O Aroma do Saber
Havia um perfume diferente pairando no ar de Bom Jesus nesta manhã. Não era apenas o aroma robusto do café que aquecia as xícaras, mas o perfume inconfundível do papel manuseado, da tinta que ganha vida e do pensamento que se liberta. Na Livraria e Revistaria da Cida, o tempo resolveu caminhar mais devagar para celebrar o 2º Café Literário, um encontro onde a palavra escrita foi o prato principal.
Sob as bênçãos invisíveis do Mês de Padre Mello, o evento, tecido pelas mãos zelosas da ABIJAL, Academia Bonjesuense Infantojuvenil de Artes e Letras, e fortalecido pelo apoio do jornal O Norte Fluminense e da anfitriã Cida, transformou o balcão da revistaria em um altar de partilha. Ali, o impresso tornou-se presente: livros e revistas passavam de mão em mão, como chaves que abrem portas para universos distintos.
A mesa era um mosaico de tempos e estilos. Entre o silêncio reflexivo das Meditações da Biblioteca Estoica e a crítica mordaz de George Orwell em A Revolução dos Bichos, o pensamento clássico apertava as mãos da modernidade. De um lado, a inquietude futurista de Harari em Homo Deus; de outro, as lições práticas de Robert Kiyosaki e Napoleon Hill, ensinando que a riqueza, antes de habitar o bolso, nasce na mente. E, para que a leveza nunca nos falte, o sorriso colorido da Turma da Mônica e o encanto dos mangás lembravam que a literatura é, acima de tudo, um abraço de infância que se renova.
Neste cenário, era impossível não sentir a presença espiritual de Padre Mello. O Sacerdote-Poeta, filho das brumas dos Açores e sol de nossa terra, deve ter sorrido ao ver que a cultura, semente que ele plantou com tanto fervor, continua a florescer em solo bonjesuense. Ele, que humanizou nossas ruas com versos e fé, deixou um legado que não repousa em estantes empoeiradas, mas que palpita toda vez que uma comunidade se reúne para ler.
O 2º Café Literário não foi apenas um evento de calendário; foi um ato de resistência lírica. Foi a prova de que, enquanto houver um livro aberto e um café servido, a herança de Padre Mello seguirá viva, provando que a cultura é o único patrimônio que, quanto mais se divide, mais se torna eterno.










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