sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Laticínios Beiral: uma nova história de sabor desponta em Bom Jesus


Onde o leite vira memória




A história dos Laticínios Beiral pertence a uma ideia familiar, do conhecimento da terra e da coragem de acreditar que o trabalho, quando realizado com qualidade, pode transformar pequenos começos em grandes caminhos.

Foi em 2016, na região conhecida como Bom Jardim, nas proximidades do Córrego Seco e da divisa de Bom Jesus do Itabapoana com Itaperuna, que Paulo Beiral iniciou as atividades de um pequeno estabelecimento dedicado à produção de laticínios. 

Naquele começo modesto já existia, entretanto, aquilo que nenhuma máquina consegue fabricar: confiança no futuro. E por trás do empreendimento estava também um sonho que atravessava gerações. 

A ideia dos Laticínios Beiral nasceu de seu pai, Udenil Beiral, falecido recentemente, aos 85 anos. Ao lado da esposa, Marina Sátolo, ele ajudou a formar a família da qual brotaria essa história. Sua partida, tão recente, empresta à trajetória da empresa uma dimensão ainda mais comovente: o pai se foi, mas a ideia que plantou permanece viva, crescendo pelas mãos dos filhos.

Essa é uma das formas mais bonitas de permanecer vivo naquilo que se deixou. Alguns homens deixam propriedades; outros, objetos e fotografias. Udenil deixou também uma ideia. E ideias cultivadas com amor não conhecem sepultura: transformam-se em legado.

O pequeno estabelecimento de 2016 cresceu. A qualidade dos produtos conquistou consumidores, aumentou a procura e exigiu novos espaços. Há cerca de seis meses, a empresa transferiu-se para instalações maiores e ampliadas. O crescimento não aconteceu por acaso. Veio daquele velho e infalível mecanismo que sustenta os bons empreendimentos: alguém experimenta, gosta, recomenda, e o sabor vai fazendo sua própria propaganda.

Hoje, das instalações dos Laticínios Beiral saem queijo frescal, queijo curado tipo minas, muçarela, manteiga, iogurte e outros derivados do leite. Produtos que carregam algo da paisagem rural bonjesuense e daquele universo em que o leite deixa de ser apenas matéria-prima para tornar-se trabalho, sustento e identidade.

A fotografia de Paulo atrás do balcão, cercado pelos produtos da empresa, é quase um retrato dessa caminhada. Os dois polegares erguidos parecem dizer muito mais do que um simples “está tudo bem”. Há naquele gesto o orgulho silencioso de quem olha para aquilo que começou pequeno e percebe que o sonho ganhou paredes, equipamentos, trabalhadores, fornecedores, clientes, e horizonte.

A empresa permanece essencialmente familiar. Paulo divide sua condução com a esposa e a cunhada. Ao mesmo tempo, os Laticínios Beiral já movimentam uma pequena cadeia econômica ao seu redor: compram leite de 13 produtores e geram oito empregos diretos. Quatro vendedores percorrem de motocicleta as ruas, realizando aquele comércio tão antigo e afetivo das cidades do interior.

E assim o queijo chega à casa do freguês quase acompanhado de um cumprimento. Os produtos também conquistaram espaço em estabelecimentos de Bom Jesus do Itabapoana, podendo ser encontrados na rede de supermercados Lico King, na Padaria Roque e no Açougue Real, além da comercialização realizada pelos vendedores autônomos que percorrem a cidade.

Mas Paulo olha para além das fronteiras municipais. O projeto é ampliar a comercialização para todo o Estado do Rio de Janeiro. E existe outro sonho tomando forma: instalar, já no próximo ano, uma loja à beira da estrada, criando uma vitrine permanente para os produtos Beiral e para aquilo que Bom Jesus é capaz de produzir.

Há algo especialmente bonito nessa perspectiva. Uma loja à margem da estrada não será apenas um ponto comercial. Será uma espécie de janela de Bom Jardim para quem passa. O viajante seguirá seu caminho levando um queijo, uma manteiga ou um iogurte, mas carregará consigo também um pequeno pedaço desta terra.

O desenvolvimento verdadeiro nem sempre chega fazendo barulho. Às vezes ele chega de motocicleta pelas ruas. Às vezes está numa garrafa de leite. Às vezes repousa silenciosamente sobre um balcão na forma redonda e branca de um queijo.

E às vezes começa muitos anos antes, no coração de um pai que teve uma ideia e a entregou ao filho. Udenil Beiral partiu, mas a semente permaneceu. Paulo a cultivou. A família a abraçou. Os produtores fornecem o leite. Os trabalhadores ajudam a transformar a matéria-prima. E Bom Jesus começa a saborear os frutos.

Nos Laticínios Beiral não é somente o leite que se transforma.

Transforma-se o sonho em empreendimento, o trabalho em prosperidade e a memória de um pai em futuro.












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