terça-feira, 17 de março de 2026

Entre a dor e a esperança, Varre-Sai escreve sua história

 


No dia 13 de fevereiro de 2020, a cidade viveu um de seus momentos mais marcantes: a queda da querida MATRIZ DE SÃO SEBASTIÃO. Tudo indica que houve um enfraquecimento gradual até que no tempo de muita chuva, uma parte cedeu, provocando o desabamento. Neste dia o povo acorreu ao largo da matriz, olhando para cima em silêncio, como se não acreditasse. Eu estava lá, e custamos deixar o local em direção às nossas casas. 

Apesar da gravidade, não houve vítimas fatais, o que foi considerado quase um milagre pela população local.  Mas não foi apenas um desabamento e sim a perda de um espaço sagrado onde gerações viveram seus batizados, casamentos, primeiras missas de novos sacerdotes, missões da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, encontros, despedidas e orações.

O tempo passou, porem a fé permaneceu de pé.

E hoje, 17 de março de 2026, um novo capítulo começa a ser escrito. No mesmo chão onde tantas histórias foram vividas, foi lançada a pedra fundamental da nova matriz.

A cerimônia foi conduzida pelo bispo diocesano D. Roberto Francisco, ao lado do pároco Pe. Raphael Ferreira, reunindo a comunidade em um momento de profunda emoção e significado.

A celebração contou ainda com a participação do Coral Vozes da Esperança, da Secretaria de Assistência Social, que emocionou a todos ao cantar uma música composta pelo munícipe Paulo da Silva,  em um gesto de fé e solidariedade, incentivando doações para a construção da nova matriz.

Esse momento não marca apenas o início de uma obra, mas o renascimento de um dos maiores símbolos históricos, culturais e religiosos de Varre-Sai.

Eu estava lá e se Deus quiser, daqui a bem pouco tempo, a nova matriz estará erguida,  tão imponente como a primeira e será novamente o nosso principal marco histórico e mais significativo cartão postal de Varre-Sai, cidade em que vive um povo de muita fé e coragem. 

Pois, a matriz pode ter caído, mas a fé nunca caiu.

E agora, ela começa a se levantar novamente, mais forte, mais viva e carregada de esperança.

( Isabel Menezes - professora, historiadora e escritora)



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