quarta-feira, 8 de outubro de 2014

ORIGEM DO SOBRENOME SUHETT (e variantes)


                                               Francisco Verdan Corrêa Neto

Durante a nossa pesquisa genealógica encontramos pelo menos umas 10 variantes cacográficas de Suhett, Sueth... Todas são corruptelas, nenhuma o sobrenome original. 


No início da colonização suíça em Nova Friburgo, depois Cantagalo, etc., muitos dos sobrenomes suíços foram sendo gradativamente corrompidos pelos padres no ato dos batismos, seja pelos escrivães  dos cartórios de registros de imóveis. Na maioria das vezes eles não entendiam a pronúncia francesa e escreviam como achavam que era; noutros casos, confundiam-nos com sobrenomes  portugueses vagamente parecidos, ou então cacografavam segundo a má pronúncia das próprias autoridades. Há até o caso de um padre transmontano de Cantagalo que trocava o V pelo B ou vice-versa. 


Alguns exemplos: O sobrenome Valloton virou Volotão; Magnin (leia: "Manhã") virou Manhães; Bapst, em alguns ramos virou Vas — Vaz, e em outros virou Baste — Basto — Bastos, etc. E hoje muitas vezes fica difícil ao pesquisador diferençar a origem suíça da origem portuguesa... 



Vamos ao caso dos Suhett: Remeto os curiosos ao livro "IMIGRANTES" de Henrique Bon, páginas 423 e 424. O nome original era DESSOIES (leia: "Dessuái"), que progressivamente foi sendo modificado, nos documentos cartoriais para "De Sui", "De Suíte", "Dessuê", "Dessuet", "de Suet", "Suet", ainda nos meados do século 19. Outras corruptelas já são do século 20. Isto posto, o primeiro DESSOIES foi: 


1. Jean-Baptiste DESSOIES — saboiardo, radicado em Bulle, Cantão de Fribourg, como apátrida. Nascido a 24/04/1783 e (viúvo) casado com Félicité Chappuis (suíça). Chegou em 1819, com 36 anos, no navio "Deux Cathérine". Ele morou na casa 20 do núcleo inicial de Nova Friburgo e recebeu o lote colonial n° 19. Como muitos outros, radicar-se-ia em Cantagalo. Filho e netos:


         1.1. Claude-Antoine DESSOIES — Chegou com 8 anos. Casou-se a 19/06/1834 com Jeanne-Françoise Gabry (francesa, natural do Departamento de "Alto Saona"). Encontrei o nome dela na certidão de nascimento de uma neta já como "Ana Francisca" e o sobrenome alterado para "Gabril". Filhos:


        1.1.1. Julia "DESSUET" — Nascida em Cantagalo a 05/04/1838;

       1.1.2. Augusto "DESSUET" (conforme o documento aparece como "De Sui" e "Suet") — Nascido em Cantagalo a 05/05/1840, e ali casado a 16/08/1862 com Maria Brígida Cortat;

       1.1.3. Claudio SUHETT— casado com Luíza Maria Verdan; 1.1.4. Pedro SUHETT — casado com Mathilde Maria Verdan; estas duas famílias se radicaram em São João do Paraíso (RJ);

      1.1.5. Rosa Francisca SUHETT — casada com João Narcisõ Verdan; esta família se radicou em São Jóké-dè-UM-k‘RJ);

      1.1.6. Emília SUHETT — casada com José Balmat; radicados primeiramente em São João do Paraíso e depois em Alto Calçado (ES). Sua filha Maria Balma Suhett iria se casar com o primo Antônio Verdan Suhett.
 
1.2. Marie DESSOIES — nascida por volta de 1814 (seus descendentes estão na Família Lugon); 


1.3. Anne DESSOIES — Nascida em 1818 e falecida a 30/08/1819 na "Viagem sem Retorno". Na pág. 424 (op. Cit.) consta que, ainda hoje, no Município do Carmo, há pessoas que assinam "De Suet" e "Suet". 


Durante a pesquisa, além da tradição da origem suíça, transmitida por meu pai, ouvi algumas vozes falando em "origem francesa". Isto porque os bisnetos já confundiam a língua francesa com a nacionalidade francesa, já sem saber que na Suíça também se fala francês (embora não só). Mas ouvi vozes também dizendo que na linha de tempo do meu bisavô, os netos dos patriarcas, no início do século 20, ainda falavam francês. Como decaímos culturalmente!

              FAZENDA VERDAN

Em Nova Friburgo há ainda a Fazenda Verdan, localizada nas margens do Rio Macaé de Cima, sediada num belo chalé ao lado do gélido Córrego Verdan, área de preservação ecológica, o rincão "mais belo de Nova Friburgo" (palavras do Dr. Heródoto Bento de Melo, ex-prefeito da Suíça Brasileira). Dista uns 20km fora da sede municipal, só acessível por condução própria, por uma estrada de terra e de montanha. A Fazenda Verdan é o ponto final dessas estradinhas. Vale a pena conhecê-la. A uns 5 km antes fica o Hotel Fazenda São João. Fazemos parte da História e da Geografia fluminense.

Orientação: Para quem vai do Rio ou vem de Nova Friburgo o ponto de referência é o Hotel Gurlip, à beira da estrada. Ao seu lado, uma estrada, subindo a montanha, leva direto ao Hotel São João e à Fazenda Verdan. O único cuidado é não dobrar à esquerda quando se chega ao curso do Rio Macaé; siga sempre pela direita.

VAMOS ORGANIZAR EXCURSÕES PARA CONHECER AS TERRAS ANCESTRAIS!! 

Francisco Verdan Corrêa Neto é professor e historiador

Um comentário:

  1. Legal descubrir que ainda existem Verdan meu avô era dessa terra Oliveira Narciso Verdan.

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