quinta-feira, 3 de agosto de 2023

SEMANA MARIA ANTONIETA TATAGIBA 2023


 


Link para transmissão, AO VIVO, HOJE, às 19h00, do Painel "A Cruz da Estrada" - Conto de MARIA ANTONIETA TATAGIBA : olhares da análise em Literatura e Sociologia.

https://www.mimosodosul.es.leg.br/detalhe-da-materia/info/transmissao-ao-vivo/6535



terça-feira, 1 de agosto de 2023

O assassinato de Alcinda Pinheiro Lopes Pinto e a Justiça Divina

   Por Gino Martins Borges Bastos
Alcinda Pinheiro Lopes Pereira Pinto


 
Em 1937, o ambiente social e político no Brasil estava efervescente.

O presidente era  Getúlio Vargas e as eleições presidenciais estavam marcadas para o dia 3 de janeiro de 1938. Um dos fortes candidatos era Plínio Salgado, líder da AIB (Ação Integralista Brasileira), cujo lema era "Deus, Pátria e Família".

Em Campos dos Goytacazes, foi marcado um comício dos integralistas para o dia 15 de agosto, na praça São Salvador. A tensão  era grande. Plínio Salgado comunicou que não se faria presente, pois tinha sido ameaçado de morte se comparecesse ao evento dos camisas-verdes.

Por conta disso, houve um deslocamento de tropa militar para garantir a segurança do comício, sob a liderança do Tenente Coracy Ferreira de Souza, o comandante das Forças Armadas, com poderes militar e civil.

Tenente Coracy Ferreira de Souza foi nomeado Delegado Militar, em 1936, para as regiões de Campos dos Goytacazes, São João da Barra e Itaperuna, região a qual Bom Jesus pertencia (foto do jornal A Voz do Povo)



Em relação ao Tenente Coracy, deve-se dizer que ele era um delegado especial rigoroso, e havia sido nomeado para as regiões de Campos dos Goytacazes, São João da Barra e Itaperuna, região a qual Bom Jesus pertencia.

Coracy era conhecido como militar implacável contra os pistoleiros e ladrões de gado que agiam em nossa região. A tortura era usada regularmente como método para obter confissão e criminosos costumavam sair da cadeia para o cemitério. Acumulou poder que intimidava até os coronéis políticos.

O fato é que o Tenente Coracy dispôs sua tropa composta de 25 homens, para garantir a segurança do comício, que contava com cerca de mais de cinco mil pessoas, entre adeptos do Sigma, como eram chamados os partidários de Plínio Salgado, e curiosos que se fizeram presentes, colocando 13 militares na parte de trás e 12 na lateral direita. 


Jorge Pereira Pinto 


Entre os presentes, estavam Jorge Pereira Pinto, então vereador de Campos dos Goytacazes, e sua esposa Alcinda Pinheiro Lopes Pereira Pinto.

Em certo momento, militares dispararam contra a multidão, matando dez pessoas, incluindo Alcinda, que foi atingida na cabeça, por trás, e ferindo dezenas de outras pessoas.

Para caracterizar um homicídio, basta que o criminoso assuma o risco de produzir o resultado morte, como aconteceu no fatídico dia.

Em decorrência da morte de Alcinda, quatro filhos ficaram órfãos: Carlos Alberto, 11 anos, Jorge Renato, 10 anos, Antônio Carlos, 9 anos, e Maria Lucia, 5 anos.


Antônio Carlos Pereira Pinto, filho de Alcinda Pinheiro Lopes Pereira Pinto e Jorge Pereira Pinto


Jorge se casou de novo, depois, com Albertina, irmã de Alcinda, que já tinha um filho, Carlos Magalhães. Jorge não teve filhos do segundo matrimônio.

Várias versões foram divulgadas pela imprensa, de acordo com a tendência política dos veículos de comunicação. O jornalista Silvio Fontoura, proprietário do jornal "A Noite", de Campos, exerceu o jornalismo de maneira profissional e isenta, recolhendo, inclusive, os nomes das pessoas assassinadas.

Silvio Fontoura, aliás, foi quem lançou o primeiro jornal de Bom Jesus, o "Itabapoana', em 1º./08/1906, atendendo convite do conterrâneo campista Pedro Gonçalves da Silva Jr (Coronel Pedroca), que, por sua vez, exerceu a função de presidente do 1º. Conselho de Intendência - equivalente a prefeito - de Bom Jesus, entre 25/12/1890 e 24/03/1891.

Oitenta e sete dias depois dessa mortandade, no dia 10 de novembro de 1937, Getúlio Vargas deu um autogolpe e instituiu o Estado Novo, que se prolongou até 1945.

Na primeira sessão da Câmara Municipal, após o morticínio, Jorge Pereira Pinto pediu "Punição para os desumanos!".

E concluiu seu pronunciamento pugnando pela Justiça Divina:

"No cemitério da cidade, dez sepulturas foram abertas. Dentro delas, dez corpos desceram para a eternidade, e sobre elas, dez cruzes se erguem com os braços atirados para os céus, como a pedir, numa súplica extrema, num apelo lucinante, a Justiça de Deus, porque a justiça dos homens vai se tornando tarda e improfícua".


Bibliografia

"SÓ O AMOR VENCE, uma história tão real quanto a vida", José Renato Pereira Pinto, Nova Era, 1999;

"Campista, nem fiado nem à vista, a saga dessa gente que não se vende", Yvan Senra Pessanha, Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro, 1999;

"ROBERTO, A PEDRA E O FOGO", de José Sérgio Rocha, Editora Casa Jorge, 2003;

"De Município a Distrito, Primeira Emancipação de Bom Jesus do Itabapoana", Coleção Histórias de Bom Jesus, Luciano Augusto Bastos, Editora O Norte Fluminense, 2006;

Jornal "Itabapoana", de 1o. de agosto de 1906, editado por Silvio Fontoura, acervo do Espaço Cultural Luciano Bastos, Bom Jesus do Itabapoana;

Entrevista com Antônio Carlos Pereira Pinto ao jornal "O Norte Fluminense", de Bom Jesus do Itabapoana, 2023.


Xadrez em ação em Bom Jesus do Norte


 

1º de agosto : o Dia da Glória da Imprensa Bonjesuense



Gino Martins Borges Bastos 




O genial cientista inglês Isaac Newton, certa vez, ao ser indagado a respeito de suas descobertas, respondeu: “se eu vi mais longe, foi por estar sobre os ombros de gigantes”.

Hoje, se podemos penetrar pelo "manto diáfano" que encobriu nossa consciência histórica, durante décadas, como diria o escritor português Eça de Queirós, é porque estamos sobre espáduas majestosas.

Por um lado, temos Padre Mello, pároco açoriano, que veio para nosso município em 18 de junho de 1899. Ele foi um gênio da civilização e da cultura, no dizer do mestre bonjesuense Delton de Mattos. Foi Padre Mello quem nos deu nossa história, como lembrou Elcio Xavier, o Príncipe dos Poetas, com suas pesquisas que ganharam a eternidade. Seus preciosos textos foram aglutinados pelo mencionado escritor e pesquisador, a partir de artigos esparsos publicados originalmente no jornal “Meu Campinho” e em “A Voz do Povo”.  Delton de Mattos editou um livro revelador da nossa origem, a partir de 1842, cuja publicação se deve ao ilustre advogado Dr. Sebastião Freire Rodrigues, que levou cerca de 5 anos para conseguir os recursos necessários para a publicação desta obra e também de Octacilio de Aquino, Romeu Couto, Antônio de Souza Dutra e Athos Fernandes.

Por outro lado, os jornais publicados em nosso município, a partir de 1906, são também fontes relevantíssimas para a compreensão de nossa história.

Os exemplares dos primeiros jornais foram doados a Luciano Bastos pelo professor Pedro Gonçalves Dutra, filho do memorialista Antônio Dutra, e neto de Pedro Gonçalves da Silva Jr., o Cel. Pedroca, primeiro prefeito de nosso município, por ocasião de nossa primeira emancipação, que ocorreu no dia 25/12/1890. Hoje, essas relíquias integram o acervo do ECLB (Espaço Cultural Luciano Bastos).

Foi o Cel Pedroca quem trouxe ao nosso município o campista Silvio Fontoura, para lançar "Itabapoana", nosso primeiro jornal, em 1º/08/1906. 

O ECLB conta em seu acervo, entre outras publicações, com exemplares dos jornais que circularam nas quatro primeiras décadas do século XX, e constituem fontes preciosas de pesquisa sobre nossa história. São os seguintes:

Itabapoana. 1ª fase: 1906-1907, 2ª fase: 1911-1916, 3ª fase: 1918
Correio Popular: 1916-1917
Nossa Terra: 1924-1925
A Cidade: 1925
A Parochia: 1925
O Liberal: 1926-1927
Bom Jesus Jornal: 1928
O Norte: 1928
A Voz do Povo: 1930 e 1940/1960
O Momento: 1932-1938
O Boletim: 1939
Meu Campinho: 1940


Foi Elcio Xavier quem doou ao ECLB os originais de A Voz do Povo relativos ao ano de 1930, época de sua fundação, que eram considerados extintos, inclusive o primeiro número. Por outro lado, os irmãos Maria Cândida Borges e dr. José Francisco Borges de Campos, filhos de Alípio Garcia de Campos, ex-diretor de A Voz do Povo, doaram ao ECLB diversos exemplares antigos e encadernados, referentes aos anos de 1940/1960, de A Voz do Povo. 

A imprensa bonjesuense foi construída, portanto, ao longo do tempo, pelas mãos sagradas de inúmeros jornalistas bonjesuenses e bonjesuistas.


A comemoração do Dia da Imprensa Bonjesuense constitui-se, portanto, em um evento de regozijo para nosso município.

Pode-se dizer que o estabelecimento, em nosso calendário, da comemoração do lançamento do "Itabapoana", supriu uma grande lacuna em nosso município, e abriu portas para fortalecer a consciência histórica para a construção de um novo amanhã.

Viva o Dia da Glória da Imprensa Bonjesuense!

Exemplar da edição de "Itabapoana" de 1º./08/1906, o primeiro jornal de nosso município (arquivo do Espaço Cultural Luciano Bastos)








           

5 de agosto: FESTIVIDADES NO MEMORIAL GOVERNADORES ROBERTO E BADGER SILVEIRA


Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira comemorará 7 anos de fundação 


O mês de agosto é repleto de significados para o Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira. No próximo dia 5 de agosto, ocorrerá um evento que lembrará quatro momentos de relevância histórica para a Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira.

No dia 7, ocorrerá o aniversário de 7 anos da fundação do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, no Sítio Rio Preto, distrito de Calheiros, ocorrido em 2016.

Por outro lado, no dia 5, será o aniversário de 4 anos  da inauguração da Praça Três Irmãos (governadores Roberto Silveira, Badger Silveira e deputado federal Zequinha Silveira), em Calheiros. Essa praça foi construída pela Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira.

No mesmo dia 5, ocorrerá o aniversário de 6 anos do restabelecimento do primeiro forno indígena de Calheiros, em 2017, promovido pela Associação dos Amigos do Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira.

No dia 15 de agosto, será comemorado o nascimento do ex-deputado federal pelo Paraná, Zequinha Silveira, em 1918, irmão dos ex-governadores Roberto e Badger Silveira. No dia 16 de agosto, lembraremos do falecimento de Zequinha Silveira, ocorrido em 2009.

AGRADECIMENTO

 

Wilma Martins Teixeira Coutinho 


Sob este Céu eu oro

Sobre este vasto chão agradeço 

Por tudo que estou vivendo

Por tanto tempo eu mereço 


Às vezes fico pensando

O que o destino me reserva

Tanto tempo neste mundo

Também eu não tenho pressa!


Lá em cima meus Entes queridos

Me protegem com certeza

Minha vivência neste Plano

Tem sido uma fortaleza!


Wilma

1º de agosto: o DIA DA IMPRENSA BONJESUENSE

  

Primeiro número do jornal "Itabapoana", lançado no dia 1o./08/1906, por Sylvio Fontoura. O ECLB possui os jornais que circularam em Bom Jesus desde essa data. Foi Pedro Dutra, neto de Pedro Gonçalves da Silva, quem doou os exemplares a Luciano Augusto Bastos


Há 117 anos, no dia 1º de agosto de 1906, entrava em circulação o primeiro jornal de nosso município, "Itabapoana", nascido do ideário de Pedro Gonçalves da Silva Jr, o Coronel Pedroca, tendo na sua redação Sylvio Fontoura.

Em comemoração à data, a editora O Norte Fluminense, fundada por Luciano Bastos, publicou o conteúdo das publicações do jornal nos anos de 1906 e 1907. Posteriormente, disponibilizou em PDF todo o conteúdo dessas publicações.

O Espaço Cultural Luciano Bastos assim se manifestou sobre a publicação histórica:


117 anos do jornal ITABAPOANA
No dia 1º de agosto de 1906 nasceu o nosso primeiro jornal

O primeiro jornal de Bom Jesus do Itabapoana/RJ - ITABAPOANA - foi criado pelo jornalista Sylvio Fontoura, campista que, atendendo convite do seu conterrâneo Pedro Gonçalves da Silva Jr. (Coronel Pedroca), aqui fixou residencia com a esposa e filhos. Dirigiu o semanário na sua primeira fase de circulação - 1º de agosto de 1906 a 29 de dezembro de 1907. Ao jornalista se uniu o Coronel Pedroca secretariando e colaborando com a folha Francisco Teixeira de Oliveira ocupou o cargo de gerente. O "Itabapoana" contou com Joaquim Ouropretano Mineiro do Brasil como tipógrafo e impressor. Este teve o menino Oto Paranhos como seu auxiliar. Este teve o menino Oto Paranhos como seu auxiliar."


Sylvio Fontoura (1948).
Foto: acervo Dr. Welligton Paes/ Herbson Freitas - Academia Campista Letras.