segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO EM BOM JESUS DO ITABAPOANA




Maria Apparecida Dutra

Maria Apparecida Dutra Viestel, filha do historiador Antônio Dutra, e neta de Pedro Gonçalves da Silva, o Cel. Pedroca, 1º prefeito de Bom Jesus, por ocasião de sua 1ª emancipação, ocorrida no dia 25 de dezembro de 1890, manifestou sua satisfação pela publicação, em O Norte Fluminense, do artigo de seu pai "Instituições de Ensino". O texto se refere à história do ensino em Bom Jesus do Itabapoana, que consta no livro "Páginas Memoráveis de Bom Jesus do Itabapoana" (páginas 117 a 120), editado por Delton de Mattos, a partir de textos colhidos no jornal A Voz do Povo.

Maria Apparecida salienta que sua tia, Maria Gonçalves da Silva, instalou uma pequena escola particular, na década de 1920, localizada na antiga rua dos Mineiros, hoje denominada rua Gonçalves da Silva, em homenagem a ela e a seu avô. "Um dos alunos dela, foi o historiador Francisco Camargo, conhecido como Zico, pai da pianista dona Nina".

A mestra lecionou por mais de 30 anos no Colégio Zélia Gisner, de propriedade de Adélia Barroso Bifano: "Adélia era uma mulher que estava além do seu tempo. Na época, todas as mulheres sonhavam em ser professoras, mas ela queria também ser médica. Ela estava em Niterói (RJ), onde ia dar início aos estudos na Faculdade de Medicina. Ocorre que seu cunhado, o serralheiro Claro Xavier, falece ao ser atingido por uma tora de madeira. Ela tem de retornar a Bom Jesus, para cuidar de sua irmã Bárbara, que teve os seguintes filhos: Clair, Francisco e Maria Clara. Adélia teve ainda mais dois irmãos: Maria e Francisco. Seu pai, Francisco Bifano, proprietário de uma padaria, constrói, então, a partir de tábuas do seu comércio, bancos para alunos, e Adélia passa a exercer em 1936 a profissão de professora. O nome da escola é dado em homenagem a uma amiga que faleceu precocemente".

Continua a mestra: "Dona Adélia, como era conhecida, era uma pessoa vocacionada para a educação. Possuía um temperamento dócil e amistoso. Ela costumava dizer que 'os alunos são como se fossem meus filhos'. Lecionei, durante todos esses anos em seu colégio, a matéria de Estudos Sociais, que englobava História e Geografia".

Maria Apparecida chegou a lecionar no Colégio Rio Branco. "O dr. Luciano Bastos costumava dizer que eu era a prata da casa." A mestra lecionou, ainda, no Colégio Estadual Padre Mello e é uma das referências em nosso município, pelo conhecimento histórico e pela humanidade de cada gesto.







INSTITUIÇÕES DE ENSINO


Antônio Dutra



É muito difícil por absoluta falta de dados, contar a história do ensino nos primórdios de Bom Jesus.

A mais antiga notícia que temos da existência de professores nestas paragens data de 1878, quando o "Almanaque Laemert" fez referência à escola pública para o sexo feminino, dirigida pela professora Etelvina Hermínia Nunes Madruga, da qual não temos conhecimento de nenhuma outra referência; para o masculino, dirigida pelo professor Antônio Luiz Martins Ribeiro, que em 1891 foi nomeado tabelião de notas da então Comarca do efêmero município de Bom Jesus.

 Esse mestre era conhecidíssimo aqui, na primeira e segunda década do século, como o "Seu Ribeiro Escrivão". Menciona ainda o mesmo "Almanaque", como inspetor, o Padre José Guedes Machado e como professores de música, Antônio Gonçalves Barroso Sobrinho, Joaquim da Fonseca e Manoel da Silva Santa Rosa, dos quais, igualmente, desconhecemos qualquer outra referência. Em 1906, temos notícia da fundação do "Ateneu Silvio Pelico", para curso primário e secundário, com internato e externato, sob a direção de Sylvio Fontoura, redator chefe do nosso primeiro jornal "Itabapoana" fundado, também, no mesmo ano.

O "Ateneu" e o "Itabapoana" deixaram de existir com a mudança de Sylvio Fontoura para Campos. Em 1907 encontramos referência à professora Elvira Cosendei, normalista e diretora da "Escola Pública". Na zona rural não havia escolas e somente alguns fazendeiros cuidavam de ensinar aos filhos, contratando pessoas, com raras exceções, quase sempre tão analfabetas quanto os alunos, que se apelidavam de professores e passavam a residir nas fazendas para ensinar o ABC e o Beabá, pelo método da palmatória, da régua e da vara, e quase lhes arrancando as orelhas. Dessa maneira, em pouco tempo transformavam os alunos em inimigos figadais do livro e das escolas, das quais, com raras exceções, passavam a ter verdadeiro ódio. Somente em 1911, voltamos a ter notícia do ensino em nosso meio, com a fundação do "Colégio Quinze de Novembro", dirigido pelo professor Menezes Wanderley, redator do "Itabapoana" na segunda fase, que também dirigia a "Escola Noturna Gonçalves da Silva", para sócios do "Centro Operário" e rapazes com menos recursos.

Nessa época havia também um ótimo curso primário e secundário, dirigido por dona Maria Gonçalves da Silva, que prestou relevantes serviços à juventude da época, pelo qual passaram muitos madurões que ainda militam em nosso meio. Dona Da Silva, como era conhecida, era criatura boníssima e portadora de ponderável cultura, fazia sempre de cada aluno um verdadeiro amigo. Existia também uma escola muito frequentada sob a direção de Dona Mariquinha Sales, avó do saudoso Octacílio de Aquino. No "Itabapoana" desse mesmo ano de 1911, há referência à "Escola Pública", dando-a como vaga, e só temos notícia de ter sido nomeada para dirigi-la, anos depois a professora Consuelo Minuci da Silva e a seguir Dona Ismênia Campos que, com rara competência, dirigiu por muito tempo o nosso Grupo Escolar "Pereira Passos", inaugurado em 1932, contando com ta colaboração de professoras de grande mérito como Gisete Barroso, Amália Teixeira, Alice Barreto e outras. Em 1916 o professor Fileto Matos instalou aqui o "Colégio Bom Jesus". Em 1917 tivemos um curso noturno para rapazes, do Professor Nelson Paixão, de vida efêmeras. Em 1919, havia o "Externato Nossa Senhora do Carmo", sob direção de Dona Nair Teixeira de Melo.

Se algum aluno, caso raríssimo, pretendia continuar os estudos, enfrentando enormes sacrifícios, ia para fora e a cidade preferida era Campos e o Colégio mais procurado, o "Americano Brasileiro" do Professor Alípio Dórea.

Foi o que se deu com o Octacílio de Aquino, porventura o primeiro bonjesuense que iria se formar em Direito e mais tarde com José Vieira Seródio que, creio, foi o primeiro a se formar em medicina.

Em 1925, inaugurou-se a "Escola Remington" de datilografia, sob a direção da professora Irene Lima, que continua até hoje prestando grandes benefícios à nossa mocidade, eficientemente dirigida por D. Liete Martins Marques.

Por volta de 1928 tivemos também um ótimo curso dirigido pela competente professora Amália Teixeira, que influiu enormemente no desenvolvimento cultural de nossa juventude, pois por ele passou a quase totalidade dos jovens da elite de nossa terra, entre os quais podemos citar Roberto Silveira. Outro curso que tivemos, embora de curta duração, e teve considerável folha de serviço, foi o "Euclides da Cunha", dirigido pelo professor Orlando Azeredo Silva. Em 1936, depois de mais de três lustros de bons serviços, foi oficializado o líder de nossos educandários, o "Ginásio Rio Branco", cuja influência sobre o desenvolvimento cultural de Bom Jesus, evidencia-se cada vez mais aos olhos dos bonjesuenses.

Depois da restauração do município, o ensino vem crescendo tanto em quantidade quanto em qualidade. Hoje dispomos de cinco Grupos Escolares, três magníficos Ginásios, sendo dois com escola normal e curso comercial e uma escola técnica agrícola. Em Bom Jesus do Norte temos um Colégio que mantém o antigo ginásio e um curso científico. Graças a Deus ninguém precisa deslocar-se de Bom Jesus para estudar a não ser que trate de ensino superior, mesmo assim, já existe em Itaperuna Faculdade de Filosofia, distando apenas alguns minutos de nossa cidade.


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