
No coração de um abril já marcado pela memória, o Instituto de Letras e Artes Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo (ILA), sob a presidência de Nísia Campos, escreveu mais um capítulo luminoso na história cultural de Bom Jesus.
No dia 25, o Espaço Cultural Luciano Bastos tornou-se palco de um acontecimento que transcendeu o tempo, integrando a programação do Mês de Padre Mello, com a presença de autoridades.
Com olhar atento e sensibilidade de quem garimpa memórias, Dra. Nísia revelou ao público uma relíquia até então envolta em silêncio: um quadro de Padre Mello, datado do início do século XX. A obra, guardada por décadas sob os cuidados de Maria Terezinha do Carmo Oliveira, sobrinha-neta do pároco açoriano, emergiu pela primeira vez à luz pública, gesto raro, carregado de emoção e significado. Foi um instante em que o passado encontrou o presente, selando um marco para o município.
Mas a noite ainda reservava outras descobertas. A convite da presidente, Cláudia Borges Bastos do Carmo, diretora do ECLB, trouxe à tona fragmentos da história do antigo Colégio Rio Branco. Amparada nas pesquisas do historiador Antônio Dutra, publicadas no jornal A Voz do Povo, revelou que o edifício foi erguido por José Carlos de Campos e que, por um período, serviu de morada ao próprio Padre Mello, detalhe que ressignifica o espaço como território de memória viva.
A mesa ganhou novos contornos com a apresentação do açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves, conduzido por Gino Martins Borges Bastos. Em seguida, o memorialista Antônio Borges teceu, com leveza e cadência, uma narrativa sobre Padre Mello, um relato que fluiu como conversa íntima, aproximando o público da figura homenageada. O padre Rogério Cabral Caetano esteve presente, abençoando a todos.
A música, fio invisível que costura emoções, ecoou pelas mãos de Luiz Fernando, do pianista Thadeu Almeida e da jovem promessa Luiza Columbine, de apenas 12 anos. Ao final, em um gesto coletivo de reverência, a plateia entoou o Hino do Colégio Rio Branco, composição integral de Padre Mello, que ali também fora mestre.
E, como toda história bem contada pede um desfecho à altura, a noite ainda revelou novas criações. Francisco Amaro apresentou, ao violão, a canção “Nobre Filho da Ciência e da Providência”, acompanhado ao piano por Thadeu Almeida, além de entregar a letra de outra obra, “Vitorioso Gênio”, dedicada ao pároco açoriano.
Assim, no meio de descobertas e harmonias, o evento reafirmou que a história não é estática: ela palpita, ressurge e se reinventa nas mãos daqueles que sabem escutá-la.
Porque, às vezes, não são apenas os caçadores que encontram os tesouros, são os próprios tesouros que escolhem ser encontrados.
NOBRE FILHO DA CIÊNCIA E DA PROVIDÊNCIA
Francisco Amaro Borba Gonçalves
Poema ao ilustríssimo Padre Antonio Francisco de Mello
“Baseado no Hino do Seminário de Angra do Heroísmo.” Ilha Terceira - Açores
Nobre, nobre Pade Mello
De alma e mente soberana;
Bom filho da Providência
De consagrada existência
Em Bom Jesus do Itabapoana.
Nos tempos de “São Vapor“
Em plena idade jovial
Partiu com os seus vigores
D’uma Ilha dos Açores:
São Miguel; terra natal!
REFRÃO Ultrapassou horizontes
E ao Brasil de Santa Cruz
Aportou cheio d’encanto
C’a Luz do Espírito Santo;
S’apaixonou por Bom Jesus.
Nobre, nobre Padre Mello
Tua história não engana;
Astro de Cristo Senhor,
Digno de grande louvor
Em Bom Jesus do Itabapoana
REFRÃO
Letra e Melodia de Francisco Amaro Borba Gonçalves 13/08/2019
Vitorioso Gênio
Francisco Amaro Borba Gonçalves
"Soneto a um tesouro histórico"
Depois que bons cidadãos o pesquisaram,
Espalharam o seu nome e a grande arte;
Legado que em Bom Jesus, belo estandarte,
Fascínio de um “tesouro” que descobriram.
Depois de o sabê-lo, o admiraram
A quem de tão longe veio a esta parte
Que a Camões há um um pouco comparar-te;
Gênio de muitos que se civilizaram
Sem os tais acidentes da taprobana,
Por mares, por Cabral, ora navegados
Emigrou de sua terra açoriana
Com os Dons do Divino sempre lembrados;
Páraco de uma Fé que em Deus se emana
Muito fez em Bom Jesus do Itabapoana.
“No Brasil, terra sul-Americana
S’apaixonou por Bom Jesus do Itabapoana.
Como se fosse em sua terra Lusitana
Se dedicou ao Vale do Itabapoana.
Tradições de sua terra Açoriana
Enraizou na Região do Itabapoana.
S’empenhou em sua Missão Paroquiana
Em Varre-Sai e em Bom Jesus do Itabapoana..”
Letra e música de autoria de Francisco Amaro Borba Gonçalves
Concluído em 14/04/2026
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