O Dr. Pedro Antônio de Souza, presidente da Academia Maria Antonieta Tatagiba - Artes - História - Letras, nos conduz pela memória da Igreja Católica do Sítio Histórico de São Pedro do Itabapoana, em Mimoso do Sul. Diante da bela imagem do templo iluminado contra o azul profundo da noite, parece que a própria História acende suas luzes para conversar conosco.
Seu padroeiro é São Pedro de Alcântara, proclamado Padroeiro do Brasil em 31 de maio de 1826 pelo Papa Leão XII, a pedido de Dom Pedro I. Mais tarde, em 1930, Nossa Senhora Aparecida seria declarada Padroeira Principal do Brasil pelo Papa Pio XI, permanecendo São Pedro de Alcântara como padroeiro secundário. Há, portanto, naquele templo do interior capixaba, uma ligação simbólica com os primeiros tempos do Brasil independente: o santo venerado pela pequena comunidade rural é também personagem da história religiosa da própria nação.
A igreja que hoje contempla São Pedro do Itabapoana ganhou sua atual configuração na década de 1940, fruto da iniciativa e da devoção da comunidade católica. Mas suas raízes descem muito mais fundo na terra da memória. Segundo registra o escritor Grinalson Francisco Medina, em Páginas da Nossa Terra, a primeira capela remonta a 1855. São mais de 170 anos desde aquele primeiro gesto comunitário de erguer um espaço para a oração - tempo suficiente para imaginar quantos batizados, casamentos, despedidas, festas, lágrimas, promessas e agradecimentos passaram diante de seu altar.
Está no altar uma das imagens mais belas dessa perenidade: ele é original. Em torno dele mudaram gerações, costumes e paisagens; homens e mulheres nasceram e partiram; o século XIX tornou-se XX e depois XXI. O altar, entretanto, permaneceu. Mais recentemente, um órgão doado por integrantes da comunidade acrescentou novas vozes a essa antiga casa de fé. É como se cada geração deixasse ali alguma coisa para a seguinte: uma parede, uma restauração, um instrumento, uma oração.
O relato do Dr. Pedro Antônio de Souza possui, por isso, valor que ultrapassa a simples descrição arquitetônica. Ele nos recorda que preservar um templo histórico significa também preservar a memória daqueles que o construíram, frequentaram e amaram. Na fotografia noturna, as três cruzes iluminadas parecem pairar sobre a antiga vila enquanto a grande árvore estende seus galhos ao lado da igreja. Árvore e templo parecem dizer a mesma coisa: ambos cresceram porque tiveram raízes.
São Pedro do Itabapoana possui raízes profundas. Quando uma comunidade conserva sua igreja, seu altar, suas histórias e seus símbolos, ela não está apenas olhando para trás. Está entregando ao futuro uma resposta para uma pergunta essencial: quem fomos nós?
Nessa pequena igreja iluminada na noite capixaba, a resposta continua de pé.

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