sábado, 9 de maio de 2026

O Dia da Poesia Bonjesuense e Isac Nascimento: Guardião da Memória Bonjesuense


No Dia da Poesia Bonjesuense, em 3 de maio, quando as palavras floresciam no Espaço Cultural Luciano Bastos como rosas antigas renascendo na memória da cidade, houve um homem que não se sentou para receber aplausos. Enquanto os poetas eram celebrados, enquanto a lembrança de Elcio Xavier, o eterno Príncipe dos Poetas, iluminava os corredores da sensibilidade, Isac Nascimento permanecia de pé, atrás de sua câmera, recolhendo instantes para entregá-los ao tempo.

Seu ofício era invisível e, justamente por isso, grandioso. Enquanto muitos brilhavam diante das luzes, ele transformava luz em permanência. Não podia permitir que os telespectadores da TV Alcance ficassem sem testemunhar a beleza daquela tarde. Havia em seus gestos silenciosos a nobreza dos que compreendem que registrar a cultura também é construir eternidade.

Isac não apenas filma. Ele salva emoções do esquecimento. Sua câmera não captura somente imagens; recolhe suspiros, lágrimas discretas, aplausos, esperanças e aquilo que nenhuma lente comum alcança: a alma de um povo. Em cada enquadramento, há o compromisso de quem ama profundamente Bom Jesus e entende que a memória é um patrimônio sagrado.

Por isso, quando Rogério Loureiro Xavier, filho de Elcio, e a jovem Beatriz Magalhães, presidente da ABIJAL, Academia Bonjesuense Infantojuvenil de Artes e Letras lhe entregaram a honraria, o gesto ultrapassou a formalidade. Era o passado e o futuro apertando as mãos do presente. Duas gerações reconhecendo naquele homem a continuidade da chama cultural que nunca deve se apagar.

Há pessoas que ocupam palcos. Há outras que sustentam os palcos para que a arte não desabe. Isac pertence a essa linhagem rara. Sua trajetória na Rádio Nova Cultura, na TV Alcance e no Alcancy Áudio Estúdio tornou-se mais do que trabalho: converteu-se em missão. Ele abre caminhos, revela talentos, ilumina vozes esquecidas e faz do som uma ponte entre as pessoas e suas raízes.

Como Elcio Xavier fez com a poesia, Isac faz com a imagem e a palavra falada: semeia permanência. Onde muitos enxergam apenas rotina, ele percebe histórias. Onde outros veem ruínas, ele encontra memória palpitando. Sua arte é feita de resistência delicada, dessa coragem silenciosa de preservar o que o tempo insiste em levar.

O Certificado de Honra e Louvor recebido naquela noite não foi apenas um reconhecimento institucional. Foi um abraço coletivo da cidade em um de seus guardiões mais sensíveis. Porque Isac Nascimento pertence à categoria dos homens que compreendem que cultura não é ornamento, é identidade, é abrigo, é esperança anunciando um novo amanhã.

E talvez seja esta sua maior grandeza: enquanto filma os sonhos dos outros, ele próprio se transforma em parte eterna do sonho de Bom Jesus do Itabapoana.




















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