sábado, 1 de setembro de 2012

O amansador de burros

                                          Georgina e Nelson, em sua residência


Amansador de burro, tirador de leite e carreiro. Essas foram as profissões de Nelson Eusébio de Oliveira, bonjesuense nascido no dia 1º/05/1923 em Valão do Laje.

Filho de Manoel Eusébio de Oliveira, vindo de Santa Rita da Glória, em Minas Gerais, e de Maria Jorge Martins, portuguesa de Trás-os-Montes, Nelson Eusébio recebeu a reportagem de O Norte Fluminense nos dias 18 e 19 de junho de 2011 em sua residência, na rua José Carlos Campos, no. 77, próximo ao Espaço Cultural Luciano Bastos.

Segundo Nelson, ele amansava burro a cem mil reis cada um. Acredita que tenha amansado cerca de 300 (trezentos) burros e cavalos desde os 13 anos, quando aprendeu a domá-los, até alcançar a idade de 60 (sessenta) anos de idade. Embora não conseguisse ganhar muito dinheiro, "dava pra manter a família", garante ele.

Casado com Jorgina Fernandes de Oliveira, possui três filhos: Célia Maria, Paulo Afonso e Selma Maria.

Havia, segundo Nelson, outros amansadores de burro na região, mas considera que ele e Tóti Baiano eram os que realmente sabiam amansar os burros, que "eram trazidos de Minas Gerais, de cidades como Araxá, pelo sr. Lauzinho Borges, comerciante de burros". 

Para amansar o animal, ensina ele, era necessário "orelhar o burro", e para tanto, costumava ter a ajuda de sua esposa. Segundo Nelson, quando o burro tinha as orelhas torcidas, "ele não mais mexia". Cavalos e burros eram os meios mais frequentes de locomoção, na época, razão pela qual a profissão de amansador de burro era valorizada, explica Nelson.

Além de domesticar animais, Nelson tirava leite, carreava bois ("levava 5 juntas de boi") e também carregava lenha para a construção de casas na cidade.


Recorda-se do tempo em que morava na Fazenda Bela Vista, onde hoje está situado o Sítio Bela Vista, que é propriedade dos herdeiros de Luciano Bastos. Casou-se com 31 anos de idade e mudou-se para Bom Jesus do Norte (ES), para uma propriedade onde havia plantação de café. Como o Governo na época estava "dando dinheiro para acabar com a lavoura de café", vendeu os grãos existentes na propriedade e resolveu comprar uma outra em Limoeiro. Em 1972, comprou a casa onde mora atualmente.

Recorda-se, ainda, que Carlos José Brambila, diretor do Colégio Rio Branco, era integralista. "Houve uma época em que os integralistas foram perseguidos e Carlos José Brambila teve que ficar escondido na fazenda de meu pai por cerca de um mês. Depois, passado o perigo, José Brambila retornou à direção do Colégio", salienta.

O Alto da Santa Rita, segundo ele, se tornou um lugar "carrapichado, lugar largado, onde os circos costumavam se estabelecer".

Nelson lembra da época em que a estação de trem em Bom Jesus do Norte possuía linha direta com Santo Eduardo (RJ), que, por sua vez, ia até Barão do Mauá (RJ), sem passar por Bom Jesus do Itabapoana.

Ismênia Campos, que era a diretora do Grupo Escolar Pereira Passos localizado onde hoje funciona o Big Hotel, era "rigorosa", acentua Nelson. Segundo ele, o educandáriao "era de propriedade de Sinhozinho Teixeira. Certa vez, quando eu cursava a 4a. série, fui levado para o gabinete do educandário, mas como eu temia que usassem a palmatória em mim, eu passei por entre as pernas da diretora e fugi da escola". 

Rebenta Rabicho, estrada hoje asfaltada: quando criança, Nelson andava cerca de 4 km para  estudar na cidade


Nelson se lembra, ainda, que, para estudar, tinha de transitar pela região chamada "Rebenta Rabicho" ("Rabicho é a peça de arreio do cavalo ou burro", explica) a pé, andando cerca de 4 km, desde o Sítio Bela Vista.

A respeito de seu pai, Nelson diz que  ele "possuía muita gente para trabalhar para ele. Possuía dois carreiros (carros-de-boi) e vendia linha a 15 mil réis o carro de boi".  

Mesmo com problemas de saúde, Nelson se diz "realizado, à disposição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tudo o que Deus fez por mim está bem feito. Quando Ele quiser me levar, estou à disposição dele", finalizou.

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