sexta-feira, 26 de julho de 2013

Da Série Entrevistas de O Norte Fluminense

O CIDADÃO DE 4 MUNICÍPIOS



Peryllo de Oliveira Vargas, em sua residência em Natividade (RJ)


Peryllo de Oliveira Vargas nasceu no dia 13/08/1927, na Fazenda Mundo Novo, de propriedade de seu pai João de Oliveira Vargas. A Fazenda pertencia, na época, a Itaperuna (RJ), na divisa com Bom Jesus do Itabapoana, segundo explica Peryllo.

Seu pai nasceu em Leopoldina (MG) e sua mãe, Balbina de Assis Vargas, nasceu na região.



Peryllo na sede da Fazenda do Dendê




Peryllo se recorda de seus avós maternos Francisco de Assis e Adelaide de Assis Vargas. Custódio Vargas Corrêa foi seu avô paterno. Casou-se duas vezes: com Edith Habib Vargas, falecida, com quem teve três filhas: Maria Edith, já falecida, Regina de Fátima e Maria das Graças. 

Seus olhos lacrimejam quando se recorda de Edith. "Construí quatro casas, perdi minha companheira, mas casei-me novamente, porque um homem sem mulher não vale nada", diz emocionado. O segundo matrimônio se deu com Marquelúcia Luzia Machado.

 Peryllo teve "14 a 15 irmãos", todos falecidso, e se recorda dos seguintes: "Geraldino, Edésio, Joãozinho, Adelaide, que foram residir em Calheiros, distrito de Bom Jesus do Itabapoana, Filomena e Quirina, que foram morar em Monte Azul, região do distrito de Rosal, em Bom Jesus do Itabapoana, Rui, que foi residir em Bom Jesus, Arlinda, Antônio José, Bituta e Arlindo. Sou o único vivo e fiquei com as chaves", comenta, entre risos.

Seu sobrinho, José Fontes, de Bom Jesus do Itabapoana, é filho de Adelaide de Oliveira Vargas com Sesbastião Coimbra.


Filomena, Gabriela, Luel, Isadora e José Fontes, sobrinho de Peryllo, no Recanto Ecológico, em Varre-Sai (RJ)
  
Em sua infância, Peryllo tratou "de porco, levava milho para o moinho e trocava milho por fubá com os colonos. eu tinha 12 anos de idade, quando passei a tirar leite e me tornei candeeiro de boi". 

Ele se recorda do carreiro, que tocava os bois e utilizava na ponta da vara um "garruchão, objeto com 4 argolas para, por exemplo, acordar o boi que estivesse dormindo. Além disso, para subir a ladeira, tinha que ter experiência para tocar no animal. Havia os bois de guia e os bois de coice, que ficavam no cabeçalho do carro de boi, sustentando o mesmo. O carreiro é que fazia o serviço pesado", explica.


Peryllo e o carro-de-boi: recordação do tempo em que foi candeeiro




"As tropas possuíam, em geral, cerca de 10 burros. As juntas de boi consistiam em 5 grupos de 2 bois, que puxavam o carro de boi".

"Quando eu possuía 21 anos, pedi a Tião Nunes, proprietário em Cruz da Ana, que solicitasse autorização a meu pai para casar-me'. Meu pai tinha um capricho. Todo filho que ia casar recebia uma propriedade. Certa vez, meu avô Custódio Vargas Corrêa tinha financiado a propriedade Patusco, de cerca de 12 a 16 alqueires, próximo a Mundo Novo, por 12 mil réis, e não conseguiu pagar. A terra foi a leilão e meu pai arrematou-a. Meu pai se dedicou à cultura do café e prosperou, Posteriormente, adquiriu a Fazenda Mundo Novo".

Peryllo e dendês
 

"Fui um filho disputado por meu pai e por meu irmão, Bituta. Este trabalhava com café em Natividade e queria que eu fosse trabalhar com ele, enquanto meu pai preferia que eu permanecessem em Mundo Novo. Ao final, meu pai me disse: 'preciso muito de você aqui, mas como Bituta também necessita de você, pode fazer o que entender melhor. Em 1949, vim para Natividade, onde estou até hoje". 


Peryllo prosperou, chegando a cultivar em sua propriedade cerca de "80 mil sacas de café". Foi vice-prefeito de Natividade, entre os anos de 1970 e 1973, quando Dermeval Vieira foi prefeito. "Foram três candidatos e fizemos mais votos que os outros dois".  Exerceu, também, a presidência da Copercanol (Cooperativa de Café do Norte Fluminense), da qual foi um dos fundadores.

Peryllo exerceu a presidência da Copercanol


 Neste período, requereu ao Banco do Brasil a instalação de uma agência em Varre-Sai, uma vez que percebia as dificuldades dos trabalhadores varre-saienses em terem de se deslocar até a Natividade. Hoje, tem satisfação em saber que, há poucos anos, a agência do Banco do Brasil finalmente foi estabelecida em Varre-Sai.

"Quando algum trabalhador ia ao Banco do Brasil de Natividade para conseguir empréstimo e faltava um avalista, o funcionário perguntava: ' Você conhece o Peryllo? Leva para ele, que ele avaliza'. Eu fui avalista de muitas pessoas. Na época, as pessoas tinham palavra".

O rosalense Antonio Solano Pimentel, com 84 anos de idade, residente na comunidade de Cruz da Ana, em Varre-Sai, que conheceu Peryllo, seu irmão Sebastião, o Bituta, e seu pai João, atesta que a família de Peryllo era uma família do 'sim'. "Peryllo era proprietário, seu pai era fazendeiro e Bituta era comerciante em Varre-Sai. Se uma pessoa pedisse algo para pagar depois, normalmente a resposta era 'sim'. E se essa pessoa, quando chegasse o dia do pagamento, pedisse para pagar em outra época, a resposta também era 'sim'", assinala.


Antonio Solano Pimental, em Cruz da Ana: "Peryllo e sua família eram pessoas do 'sim' "


Peryllo se recorda de vários moradores da zona rural de Bom Jesus do Itabapoana: "Recordo-me dos italianos Cesario Degli Esposti e Caetano Fitaroni, de Calheiros, e Fioravante Guarizi e Flauzino Galdino, da Água Limpa. Lembro-me, ainda, de Manoel Bento 'criolo sério', Tomé do Lambari, e Canuto, da Água Limpa.   

A razão desse contato é explicada pelo próprio Peryllo: "Meu pai era o administrador da fazenda. Lá, havia uma máquina de moer café. Ele vivia nesta máquina, recebendo o café que era colhido na região. Muitos moradores e produtores procuravam apoio com o meu pai. Astrogildo de Paula era um carreteiro de café, que levava um lote de burros com cerca de 10 animais. Outros carreteiros eram Luis Francisco de Castro,  Pedro de Aguiar e João Ferreira Pinto, conhecido como João Serafim, de Rosal".


 

O italiano Cesario Degli Esposti, de Calheiros, mantinha contato com o pai de Peryllo



Peryllo repartiu seus bens com as filhas. Gosta de colecionar relógios e moedas antigas.  Com um afinado senso crítico, olha para a vida e diz que "vejo o mundo num caminho muito ruim. Olho para trás e não sinto saudades, mas tristeza por ver o que ocorreu com a grandeza do passado", finaliza.





Peryllo: tristeza com o que ocorreu com a grandeza do passado 










3 comentários:

  1. Conheço Peryllo há muitos anos. Ele e sua falecida esposa, Edith, foram padrinhos de meu irmão.
    De fato, era um homem do "sim". Quando minha irmã foi até eles e pediu hospedagem gratuita, por três anos, para fazer o Curso Normal, o "SIM" foi imediato e duradouro
    Ajudou a muitas pessoas. Tem lugar garantido no céu. Mas não precisa ter pressa de ir para lá. Enquanto ficar entre nós, melhor..

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  2. Tio emprestado Peryllo, família muito estimada, minha avó viveu como mãe dele durante anos na sua casa em Natividade com esta família maravilhosa, o que uniu ainda mais nossos laços. Passei muitas férias no Dendê, e hoje moro em Calheiros com minha mãe Jandira e temos orgulho em dizer que a Maria das Graças, Gaby Vargas faz parte da nossa família e mora em nossos corações.

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  3. Tio emprestado Peryllo, família muito estimada, minha avó viveu como mãe dele durante anos na sua casa em Natividade com esta família maravilhosa, o que uniu ainda mais nossos laços. Passei muitas férias no Dendê, e hoje moro em Calheiros com minha mãe Jandira e temos orgulho em dizer que a Maria das Graças, Gaby Vargas faz parte da nossa família e mora em nossos corações. Vera Regina Proença.

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