terça-feira, 31 de março de 2026

DR. JOSÉ ANDRADE: "em nome do Governo dos Açores, curvo-me perante a saudosa memória do nosso comum Padre Mello"

 

Dr José Andrade, Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores, à frente do busto de Padre Mello, no átrio da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus 

A visita de José Andrade, Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores, a Bom Jesus do Itabapoana, em 25 de julho de 2022, transcende o simples registro protocolar para se inscrever como um gesto carregado de memória, identidade e reencontro atlântico. 

Diante do busto do Padre António Francisco de Mello, no átrio da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus, o visitante micaelense, nascido em Ponta Delgada, pareceu encurtar séculos de travessia e saudade, religando simbolicamente duas margens de uma mesma herança cultural.

Intelectual prolífico, autor de obras como Açores no Mundo e Transatlântico, Andrade encarna a figura do “bonjesuista”, termo cunhado por Octacilio de Aquino, que define aqueles que, mesmo vindos de longe, adotam a terra com devoção afetiva. 

Nesse entrelaçar de histórias, emerge a consciência de um “Bom Jesus açoriano”, tecido por descendências, afetos e legados, onde nomes como Francisco Amaro Borba Gonçalves se somam à memória viva de Padre Mello, o “homem dos sete ofícios”, como o definiu Andrade. 

A evocação de sua chegada em 1899 e de sua entrega vital à cidade até 1947 reforça a dimensão quase mítica dessa figura que, nascida na freguesia da Achada, no concelho de Nordeste, tornou-se patrimônio espiritual do Vale do Itabapoana. 

Ao curvar-se, em nome do Governo dos Açores, diante dessa memória, José Andrade não apenas homenageia um conterrâneo ilustre, mas reafirma a cumplicidade fraterna entre os Açores e o Brasil, uma ponte viva de cultura, história e emoção que continua a dignificar e enobrecer ambos os lados do Atlântico.


DR. JOSÉ ANDRADE: "em nome do Governo dos Açores, curvo-me perante a saudosa memória do nosso comum Padre Mello"

As comemorações dos 160 anos de nascimento de Padre Mello assumem uma pertinente expressão de nossa partilhada açorianidade graças ao importante envolvimento da Casa dos Açores do Espírito Santo.

Sob a dinâmica do principal fundador Dr Nino Moreira Seródio, a CAES promove e acolhe a significativa visita do Grupo Folclórico Padre Tomás de Borba, da sua vizinha Casa dos Açores do Rio de Janeiro, que leva a cumplicidade fraterna da cultura açoriana ao Vale do Itabapoana neste final do mês de abril.

Desta forma se iluminam ainda mais os 160 anos de luz que evocam o legado marcante de Padre Antônio Francisco de Mello, açoriano da ilha de São Miguel, micaelense do concelho de Nordeste, nordestense da freguesia da Achada.

Aqui nasceu a 27 de abril de 1863, viajou ao Brasil em 1895 e, em 1899 se ficou em Bom Jesus do Itabapoana, a que dedicou meio século de sua vida e entregou sua morte a 13 de agosto de 1947.

Ali foi "homem dos sete ofícios" - sacerdote, empreendedor, escritor, poeta, historiador, compositor e professor - tornando-se figura maior da história local.

Isso mesmo testemunham com justificado orgulho o investigador Antônio Soares Borges e o editor Gino Borges Bastos também eles ligados à jovem Casa dos Açores do Espírito Santo.

Por tudo isso, em nome do Governo dos Açores, curvo-me perante a saudosa memória do nosso comum Padre Mello e felicito os promotores desta merecida homenagem a que assim gostosamente nos associamos.

Ponta Delgada, 24 de abril de 2023.

José Andrade 
Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores


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