quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A guardiã das cinzas e das brasas da família Silveira


Onde a Saudade Vira História


A essência de Ana Maria Silveira no exercício de sua missão

Há quem diga que o tempo é um rio que tudo apaga, mas para Ana Maria Silveira, o tempo é um solo de semeadura. Ao assumir o papel de memorialista da família, Ana não apenas organiza datas ou nomes em uma árvore genealógica; ela sopra o pó dos retratos e devolve o pulso a quem já partiu. É através de seu olhar que a história dos Silveira deixa de ser um registro frio de poder e política para se tornar um abraço de continuidade.

​A Menina que Observava o Vento

​Nas entrelinhas de suas memórias, Ana Maria nos conduz de volta a Resende e, depois, à efervescência da Rua Lopes Trovão. Ela escreve com a precisão de quem herdou a clareza da mãe, Renée, e a sensibilidade do pai, Badger. Ser a memorialista desse clã é ser a ponte. É lembrar que, antes do Governador, existia o homem que fazia trovas de amor; que, antes da Primeira-Dama, existia a jovem que, sozinha, enfrentou uma multidão para salvar desconhecidos.

​O Inventário do Afeto

​Ana Maria não guarda apenas os grandes feitos. Seu talento como memorialista reside nos detalhes que humanizam o mito:

1.​ A presença silenciosa e fundamental de Vó Preta, a ama-de-leite que era o alicerce da casa;

2. ​O burburinho das madrugadas onde se decidia o destino do Estado entre um café e outro;

3. ​A risada de Renée e Badger, que faziam da vida uma dança constante, mesmo sob as nuvens cinzentas dos tempos difíceis.

​Ao narrar a trajetória de seus sete irmãos José Roberto Ferraiolo Silveira, Maria Luíza Ferraiolo Silveira, José Luiz Ferraiolo Silveira, Maria Cristina Silveira da Rocha, Badger Teixeira da Silveira Filho, José Fernando Ferraiolo Silveira e Maria Teresa Ferraiolo Silveira e a chegada dos netos e bisnetos, Ana Maria transformou a genealogia em poesia. Ela entende que a verdadeira herança da família Silveira não são os cargos ocupados ou os títulos recebidos, mas o "coração onde couberam todos".

​A Sentinela da Memória

​Escrever sobre os seus é, para Ana, um ato de justiça e de amor. Ela sabe que, enquanto houver alguém para contar a história daquela lancha no Ministério da Marinha ou das festas juninas casamenteiras no sítio, a essência de Badger e Renée permanecerá viva.

​Como memorialista, Ana Maria Silveira faz mais do que relatar o passado: ela garante que as futuras gerações, de Vitinho e Laura, de Matheus a Arthur e Flora, saibam de onde vêm. Ela lhes entrega uma bússola feita de coragem e doçura. Pois, no fim das contas, a memória é o único lugar onde o "para sempre" realmente existe.

Renée Braile Ferraiolo

Renée e Badger Silveira




Badger Silveira, Renés Ferraiolo Silveira e os filhos José Roberto, Ana Maria, Maria Luiza e José Luis (gêmeos), Maria Cristina, Badger, José Fernando e Maria Tereza. Foto de 1962

Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira em Bom Jesus do Itabapoana: um espaço de memória e história, inaugurado em 07/08/2016





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