietária da Usina. Lembro-me que ela tinha de 4 a 5 empregados. Ela entrava e sentava na cadeira do salão e todas as funcionárias faziam o serviço de embelezamento", diz Eduardo. Este cômodo é contíguo ao Clube Conchita de Moraes, construído na década de 30 como Cinema e, posteriormente utilizado como Teatro, antes de se tornar um Clube. Por conta dessa proximidade de sua residência, Eduardo Rosa passou a ser naturalmente o guardião deste prédio, que vai ruindo pouco a pouco, sem que nenhuma autoridade cumpra seu dever de zelar pelo patrimônio histórico-cultural.

Pode-se dizer que graças a Eduardo Rosa a estrutura deste prédio histórico ainda não foi destruída por vândalos como ocorreu com outros bens da Usina de Santa Maria.

Eduardo possui as chaves do antigo Clube, cujas portas, por segurança, possuem poltronas dificultando a entrada de eventuais intrusos.

Outros guardiões do prédio são os inúmeros marimbondos que povoam os cômodos do prédio.

Mas, adentrar no interior do Clube é se dar conta da penúria em que o mesmo se encontra. Segundo uma vizinha do prédio, Antonia Assis, de 67 anos, "sempre quando venta forte ou chove, ouço o barulho de madeira caindo do teto".

Eduardo Rosa: "É maldade, ninguém ajuda"


"Quando o Cinema foi construído, passaram poucos filmes, mas acabou tornando-se um grande Clube. Com a decadência da Usina, as cadeiras foram levadas e o patrimônio foi dilapidado", lastima Eduardo.

O guardião do Conchita até hoje se recorda com orgulho do tricampeonato do Santa Maria Futebol Clube, para depois soltar outro lamento: "não podiam deixar acabar as duas Usinas: a de Santa Isabel e a de Santa Maria. Houve época em que o açúcar era exportado e a Usina de Santa Maria fora incluída no rol das que fabricavam açúcar para a exportação". Mas o problema não é só esse: "hoje, quando chove, a rua de minha casa e do clube fica sem condições de trânsito", reclama mais uma vez Eduardo, que considera Jorge Pereira Pinto o grande nome da história das duas Usinas: "Era um usineiro muito organizado. Possuía granja, com vários tipos de criação".

Time do Santa Maria Futebol Clube, tricampeão em 1959, 1960 e 1961. Ao centro, JORGE PEREIRA PINTO.


Ao final da reportagem, Eduardo avisa à reportagem: " Você é o último a quem dou entrevista. Já veio gente demais aqui me entrevistar. Tiraram fotos e mandaram até para Brasília, fizeram muitas promessas, mas até hoje ninguém fez nada por este prédio histórico, que pertence à comunidade. A Prefeitura poderia ajudar ao menos na reparação do teto. Eu já pedi várias vezes, mas não me atendem. É maldade, ninguém ajuda", desabafa com inconformismo.

Sobre a porta de entrada do Clube, está escrito: "O Povo Unido Jamais Será Vencido" e "Aqui será o Centro Cultural Histórico da Usina Santa Maria".

Em uma das residências do antigo prédio da Estação de Luz da Usina, vive Dinalva Maria Venâncio dos Santos, que há 6 anos montou um salão de beleza, aprovado por Dulce Maria Francisco.


A maioria dos moradores da Usina de Santa Maria vive hoje das glórias do passado, e talvez seja apenas isso o que lhes reste.




VOCÊ SABIA?


Conchita de Moraes foi uma atriz importante no cenário artístico brasileiro. Seu nome era Maria de la Conceptión Alvarez Bernard, mas sempre foi conhecida como Conchita de Moraes. Era mãe da grande atriz Dulcina de Moraes. Conchita nasceu em Santiago, de Cuba , em 27 de setembro, de 1885. Ela se casou com o também ator Átila Moraes, com quem teve cinco filhos. Ela e o marido formaram uma companhia de teatro mambembe, isto é, companhia que viajava por todo o interior brasileiro, sem se apresentar em grandes salas de espetáculo.

Conchita trabalhou nas peças teatrais " Tia Mame"," Vida e Morte de Santa Teresinha do Menino Jesus", " O Rei dos Piratas", " Zazá", "Deslumbramento", " Esta Noite Choveu Prata", " As Arvores Morrem de Pé" e muitas outras.

No cinema começou em 1914, em : "Amor de Perdição". Em 36, fez: " Bonequinha de Seda". Em 37: " O Grito da Mocidade" ,ainda em 37: " O Bobo do Rei" e " Bombonzinho". Em 40:" de Pureza". Em 41: " 24 Horas de Sonho".

Conchita de Moraes trabalhou também em televisão, no começo dela e foi então pioneira. Foi uma das fundadoras da Fundação Brasileira de Teatro, em 7 de julho de 1955. Em homenagem a ela foi inaugurado o TEATRO CONCHITA DE MORAIS, em Santo André, em São Paulo e em 6 de agosto de 91, a sala CONCHITA DE MORAES, no Teatro Dulcina, em Brasília.

Conchita de Moraes faleceu no Rio de Janeiro, em 9 de outubro de 1962.
(extraído de http://www.museudatv.com.br/biografias/Conchita%20de%20Moraes.htm)

Um comentário:

  1. mtoo interessante isso passava-mos seempre em frete qd iamos envegelisar o povo ai seempre akela curiosidades ai decidimos naa neet e encoontramos isso qe boom

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