segunda-feira, 8 de junho de 2015

PUREZA: UMA PRECIOSIDADE NO INTERIOR DE SÃO FIDÉLIS (RJ)




Amim Frem: recordações da época de grandeza de Pureza

Amim Frem, nascido em 26/08/1928, é filho dos libaneses Sijaem Frem e Rosa Gervásio Frem, que vieram para Pureza, oriundos da vila de Rachmaya, localizada nas montanhas de Chouf. 

Seus pais vieram solteiros, conheceram-se e casaram-se em Pureza, tendo os seguintes filhos: Carmo, Guilherme, Amim, Amil e Namem. Amim é o único vivo da família. "Deus tem sido bondoso comigo, ao permitir que eu possa continuar a desfrutar da beleza da vida", assinalou.  

Casou-se com Maria Péres Frem, com quem teve dois filhos: Douglas, falecido, e Rosa Maria. Possui uma neta: Maria Carolina Teixeira Frem.


Os pais de Amim Frem vieram da vila libanesa de Rachmaya, nas montanhas de Chouf (foto da internet)


Desde 15 de dezembro de 1938, com a edição do Decreto nº 641, a localidade conhecida como Timbó, nome de uma planta, passou a denominar-se Pureza, em decorrência do nome de uma outra planta que era muito comum na região.


 A Usina Pureza levou riqueza ao distrito que teve, no passado, condições de emancipar-se




Em 1989, deputado Djanir Azevedo lutou pela emancipação de Pureza



Amim fala um pouco de si: "Em minha infância, eu engraxava sapatos, fazia limpeza no banco, batia sinos na Igreja. Um dia minha avó disse: 'você precisa aprender uma profissão'. Tornei-me então alfaiate. Depois, fui trabalhar na CERJ, onde exerci a profissão por 26 anos, até me aposentar."



Amim se recorda do tempo áureo do distrito:
"Em Pureza havia  muito desenvolvimento econômico. O comércio era fantástico.
 Aqui, tínhamos 5 máquinas de pilar arroz. Gilberto Nader era um grande atacadista. produzia 20 mil sacas de arroz. Lauro Monteiro de Barros foi um outro grande atacadista, assim como Baragat Gazem. Nossa zona rural era muito próspera.


Zequinha Lobechi fundou uma fábrica de sapatos,  que eram vendidos até para a cidade do Rio de Janeiro.

Valter Teixeira e o enteado Edson Farezel eram extraordinários. Eles se dedicavam à torrefação de café. 

Aqui havia, também, a fábrica de café Nevada.

Batista Castro comandava um serviço de auto falante, nos postes", assinala.



Beleza arquitetônica dos prédios de Pureza, ainda preservados, revela a potência econômica do passado



Prossegue ele, em suas lembranças do passado: "Adílio Murad era comprador de arroz e café, possuindo máquina de pilar. Saturnino Madureira também possuía máquina de pilar arroz e café, produzindo fubá e canjica.

Manoel Borges da Silva estabeleceu uma fábrica de Tanoaria, produzindo tonéis para a produção de aguardentes. Em Pureza havia 3 alambiques: Santa Helena, Valente Pérez e Cirino Aguiar (Fazenda da Saudade). Por outro lado, o sr. Vadinho montou um Depósito de Aguardentes.




Aqui foram instaladas, ainda, 3 serralherias, com os seguintes proprietários: Avelino Cesário, Pedro Ferreira e Manuel da Silva Furtado.

Estação de  trem, ainda ativa, escoava a rica produção de Pureza

A memória de Amim parece um computador:  "Amaro Alexandre possuía uma máquina de qualificar o café e costumava encher 10 (dez) vagões repletos do produto que eram escoados pela estrada de ferro. Adib Murad e Ninico Carvalho também possuíam máquinas de beneficiar arroz e café.

Jamil Maia Aid possuía máquina de pilar arroz. Aqui havia uma ferraria de propriedade de Horácio da Silva Pessanha.

Aqui havia duas fábricas de tijolos.

Duas eram as farmácias, uma de Orcelino Jacinto da Silva e outra de Vichi Peixoto.

O contador das lojas era Otaviano Brito.

Dr. Lourival Brás era o médico que residia em Pureza.



José de Souza Pessanha era proprietário da Selaria. Havia, ainda, a Selaria do Pedrinho.

Tínhamos uma venda de rádios, assim como oficina para o conserto dos mesmos.

Outras vendas de nosso distrito: Odorico, Carmo Frem, José Afonso Franco, José Dias, Batista Castro (bar) e Hildebrando Péres (bar).



Alfaiates: Odorico Teles Farizel, Tufi Daibe, Carmo Frem, Dinan Pérez Farizel", além do próprio Amim Frem. 


Amim prossegue: "A Usina Pureza era outro ponto de desenvolvimento econômico.

Duas bandas de música, com dois maestros, Zinho Candoca e Alberto Silva, alegravam nossa vila. No aniversário de cada maestro, a outra banda ia à sua casa cantar parabéns. Os blocos de carnaval eram, também, algo extraordinário, uma coisa louca.







Tínhamos um funileiro que fazia canecas e materiais de alumínio.

Havia o conjunto que se apresentava em bailes, de Ádmo Batista.

Havia uma Caixa Econômica Estadual. O Banerj veio depois. Aqui havia o Banco Ribeiro Junqueira que foi, depois, encampado pelo Banco Nacional.

Havia 2 cocheiros  para receber os cavalos da região.

José Aid era criador de aves. Vendia até para Niterói (RJ).

Na agricultura, eram produzidas cerca de 20 mil sacas de arroz, por safra.

Em relação à cana, 100 carros de boi e caminhões eram lotados, por dia, com destino à Usina Pureza.

A Família Cortes era extraordinária, destacando-se Benedito Cortes e Eurípedes Cortes. Todos trabalhavam.


Duas eram as sapatarias: de Neci de Aguiar e Sadi Vieira.

Havia uma coletoria para recolher os impostos, uma fábrica de malas, de Arnaldo Félix e, também, um cinema. 
 
Horácio da Silva Pessanha era proprietário das firmas Horácio Pessanha e Cia, Soares Pessanha e Cia, Oficina Mecânica Soares e Cia Ltda, e Santa Helena S. A.

Manoel da Silva Pessanha era comerciante da empresa Minas Brasil, que fazia seguros contra acidentes.

Luiz Lima Júnior era cidadão prestativo, sempre disposto a auxiliar os que mais necessitavam.

Tínhamos, também, o Hotel Pinto, de Elias Moraes, com 14 quartos.
 
Eu tinha cerca de 10 anos, e aprendi a ter paixão pela música, pela natureza e pelas crianças".



Amim Frem escreveu sobre os comércios que existiram em Pureza

Apontamentos são relevantes para a história de Pureza


O PRÉDIO MAIS ACLAMADO DE PUREZA



O prédio mais famoso de Pureza foi construído em 1923. Há 20 anos, Carlos Alberto Louback Araújo comprou-o. Embora não tenha informação sobre quem o construiu, Carlos Alberto diz que "as paredes foram construídas com óleo de baleia. Tive que reformar toda a parte interna. Só mantenho a fachada do prédio, cuja manutenção não é fácil. O sol direto na fachada, faz com que eu tenha de realizar pinturas constantes. Normalmente, compro grande quantidade de tintas prevendo as novas pinturas. Meu tio Olímpio morou em Bom Jesus do Itabapoana, na rua Tenente José Teixeira, onde foi proprietário de uma cerâmica" , salientou.





PUREZA SE DESTACOU NA 2a. GUERRA MUNDIAL 




Na época da 2a. Guerra Mundial, as mulheres de Pureza tinham destacada atuação na direção da
Associação Comercial, Industrial e Agrícola da vila. A presidenta era Irene Dutra da Silva. Atuava como secretária Naise Marques, enquanto Júlia Pinto Moraes era a tesoureira. Também colaboravam com a entidade Otelina Farise, Irene Werneck, Hilda Dutra da Silva e Elvira Dias.

Esta associação organizou uma comissão para angariar recursos para serem destinados à manutenção dos soldados brasileiros que lutaram na 2a. Guerra Mundial. Esta comissão teve como nomes de relevo:Targino Ramos, Jacob Buechen, Juraci da Cunha Sousa, Manoel da Silva Pessanha, Irene Dutra da Silva, Anete de Oliveira, Hilda Dutra da Silva, Irene Werneck, Alice Pessanha e Ruth Faria Simen.



 A DECADÊNCIA DE PUREZA


Com a crise econômica, várias empresas faliram


Repentinamente, o semblante de Amim se modifica, se entristecendo: "Tudo, contudo, foi por água abaixo. 

Com a decadência da economia e o fim da agricultura, o comércio faliu e o local regrediu" lamenta.


Neste prédio funcionou a fábrica de tanoaria onde Manoel Borges da Silva produzia tonéis para a produçao de aguardentes





UM ORGULHO DE AMIM FREM



Ponte David Coelho: orgulho de Amim Frem



Um orgulho de Amim, contudo, é sua luta pela construção de Ponte Daniel Coelho, inaugurada durante  o governo de Garotinho.

"Cheguei a ajoelhar-me aos pés de Maria José Machado - cunhada de dona Penha, tia de Rosinha Garotinho -  para que ela pedisse à dona Penha, que intercedesse junto a Rosinha, para lutar pela construção da ponte.


Tempos depois, o governador ligou para Maria José e disse: 'Alô, aqui é o Garotinho'. E ela respondeu: 'Não quero conversa com nenhum garotinho. - Aqui é Garotinho, o governador. Quero comunicar-lhe que vou providenciar a ponte de Pureza ", teria sido a resposta. 

Amim ressalta, ainda, que "o asfalto que temos devemos a Gracinha, filha de Maria José Machado, o que revela a importância dessa família para Pureza", assinala.


Amim Frem em foto de família



Amim diz que Pureza "necessita de um mini hospital, pois, juntamente com o nosso distrito, há a região de Angelim, que é lugar bastante habitado e está praticamente colado com Pureza. Se isso ocorresse, o mini hospital assistiria bem às duas populações".

Olhando para o presente Amim vê, contudo, motivos para ter esperanças.

"Nova juventude  é onde colocamos nossas esperanças. Acreditamos nela.


Aqui em Pureza, foi estabelecido, por exemplo, um excelente supermercado, comandado pelo idealista Arquimério Cortes e seus sobrinhos, que são muito trabalhadores. Há, também, o Mercado do Luisinho.


Mercado em Pureza

Luizinho Gualdarte, por sua vez, montou  uma Pousada de primeiro mundo.


Pousada Pureza

Outro espaço que tem atraído clientes de toda a região é a Pizzaria Canto do Rio. Fundada há 8 anos, constitui um local para festas de aniversário e casamento, com música ao vivo todas as sextas-feiras".


Amim se emociona e termina a entrevista declamando uma poesia 
de amor e fé em sua terra natal:

"Oh! Senhor, que tristeza me dá

De ver nossa Pureza como está
Tem hora que quase chego a chorar
Tem hora que dá vontade de mudar para outro lugar
Mas o amor que sinto por esta terra
Me faz aqui nela ficar,


Lutar, reclamar e clamar.
Na espera de que um dia,
Com esperança e fé em Deus,
Pureza possa se recuperar".


Amim Frem: esperança em novos tempos para Pureza








7 comentários:

  1. O nome correto é Namem. E não Names por favor concertar o nome? Super legal o que escreveu. Parabéns!v

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    1. Nayla Nayla ConSertar***
      Também adorei. è ótimo ver pureza por essa ótica. Os moradores contemporâneos não a ver assim mais...

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  2. NR: Agradecemos a manifestação. Acerto realizado.

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  3. Muito interessante a reportagem. Parabéns.

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  4. Boa Noite,

    Procuro pela história da minha família por parte de pai. Ele se chamava Helvio Geraldo Pessanha (falecido). Ele tinha dois irmãos: Emilson Pessanha (falecido) e Heli Pessanha (falecida). O meu pai nasceu em 07/06/1927. Sei que viveram o início da vida em Pureza. Os meus avós chamavam-se Bento e Maria Amélia. Se souber de alguma coisa ou, se já tiver ouvido falar, gostaria de receber informaçõe. Obrigado. Parabéns pelo texto.

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  5. olá gostaria de saber mais sobre a história da familia cortes e suas origens Benedito Cortes e Eurípedes Cortes e Arquimério Cortes.

    Grato!

    Att.'. JUNIOR CORTES FERREIRA - PINHEIRAL - RJ

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