quinta-feira, 2 de abril de 2026

La Muralla

 


ARANJUEZ

 


Guitarra Azul

 


O Tempo, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*"O Tempo"*


O tempo não volta, não espera, não avisa.


Ele passa... E, enquanto passa, ensina. 


Ensina que nem tudo é para sempre, que algumas pessoas são fases e que certos momentos só existem uma vez. 


Por isso, valorize o agora. 


Porque um dia, o que hoje é presente... será apenas lembrança. 


*"A vida é um pedacinho do tempo que se despede de nós todos os dias... Então viva..."*


*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Semana Santa: a fé que educa o coração, por Isabel Menezes

 


Falar de educação é, antes de tudo, falar da formação da alma. E, para muitas gerações, essa formação esteve profundamente ligada à vivência da fé, especialmente em tempos fortes como a Semana Santa.

Hoje, é difícil imaginar uma família que não tenha um automóvel. Mas, na década de 70, a realidade era outra. A maioria não tinha. Meu pai, por exemplo, nem dirigir sabia. Ainda assim, conduzia nossa família com segurança pelo caminho mais importante: o da fé. Ele não guiava um carro, mas guiava nossos passos até a igreja.

Nossa Semana Santa era vivida intensamente na igreja matriz de São Sebastião. Cada celebração era mais do que um rito: era uma verdadeira escola do coração.

Na Quarta-feira Santa, começávamos com a Santa Missa. Em seguida, saíamos em procissão para a Via Sacra viva, um momento profundamente marcante. Um dos trechos mais comoventes era o Encontro de Jesus com sua Santíssima Mãe, encenado em frente à capela de Santa Filomena.

Ali, enquanto o padre Antônio Siqueira recitava seu sermão com fervor e sensibilidade, víamos o Filho se aproximar da Mãe, transpassada por uma dor silenciosa, como já anunciara a profecia. E, naquele instante, a voz de Maria ecoava entre nós:

“Meu Filho, meu querido Jesus!”

Não me recordo das palavras exatas da jovem que representava Nossa Senhora, mas me lembro perfeitamente da emoção. Era impossível não se comover.

A encenação seguia com a narrativa do julgamento e da morte de Jesus. Homens simples da comunidade davam vida aos personagens com uma dedicação admirável. Lembro-me do senhor Osvaldino, que interpretava Jesus, e do senhor Messias Cordeiro, no papel de Caifás, com sua fala firme:

“Blasfemou! Que necessidade temos ainda de testemunhas, se nós ouvimos de sua boca!”

E a multidão,  formada por homens fardados como soldados romanos, respondia em coro:

“Merece a morte!”

Recordo também do senhor Gercino, liderando os soldados com vigor. Minhas irmãs  Inês e Fátima, em anos diferentes , encenaram a Verônica, cantando: "O vos omnes. Qui transitis per viam, Attendite, et videte. Si est dolor similis sicut dolor meus" Mas talvez tão marcantes quanto a encenação fossem os ensaios. Aconteciam no átrio ao lado da matriz, e até hoje guardo essas cenas com carinho.

O padre Antônio, com paciência e zelo, ensaiava aqueles homens simples. Pedia que gritassem: “Crucifica-o!”

E eles, com sotaque forte, respondiam: “Corcificô!”

Com mansidão, o sacerdote corrigia, repetia, orientava. Até o som das lanças batendo no chão era treinado. Nada era improvisado , tudo era cuidado com amor.

Aquele padre incansável não apenas organizava uma encenação. Ele educava um povo inteiro na fé, com simplicidade e profundidade.

Naquela época, as ruas se enchiam. Vinham fiéis da zona urbana e também da zona rural, pois a paróquia era extensa, abrangia desde Jacutinga até o Cachoeirão. Era uma multidão reunida não por obrigação, mas por devoção.

Hoje, ao recordar essas vivências, fica uma pergunta que ecoa em nosso coração: o que temos ensinado às novas gerações?

Talvez tenhamos mais recursos, mais conforto, mais facilidades. Mas será que temos oferecido a mesma riqueza espiritual? Será que ainda conduzimos nossas famílias, com a mesma firmeza, pelos caminhos da fé?

A verdadeira educação não se limita ao conhecimento intelectual. Ela passa pela experiência, pelo testemunho, pela vivência do sagrado no cotidiano.

E a Semana Santa, vivida com profundidade, continua sendo, em todas as igrejas do mundo, uma das mais belas oportunidades de educar não apenas a mente, mas, sobretudo, o coração.

Isabel Menezes - Professora e historiadora de Varre-Sai/RJ – Retalhos do livro “Memórias de uma menina católica da década de 70”



CARLITO DE PAULA: 100 ANOS!

 


CUMBIA

 


Son Cubano


 

Italian Vibes

 


COMEÇA O MÊS DE PADRE MELLO! VIVA!

 


terça-feira, 31 de março de 2026

Não fique preocupado com as habilidades acadêmicas de seus filhos, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*"Não fique preocupado com as habilidades acadêmicas de seus filhos."*


Em vez disso, ensine a eles a se sentarem ao lado dos que estão sozinhos. Ensine-os a serem bons. Ensine-os a oferecer ajuda. Ensine-os a encorajar os outros. Ensine-os a se colocar ajuda. Ensine-os a serem amigos. Ensine-os a encorajar os outros. Ensine-os a se colocar no lugar do outro. Ensine-os a compartilhar. Ensine-os a procurar fazer sempre o bem. 


*"É assim que eles vão mudar o mundo."*


*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*

Oração, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


Bom Dia Amados Irmãos! 


*"Oração :"*


Amado Deus,  

Obrigada por esse novo dia que esta raiando. Quero começar esse dia e essa semana debaixo das suas asas... Me cubra com Teu manto sagrado e toma-me em Teus braços. Que o novo dia seja cheio de paz e de amor. 

Nessa semana permita que eu alcance a plena serenidade para que eu possa ver o mundo que me cerca com os olhos da compaixão, para que eu possa agir com prudência e sabedoria, e ter discernimento na solução e na condução dos meus problemas e dificuldades. Veda meus olhos e ouvidos de toda e qualquer maldade alheia a minha vontade própria e abençoa Senhor, meus caminhos, minhas escolhas, minha casa, meus amigos e minha familia, que nada aconteça sem a Tua permissão. 

Que esse novos setes dias venham carregados de bençãos e surpresas e que nenhum obstáculo me impeça de chegar ao final da semana com a vitória na mão, 

Amém!

🙏


*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*

DR. JOSÉ ANDRADE: "em nome do Governo dos Açores, curvo-me perante a saudosa memória do nosso comum Padre Mello"

 

Dr José Andrade, Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores, à frente do busto de Padre Mello, no átrio da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus 

A visita de José Andrade, Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores, a Bom Jesus do Itabapoana, em 25 de julho de 2022, transcende o simples registro protocolar para se inscrever como um gesto carregado de memória, identidade e reencontro atlântico. 

Diante do busto do Padre António Francisco de Mello, no átrio da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, o visitante micaelense, nascido em Ponta Delgada, pareceu encurtar séculos de travessia e saudade, religando simbolicamente duas margens de uma mesma herança cultural.

Intelectual prolífico, autor de obras como Açores no Mundo e Transatlântico, Andrade encarna a figura do “bonjesuista”, termo cunhado por Octacilio de Aquino, que define aqueles que, mesmo vindos de longe, adotam a terra com devoção afetiva. 

Nesse entrelaçar de histórias, emerge a consciência de um “Bom Jesus açoriano”, tecido por descendências, afetos e legados, onde nomes como Francisco Amaro Borba Gonçalves se somam à memória viva de Padre Mello, o “homem dos sete ofícios”, como o definiu Andrade. 

A evocação de sua chegada em 1899 e de sua entrega vital à cidade até 1947 reforça a dimensão quase mítica dessa figura que, nascida na freguesia da Achada, no concelho de Nordeste, tornou-se patrimônio espiritual do Vale do Itabapoana. 

Ao curvar-se, em nome do Governo dos Açores, diante dessa memória, José Andrade não apenas homenageia um conterrâneo ilustre, mas reafirma a cumplicidade fraterna entre os Açores e o Brasil, uma ponte viva de cultura, história e emoção que continua a dignificar e enobrecer ambos os lados do Atlântico.


DR. JOSÉ ANDRADE: "em nome do Governo dos Açores, curvo-me perante a saudosa memória do nosso comum Padre Mello"

As comemorações dos 160 anos de nascimento de Padre Mello assumem uma pertinente expressão de nossa partilhada açorianidade graças ao importante envolvimento da Casa dos Açores do Espírito Santo.

Sob a dinâmica do principal fundador Dr Nino Moreira Seródio, a CAES promove e acolhe a significativa visita do Grupo Folclórico Padre Tomás de Borba, da sua vizinha Casa dos Açores do Rio de Janeiro, que leva a cumplicidade fraterna da cultura açoriana ao Vale do Itabapoana neste final do mês de abril.

Desta forma se iluminam ainda mais os 160 anos de luz que evocam o legado marcante de Padre Antônio Francisco de Mello, açoriano da ilha de São Miguel, micaelense do concelho de Nordeste, nordestense da freguesia da Achada.

Aqui nasceu a 27 de abril de 1863, viajou ao Brasil em 1895 e, em 1899 se ficou em Bom Jesus do Itabapoana, a que dedicou meio século de sua vida e entregou sua morte a 13 de agosto de 1947.

Ali foi "homem dos sete ofícios" - sacerdote, empreendedor, escritor, poeta, historiador, compositor e professor - tornando-se figura maior da história local.

Isso mesmo testemunham com justificado orgulho o investigador Antônio Soares Borges e o editor Gino Borges Bastos também eles ligados à jovem Casa dos Açores do Espírito Santo.

Por tudo isso, em nome do Governo dos Açores, curvo-me perante a saudosa memória do nosso comum Padre Mello e felicito os promotores desta merecida homenagem a que assim gostosamente nos associamos.

Ponta Delgada, 24 de abril de 2023.

José Andrade 
Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores


segunda-feira, 30 de março de 2026

O livro de famílias italianas que une Varre-Sai e Bom Jesus no ECLB: Raízes e Memórias

 


No limiar do tempo, quando o último dia do ano se despediu em silêncio e promessa, inscreveu-se mais uma página na história viva do ECLB, Espaço Cultural Luciano Bastos.

Ali, onde outrora ecoaram as vozes do antigo Colégio Rio Branco, entre os anos de 1920 e 2010, ergueu-se um templo do saber que por nove décadas moldou gerações, formou consciências e sedimentou o valor da educação. Com o passar dos anos, o edifício não silenciou: transformou-se. A partir de 2011, renasceu como espaço de cultura, memória e encontro, mantendo acesa a chama do conhecimento que jamais se extinguiu.

Nas estantes da biblioteca do ECLB repousa um tesouro raro: exemplares de todos os jornais de Bom Jesus do Itabapoana, desde o pioneiro Itabapoana, impresso em 1º de agosto de 1906. São páginas que respiram o tempo, guardando em tinta e papel as vozes de uma cidade, suas alegrias, conflitos e conquistas.

Entre esses registros, cresce também o setor de livros regionais, um espaço onde a identidade do noroeste fluminense encontra abrigo e permanência. É nesse contexto que se inscreve, com especial significado, a doação da obra “Uma Jornada de Esperança e Superação: a Saga das Famílias Cappaccia e Fabbri da Itália a Varre-Sai”, do pesquisador e historiador Fabio Martins Faria.

Mais que um livro, trata-se de uma ponte entre terras e tempos. Suas páginas percorrem o caminho da imigração, da coragem e do enraizamento em Varre-Sai, revelando também os laços que unem famílias e histórias a Bom Jesus do Itabapoana. A presença da família Capaccia, com raízes que se estendem entre os dois municípios, simboliza essa união silenciosa e profunda, tecida pela memória, pelo trabalho e pela permanência.

Assim, ao ser incorporada ao acervo do ECLB, a obra não apenas enriquece a biblioteca: ela amplia horizontes, fortalece identidades e oferece aos pesquisadores da região um novo caminho de investigação e pertencimento.

Que este gesto, registrado na fronteira simbólica entre um ano que parte e outro que chega, permaneça como testemunho de gratidão e continuidade.

Espaço Cultural Luciano Bastos


ORIGENS: Nosso Corpo é Memória e Território Fotografia de Roulien Boechat

 


ORIGENS é resultado de parte da investigação que o fotógrafo Roulien Boechat

iniciou em 2023 na Região da Amazônica e que perdura até os dias atuais, com o objetivo de buscar sua própria ancestralidade e de registrar através da arte da fotografia o cotidiano dos povos quilombolas, ribeirinhos, culminando nos Tembé Tenetehara.

Através de cerca de 20 imagens, Roulien Boechat apresenta sua trajetória ao longo da exploração, pela linguagem fotográfica, de um território antes por ele desconhecido, de ancestralidade e cultura próprias dos povos originários do Pará.

O território imaginário, limites de espaço e tempo, se confundem e deixam de representar um marco, através das tradições de uma ancestralidade preservada, onde a terra e o homem interagem sobre a forma de pertencimento mútuo.

Origens é a descoberta de um mundo próprio dos povos originários, explorando a realidade diária da cultura de um lugar distante dos centros urbanos, de origens quilombolas, tradições ribeirinhas e da cultura Tembé Tenetehara, onde a força da natureza e a humanidade encontram a forma mais pura de convivência e respeito.

Através do conjunto fotográfico do artista, o espectador terá contato com aterritorialidade da região investigada, com a exaltação da força da natureza e a beleza dos povos originários que habitam harmônica e respeitosamente a Floresta

Amazônica. (Texto Renata Costa)

Curadoria: Renata Costa

Texto: Ana Sampaio (UFF)

Montagem: João Batista de Moraes

Apoio: Prefeitura de Guaçuí

Abertura: 06 de abril de 2026

Visitação: 06 a 23 de abril de 2026

Local: Teatro Municipal Fernando Torres

Endereço: Av. Gov. Lacerda de Aguiar, s/n - Centro, Guaçuí - ES

Funcionamento: 08:00 - 11:00 e 13:00-17:00h 

Entrada: Gratuita

Classificação: Livre

Continuo indo..., por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*"Continuo indo..."*


Que hoje não seja só mais um dia, mas uma bela oportunidade de ser muito feliz. 


E eu continuo indo, seguindo meu caminho. Mudando, errando, mas principalmente, aprendendo com o que eu erro. Não me preocupo se minha evolução é lenta, contanto que ela seja pra melhor.


*"Não é possível modificar o que foi feito. Nem dá para apagar algo do qual nos arrependemos e fingir que nunca aconteceu. Mas há a generosidade da vida que nos permite dormir hoje e acordar amanhã, prontos para evitar novos enganos ou repetir os velhos."*


*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*

A ligação entre Varre-Sai e Bom Jesus: Arraial Novo, terra de café, água e herança italiana

 

Arraial Novo integra a Região Serrana de Bom Jesus na divisa com Varre-Sai


Em Arraial Novo, área rural de Bom Jesus do Itabapoana, a geografia deixa de ser apenas traço cartográfico para se afirmar como experiência sensível. Próximo à divisa com Varre-Sai, o território revela uma continuidade que desafia a rigidez das fronteiras administrativas, uma continuidade feita de terra, água, café e memória.

Ali, a terra respira café, e também história.

A região está inserida em uma faixa serrana de altitude, com clima propício à produção de grãos de alta qualidade. Varre-Sai é reconhecida como a Capital Estadual do Café,  e carrega uma marca decisiva em sua formação: a colonização italiana. Foram famílias vindas da Itália que, ao longo de gerações, moldaram a paisagem agrícola, introduziram técnicas, organizaram pequenas propriedades e consolidaram uma cultura profundamente ligada ao café.

Essa presença não se encerra na divisa.

Arraial Novo também guarda, em suas encostas e em suas casas, a herança italiana. Sobrenomes, modos de cultivo, tradições familiares e o próprio ritmo do trabalho no campo revelam a continuidade dessa influência. Ali, descendentes de imigrantes mantêm viva uma relação íntima com a terra, uma agricultura de base familiar, marcada pelo cuidado manual e pela persistência.

Arraial Novo funciona como elo. Mais do que ponto de passagem, é território de ligação: pequenas propriedades cultivam café em terrenos inclinados, córregos descem formando microbacias e a paisagem alterna, sem ruptura, lavoura e serra. Nesse cenário, a divisa deixa de ser linha, torna-se transição. Morros, plantações e águas seguem contínuos, indiferentes às delimitações humanas.

O café, aqui, não é apenas cultura agrícola. É identidade. É herança, italiana e brasileira,  transmitida entre gerações. Cultivado muitas vezes à mão, em encostas íngremes, ele carrega o tempo longo das famílias que aprenderam a ler o relevo, a respeitar as estações e a transformar adversidade em permanência.

Essa dinâmica conecta sistemas naturais maiores. As águas que nascem nas partes altas de Varre-Sai percorrem silenciosamente o território, atravessam lavouras, alimentam vales e integram-se à bacia do Rio Itabapoana. São cursos discretos, mas essenciais, fios líquidos que costuram a paisagem e sustentam a vida.

Ao amanhecer, a neblina repousa sobre os cafezais como um véu breve. Sob ela, a água corre sem alarde. O dia se inicia cedo, como exige o cultivo, e cada grão amadurece guardando em si mais do que sabor: guarda origem, travessia e pertencimento.

Em Arraial Novo, a leitura do espaço é outra. A fronteira política existe, mas não se impõe. O que prevalece é um sistema integrado, onde geografia, água, café e herança cultural formam uma unidade viva.

Ali, a divisa não separa, apenas sugere que, do outro lado, a história continua.

No encontro silencioso entre as encostas de Varre-Sai e os vales de Bom Jesus do Itabapoana, Arraial Novo se afirma como mais do que passagem: é elo vivo. Ali, o café não apenas sustenta a economia, ele costura histórias, une territórios e perpetua a herança deixada por italianos e seus descendentes, que transformaram a terra em permanência e trabalho em identidade. 

No meio de lavouras e memórias, Arraial Novo é o ponto onde a produção encontra a cultura, e onde duas cidades, separadas no papel, seguem unidas pelo mesmo chão, pelas mesmas mãos e pelo mesmo destino.





Velho Moinho, em Varre-Sai, se Ilumina para uma Noite Inesquecível

 

No coração de Varre-Sai, onde a noite ganha um brilho especial e a música encontra abrigo, o Velho Moinho se prepara para mais um capítulo memorável.

No próximo sábado, 04 de abril, a partir das 20h, o espaço se transforma em palco de emoções ao som envolvente da Banda Albatroz. No meio de acordes que atravessam o tempo e melodias que despertam lembranças, o público é convidado a mergulhar em uma atmosfera de nostalgia, alegria e encontros.

A proposta é simples, mas irresistível: boa música, ambiente acolhedor e a companhia certa para viver momentos que ficam. Mesas para até quatro pessoas estarão disponíveis por R$ 120, garantindo conforto e uma experiência ainda mais especial.

Mais do que um evento, a noite promete ser um refúgio para quem busca sentir, cantar e celebrar. As reservas já estão abertas pelo WhatsApp (22) 99867-1227.

Porque algumas noites não são apenas vividas, são lembradas. 




Um dia histórico para Varre-Sai, por Isabel Menezes




A inauguração do terminal rodoviário municipal marca um novo capítulo na história de Varre-Sai. A partir de agora, o município se conecta de forma mais efetiva ao mundo por meio das vias rodoviárias, ampliando oportunidades, encurtando distâncias e fortalecendo o desenvolvimento local.

Essa conquista é importantíssima, pois facilita o deslocamento da população, impulsiona o comércio, incentiva o turismo e garante mais dignidade a quem depende do transporte coletivo no dia a dia. Além disso, cria novas possibilidades de integração regional, permitindo que Varre-Sai esteja cada vez mais presente no mapa econômico e social do estado.

O prefeito Lauro Fabri teve papel fundamental nessa realização, ao articular essa ação e oferecer o respaldo físico necessário para que as linhas de ônibus pudessem, de fato, se concretizar. Seu empenho demonstra compromisso com o progresso e com a melhoria da qualidade de vida da população.

O  terminal rodoviário representa um símbolo de avanço e esperança.

Porque quando caminhos se abrem, sonhos também encontram direção. 

Isabel Menezes - Professora e historiadora.

Fotos: rádio Líder








domingo, 29 de março de 2026

Mudança, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*" Mudança "*


A mudança chega sem pedir licença, mas sempre com um propósito. Ela bagunça o que parecia seguro, rompe hábitos antigos  e nos convida a sair do lugar onde já não cabíamos mais. 


No início assista, porque mudar é deixar para trás versões nossas que um dia foram necessárias.


Mas é na mudança que a vida respira. É ali que aprendemos a nós reinventar, a fortalecer o que antes era frágil, a enxergar novos caminhos onde só havia medo. 


Mudar é um ato de coragem silenciosa. É confiar que, mesmo sem saber exatamente para onde vamos, estamos seguindo na direção certa para crescer, florescer e viver com mais verdade.


*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*

A jornada das águas de Varre-Sai a Bom Jesus: Da Serra ao Vale

 

Quando os córregos de Varre-Sai se tornam o rio Itabapoana

Há rios que são apenas água em movimento. E há outros, como o Itabapoana, que são uma espécie de memória líquida, reunindo em seu curso não só as chuvas e as vertentes, mas também a vida dispersa de uma região inteira.

Em Bom Jesus do Itabapoana, ele passa com a autoridade silenciosa de quem sabe seu destino. Não se apressa, não hesita. Carrega consigo margens, histórias, pontes, vozes. Ali, o rio se mostra inteiro, visível, quase solene, como um texto já escrito.

Mas o que poucos veem é que esse texto começa muito antes, em letras miúdas, quase ilegíveis.

Lá no alto, em Varre-Sai, o rio ainda não é rio. É um sussurro,  multiplicado. No Córrego Santa Cruz serve de fonte à sede da vida urbana; percorre o Ribeirão da Onça, insinuando-se entre morros e lavouras; desliza pelo Córrego da Boa Sorte, como se o próprio nome já anunciasse sua vocação; e segue pelo Ribeirão Água Doce, onde a paisagem parece beber de si mesma.

Há ainda outros fios d’água, discretos, persistentes, como o Córrego Bom Jardim, o Córrego Palmital, o já repetido e ramificado Boa Sorte, e o Córrego Alegre, que na divisa do município parece sorrir ao encontro inevitável das águas.

Cada um desses cursos é pequeno, quase anônimo no grande mapa. Mas nenhum é insignificante.

Descem pelas encostas como pensamentos dispersos, atravessam lavouras de café, contornam cercas, refletem pedaços de céu. São águas que não disputam nome nem glória, apenas seguem. E, sem saber, vão se reunindo.

Porque cada curva, cada desnível, cada confluência é um gesto de aproximação. O ribeirão encontra o córrego, o córrego encontra outro, e assim, pouco a pouco, o que era disperso se torna unidade. O que era murmúrio se torna voz.

Até que, mais adiante, já não se distingue o que veio de onde.

O Rio Itabapoana, ao banhar Bom Jesus, carrega em si essa soma invisível. Está ali, largo e contínuo, mas feito de mil origens. Cada gota traz consigo uma vertente de Varre-Sai: o frescor do Santa Cruz, a sombra do Onça, a doçura do Água Doce, a esperança do Boa Sorte. Tudo converge, tudo se transforma.

É essa a unidade verdadeira da região: não a dos mapas políticos, nem a das fronteiras traçadas à régua, mas a das águas que se reconhecem.

O rio não separa, reúne.

E os córregos, ainda que modestos, são como veias discretas de um mesmo corpo, conduzindo a vida para um centro comum. Sem eles, o rio não seria rio. Sem o rio, eles seriam apenas promessas interrompidas.

Há, nisso, uma lição que escorre sem alarde: tudo o que parece isolado está, de algum modo, em trânsito para o encontro.

E assim, no meio do sussurro das nascentes e a voz cheia do curso principal, a região inteira se escreve em água,  contínua, paciente, indivisível.

A usurpação dos versos do Açoriano Padre Mello em uma das principais revistas nacionais


Rimas em Litígio: o escândalo em uma das mais importantes revistas do país

No Brasil febril das primeiras décadas do século XX, onde a imprensa era palco e tribunal, a pena ainda carregava o peso da honra, e a poesia, esse território sagrado da sensibilidade, não admitia profanações sem resposta. Foi assim que, em abril de 1924, nas páginas da revista O Malho, uma das principais revistas de circulação nacional no início do século XX, ergueu-se um caso que misturava lirismo, ironia e denúncia: o plágio das poesias do padre açoriano Antônio Francisco de Mello.

Filho de camponês, nascido sob o céu austero dos Açores, Padre Mello havia feito da palavra sua lavoura mais fértil. Cultivara versos como quem semeia trigo em solo ingrato, com paciência, fé e uma confiança quase mística na eternidade do espírito. Décadas antes, publicara em Ponta Delgada o livro Matutinas, onde depositara sua alma em estrofes de devoção, amor e contemplação.

Eis, porém, que o tempo - esse guardião caprichoso - trouxe-lhe de volta seus próprios versos, não como eco, mas como usurpação.

Nas edições 1.123 e 1.124 de O Malho, surgiam dois poemas: “Os meus amores” e “A Rodolpho Machado, na sua morte”, assinados por um certo Antonio Gomes Smith. Não fossem as mínimas alterações - duas palavras aqui, uma inversão ali - seriam espelhos quase perfeitos da criação original do padre-poeta.

A denúncia veio em forma de carta, mas com o timbre de uma peça literária. Padre Mello não brandiu a indignação em gritos: preferiu a lâmina fina da ironia. “Com tão pequeno capital”, escreveu, “não tem o Sr. Smith direito à sociedade.” E sugeriu, com elegante veneno, que ao menos o imitador apresentasse “o cartão da casa” - isto é, reconhecesse a autoria legítima.

A redação de O Malho, experiente nos dramas humanos que atravessam a imprensa, respondeu com admiração: nenhuma palavra editorial poderia superar a precisão e o espírito da carta recebida. O caso, entretanto, estava longe de se encerrar.

Chamado à tribuna pública, Antonio Gomes Smith apresentou sua defesa. Alegou ser vítima de uma intriga, vítima de mãos ocultas que teriam manipulado seus versos e sua assinatura. Invocou honra, amizade e até perseguição - como se a autoria fosse uma entidade volátil, capaz de se deslocar entre homens como sombra ao entardecer.

Mas a poesia, como a verdade, deixa rastros.

E quando se pensava que o episódio já se dissiparia nas brumas do esquecimento, um novo golpe: outro poema, “Semelhanças”, também de lavra do padre, aparecia novamente sob o nome do mesmo autor. A reincidência dissolvia qualquer resquício de dúvida e dava ao caso contornos quase farsescos - um teatro de máscaras mal ajustadas.

Padre Mello retornou, mais uma vez, às páginas da revista. E sua resposta, longe de inflamada, era ainda mais cortante. Comparou o plagiador a um rato que rói o fundo do saco onde se guardam as poesias - imagem doméstica e devastadora, que traduzia não apenas o furto, mas a sordidez do gesto.

Havia, no entanto, algo de profundamente simbólico nesse episódio.

De um lado, um sacerdote-poeta, moldado na humildade rural, cuja obra nascera do silêncio, da contemplação e do tempo longo. De outro, a pressa - essa ânsia moderna de ser visto, lido, celebrado - ainda que à custa da voz alheia.

O plágio, nesse contexto, não era apenas crime literário: era um sintoma. Revelava uma sociedade em transformação, onde o brilho da fama começava a rivalizar com o valor da criação, e onde a autoria - antes sagrada - passava a ser, para alguns, apenas um detalhe negociável.

Mas, no fim, permaneceu aquilo que sempre sobrevive: a palavra verdadeira.

Porque versos podem ser copiados, mas não recriados em sua origem. E a poesia de Padre Mello, nascida entre ilhas, fé e memória, conservava algo que nenhuma usurpação poderia alcançar - a autenticidade silenciosa de quem escreve não para o aplauso imediato, mas para a eternidade.

Assim, nas páginas amareladas de O Malho, ficou registrado não apenas um escândalo, mas uma lição: há glórias que se improvisam, e há outras que resistem ao tempo - intactas, como a própria alma da poesia.


AS POESIAS PLAGIADAS DE PADRE MELLO


A Gabriel de Almeida, na sua morte

Morrer é triste como a tua idade!
E tu contaste o derradeiro dia
quando tudo no mundo te sorria:
esposa e filhos, gloria e eternidade.
Esposa e filhos!... Dois idolatrados
carceres lindos onde livremente
captivos collocaste eternamente
teu coração, tua alma e teus cuidados.
Ella a esposa - conquista do passado,
os filhos - esperança do futuro.
Que dor perder tão cedo o affecto puro
que os extremos da vida tinha alliados!
Eternidade e gloria!... quanto é raro
ganhar dos homens um louvor ingente
e das cinzas do tumulo silente
revindicar ovante um nome claro.
Tudo alcançaste; mas é triste, triste,
cerrar tão cedo a pagina da Historia!...
Gosa no céo da immaculada Gloria
já que da terra poucou tempo viste.


OS MEUS AMORES

​Não ha ninguem sem affectos,

(nem primavera sem flor)

que o coração que dá vida

precisa a vida do amor.

​Porém se as flores são varias

o amor que não será?

como os meus lindos amores

outros amores não ha!

​São como as rosas de espinhos

muitos amores que eu sei;

agora encantos dos olhos,

logo tormentos sem lei.

​O doce objecto que eu amo

de todo o meu coração

para mim só tem sorrisos

quer na ventura quer não.

​Outros que chorem saudades

por ausencias do seu bem;

meu amor sempre me assiste,

para onde eu vou vae tambem.

​Sorri na face da aurora,

brilha no sol a raiar,

em qualquer fonte murmura,

brinca na areia do mar.

​E quando o sol é já posto

e briga a sombra co'a luz

contempla os astros do céo,

pousa o olhar no horizonte

onde mysterios traduz.

​Na flor do campo recende,

vê com transporte os destroços

das suas furias do escarcéo.

​Emfim meu bem, minha amada

onde eu estou ella está,

como os meus lindos amores

outros amores não ha.

​Mas pergunta a mocidade:

 - Esses amores quem são?

 - Quem? A Poesia que eu amo

de todo o meu coração.


LAMENTAÇÕES

A’ Amanda:

Tu vês o lyrio que do vil monturo
ergue a corolla de nevada côr ?
E’ a innocencia neste mundo impuro,
da mocidade o virginal pudor.
Tu vês a estrella na calada noite
rompendo as trevas, derramando luz ?
E’ da descrença o glorioso açoite,
o facho accessso triumphal da cruz.
Tu vês a aurora a despontar sorrindo,
dourando o berço para o sol nascer ?
E’ a esperança de um porvir mais lindo,
formosa palma para quem soffrer.
Cultiva, sempre, da pureza o lyrio,
tua alma vista da piedade o véo;
e se a virtude te exigir martyrio
eterna palma te dará no céo.



sábado, 28 de março de 2026

Bom Jesus revive herança açoriana: O Pão do Padre



Em Bom Jesus do Itabapoana, onde a memória atravessa gerações e se mistura aos aromas da cozinha, uma tradição de raízes açorianas ressurge como elo entre passado e presente. Tudo começou em 18 de junho de 1899, com a chegada do Padre Antônio Francisco de Mello, trazendo consigo não apenas fé, mas também costumes que ajudariam a moldar a identidade local.

Ao lado dele, sua irmã, Maria Júlia de Mello, e a açoriana Dona Cândida transformavam farinha, água e afeto em um pão caseiro de sabor inesquecível. Preparado com dedicação, o alimento era vendido diariamente às três da tarde, e sua renda ajudava a erguer as paredes e os sonhos da Igreja Matriz. Assim nascia uma tradição simples, mas carregada de significado: o “Pão do Padre”.

Mais do que uma iguaria, o pão tornou-se símbolo de união e devoção, perpetuando-se na memória afetiva da cidade. A tradição será mantida no próximo dia 25 de abril, à tarde, na Casa dos Açores do Espírito Santo, em Apiacá, quando o Grupo Imperial Português de Conceição do Castelo visitará o município. O evento ocorre dentro da programação do Mês de Padre Mello.

A tradição açoriana, que um dia floresceu em Bom Jesus do Itabapoana, atravessa agora as margens do tempo e do rio para renascer na vizinha Apiacá, onde encontra novo chão, mas carrega a mesma alma.

CAES, Casa dos Açores do Espírito Santo


INCLUSÃO: da norma jurídica à prática educacional

 



Convite: Reinauguração do C. E. Alcinda Lopes Pereira Pinto

 



O Açoriano Padre Mello e o Soneto Francês "Prière": Erudição em Versos



Em 1901, no meio do silêncio das rotinas paroquiais e o fervor da palavra escrita, o açoriano Padre Antônio Francisco de Mello, um gênio da civilização e da cultura, revela uma faceta rara de sua sensibilidade ao compor, em francês, o soneto “Prière”,  uma oração que transcende o rito e se transforma em poesia.

Mais do que um exercício de erudição, o texto é um gesto de afeto. Dedicado à jovem Maria Thérèse d’Azevedo Mattos, por ocasião de seu nascimento, o poema se inscreve no delicado território onde fé, linguagem e memória se entrelaçam.

A escolha do francês, idioma da elegância literária à época,  reforça o refinamento cultural do pároco açoriano, ao mesmo tempo em que eleva a homenagem a um plano quase atemporal.

Maria Teresa era filha de Manoel Antônio de Azevedo Mattos, português nascido na Ilha da Madeira, figura presente na história local ao integrar a primeira intendência de Bom Jesus em 25 de dezembro de 1890, data que marca a primeira emancipação do município. Assim, o poema não apenas celebra uma vida que se iniciava, mas também ecoa as raízes de uma família ligada à formação política e social da região.

O documento, hoje, ganha ainda mais relevância por sua natureza efêmera. Trata-se de um exemplar de ephemera, aqueles frágeis registros em papel, criados para momentos específicos e que, por sua própria condição transitória, raramente sobrevivem ao tempo. Justamente por isso, quando preservados, tornam-se relíquias.

No meio de versos e história, “Prière” resiste como uma peça singular: ao mesmo tempo expressão artística, testemunho afetivo e precioso fragmento genealógico. Um pequeno papel que atravessou o tempo para nos lembrar que, às vezes, a eternidade se esconde nas coisas mais delicadas.

Tradução 

Oração

À Srta. Maria Thérèse d’Azevedo Mattos, no dia de seu nascimento

Olha com teus belos olhos este anjinho tão belo,

contempla sua beleza e seu ar de inocência.

O que diz ele, ó minha filha, no dia do teu nascimento?


- Que o Autor da vida é Deus que está no Céu.

​É Deus quem dá o ser a toda a Natureza,

quem faz a borboleta, o lírio do campo,

o rio majestoso que corta a montanha

e o pequeno riacho que languesce, que murmura.


​É Deus quem no Céu, antes que a matéria,

criou para sempre os Anjos cheios de graça,

o mesmo que desde então criou nossa raça,

e a mulher é um Anjo, um Paraíso a terra.


​Mas é preciso que sempre sua alma se revista

da graça angelical e das nobres virtudes.

Eis o encantamento de Deus e dos eleitos,

e eis minha Oração em meio à Festa.


16 — 10 — 1901

Padre Mello




sexta-feira, 27 de março de 2026

Vídeo: Fios e memória: a homenagem de Rita Côgo, descendente de italianos, ao açoriano Padre Mello



Com fios e memórias, Rita de Cassia Côgo tece mais do que uma peça artesanal: constrói um elo sensível entre arte, história e pertencimento. Em suas mãos, o crochê ganha vida na delicada técnica do amigurumi personalizado, revelando traços que dialogam com o real,  inspirados em pessoas, animais e objetos, e, sobretudo, com a memória coletiva.

Desta vez, a criação ganha contornos de reverência. O boneco que representa o Padre Mello surge como símbolo de afeto e reconhecimento, uma caricatura feita com cuidado minucioso e intenção poética. Não se trata apenas de uma obra, mas de um gesto: uma homenagem silenciosa que fala alto sobre a importância de figura que moldou a identidade cultural de Bom Jesus do Itabapoana e Varre-Sai.

A peça será levada ao Simpósio Intermunicipal entre Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana como contribuição artística e memorial. É ali, no meio de debates e lembranças, que o pequeno boneco de 33 cm se torna grande, carregando consigo histórias, raízes e a permanência de um legado.

Artesã e escritora, Rita transforma linha em narrativa e ponto em memória. Sua criação, simples na forma e profunda no significado, reafirma o poder da arte como instrumento de homenagem e continuidade cultural.
@ateliepagilinhas

📞 28 99939-7406








Simpósio Literário entre Varre-Sai e Bom Jesus já alcança dimensão interestadual, por Isabel Menezes

 


“Tudo vale a pena se a alma não é pequena.”  (Fernando Pessoa)

Encerrando o mês da poesia, fica uma reflexão: a grandeza da alma é o que dá sentido às nossas conquistas. Para Fernando Pessoa, a alma se torna grande quando nos entregamos por inteiro aos nossos ideais e sonhos. Nessa entrega, até os sacrifícios mais difíceis se transformam em passos necessários do nosso caminho. Viver plenamente exige coragem para enfrentar o desconhecido com mente aberta e coração disposto.

Por isso embarquei nessa ideia do 1° Simpósio Literário Intermunicipal Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana, que já está ganhando proporções interestaduais. Um movimento que reúne pessoas, histórias e talentos de diferentes lugares, mostrando que a literatura continua sendo uma ponte capaz de unir, inspirar e transformar. 

Envelhecer, por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem. 


*"Envelhecer"*


Às vezes, não são os anos que fazem alguém envelhecer, mas sim o peso das tristezas guardadas no coração...


São as decepções, as perdas, os silêncios não compreendidos que vão, pouco a pouco, roubando o brilho do olhar e cansando a alma antes do tempo. 


Porque envelhecer de verdade não está nas marcas do rosto, mas nas marcas que a vida deixa por dentro. 


*"✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier"*

Maria Dolores Pimentel de Rezende confirma presença em Simpósio entre Varre-Sai e Bom Jesus

 


A escritora, poetisa, cronista, trovadora, pesquisadora e segunda vice-presidente da CAES, Casa dos Açores do Espírito Santo,  Maria Dolores Pimentel de Rezende, confirmou presença no Simpósio Intermunicipal entre Varre-Sai e Bom Jesus do Itabapoana, integrando a programação do Mês de Padre Mello, um encontro que, pouco a pouco, ultrapassa fronteiras e ganha novos contornos.

Sua participação amplia o horizonte do evento, que deixa de ser apenas regional para assumir uma dimensão interestadual, reunindo vozes, versos e pensamentos vindos do Espírito Santo e de Minas Gerais. É como se a palavra, em sua forma mais sensível, traçasse pontes invisíveis entre territórios, unindo culturas, histórias e afetos.

Maria Dolores não chega apenas como convidada, chega como presença que carrega múltiplas identidades. Professora pós-graduada em Língua Portuguesa, Literatura Brasileira, Língua Inglesa e Planejamento Educacional, ela transita entre a sala de aula e o universo das artes com a mesma naturalidade com que transforma experiências em poesia.

Comendadora, Doutora Honoris Causa, sua trajetória é marcada por uma dedicação constante à cultura e à educação. Como Senadora Cultural do Espírito Santo pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes e Embaixadora da Paz por organismo internacional sediado entre a Suíça e a França, sua atuação ultrapassa o campo literário e alcança o compromisso social.

Detentora de diversos títulos e medalhas, seu nome ecoa como símbolo de resistência cultural e dedicação à educação na região, onde suas ações seguem florescendo, como versos que insistem em permanecer vivos no tempo.


Vem aí um grande encontro de cultura e literatura!

 


O I Simpósio Literário Intermunicipal Varre-Sai & Bom Jesus do Itabapoana é uma realização da Editora Possideli, de Isabel Menezes, com o apoio da Paróquia São Sebastião, SMEC Varre-Sai, Jornal O Norte Fluminense de Bom Jesus do Itabapoana, COMTUR/Varre-Sai, Secretaria de Turismo e Prefeitura Municipal de Varre-Sai.

Além de muita literatura, o evento contará com exposição e venda de artesanato, cafés e o melhor da culinária local.

O almoço será beneficente, destinado às obras da Matriz de São Sebastião. Estão todos convidados: escritores, leitores e todos que valorizam a cultura e a literatura!

 Participe, prestigie e fortaleça a nossa identidade cultural!

#SimpósioLiterário #VarreSai #BomJesusDoItabapoana #Cultura #Literatura #EditoraPossideli

quinta-feira, 26 de março de 2026

Ademir de Souza e o reencontro com as raízes na Velha Matinha: entre o tempo e a memória

 

Por Gino Martins Borges Bastos 



Bom Jesus do Itabapoana amanheceu diferente naquele 9 de agosto de 2015. Não era apenas mais um evento cultural. Havia no ar algo que não se mede em números ou protocolos, uma espécie de chamado silencioso da memória. Na Fazenda Mattinhos, no distrito de Serrinha, a inauguração do Museu da Cachaça Velha Matinha transformou-se em um encontro entre passado e presente, tradição e identidade.

O 3º Passeio Cultural, inserido no 6º Circuito Cultural Arte Entre Povos, reuniu visitantes, estudiosos e amantes da história regional. Após as boas-vindas de Luciano Nunes e a apresentação conduzida por mim,  o cerimonialista Jailton da Penha conduziu os presentes por uma viagem no tempo, relembrando as origens da fazenda, fundada em 1850.

Guiados pelo engenheiro químico João Figueiredo Viana, os visitantes percorreram o alambique, onde cada etapa da produção da cachaça revelou não apenas técnica, mas herança. As engrenagens antigas, as peças de engenho do século XIX, vindas de países como Inglaterra, Alemanha, França e Estados Unidos,  não eram objetos inertes. Eram testemunhas.

Ao final, a degustação da caipirinha feita com a Cachaça Velha Matinha celebrou o presente, mas foi o passado que permaneceu ecoando.

A Fazenda Mattinhos carrega em suas paredes marcas profundas da história brasileira. Do “velho Mattos”, figura quase lendária, aos ciclos de prosperidade do café sob o comando de Manoel da Silva Motta e seu filho Lauro Motta, a propriedade já abrigou mais de 350 famílias e produziu milhares de arrobas por ano. Também guarda memórias difíceis: a escravidão, o tronco, a senzala, histórias de dor que resistem no silêncio das estruturas e nos relatos de antigos moradores como Ivan Linhares.

Há ainda as narrativas que atravessam o limite entre o real e o sensível,  passos na escada, sons na noite, lembranças que Ana Maria Motta, filha de Lauro, carrega desde a infância. E há a cruz à beira do caminho, memória de um escravo que, diante da violência, escolheu o fim. Ali, o tempo não passa. Apenas se transforma em lembrança.

Mas, entre todos os presentes naquele dia, havia alguém que parecia ouvir essas vozes com mais intensidade.

Ademir de Souza chegou não apenas como convidado, mas como quem atende a um chamado íntimo. Escritor, poeta, compositor e cantor, ele trouxe consigo mais do que talento,  trouxe saudade. Morador do Rio de Janeiro, encontrou naquelas terras não um lugar desconhecido, mas um território de pertencimento.

Seus olhos não viam apenas um museu recém-inaugurado. Viavam rastros. Ecos. Fragmentos de uma história que também era sua.

Ao caminhar pela fazenda, Ademir não apenas observava, ele reconhecia.

Há quem visite lugares. E há quem se reencontre neles.

Inspirado pela reflexão do bonjesuense Delton de Mattos, de que a vida humana é uma busca constante por suas origens - , Ademir transforma sua presença em gesto simbólico. Ele não veio apenas ver. Veio compreender. Veio sentir. Veio, sobretudo, lembrar.

E nesse movimento, silencioso e profundo, deixa uma lição que ultrapassa o evento, o museu e a própria fazenda: o ser humano só se realiza plenamente quando reconhece sua própria história,  aquela que veio antes, aquela que se vive agora e aquela que ainda será contada.

Na Velha Matinha, no meio de tonéis, memórias e sombras do passado, Ademir de Souza não apenas participou de uma inauguração.

Ele reencontrou a si mesmo.


Luciano de Souza Nunes recepcionou os visitantes 

Jailton da Penha foi o cerimonialista 












































Ana Maria Motta, filha de Lauro Motta: memória e rico acervo da Fazenda Mattinhos

Ivan Linhares foi administrador da Fazenda Mattinhos 


Fotos do Acervo de Ana Maria Motta










Fazenda Matinha: um tesouro histórico em Bom Jesus do Itabapoana