quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Volkswagen, Casa e 200 Mil Dólares: o Prêmio da Glória para os Campeões do Uzbequistão

 

Quando um país reconhece seus heróis



Eis o prêmio: 200 mil dólares, um automóvel Volkswagen e uma casa para cada campeão de xadrez do Uzbequistão.

Mas o verdadeiro prêmio talvez não caiba em cofres, garagens ou escrituras. Ele está no gesto de uma nação que sabe reconhecer aqueles que, diante de um tabuleiro, carregaram sua bandeira até o lugar mais alto do mundo.

O presidente Shavkat Mirziyoyev recebeu e condecorou os vencedores da Olimpíada de Xadrez de 2026, concedendo-lhes títulos honoríficos. Não eram apenas jovens enxadristas que caminhavam diante do chefe de Estado. Eram os filhos de uma terra que aprendeu a enxergar, nas 64 casas do tabuleiro, um caminho para o conhecimento, a disciplina e a grandeza.

Cada automóvel entregue parecia conduzir consigo uma mensagem: sigam adiante.

Cada casa oferecida simbolizava o abrigo reservado aos heróis.

E cada parcela do prêmio em dinheiro representava o reconhecimento pelas incontáveis horas de estudo, pelas noites de preparação, pelas derrotas silenciosamente suportadas e pelas vitórias construídas lance após lance.

No Uzbequistão, o xadrez deixou de ser apenas um jogo. Tornou-se patrimônio afetivo, instrumento de educação e motivo de orgulho nacional. Ali, os enxadristas não regressaram da Olimpíada escondidos no anonimato. Foram recebidos como campeões, condecorados publicamente e apresentados às novas gerações como exemplos.

Está aí a grande lição: uma nação cresce quando aprende a valorizar a inteligência de seus filhos.

Os campeões conquistaram 200 mil dólares, um Volkswagen e uma casa. O Uzbequistão, porém, conquistou algo ainda maior: o sonho de milhares de crianças que agora olham para um tabuleiro e compreendem que, por meio do estudo, do talento e da perseverança, também poderão escrever seus nomes na história.

Quando um país honra seus mestres do xadrez, não celebra somente uma medalha. Celebra a inteligência, prepara o futuro e proclama ao mundo que seus verdadeiros heróis também sabem vencer em silêncio.



Parabéns, Rodolfo, o guardião da palavra impressa!

 

No dia 30 de setembro, quando se celebra o Dia do Jornaleiro, existem nomes que merecem ser pronunciados com respeito, gratidão e ternura. Entre eles está o de Rodolfo Graziano Sinforoso, guardião de uma das mais emblemáticas bancas de jornais da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Há décadas, a Banca do Rodolfo permanece firme, como uma pequena fortaleza da cultura em meio ao movimento incessante da cidade. Ao redor, os automóveis passam, as pessoas se apressam, as paisagens se transformam e as notícias migram para as telas. Mas Rodolfo continua ali, fiel ao papel, à palavra e ao antigo ritual de abrir um jornal como quem abre uma janela para o mundo.

Sua banca não é apenas um ponto comercial. É um santuário da leitura, um lugar onde o tempo parece conversar com a memória. Em suas prateleiras repousam histórias, ideias, sonhos, denúncias, esperanças e fragmentos da vida cotidiana. Cada jornal entregue por suas mãos leva consigo muito mais do que notícias: leva conhecimento, consciência e a possibilidade de compreender um pouco melhor o mundo.

Rodolfo pertence a essa valorosa linhagem de homens que ajudaram as cidades a despertar. Antes que o sol iluminasse inteiramente as calçadas, os jornaleiros já estavam em seus postos, organizando os exemplares ainda perfumados pela tinta fresca. Eram eles os primeiros mensageiros da manhã, aqueles que colocavam nas mãos do povo os acontecimentos da véspera e as inquietações do novo dia.

Ao lado de sua esposa, Rosemery Fernandes da Costa Moreira, companheira de vida e de caminhada, Rodolfo mantém acesa essa chama. Juntos, fazem da banca um espaço de acolhimento, encontro e resistência cultural. Ali, os leitores não encontram apenas publicações: encontram atenção, cordialidade e o calor humano que nenhuma tecnologia consegue substituir.

Para nós, do jornal O Norte Fluminense, há ainda uma emoção especial: graças à feliz iniciativa de Francisco Amaro Borba Gonçalves, nosso jornal também encontrou abrigo na Banca do Rodolfo. Assim, a voz de Bom Jesus do Itabapoana atravessa caminhos, vence distâncias e ecoa em terras cariocas, chegando aos leitores da Tijuca pelas mãos cuidadosas de quem compreende o valor da imprensa e da memória.

Cada exemplar de O Norte Fluminense exposto em sua banca representa uma ponte entre o interior e a capital, entre nossas raízes e novos horizontes. É como se um pedaço de Bom Jesus repousasse, por alguns instantes, no coração do Rio de Janeiro, esperando o olhar atento de um leitor.

Neste 30 de setembro, nossa homenagem alcança Rodolfo Graziano Sinforoso com a força de um abraço agradecido. Celebrá-lo é celebrar todos aqueles que, mesmo diante das mudanças do tempo, continuam acreditando na palavra impressa. É reconhecer um homem que fez de sua banca não apenas um ofício, mas uma missão.

Parabéns, Rodolfo! Que a Banca do Rodolfo continue, por muitas décadas, sendo esse farol de cultura, informação e memória no coração da Tijuca. E que suas mãos, marcadas pelo trabalho e pela dedicação, jamais deixem de espalhar pelas ruas a mais luminosa de todas as notícias: a leitura continua viva!





TG de Bom Jesus do Itabapoana realiza, pelo segundo ano consecutivo, viagem de instrução a importantes Organizações Militares do Exército

 




Entre os dias 14 e 18 de setembro, o Tiro de Guerra (TG) de Bom Jesus do Itabapoana promoveu, pelo segundo ano consecutivo, uma grande viagem de instrução. A iniciativa levou os atiradores a conhecerem algumas das mais importantes e emblemáticas Organizações Militares do Exército Brasileiro.

O roteiro, cuidadosamente planejado pelo Subtenente Thiago Magalhães, Chefe do TG, incluiu a tradicional Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ); a 11ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada, em Pindamonhangaba (SP); e a Base de Aviação do Exército, em Taubaté (SP). Nessas visitas, os atiradores puderam observar de perto a rotina dos cadetes, a tecnologia da aviação militar e a operacionalidade das viaturas blindadas Guarani. Além disso, participaram de instruções que, por limitações de infraestrutura e equipamentos, não poderiam ser realizadas na sede do TG.

Para além do aprendizado militar, a jornada proporcionou momentos inesquecíveis de ampliação cultural, integração e fortalecimento espiritual. Os atiradores visitaram o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida (SP), onde assistiram a uma missa, e desfrutaram de um passeio por Campos do Jordão (SP). Essa programação, ao ampliar a visão de mundo dos jovens, consolida-se como um importante fator motivacional dentro do Serviço Militar Obrigatório.

O sucesso da viagem foi viabilizado pelo prestígio institucional do ST Thiago Magalhães, pela parceria com empresas locais e pelo apoio da 1ª Região Militar e do Comando da 11ª Cia E Cmb Mec, que forneceu alojamento, alimentação e suporte logístico para as diversas instruções.


Relato de um atirador


[Ao saber da viagem, minha primeira reação foi de grande satisfação. Um atirador de uma cidade menor dificilmente tem, ao longo do ano, acesso a experiências militares e cívicas tão marcantes quanto as de um soldado de um grande centro. Imaginei, de imediato, a quantidade de aprendizados que a viagem traria ao meu repertório e como isso ampliaria ainda mais meu conhecimento sobre o Exército.

Destaco a competência e o profissionalismo do nosso Chefe de Instrução, o Subtenente Thiago Magalhães, que realizou pelo menos cinco reuniões preparatórias para cada etapa do Pedido de Cooperação de Instrução (PCI), cuja logística era complexa e delicada.

A Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) foi a visita que mais me marcou. Por ser o berço do oficialato do Exército Brasileiro, estar ali foi, para mim, um privilégio sem igual. O mesmo vale para a nossa estadia na 11ª Cia E Cmb Mec e para as instruções ministradas pelos diversos instrutores, com os quais aprendi muito sobre disciplina, espírito de corpo e armamento, áreas em que o rigor das regras se une à eficiência do treinamento. Também pude observar a diversidade cultural e social de um grande quartel em outra região do país, percebendo sotaques e expressões próprias que ampliaram nossa visão de mundo.

No conjunto, a viagem significou muito para mim. Aprendi que a busca pela excelência profissional não é uma opção nas Forças Armadas, mas uma regra clara e rigorosa. Aprendi, ainda, que é possível alcançar grandes objetivos e evoluir, independentemente de cultura, raça ou etnia, seja entre militares ou civis.]

-  Atirador/Monitor Brazil TG de Bom Jesus do Itabapoana

Esse êxito reflete a sólida conexão que o Tiro de Guerra mantém com a sociedade bonjesuense, vínculo fortalecido sob a chefia do Subtenente Thiago Magalhães. Bonjesuense nato, ele conhece profundamente a realidade local e exerce um papel transformador à frente da instituição. Sua liderança pelo exemplo e seu carisma são notórios, conquistando o respeito de seus comandados e inserindo os atiradores de forma ativa na comunidade.

Hoje, o TG é um parceiro vital do município. A instituição apoia a Defesa Civil, coopera com as escolas locais e fortalece o terceiro setor, auxiliando a APAE, igrejas e centros de assistência social. A presença solidária do ST Thiago Magalhães e dos atiradores também é constante em creches, asilos e hospitais, seja no suporte a eventos, seja no engajamento em ações sociais, como doações de sangue e campanhas de arrecadação.

O resultado são atiradores mais conscientes e disciplinados, que ostentam com orgulho os valores do civismo, do patriotismo e da solidariedade.










O Norte Fluminense homenageia Jorge e Nara, os jornaleiros de Bom Jesus


Na Praça Governador Portela, a notícia encontra o povo



Neste 30 de setembro, Dia do Jornaleiro, o jornal O Norte Fluminense, representado por André Luiz de Oliveira, entregou um certificado de reconhecimento aos jornaleiros bonjesuenses Jorge de Araújo Sampaio e Nara Pimentel do Carmo Sampaio, em homenagem à dedicação com que mantêm viva, em Bom Jesus do Itabapoana, uma das mais tradicionais e importantes profissões ligadas à comunicação.

Durante gerações, o jornaleiro ajudou o Brasil a despertar. Antes que a notícia coubesse na tela de um telefone e atravessasse o mundo em poucos segundos, ela precisava de mãos, passos e vozes. Precisava de alguém que a carregasse pelas ruas, enfrentando o frio das madrugadas, o calor das calçadas e a pressa das cidades.

O jornaleiro era o primeiro mensageiro do dia.

Muito cedo, quando as janelas ainda permaneciam fechadas e a cidade começava lentamente a respirar, ele já estava de pé. Recebia os jornais ainda perfumados pela tinta fresca, organizava os exemplares e saía para anunciar aquilo que o mundo havia vivido enquanto os outros dormiam.

Seu grito atravessava praças, esquinas e avenidas:

- Olha o jornal! As notícias do dia!

A profissão teria surgido no Brasil há cerca de 150 anos. Nos primeiros tempos, a distribuição era realizada por negros escravizados, que percorriam as ruas anunciando as principais manchetes para despertar a atenção dos transeuntes. Em 1858, A Atualidade tornou-se o primeiro jornal vendido avulsamente no país.
Era a notícia deixando os salões e as assinaturas particulares para encontrar o povo nas ruas.

No início do século XX, alguns jornaleiros passaram a utilizar cavalos, encurtando distâncias e acelerando a circulação das informações. Homem e animal atravessavam as ruas levando notícias políticas, fatos policiais, anúncios comerciais, acontecimentos esportivos e histórias da vida cotidiana.

Cada exemplar entregue de mão em mão parecia conter um pedaço do mundo.
Muitos jornaleiros eram imigrantes italianos. Inicialmente, acomodavam os periódicos sobre caixotes cobertos por tábuas. Foi o italiano Carmine Labanca, no Rio de Janeiro, quem construiu um dos primeiros pontos fixos destinados à venda de jornais. De seu sobrenome teria nascido a palavra “banca”, que atravessou o tempo e se incorporou definitivamente ao vocabulário das cidades brasileiras.

Os caixotes ganharam estruturas de madeira. Mais tarde, sobretudo a partir da década de 1950, surgiram as bancas de metal. Algumas cresceram, receberam iluminação, ventilação, pisos revestidos e novas mercadorias. Apesar das transformações, continuaram guardando sua essência: eram pequenas casas da palavra, vitrines abertas para o conhecimento e pontos de encontro entre leitores.

Na banca, comprava-se muito mais do que papel.

Comprava-se o jornal que ajudava a compreender a política; a revista que mostrava lugares distantes; a publicação esportiva que alimentava paixões; o gibi que despertava a imaginação das crianças; e a coleção que, semana após semana, construía pequenas bibliotecas dentro dos lares.

Houve um tempo, porém, em que muitos desses mensageiros eram meninos. Para vender mais exemplares, caminhavam pelas ruas até altas horas e, não raramente, dormiam nas calçadas. Foi para acolhê-los que surgiu, em 1940, a Casa do Pequeno Jornaleiro, principal projeto da Fundação Darcy Vargas.

A instituição oferecia abrigo noturno e permitia que aqueles jovens frequentassem aulas e cursos profissionalizantes sem abandonar imediatamente o trabalho que lhes assegurava a sobrevivência. Com o advento do Estatuto da Criança e do Adolescente, em 1990, sua missão foi transformada, passando a oferecer reforço escolar e atividades complementares às crianças e aos adolescentes.

Até as palavras guardam a memória dessa profissão.

“Jornal” deriva do latim diurnalis, ligado ao dia e ao registro cotidiano dos acontecimentos. O “gazeteiro”, como também era chamado o vendedor de jornais, acabou emprestando seu nome ao estudante que faltava às aulas para permanecer diante das bancas, encantado com jornais e revistas. E “gazeta” remonta à gazetta, antiga moeda veneziana relacionada ao preço das primeiras publicações.

Assim, a história do jornaleiro também permanece escrita na língua que falamos.

Uma homenagem aos jornaleiros de Bom Jesus

Em Bom Jesus do Itabapoana, essa tradição permanece viva pelas mãos de Jorge de Araújo Sampaio e Nara Pimentel do Carmo Sampaio, que há quatro anos exercem seu ofício na Praça Governador Portela, coração da cidade.

Ali, por onde diariamente passam trabalhadores, estudantes, aposentados, visitantes e famílias, Jorge e Nara mantêm aberta uma pequena janela para o mundo. A praça muda de luz, as árvores acompanham as estações e as pessoas atravessam seus caminhos apressadamente. Eles, contudo, permanecem em seu posto, acolhendo os leitores com atenção, cordialidade e dedicação.

Jorge e Nara não entregam apenas jornais e revistas. Entregam informação, cultura e conhecimento. Em cada publicação colocada nas mãos de um leitor, ajudam a preservar o antigo e precioso hábito da leitura impressa: esse encontro silencioso entre os olhos, o papel e o pensamento.

Sua presença na Praça Governador Portela já integra a paisagem humana e afetiva de Bom Jesus do Itabapoana. Eles testemunham o despertar da cidade, acompanham seu movimento cotidiano e ajudam a manter viva uma profissão que atravessou gerações e resistiu a profundas mudanças tecnológicas.
Hoje, as notícias chegam instantaneamente. As manchetes iluminam pequenas telas antes mesmo que o sol alcance as janelas. Muitas bancas desapareceram, e o silêncio ocupou esquinas onde antes havia vozes, conversas e páginas sendo folheadas.

Nenhuma tecnologia, entretanto, apagará a importância daqueles que fizeram, e ainda fazem, a informação circular.

O jornaleiro não vende apenas jornais. Ele distribui consciência, cultura, imaginação e cidadania. É testemunha das transformações de sua cidade, conhece seus leitores e sabe qual publicação cada um espera. Em sua banca, o cotidiano encontra a história; e a história, ainda guardada no papel, passa de suas mãos para as mãos do povo.

Neste 30 de setembro, a homenagem de O Norte Fluminense alcança todos os jornaleiros do Brasil, mas repousa especialmente sobre Jorge de Araújo Sampaio e Nara Pimentel do Carmo Sampaio, dignos representantes dessa valorosa profissão em Bom Jesus do Itabapoana.

Que a Praça Governador Portela continue sendo não apenas o coração geográfico da cidade, mas também o lugar onde a notícia, a leitura e a amizade se encontram.







Italian Music


 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

The Four Preps


 

UM ABRAÇO APERTADINHO... por Rogério Loureiro Xavier

 


Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.


*UM ABRAÇO APERTADINHO...*


Abraço...

É demonstração de afeto, carinho e muito amor. É saudade e lágrima, mas também é calor. Abraço é amar, é querer aconchego. É sentir um amigo com todo o seu apego. Podemos abraçar uma causa, uma pessoa. Abraço é abraço: É cingir e cercar, é não sentir espaço. Abraçar uma causa é o que nos faz sentir que quem luta acredita e nunca irá desistir. Abraçar uma criança é transmitir-lhe carinho, é dizer-lhe com os braços que nunca estará sozinho. Abraçar um amigo com toda a fraternidade é como dizer estou aqui! Para a toda a eternidade. Abraçar um grande amor com toda a compreensão é desatar todos os nós e fazer laço de união. Vamos assim abraçar uma criança, uma causa, um amigo e o nosso amor? Custa tão pouco abraçar... Acredita, não dá dor!


*“Se pudéssemos ter consciência do quanto a nossa vida é passageira talvez pensássemos duas vezes antes de deixar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes!”*


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

Kaliningrado: uma ilha de terra cercada pela História

 



Existem lugares que pertencem a um país, mas parecem viver separados de sua própria pátria. Kaliningrado é um deles: fragmento da Rússia lançado às margens do Mar Báltico, entre a Polônia e a Lituânia, como uma ilha de terra cercada não pelas águas, mas pelas fronteiras e inquietações da História.

Antes de se chamar Kaliningrado, foi Königsberg. Em suas ruas antigas, erguidas à sombra de muralhas e torres, caminhou Immanuel Kant, o filósofo que perscrutou os limites da razão e jamais precisou viajar para encontrar a vastidão do mundo. Talvez nenhuma cidade pudesse representar melhor as contradições humanas: ali, onde um homem procurou compreender a paz, os séculos acumularam guerras, conquistas e despedidas.

Fundada em 1255 pela Ordem Teutônica, Königsberg tornou-se o coração da Prússia Oriental e um importante centro da cultura alemã. Mas a Segunda Guerra Mundial passou sobre ela como uma tempestade de ferro. Ao final do conflito, a cidade foi conquistada pelo Exército Vermelho e incorporada à União Soviética. Em 1946, recebeu outro nome: Kaliningrado. A antiga população alemã partiu de sua terra natal, enquanto novos habitantes soviéticos chegaram para ocupar casas que ainda guardavam as sombras, os objetos e os silêncios daqueles que haviam partido.

Mudaram-se os nomes das ruas, as bandeiras e a língua. Entretanto, as pedras permaneceram. E as pedras, quando sobrevivem aos homens, tornam-se testemunhas.

Hoje, Kaliningrado é uma sentinela russa no coração da Europa Oriental. Seu porto de Baltiysk, livre do gelo no inverno, abriga a Frota do Báltico. Navios, radares e instalações militares convivem com os vestígios de igrejas, fortalezas e ruínas de outro tempo. Próximo dali encontra-se o estratégico Corredor de Suwałki, estreita faixa territorial observada com apreensão por estrategistas e governos.

Tudo em Kaliningrado parece carregar um duplo significado. O mar tanto aproxima quanto separa. O porto pode ser abrigo ou ameaça. As fronteiras protegem, mas também aprisionam. A cidade pertence à Rússia, embora esteja fisicamente apartada dela; situa-se na Europa, mas vive sob o peso de uma permanente tensão entre o Oriente e o Ocidente.

Talvez Kaliningrado seja mais do que um território estratégico. É uma metáfora do próprio mundo: habitamos o presente, mas continuamos cercados pelas decisões do passado. Sob os edifícios modernos repousam os alicerces de Königsberg; sob o nome russo ainda palpita a memória prussiana; sob a aparente tranquilidade do Báltico movem-se correntes profundas, invisíveis aos olhos apressados.

No céu de Kaliningrado, as gaivotas atravessam as fronteiras sem apresentar passaporte. Voam sobre navios de guerra, monumentos soviéticos e antigas construções alemãs, indiferentes aos mapas desenhados pelos homens.

Naquele pedaço de terra a História nunca terminou de passar.

Muchacho e o saxofone que fala à alma


Muchacho pertence ao grupo dos raros músicos que não apenas tocam: conversam com o silêncio, despertam lembranças e fazem o coração acompanhar cada nota.

Sob as luzes azuis do palco, o saxofone reluz em suas mãos como se fosse feito de ouro e luar. Muchacho se inclina suavemente sobre o instrumento e, por alguns instantes, o mundo ao redor desaparece. Permanecem apenas o músico, a respiração e aquela voz metálica e aveludada que nasce do peito antes de ganhar os caminhos da música.

Cada nota parece carregar uma história. Há nela o rumor das noites festivas, o encanto dos antigos bailes, a emoção dos reencontros e a saudade daqueles que partiram, mas continuam vivendo nas canções. O saxofone ora canta, ora chora, ora se eleva alegremente, como se soubesse traduzir todos os sentimentos que as palavras não conseguem alcançar.

Muchacho toca com a serenidade de quem conhece os segredos da música. Seus dedos percorrem as chaves do instrumento, enquanto a melodia se espalha pelo ambiente e envolve cada pessoa. Quem o escuta não permanece indiferente: alguma memória desperta, algum sonho retorna, algum sentimento adormecido volta a respirar.

No palco, ele não precisa de muitas palavras. Sua mensagem viaja pelo sopro. E o sopro, transformado em música, chega ao coração de quem ouve como uma brisa luminosa. Sob os refletores, entre o azul da noite e o brilho dourado do saxofone, Muchacho se torna parte da própria canção.

Quando a última nota finalmente repousa no silêncio, algo permanece no ar. É a sensação de que a música não terminou, apenas encontrou abrigo dentro de cada pessoa.

Quando Muchacho toca, o saxofone deixa de ser somente um instrumento. Torna-se voz, memória, emoção e poesia.

Johnny Tillotson


 

Chubby Chequer


 

Por aqui Por ali

 




Uzbequistão: onde o xadrez se tornou orgulho nacional

 

O xadrez como destino de uma nação



Em alguns países, seus heróis são reconhecidos  pelo som dos estádios. O Uzbequistão aprendeu a celebrá-los também no silêncio profundo dos tabuleiros, onde cada movimento guarda uma batalha, cada peça carrega uma esperança e cada vitória faz pulsar o coração de uma nação inteira.

A seleção uzbeque tornou-se uma das maiores potências do xadrez mundial. Seus jogadores, ainda jovens, revelaram ao mundo uma combinação admirável de talento, disciplina, coragem e união. Diante do tabuleiro, não são apenas cinco enxadristas disputando partidas: são representantes de um povo que descobriu no xadrez uma forma de expressar sua inteligência, sua identidade e seu orgulho.

Em 2022, na Índia, o Uzbequistão conquistou pela primeira vez a Olimpíada de Xadrez. Aquele triunfo não foi apenas uma medalha de ouro. Foi o nascimento de uma geração destinada a escrever seu nome entre as grandes escolas enxadrísticas do planeta.

Anos depois, jogando diante de sua própria gente, a jovem equipe voltou a transformar cálculo em poesia e estratégia em glória. O título conquistado em casa consagrou o bicampeonato e fez a emoção transbordar das 64 casas para as ruas. Uma multidão recebeu seus campeões como se cada xeque tivesse sido um gol e cada vitória, um abraço coletivo.

Não era futebol. Era xadrez.

E está ai a beleza dessa celebração: o Uzbequistão mostrou ao mundo que a inteligência também pode despertar multidões; que o silêncio de uma partida pode terminar em uma explosão de alegria; e que reis, damas, torres, bispos, cavalos e peões também são capazes de unir um país.

Hoje, milhares de crianças uzbeques aproximam-se dos tabuleiros inspiradas por esses campeões. Em cada pequeno enxadrista nasce um sonho; em cada primeiro lance, uma possibilidade. O sucesso da seleção nacional transformou o xadrez em caminho, esperança e futuro.

O Uzbequistão não conquistou somente duas Olimpíadas. Conquistou uma geração. E, sempre que seus heróis continuarem avançando pelo tabuleiro do mundo, haverá uma nação inteira caminhando com eles, lance após lance, sonho após sonho, vitória após vitória.





Isso não é futebol! É o xadrez que incendeia o coração do Uzbequistão


 

Uma multidão tomou os salões e ruas para celebrar os novos heróis nacionais. Não era uma final de futebol, mas a consagração do Uzbequistão na Olimpíada de Xadrez.

Em um país que transformou o tabuleiro em símbolo de orgulho e esperança, cada lance foi acompanhado como um gol; cada vitória, recebida como uma conquista de toda a nação. Reis, damas, torres e peões despertaram paixões e fizeram palpitar o coração do povo uzbeque.

O Uzbequistão ama seus enxadristas e festeja seus heróis. Veja a multidão celebrando uma vitória que ultrapassou as 64 casas do tabuleiro e ganhou as ruas!

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

NODIRBEK ABDUSATTOROV: O OURO CONQUISTADO NO SILÊNCIO

O jovem uzbeque disputou onze partidas e somou oito pontos e meio, alcançando a extraordinária performance de 2.869 pontos


Ele representa uma geração que transformou o Uzbequistão numa das grandes potências do xadrez mundial



Existem vitórias que nascem no mais profundo silêncio, entre o movimento delicado de uma peça e o olhar concentrado de quem consegue enxergar, no tabuleiro, caminhos ainda invisíveis aos demais.

Foi assim que Nodirbek Abdusattorov conquistou a medalha de ouro no primeiro tabuleiro da Olimpíada de Xadrez. Diante de grandes nomes do xadrez mundial, o jovem uzbeque disputou onze partidas e somou oito pontos e meio, alcançando a extraordinária performance de 2.869 pontos.

Mas os números, por mais impressionantes que sejam, não conseguem contar tudo.

Não revelam a tensão escondida atrás de cada lance. Não mostram as tempestades calculadas dentro da mente. Não registram os instantes em que o enxadrista precisa dominar o medo, conter a ansiedade e confiar na intuição construída por milhares de horas de estudo.

Nodirbek enfrentou mestres consagrados e representantes de diferentes escolas do xadrez. Venceu sete partidas, empatou três e sofreu apenas uma derrota. Superou, entre outros, Richard Rapport, Ding Liren, Fabiano Caruana e Haik Martirosyan. Cada vitória foi uma pequena joia esculpida sobre as 64 casas.

Na fotografia, entretanto, não há euforia.

Nodirbek permanece sentado, braços cruzados, semblante austero e olhos voltados para algum ponto distante. Diante dele, as peças parecem guardar os segredos de batalhas já encerradas. Em seu paletó, a bandeira do Uzbequistão repousa sobre o braço como se também contemplasse, orgulhosa, o caminho percorrido.

É o retrato de um campeão que não precisa gritar.

O ouro conquistado no primeiro tabuleiro ultrapassa o brilho individual. Ele representa uma geração que transformou o Uzbequistão numa das grandes potências do xadrez mundial. Em uma terra atravessada por antigas rotas, civilizações e saberes, jovens enxadristas passaram a desenhar novas estradas, desta vez feitas de diagonais, colunas, cavalos e torres.

Nodirbek Abdusattorov parece jogar carregando consigo a paciência das cidades históricas, a vastidão das estepes e o silêncio milenar de Samarcanda. Seu xadrez não se limita a mover peças: constrói paisagens, arma tempestades e transforma o tabuleiro num território de inteligência e coragem.

A medalha de ouro brilhou em seu peito, mas foi conquistada muito antes da cerimônia. Nasceu em cada madrugada de estudo, em cada derrota transformada em lição e em cada posição examinada até que o impossível começasse a revelar uma passagem.

No primeiro tabuleiro, diante dos maiores nomes do mundo, Nodirbek não encontrou apenas adversários.

Encontrou a História.

E, com a serenidade dos grandes campeões, escreveu nela o seu nome em letras de ouro.

Música Instrumental


 

My Hero - Sue Thompson


 

O caminho que leva a nós mesmos

 

“Não tenhas pressa, porque onde tens de ir é a ti mesmo.”



Existem caminhos que não aparecem nos mapas. Não atravessam cidades, não cortam montanhas nem seguem o curso dos rios. São estradas silenciosas, abertas no interior da alma, que nos conduzem ao encontro daquilo que verdadeiramente somos.

Vivemos, muitas vezes, como viajantes atrasados. Corremos para alcançar compromissos, sonhos, lugares e pessoas. O relógio nos persegue, o mundo nos apressa e a vida parece uma sucessão de partidas. Entretanto, quanto mais depressa seguimos, maior é o risco de deixarmos para trás justamente aquele que deveria acompanhar toda a viagem: nós mesmos.

Chegar a si próprio exige tempo. É preciso atravessar lembranças, reconhecer cicatrizes, perdoar antigas escolhas e acolher as imperfeições que também fazem parte de nossa história. Há portas interiores que somente se abrem devagar, quando o coração silencia e aprende a escutar a própria voz.

A verdadeira viagem não é aquela que nos leva para longe, mas a que nos devolve ao centro de nossa existência. Nesse percurso, cada alegria é uma flor encontrada à margem da estrada; cada sofrimento, uma pedra que nos ensina a caminhar com mais cuidado; cada saudade, uma luz acesa indicando de onde viemos.

Não tenhamos pressa. A alma não obedece aos ponteiros. Ela floresce em seu próprio tempo, como um jardim que não se deixa apressar pelas mãos humanas. O destino não está depois da próxima curva, mas dentro de nós, esperando pacientemente o instante em que teremos coragem de nos reconhecer.

E, quando finalmente chegarmos, poderemos  descobrir que não estivemos perdidos. Apenas percorremos o longo caminho necessário para voltar para casa.

Homem, a Mulher e as Ilusões do Mundo

 


Existem pessoas que atravessam a vida protegidas por dois antigos privilégios: o dinheiro, que abre portas, e a beleza, que atrai olhares. Enquanto possuem um ou outro, o mundo parece mais gentil. Os sorrisos chegam depressa, os convites se multiplicam e até os defeitos encontram quem os transforme em virtudes.

Mas há também aqueles que caminham sem essas moedas sociais.

O homem sem dinheiro aprende cedo que muitas amizades têm preço. Percebe que alguns apertos de mão medem primeiro o conteúdo dos bolsos; que certos elogios se calam quando o prestígio desaparece; e que inúmeras portas, anunciadas como abertas a todos, possuem fechaduras que somente o poder consegue mover.

A mulher que não corresponde aos padrões de beleza impostos pelo tempo descobre outra face da mesma crueldade. Muitas vezes, sua inteligência precisa falar mais alto para ser ouvida, sua bondade necessita repetir-se para ser percebida e sua presença precisa lutar contra uma sociedade que ainda confunde aparência com valor.

Ambos contemplam o mundo sem o véu sedutor das conveniências. Não porque sejam necessariamente mais sábios, mas porque a vida lhes retirou cedo os espelhos que costumam favorecer as ilusões.

Conhecem a solidão das calçadas molhadas, enquanto os ônibus passam levando pessoas apressadas para destinos que talvez nem desejem alcançar. Sob a luz dos antigos lampiões, compreendem que a cidade oferece seu brilho a todos, mas nem sempre distribui igualmente o seu calor.

Entretanto, existe uma grandeza escondida nessa visão despojada.

Quem não pode comprar afeto aprende a reconhecer o amor verdadeiro. Quem não conquista pela aparência descobre o valor de ser amado pela alma. E quando alguém permanece ao lado daquele que nada possui para oferecer além de sua presença, ou contempla com ternura uma mulher que o mundo não colocou nas vitrines da beleza, acontece um pequeno milagre: o ser humano deixa de ser mercadoria e volta a ser mistério.

Dinheiro e beleza podem iluminar caminhos, mas também projetam sombras. São como os lampiões de uma rua antiga: encantam os olhos, porém não dissipam toda a neblina. A verdade começa justamente onde sua luz já não alcança.

Enxergar o mundo como ele realmente é não é contemplar apenas sua frieza. É perceber que, por trás dos interesses e das aparências, ainda existem mãos que se estendem sem calcular recompensas, olhos que reconhecem a beleza invisível e corações que permanecem quando todas as vantagens já partiram.

No fim, somos todos passageiros de uma mesma cidade chuvosa. O dinheiro muda de mãos, a beleza se transforma com os anos e os aplausos se perdem na distância.

Somente aquilo que fomos capazes de amar, quando já não havia aparência para admirar nem riqueza para desejar, permanece aceso, como um lampião solitário resistindo à noite.

Inna Valkova: O Olhar Feminino que Encantou a Olimpíada de Xadrez

 

A Fotógrafa e Videógrofa que Fez o Mundo Sentir a Olimpíada


Em meio ao silêncio dos tabuleiros, ao movimento calculado das peças e à concentração quase impenetrável dos grandes mestres, havia um olhar atento procurando aquilo que nenhuma transmissão técnica conseguiria mostrar por inteiro. Era o olhar de Inna Valkova, a bela e sensível fotógrafa e videógrafa que encantou a cobertura da 46ª Olimpíada de Xadrez da FIDE, realizada em Samarcanda, no Uzbequistão.

Conhecida nos bastidores do xadrez internacional por sua marca Chess Media e pelo perfil @chess_paparazzi, Inna não se limitou a registrar partidas. Sua câmera atravessou o território invisível das emoções. Encontrou a ansiedade escondida antes do primeiro lance, a esperança contida durante uma posição difícil, o alívio depois da vitória e a silenciosa dor daqueles que deixaram escapar, em poucos segundos, o resultado construído ao longo de horas.

O xadrez, visto de longe, pode parecer uma batalha fria entre cálculos e estratégias. Pelas lentes de Inna, entretanto, revelou-se profundamente humano. Cada rosto tornou-se um tabuleiro. Cada expressão guardava avanços, recuos, sacrifícios e sonhos. Um olhar baixo podia anunciar uma derrota; um sorriso discreto, a percepção de que a vitória já estava próxima; um abraço entre companheiros, a certeza de que ninguém disputa uma Olimpíada inteiramente sozinho.

Inna esteve no centro dos grandes confrontos, acompanhando seleções como Uzbequistão, Índia, Alemanha, Estados Unidos e Ucrânia. Mas não foi apenas a imponência das equipes ou a fama dos enxadristas que despertou sua atenção. Ela procurou os detalhes: as mãos inquietas, a respiração suspensa, a cumplicidade entre os jogadores, o treinador que observava em silêncio e a bandeira nacional repousando sobre os ombros de quem acabara de oferecer ao seu país uma vitória histórica.

Foi especialmente marcante sua presença nos momentos de consagração dos anfitriões. Quando o Uzbequistão celebrou seus jovens campeões diante de uma multidão emocionada, Inna estava lá, não apenas documentando o acontecimento, mas ajudando a transformá-lo em memória. Sua câmera recolheu fragmentos de uma alegria coletiva: os atletas, o troféu, as medalhas, as lágrimas e o hino nacional erguendo-se sobre o público como uma oração de gratidão.

Seu trabalho possui a rara capacidade de mostrar que, por trás de uma vitória esportiva, existem histórias inteiras. Existem famílias, professores, treinadores, renúncias, derrotas anteriores e incontáveis noites de estudo. O clique de Inna parece dizer que o verdadeiro instante decisivo não acontece somente quando uma peça é movimentada, mas quando o rosto do jogador revela tudo aquilo que as palavras não conseguem explicar.

Essa sensibilidade também aparece em sua atuação próxima e colaborativa com a filha, Angelika Valkova, conhecida pelo canal @chessborn. Jogadora, streamer e comentarista ucraniana, Angelika representa outra forma de narrar o universo enxadrístico. Mãe e filha, cada qual com sua linguagem, aproximam o público da beleza, da intensidade e da humanidade presentes no jogo.

A mesma poesia visual acompanha Inna por outros grandes palcos, como o Ibiza Chess Festival, na Espanha, onde o xadrez encontra o mar, o turismo e a luminosidade mediterrânea. Seja diante de jogadores iniciantes, seja acompanhando astros como Magnus Carlsen, sua lente procura sempre o drama humano que existe além das peças.

Enquanto as plataformas mostram variantes, avaliações e resultados, Inna Valkova mostra a alma.

Ela permanece atrás das câmeras, quase invisível, enquanto torna visíveis os sentimentos dos outros. E talvez resida aí a grandeza de seu trabalho: desaparecer no instante do clique para permitir que o mundo enxergue, com maior nitidez, a emoção de quem está diante de suas lentes.

Em Samarcanda, os enxadristas escreveram a história sobre os tabuleiros. Inna Valkova, com sua delicadeza e seu talento, recolheu cada página com a câmera.

Os lances ficam registrados nas súmulas, os resultados permanecem nas tabelas e os campeões entram para os livros. Mas são as fotografias e vídeos que devolvem vida à história, e fazem a emoção de um instante atravessar o tempo.







Vídeos: A Vitória de Quem Acreditou nas Crianças do Uzbequistão


 Quando uma Nação Planta Sonhos e Colhe Campeões


Existem fotografias que não registram apenas um instante: guardam silenciosamente o futuro.

Na primeira imagem, vemos crianças uzbeques ainda pequenas, reunidas em torno do xadrez, trazendo medalhas no peito, alegria nos olhos e sonhos que talvez nem coubessem inteiros dentro delas. Na segunda, os anos passaram. Aqueles meninos cresceram, atravessaram fronteiras, enfrentaram os mais fortes enxadristas do planeta e se tornaram campeões da Olimpíada de Xadrez justamente no Uzbequistão, sua terra natal.

Entre uma fotografia e outra existe muito mais do que a passagem do tempo. Existe um projeto. Existe continuidade. Existem famílias, professores, treinadores, escolas, clubes e instituições que compreenderam que nenhum talento floresce sozinho. Uma geração não se constrói pela improvisação, mas pela paciência de quem planta hoje acreditando na colheita de amanhã.

O Uzbequistão escolheu olhar para suas crianças e enxergar nelas não apenas promessas esportivas, mas seres humanos capazes de aprender, criar, pensar e representar o próprio país. O xadrez tornou-se instrumento de educação, disciplina, responsabilidade e esperança. E, quando uma nação cuida seriamente de sua juventude, não desenvolve somente campeões: desenvolve valores humanos.

A premiação foi o ponto culminante dessa história. Diante de uma multidão emocionada, os campeões receberam suas medalhas enquanto o hino nacional se elevava, conduzido por um magnífico coral. As vozes se uniram como se todo o povo participasse daquela conquista. Não era apenas uma equipe que subia ao lugar mais alto do pódio. Era uma geração inteira. Era a vitória de um projeto nacional.

Naquele momento, o tabuleiro pareceu pequeno para tanta emoção. Cada casa branca e preta guardava anos de estudo, renúncia, coragem e perseverança. Cada nota do hino parecia recordar os primeiros passos daqueles meninos, as primeiras peças movimentadas, as primeiras derrotas e o instante em que aprenderam que cair também faz parte do caminho para vencer.

Os campeões ergueram o troféu, mas foi o Uzbequistão inteiro que se levantou com eles.

As duas fotografias, colocadas lado a lado, formam uma das mais belas lições que o esporte pode oferecer. De um lado, a infância sonhando. Do outro, a juventude realizando. Entre ambas, a presença de um país que acreditou, planejou e permaneceu ao lado de seus filhos.

O Uzbequistão demonstra que um mundo novo é possível. Um mundo no qual as crianças recebem oportunidades verdadeiras, o talento encontra caminhos e a educação não é apenas discurso, mas compromisso permanente.

Quando uma nação semeia conhecimento no coração de suas crianças, o futuro deixa de ser uma promessa distante.

O futuro cresce, aprende, amadurece, e um dia sobe ao pódio, diante de seu próprio povo, para ouvir o hino de sua terra.









O verdadeiro valor da vida, por Rogério Loureiro Xavier


 Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.


*O verdadeiro valor da vida*


A vida não é sobre ter tudo o que você quer, mas sobre aprender a valorizar tudo o que você tem.


As maiores riquezas não estão nas coisas, mas nas pessoas e nos momentos que vivemos.


No fim, o que fica não é o que conquistamos, mas o amor que deixamos pelo caminho.


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

Música Instrumental


 

É impossível esquecer!! por Rogério Loureiro Xavier

 


*Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.*


*É impossível esquecer !!*


*Petrobrás/Edise/Sertel 1*


*Saudade. Que tempo bom 👍*


*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*

Little Eva


 

Sarau Português no Espaço Cultural Cafézin: Sexta, 2 de outubro, 19h

 


ILA - Instituto de Letras e Artes Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo promove Concurso de Poesia 2026

 

Por Maria Margarete Salvate Brasil

Maria Margarete Salvate Brasil

Na noite de 25 de setembro de 2026, o ILA - Instituto de Letras e Artes Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo - promoveu, na sede da Câmara Municipal de Bom Jesus do Itabapoana, uma solenidade marcada pela emoção, pela cultura e pela valorização da memória local. O evento teve como objetivo celebrar a entrega da premiação aos vencedores do Concurso ILA de Poesia 2026, cujo tema foi dedicado à trajetória de vida e à atuação pública do ex-prefeito municipal Sr. Álvaro Moreira, homenageado desta edição.

​A iniciativa envolveu estudantes do Ensino Médio das escolas públicas e privadas do município, que, sob a orientação de seus professores, tiveram a oportunidade de conhecer aspectos da vida e da obra do homenageado e, a partir desse contato, produzir poemas inspirados em sua trajetória. As produções foram submetidas à apreciação de um comitê avaliador composto por membros do ILA. Ao final do processo, foram premiadas cinco escolas, classificadas do primeiro ao quinto lugar.

​O levantamento de informações sobre a trajetória pessoal e pública do Sr. Álvaro Moreira foi realizado pelo Promotor de Justiça Dr. Gino Bastos, que se dedicou de forma incansável à pesquisa histórica, realizando buscas documentais e visitas ao homenageado para a realização de entrevistas. Merece destaque a disponibilidade e a cordialidade com que o Sr. Álvaro acolheu o trabalho de pesquisa, compartilhando lembranças, experiências e importantes relatos de sua trajetória.

​A solenidade foi conduzida pela presidente do ILA, Dra. Nísia Campos Kneipp, e contou com a presença de acadêmicos do Instituto, representantes da Academia de Letras e Artes de Carabuçu e da Academia de Letras e Artes Pedralva, de Campos dos Goytacazes, além do ex-prefeito homenageado e seus familiares. Também prestigiaram a cerimônia o Dr. Gino Bastos, representantes do jornal Norte Fluminense, familiares, professores e diretores das escolas participantes e demais representantes da sociedade bonjesuense.

​A programação teve início com a execução do Hino Nacional Brasileiro, seguida da abertura oficial proferida pela presidente do ILA. Na sequência, foram apresentados os representantes das escolas participantes, dando lugar a um momento de louvor e agradecimento a Deus. Posteriormente, os alunos premiados foram convidados a realizar a leitura de seus poemas, que emocionaram o público ao revelar, por meio da linguagem poética, diferentes percepções sobre a trajetória, os valores e o legado do homenageado. Em seguida, foram realizadas a entrega da premiação e a concessão dos respectivos certificados.

​O encerramento da noite ficou por conta de uma apresentação musical realizada por um conjunto formado por músicos integrantes do próprio ILA. A apresentação proporcionou um momento de celebração e confraternização entre os participantes, encerrando uma noite dedicada à poesia, à memória, à educação e à valorização da cultura local.

​O Concurso ILA de Poesia 2026 reafirma, assim, o compromisso do Instituto de Letras e Artes Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo com a promoção da literatura, o incentivo à produção artística entre os jovens e a preservação da memória e da história de Bom Jesus do Itabapoana. 
































































Fotos: Thadeu Almeida e Suelyr Reis da Silva