quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O Cine Monte Líbano renasce: a memória que volta a iluminar Bom Jesus

 


Depois de 37 anos de silêncio, o histórico cinema construído pelo imigrante libanês Merhige Hanna Saad volta a alimentar o sonho de uma cidade. O prédio será transformado em um grande centro cultural pela UniFAMESC.

Há notícias que simplesmente chegam. E há notícias que fazem uma cidade inteira voltar a sonhar.

Foi assim que Bom Jesus do Itabapoana recebeu, com emoção e euforia, o anúncio feito pelo prefeito Paulo Sérgio Cyrillo, por ocasião da abertura da Exposição do Parque de Exposição da CAVIL: o histórico Cine Monte Líbano, símbolo de uma época de esplendor cultural e arquitetônico do município, será retomado.

Construído pelo libanês Merhige Hanna Saad, o imponente edifício, com capacidade para cerca de mil pessoas, marcou profundamente a paisagem e a vida cultural de Bom Jesus. Agora, depois de décadas de silêncio, suas portas poderão voltar a se abrir para a arte, para a música, para o teatro, para a literatura e para os encontros que fazem uma comunidade reconhecer a própria alma.

A UniFAMESC, que adquiriu o prédio, pretende transformar o espaço em um grande centro cultural. A notícia representa muito mais do que a recuperação de uma construção histórica: significa a possibilidade de devolver à cidade um de seus mais preciosos lugares de memória.

Inaugurado em 14 de agosto de 1950, o Cine Monte Líbano foi, à época, uma obra extraordinária. Sua arquitetura impressionava pela beleza e pela grandiosidade. Com aproximadamente mil lugares, nada devia aos melhores teatros da então capital da República. Foi um verdadeiro templo da cultura no coração do Vale do Itabapoana.

Ali passaram grandes nomes do teatro e da música brasileira. Ali gerações se encontraram diante das luzes do palco, das telas do cinema e da emoção compartilhada de uma plateia. Durante décadas, o Monte Líbano não foi apenas um prédio: foi cenário de sonhos.

Sua construção teria representado, à época, um investimento estimado em CR$ 3 milhões, uma cifra que revela a dimensão da ousadia de seu idealizador e a importância que a cultura e a arquitetura assumiam naquele momento da história de Bom Jesus.

Mas o tempo, implacável, também escreveu capítulos de silêncio.

Em 1989, o cinema encerrou suas atividades. Desde então, o imenso espaço permaneceu mergulhado em uma espécie de espera. Foram 37 anos de portas fechadas, enquanto a memória de quem viveu seus dias gloriosos permanecia viva no coração dos bonjesuenses.

Em 2002, foi protocolado junto à Secretaria Estadual de Cultura o pedido de tombamento do Cine Monte Líbano e, em 19 de novembro daquele ano, o tombamento provisório foi publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro pelo INEPAC - Instituto Estadual do Patrimônio Cultural.

Agora, o velho cinema parece finalmente ouvir novamente o rumor da vida.

A retomada do Monte Líbano chega em um momento especialmente simbólico. Bom Jesus atravessa um período de crescente valorização de sua memória, de sua história e de seu patrimônio cultural. Museus, memoriais, exposições, festivais, projetos literários e iniciativas de preservação vêm ajudando a reconstruir os fios de uma identidade que jamais deixou de existir.

E o Monte Líbano chega para ampliar esse movimento.

Mais do que restaurar paredes, janelas, corredores e o grande espaço destinado ao público, será preciso restaurar uma emoção coletiva.

Patrimônio não é somente aquilo que sobrevive ao tempo. Patrimônio é aquilo que consegue fazer o tempo sobreviver dentro de nós.

E o Cine Monte Líbano guarda muito tempo.

Guarda os passos daqueles que chegaram para assistir a um espetáculo. Guarda o brilho nos olhos de crianças diante da tela. Guarda os aplausos, os encontros, os namoros, as conversas na saída, os artistas que passaram por seu palco e as famílias que fizeram daquele lugar parte de suas próprias histórias.

Por isso, quando suas luzes voltarem a se acender, não será apenas um prédio histórico que estará iluminado.

Será a memória de Bom Jesus.

Será o legado libanês que ajudou a construir a cidade. Será a arquitetura encontrando novamente a arte. Será o passado oferecendo suas mãos ao futuro.

E essa será a mais bonita imagem desta retomada: um cinema que ficou 37 anos em silêncio preparando-se para voltar a ouvir os aplausos de uma nova geração.

Bom Jesus está eufórica, e tem motivos para estar.

Algumas cidades preservam seus monumentos.

Bom Jesus tem agora a oportunidade de fazer algo ainda maior: devolver vida ao seu monumento.

Que o Monte Líbano renasça.

Que suas portas se abram novamente.

Que a luz volte à tela.

Que a música volte ao palco.

Que a cultura volte a ocupar cada canto daquele templo.

E que, na noite de sua reabertura, quando as primeiras luzes se acenderem e a primeira plateia voltar a ocupar seus lugares, Bom Jesus possa olhar para aquele edifício e dizer, com orgulho e emoção:

“O nosso Monte Líbano voltou.”


O prefeito Paulo Sérgio Cyrillo anunciou a retomada do Cine Monte Líbano, um dos mais belos e emblemáticos símbolos da história cultural de nossa cidade



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