domingo, 26 de abril de 2026

ILA e a Noite que Entrou para a História

 



No coração de um abril já marcado pela memória, o Instituto de Letras e Artes Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo (ILA), sob a presidência de Nísia Campos, escreveu mais um capítulo luminoso na história cultural de Bom Jesus.

No dia 25, o Espaço Cultural Luciano Bastos tornou-se palco de um acontecimento que transcendeu o tempo, integrando a programação do Mês de Padre Mello, com a presença de autoridades.

Com olhar atento e sensibilidade de quem garimpa memórias, Dra. Nísia revelou ao público uma relíquia até então envolta em silêncio: um quadro de Padre Mello, datado do início do século XX. A obra, guardada por décadas sob os cuidados de Maria Terezinha do Carmo Oliveira, sobrinha-neta do pároco açoriano, emergiu pela primeira vez à luz pública, gesto raro, carregado de emoção e significado. Foi um instante em que o passado encontrou o presente, selando um marco para o município.

Mas a noite ainda reservava outras descobertas. A convite da presidente, Cláudia Borges Bastos do Carmo, diretora do ECLB, trouxe à tona fragmentos da história do antigo Colégio Rio Branco. Amparada nas pesquisas do historiador Antônio Dutra, publicadas no jornal A Voz do Povo, revelou que o edifício foi erguido por José Carlos de Campos e que, por um período, serviu de morada ao próprio Padre Mello, detalhe que ressignifica o espaço como território de memória viva.

A mesa ganhou novos contornos com a apresentação do açoriano Francisco Amaro Borba Gonçalves, conduzido por Gino Martins Borges Bastos. Em seguida, o memorialista Antônio Borges teceu, com leveza e cadência, uma narrativa sobre Padre Mello, um relato que fluiu como conversa íntima, aproximando o público da figura homenageada. O padre Rogério Cabral Caetano esteve presente, abençoando a todos.

A música, fio invisível que costura emoções, ecoou pelas mãos de Luiz Fernando, do pianista Thadeu Almeida e da jovem promessa Luiza Columbine, de apenas 12 anos. Ao final, em um gesto coletivo de reverência, a plateia entoou o Hino do Colégio Rio Branco, composição integral de Padre Mello, que ali também fora mestre.

E, como toda história bem contada pede um desfecho à altura, a noite ainda revelou novas criações. Francisco Amaro apresentou, ao violão, a canção “Nobre Filho da Ciência e da Providência”, acompanhado ao piano por Thadeu Almeida, além de entregar a letra de outra obra, “Vitorioso Gênio”, dedicada ao pároco açoriano.

Assim, no meio de descobertas e harmonias, o evento reafirmou que a história não é estática: ela palpita, ressurge e se reinventa nas mãos daqueles que sabem escutá-la.

Porque, às vezes, não são apenas os caçadores que encontram os tesouros, são os próprios tesouros que escolhem ser encontrados.



NOBRE FILHO DA CIÊNCIA E DA PROVIDÊNCIA

Francisco Amaro Borba Gonçalves 

Poema ao ilustríssimo Padre Antonio Francisco de Mello

“Baseado no Hino do Seminário de Angra do Heroísmo.” Ilha Terceira - Açores

Nobre, nobre Pade Mello

De alma e mente soberana;

Bom filho da Providência

De consagrada existência

Em Bom Jesus do Itabapoana.

​                Nos tempos de “São Vapor“

                Em plena idade jovial

                Partiu com os seus vigores

                D’uma Ilha dos Açores:

                São Miguel; terra natal!

REFRÃO Ultrapassou horizontes

                E ao Brasil de Santa Cruz

                Aportou cheio d’encanto

                C’a Luz do Espírito Santo;

                S’apaixonou por Bom Jesus.

​Nobre, nobre Padre Mello

Tua história não engana;

Astro de Cristo Senhor,

Digno de grande louvor

Em Bom Jesus do Itabapoana

REFRÃO

Letra e Melodia de Francisco Amaro Borba Gonçalves 13/08/2019



Vitorioso Gênio

Francisco Amaro Borba Gonçalves 

"Soneto a um tesouro histórico"


​Depois que bons cidadãos o pesquisaram,

Espalharam o seu nome e a grande arte;

Legado que em Bom Jesus, belo estandarte,

Fascínio de um “tesouro” que descobriram.

​Depois de o sabê-lo, o admiraram

A quem de tão longe veio a esta parte

Que a Camões há um um pouco comparar-te;

Gênio de muitos que se civilizaram

​Sem os tais acidentes da taprobana,

Por mares, por Cabral, ora navegados

Emigrou de sua terra açoriana

​Com os Dons do Divino sempre lembrados;

Páraco de uma Fé que em Deus se emana

Muito fez em Bom Jesus do Itabapoana.

​“No Brasil, terra sul-Americana

S’apaixonou por Bom Jesus do Itabapoana.

​Como se fosse em sua terra Lusitana

Se dedicou ao Vale do Itabapoana.

​Tradições de sua terra Açoriana

Enraizou na Região do Itabapoana.

​S’empenhou em sua Missão Paroquiana

Em Varre-Sai e em Bom Jesus do Itabapoana..”

Letra e música de autoria de Francisco Amaro Borba Gonçalves

Concluído em 14/04/2026


 


































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