Uma Obra-Prima que Não Morre
Há vídeos que não terminam quando a tela escurece. Há tintas que não secam nunca.
Em Rio Novo, Minas Gerais, o Atelier das Cores acendeu um pavio de memória. A obra-prima em questão não morre, ela renasce a cada pincelada de Fânia Ramos. Em óleo, ela não pintou apenas um homem: pintou um tempo inteiro. O glorioso Padre Mello nos encara da moldura como quem abençoa o futuro sem soltar o passado.
A batina, severa, é também manto. Os olhos, de quem viu sertão virar estrada, guardam a paciência dos rios. Rio Novo corre nas veias daquele retrato. E não é metáfora. Foi de lá que, em 1842, partiram pés descalços e botas portuguesas rumo ao desconhecido: Antônio José da Silva Neném, o português Manoel Gomes Alves e Manuel Monarca. Três nomes, três sangues, um mesmo destino, Bom Jesus do Itabapoana.
Desbravadores não descobrem apenas terras. Descobrem gente. E Padre Mello, imortalizado pela mão de Fânia, é a alma que costura essas duas cidades pelo fio invisível da fé e da coragem. O Atelier das Cores entendeu: homenagear é acender lamparinas no corredor do tempo.
O vídeo termina. A tela permanece.
Enquanto houver um menino de Rio Novo perguntando quem foi aquele padre, enquanto houver um velho em Bom Jesus contando de onde vieram seus avós, a obra-prima estará viva. Porque arte, quando é verdadeira, não morre. Ela só muda de moldura: da parede para o peito de quem vê.
E Padre Mello, entre o amarelo-ocre da tinta e o dourado da história, continua nos abençoando.
Glória aos que partem. Glória aos que ficam na memória. Glória aos que pintam.
Que interessante!
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