quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

"Pela união de São Pedro do Itabapoana, Ponte do Itabapoana e dona América", proclama líder sulcapixaba




Maurino Gomes de Vasconcelos, aos 86 anos: "Luto pela união de São Pedro do Itabapoana, Ponte de Itabapoana e Dona América"


Hoje, completa um ano de falecimento de Maurino Gomes de Vasconcelos, residente em São Pedro do Itabapoana. Há 5 anos, O Norte Fluminense fez a seguinte matéria sobre ele.

Maurino Gomes de Vasconcelos completará 87 anos de idade no próximo dia 10 de junho, em São Pedro do Itabapoana, distrito de Mimoso do Sul (ES), patrimônio histórico do Estado, com cerca de 50 imóveis tombados.

Com ardor juvenil, mantém acesa a luta pelo ideal de nova emancipação de São Pedro do Itabapoana, englobando outros dois distritos de Mimoso do Sul: Ponte de Itabapoana e Dona América.

"Sou do tempo da lamparina. Em 1940, não havia o ginásio em São Pedro do Itabapoana. 

Certa vez, Sílvio Velozo disse para meu pai José Pereira Vasconcelos, que era Artur Bernardes 'doente' - o presidente que construiu a Escola de Agricultura de Viçosa - que somente com estudos a pessoa poderia se desenvolver na vida, aconselhando que me estimulasse a estudar.

Em 1953, fiz concurso público e passei para agente administrativo do Ministério da Fazenda, no Rio de Janeiro. Entre 800 candidatos disputando 23 vagas, fiquei em 8º lugar", assinala.  

Segundo Marino, "observo que o país se desenvolveu muito. Hoje, só não estuda quem não quiser. Além disso, os trabalhadores têm toda a espécie de crédito, podendo construir suas casas próprias e encontrarem trabalho. Gosto de ver a ascenção de nosso povo, de nosso país.

Por outro lado, entendo que a emancipação de São Pedro do Itabapoana, ao qual se uniriam os distritos de Ponte do Itabapoana e Dona América, poderiam trazer novos momentos de prosperidade para a nossa região, uma vez que vivemos esquecidos pelas autoridades, a ponto de não termos sequer uma estrada decente que nos ligue a Apiacá (ES)", registra. 



Estação de Ponte do Itabapoana foi inaugurada em 1879




Ponte de Itabapoana mantém prédio de sua época de prosperidade





Estrada de Ferro Leopoldina foi construída em Dona América, em 1895


América Angélica de Azevedo Lima, proprietária da Fazenda São Domingos deu nome ao distrito de Dona América


Capela de São Domingos, em Dona América, foi fundada em 8/08/1926





Em 8 de agosto de 1926 foi fundada a Capela de São Domingos, localizada em Dona América, distrito de Mimoso do Sul (ES).

Destaque é a Fazenda São Domingos, de propriedade de América Angélica de Azevedo Lima, que deu nome à localidade, por sua doação de área para a construção da Estrada de Ferro Leopoldina em 1895, e que atravessa a localidade.

Dona América tem sua vida econômica embasada na criação de gado e nos seringais.


Maurino nunca se conformou com o fato de São Pedro do Itabapoana, que era sede próspera do município, até a Revolução de 1930, ter se transformado em distrito.

Como pode ser que, nosso município, que era uma potência econômica e o segundo mais populoso do estado, ter decaído desta maneira?

"Continuo acreditando na possibilidade de nos tornarmos município, novamente, unindo-nos a Ponte do Itabapoana e Dona América".


Maurino, Maria José Bertoncelli da Silva e Carlos Alberto Ginaid da Silva: paixão por São Pedro do Itabapoana


Maria José Bertoncelli da Silva, nascida em São Pedro do Itabapoana, em 1º/06/1953, diz que "as autoridades abandonaram São Pedro do Itabapoana. Somos um Sítio Histórico mas o acesso à nossa comunidade é difícil. Na localidade de Pedra Riscada, há vários proprietários que se uniram e dão exemplo para todos nós. Essa união, contudo, deveria ocorrer em toda região", salienta.

Carlos Alberto Ginaid da Silva, esposo de Maria José, foi vereador em Mimoso do Sul e organizou por 16 anos a "Festa da Amizade" e confirma o teor da reclamação da esposa:"








Capela de São Pedro do Itabapoana




















Saudades de Maurino Gomes Vasconcelos


 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

O FACÃO

 

Um estampido. O facão em pêndulo, rápido, frenético, a cortar luz e sombra. Corria tanto que já não sentia as botas apertadas, nem o chão sob os pés. Engolia vento, mato e chuva. A glote tensa, ofegante, puxava a língua para trás feito a fisga de um pescador, travando as mandíbulas como um arreio. Tinha receio de virar o rosto e ver. Não sabia bem se algo ou alguém, se deste ou de outro mundo. Valei-me, Deus! - pensava em gritos. Já doía o baço, e o pulmão se espremia e expandia como um fole em frenesi. Torceu o pé, guinchou, ganiu e soltou as pernas, sobre o barro e as folhagens. O facão? - perguntou-se. Passou a  mão pelo corpo rezando para não o encontrar fincado em si. Ouvira dizer que o "sangue quente" dissimulava a dor. Nada. Nem em si, nem próximo. Olhou para trás. Nada.

Tentou se levantar, mas não conseguiu. Uma forte dor no pé. A perna estava como que dormente. Esticou o corpo o quanto pôde, abriu a mão separando os dedos num ancinho e vasculhou o diâmetro possível num acelerado, noutra tentativa de encontrar a arma. Arrastou- se e encostou-se numa árvore. Retirou a bota do pé esquerdo. Sentiu certo alívio. Amarrou-a pela fivela ao cinto. Respirou por uns minutos. O pé latejando, a perna em torpor.

Começou a ouvir barulho de cortes de galhos na mata. Passou o punho direito pelo nariz, mordeu as costas da mão, cerrando-a. Aguçou os ouvidos. O barulho diminuía, ficava mais distante a cada lance desferido e se misturava, diluindo-se, ao dos passos molhados, que pareciam o pisar de um pé e o arrastar do outro. Silêncio. A chuva diminuía, mas estranhamente a água sob seus pés subia. Lenta e constante.

De repente, um som. Um farfalhar, e um zunido que terminou estanque: tum! A ponta do facão cravou o tronco duma vez, como um decidido "não!". Um breve susto, seguido de um alívio: quem quer que fosse, se quisesse, já o teria matado. Tão firme a lâmina penetrou na árvore que ele pôde se apoiar no cabo. Levantou-se e, tomado por uma coragem ancestral, gritou:

-   Em nome de Deus, quem és tu? O que queres de mim? Apareça ou Vade Retro! Se és alma, diz-me teu nome, encomendarei missas em tua intenção e serás liberto do teu tormento. Se és vivo, mostra-te, homem! Se és o Cão: Crux Sacra Sit Mihi Lux, Non Draco Siti Mihi Dux, Vade Retro, Satana... (a Cruz Sagrada seja minha Luz, não seja o Dragão o meu guia, retira-te Satanás...).

Nada se ouviu após a oração de exorcismo. Quase mais nada. Apenas o borbulhar da água - já pelos tornozelos - interrompia o silêncio soturno.

Retirou sua "Excalibur", cortou um galho que lhe serviu de apoio e arriscou andar. Mancava, doía. Como faria? Mata fechada, noite, chuva, perna e pé… Foi quando reparou o caminho aberto, uma picada recente. Lembrou-se, então, do som que escutara enquanto permaneceu encostado na árvore. Ele, quem quer que fosse, abrira um caminho na mata. Por um instante hesitou em seguir por ali. Persignou-se, beijou com devoção o Crucifixo pendurado em seu pescoço junto ao escapulário, lembrou-se do Salmo: Nam et sit ambulavero in valle umbrae mortis, non timebo mala, quoniam tu mecum es (Ainda que eu caminhe pelo vale da sombra da morte, nenhum mal eu temerei, pois estás junto a mim). Repetiu diversas vezes o Sub Tuum Presidium confugimus, sancta Dei Genitrix (À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus) cada vez mais forte e mais alto para que seu próprio coração ouvisse e de modo a afugentar quem quer que fosse. Seguiu pisando com um pé, arrastando o outro.

Chegou à cabeceira da Ponte Bela. A chuva já havia parado. No céu, uma enorme bola prateada. Expirou todo o ar dos pulmões dizendo num sopro emocionado o seu filial Deo gratias. Olhou para o facão: sangue e algo inscrito: INUN… Sangue! Franziu a testa como se forçasse um pensamento claro, como que não o quisesse deixar escapar. Soltou de imediato o facão. Sangue! Seria seu? Ter-se-ia cortado. Revistou-se ligeiro. Não era seu, concluiu também com pressa. Quem quer que fosse, havia-se ferido, ou pior, ferido alguém. Quem sabe, Quem quer que fosse teria até assassinado. E a arma, ora no chão reluzindo a lua, estivera há pouco em suas mãos! Pensou em voltar e ver o que havia pelo caminho. Talvez não tenha percebido alguém caído. O pé latejava como um tambor, ritmando a tensão. Tinha a leve impressão de que suas lembranças não eram suas...

Mas, se voltasse e encontrasse? Como poderia ajudá-lo? O mais sensato era procurar alguém em São João Marcos. Temia que não o acreditassem, entretanto, era o que devia ser feito. Era jovem, mas, enfim, tinha boa índole, haveriam de crer nele. Já o havia provado no caso do ostensório e dos candelabros da Igreja Matriz. Por conta de um erro gramatical de latim em uma falsa carta do Bispo, descobriu o padre fraudador.

Ele o havia surpreendido - não sem ir às vias de fato com o impostor de batina e seu afiado punhal - tentando fugir, às escuras, com os objetos sacros. O falso padre escapou a cavalo, mas os objetos ficaram para trás, a salvo. Os objetos e uns pontos dados em sua face, que lhe renderam uma cicatriz em forma de cruz. Dela não se orgulhava. Dizia que a única cruz da qual devíamos nos gloriar era a de Cristo. E somente ela. Rezava para que logo lhe crescesse a barba e pudesse encobri-la. Ficava constrangido quando a queriam tocar. Cicatriz por cicatriz, mais pungentes eram as dos escravos, pensava. Isto, não o fazia por piedade excessiva, mas por plena convicção de fé. Sabia dos seus pecados. E os conhecia tão bem, que somente Deus e a Virgem Santíssima sabiam mais do que ele.

Deu mais uns poucos passos, atravessou a ponte, levantou os olhos e não viu a cidade. Apenas duas pequenas luzes acesas e o som das águas. Não chovia. Sentiu uma fisgada no pé. Olhou para baixo, pegou o facão e constatou: o sangue era seu. Escorria pela canela e misturava-se à água que subia.

Quem seria Quem quer que fosse? Talvez o falso padre buscando vingança? Ou algum capataz de um “menos algum” Coroné metido a besta e a Barão por conta de seus artigos abolicionistas no jornal O Município? Não era má pessoa, de modo geral era benquisto. Mas não há quem passe por essa vida - se desejar ser fiel aos seus princípios - sem colecionar uma penca de desafetos. Não conseguia conciliar o "amai o próximo como a si mesmo" e o "estive preso, nu, faminto e doente" com a dor das senzalas.

Havia também Lívia. Dizia ele não trocar sua São João Marcos pela Corte ou por Paris, muito menos um simples olhar de Lívia pelos beijos de todas as princesas, rainhas e concubinas. Lívia. Lívia era um doce sonho. Os filhos dos Barões a cortejavam, o sol a cortejava pelas manhãs! Ele sabia da inveja e dos ciúmes que causava neles. Dizia que todos os pecados já estavam em potência em Adão, em Caim. Sabia que muitos desejavam que não existisse, que partisse, que sumisse, mas não cria que pudessem atentar contra sua vida. Não devia dar ouvidos e trela a esses pensamentos. Sabia ser assim: por não saber, imaginava, e a imaginação, dizia a Santa D'Ávila, era a "louca da casa". Ou era o falso padre, ou algum capataz dos Coronéis que o perseguia, concluiu.

Não era rico. O pouco dinheiro que juntava tinha dois destinos: casar-se com Lívia e comprar a liberdade de Simplício, seu amigo. Se não libertasse todos seu grande sonho pelo menos seu amigo. Simplício. José Simplício. Para ele, Sicio. Era como se seu irmão fosse. Aprendera com ele os cantos, a cultura e a amizade. Ensinou-o a ler e escrever. Até umas poucas lições de Latim e Francês. Bonjour, bonsoir e uma gargalhada logo desfazia os biquinhos. Ia, às vezes, à noite, às escondidas, visitar a senzala onde Sicio ficava. Pedia bênção, licença aos mais velhos, trazia vinho, azeite e vinagre para as feridas, uns poucos mantimentos, pão, e a broa que Ciana cozia.

Pe. Pietro D'Andrea, seu confessor, atendia ainda que receoso dos fazendeiros seus pedidos de suprimentos aos escravos. Talvez o pároco guardasse em seu coração a esperança de que Bernard retornasse ao Seminário. Mio Bambino, dizia, ajuntando o polegar aos demais dedos da mão. De mais a mais, Bernard sempre o lembrava, agradecendo: “São nossos pequenos, padre! São os pobrezinhos de Jesus!” Marthe, sua mãe, por sua vez, dizia: "Como come pão e broa este menino, valha-me Deus!", piscando o olho, matreira, para Ciana, sua ama de leite. Deus caritas est!

 Caiu. Apoiara todo o peso do seu corpo no galho que lhe servia de muleta e este não resistiu. Sentiu vontade de rir de si mesmo, tamanha a falta de sorte. Sentiu fome e saudades da casa da mãe e do tempero de Ciana. A mesma Santa da "louca da casa" também afirmava: "Deus está entre as panelas!", referindo-se aos afazeres diários como via de santidade. Pensou na cozinha de sua casa, na mesa, no calor do fogão, nas panelas cheias de canjiquinha com fartos pedaços de carne, no doce de abóbora e no arroz-doce. Estava, de fato, faminto. Recordou-se também do personagem bíblico que trocou a bênção do pai por comida, um prato de lentilhas e, como não lembrar de Nosso Senhor Jesus Cristo no deserto, dizendo: "Nem só de pão, mas de toda Palavra…" As águas subiam.

Pensava isto enquanto segurava o facão próximo aos olhos. Lembrou-se da inscrição que começara a ler quando viu pela primeira vez o sangue. INUN… DATIO. INUNDATIO+1907+EXPLODERE+1939. Leu girando o facão na contraluz, identificando as letras em baixo-relevo. A caligrafia não lhe era estranha, mesmo que gravada num metal.  Sabia o que significavam os termos. Referiam-se, certamente, a uma data e um acontecimento. 19 de julho, intuiu. Poderia ser 1907. Mas ainda estavam no final dos anos 1800. E 1939, então? Tinha tempo. Tinha? Pensou na morte e em Lívia. Pensou vê-la. Sorriu. Começava a delirar.

- Lívia, Lívia! Se eu morrer, prometa-me libertar Simplício. Não se deve negar nada a um moribundo, sabes! Sabes, também, que eu te amo e levarei o meu amor por toda a eternidade! Chama-me Pe. Pietro. Listo, Ligeiro. Diz que traga a estola, o óleo e a Eucaristia!

 

Delirava livremente. A cidade escura começou a envolvê-lo. Sentiu frio como no dia em que fugiu de casa e pulou a janela do Teatro Tibiriçá. Ficou até o anoitecer. Teve medo e de lá saiu e foi esconder-se na Igreja do Rosário, aos pés da imagem da Santinha. Quando aprontava, corria para as barras da Mãe. Da Virgem Mãe. Delirava livremente.

Sentiu umas gotas no seu rosto. Voltava a chover? Estranhamente as águas começaram a baixar. Havia sal nas gotas. Abriu os olhos e sobre ele choravam desesperadas sua mãe, Ciana e Lívia. Fechou as pálpebras. Sicio gritava com ele: Não! Bernard! Meu irmão! Abriu novamente os olhos e viu Pe. Pietro chegando apressadamente.

Delirava novamente. In nomine Patris, et Filii...

Parecia ouvir uma das valsas que a Prazer das Morenas, sua banda favorita, tocava nas festas da cidade. Tentara o clarinete. Quisera aprender para tocar para Lívia. Não conseguia alcançar as notas mais agudas. Embocadura, dizia-lhe o Maestro Jacy, não falas francês? Ele mesmo comporia uma canção. Uma valsa, pois “uma valsa torna os homens melhores!”, dizia com ares de filósofo. Já tinha os primeiros compassos. Assobiava-os repetidamente enquanto escrevia seus artigos para O Município. Abriu os olhos. Salve Regina, Mater Misericordiae (Salve Rainha, Mãe da Misericórdia)… Bernard, voltaste!, gritava, chorando, Sicio.

Sicio, após longa procura, o havia encontrado na noite anterior, desacordado próximo ao Rio das Araras, baleado na perna, com um facão nas mãos, sinais de maus-tratos e desidratação. Sacou o facão de sua mão, fincou-o no tronco, levantou o amigo aos ombros, pegou novamente o facão e correu o quanto pôde abrindo afoitamente uma picada no matagal. Caiu e feriu o pé. Levantou-se, colocou os braços de Bernard sobre seu ombro e seguiu, um pé pisando, outro arrastando. Lembrou-se da história do Cirineu que Bernard lhe contara e redobrou as forças. Bernard delirava em latim - exorcismos e Salmos. Simplício deixou-o à cabeceira da Ponte Bela e, mancando, foi o mais veloz que pôde buscar ajuda na cidade. Já era tarde. Todas as luzes haviam-se apagado, exceto as da casa de Bernard e da Casa Paroquial. Duas pequenas luzes. Gritou até ferir a garganta, acordando o restante da cidade, da Imperial à Matriz.

Trouxeram-no no lombo de um jumentinho. Marthe e Ciana preparavam, entre preces, bacia e água quente. Chamaram Dr. Carolino às pressas. Logo a notícia correu pela cidade. Houve quem dissesse ter visto um desconhecido perguntando se o tal “menino que escrevia coisas no jornal” ainda estava vivo. Vivo, disseram. Montou no seu cavalo e ficou à certa distância da casa.

O médico, enfim, chegou. Olhou o ferimento. Levantou as pálpebras de Bernard. Aferiu sua pulsação. Meneou a cabeça e abriu apressadamente sua maleta. Mandou Sicio aquecer o facão até que a ponta ficasse em brasa. Limpou a ferida e, depois de um tempo, retirou a bala. Jogou-a na bandeja como se dissesse: Alea jacta est (A sorte está lançada). Chamou Sicio.

Marthe e Ciana eram uma só mãe. A mesma espada transpassava os dois corações. Lívia molhava as mãos de Bernard com Ave-Marias. Um chiado, um enorme grito, uma fumaça, um cheiro estranho. Bernard contorceu seu corpo como se parisse a si mesmo. Havia perdido muito sangue e água. Não conseguia falar, ver, mover-se. Apenas ouvia um zumbido como aquela inatingível aguda nota do clarinete. Enfim conseguira.

Mio Bambino, mio bambino!, Pe. Pietro sussurrou no seu ouvido. Abriu os olhos, viu o sacerdote e, com muita dificuldade, palavra, pausa, palavra, balbuciou: “Meu Pai, pequei contra o Céu e contra Ti…” Sentiu o óleo escorrendo de sua fronte até o seu rosto. “É como óleo suave que desça à barba de Arão”, lembrou-se doutro Salmo. Quis sorrir… não teria barba para encobrir a cicatriz da cruz... Sentiu um suave gosto de pão em sua boca, um gosto de brancura. Viu a Luz. Ouviu uma voz feminina indescritivelmente bela que lhe disse: “Bernard, vem para Casa!” E lembrou-se dos fervorosos “nunc et in hora mortis nostrae. Amen.” (agora e na hora de nossa morte. Amém.). Ergueu-se e foi.

 Saulo Soares Monteiro de Carvalho

Membro Correspondente da Academia Bonjesuense de Letras

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Homenagem de Rosete Xavier aos 76 anos de casamento de seus pais, Elcio e Gedália!

 Olá 👋 pessoa amiga e do bem. 


*"Homenagem de Rosete Xavier"*



Hoje é um dia especial, se mamãe ainda estivesse conosco, meus pais estariam completando 76 anos de casados. Quanta saudade... 

Para homenageá-los, relembrando anos anteriores quando esta data era celebrada com muita alegria, montei um slide com algumas fotos. 

Hoje, dia internacional da amizade: Valentine's day, foi a data especial que eles escolheram para a linda união que tiveram. Sinto falta dos dois juntinhos, mas sei que lá do céu minha querida mãe está zelando por meu pai. 

Agradeço sempre o presente que Deus me deu, ter nascido nesta família. Deus abençoe a nossa família!


Rosete Xavier 


👏👏🍾🥂👏👏


✍ Roger LX

domingo, 13 de fevereiro de 2022

"SIMPLICIDADE DE UM POETA", por Rogério Loureiro Xavier

 Olá pessoa amiga e do bem.

Joel Boechat


*"Singelas palavras dedicadas ao nosso eterno poeta Boechat."*


SIMPLICIDADE DE UM POETA


Ser sem nada temer...

Sabedoria com pé no chão.

Seus belos textos, poesias eternizadas...

Tudo com início, meio e fim, sem fugir do riscado.

Seus méritos não demoraram a aparecer...

E vamos que vamos: recordando, desejando luz, fazendo acontecer.

Sem muito lero-lero, poetizava brincando com as palavras...

Um leve sorriso, um suave gargalhar, um grito reprimido e muito carinho a ofertar.

Esmorecer jamais, seguia seus institos culturais ao pé da letra...

Sempre na vanguarda, mais um piscar, novas poesias.

Um dia de cada vez, humildade na busca de seus objetivos e metas...

Mais um despertar, com ternura, sem esquecer suas origens.

Vivia ao lado do bem, com maturidade de um menino prodígio, atropelando tabus, sorria!

Sentia-se feliz, amando e se doando... sabia respeitar limites, acreditando num mundo melhor.

Seus legados serão sempre lembrados, já eternizados...

...E sem mais delongas,

"Poeta Boechat"

Meus sinceros respeito.


✍ Roger LX

*"Sou arte e alma de um poeta sonhador"*

Os 91 anos de José Camilo, o maior doador de sangue de Bom Jesus

José Camilo, o maior doador de sangue do Hospital São Vicente de Paulo, completa, hoje, 91 anos. Ele recebeu em sua casa, durante o dia, várias visitas que foram cumprimentá-lo. Em uma dessas, recebeu uma placa de CONGRATULAÇÕES pelos relevantes serviços prestados a Bom Jesus, por parte do Instituto de Menores Roberto Silveira, representado por André Luiz de Oliveira, e do jornal O Norte Fluminense, representado por Gino Bastos.



José Camilo recebeu do Instituto de Menores Roberto Silveira e do jornal O Norte Fluminense, placa de CONGRATULAÇÕES pelos relevantes serviços prestados a Bom Jesus do Itabapoana

André Luiz de Oliveira, presidente do Instituto de Menores Roberto Silveira, entregou placa de CONGRATULAÇÕES a José Camilo



Camilo nasceu em Itaperuna, no dia 13/02/1931. Filho de Camilo da Costa e Josefa da Costa, possui 7 irmãos, embora se recorde de apenas dois: Antônio e Djanira. 

Em entrevista anterior ao O Norte Fluminense, ele disse: "Em 1951, eu estava empregado como pedreiro em Itaperuna, após um período de trabalho no matadouro. Aí, apareceu o José Abreu, conhecido como Zé Bucheiro, que me informou que o prefeito de Bom Jesus, Gauthier Figueiredo, necessitava de alguém, com experiência, para trabalhar no matadouro de Bom Jesus, que estava para ser inaugurado. José Abreu morava próximo ao Campo do Fluminense, em Bom Jesus, e vivia vendendo bucha de boi nas ruas. Aceitei a proposta e vim para cá. Assim é que comecei a trabalhar no dia 13/08/1951 no matadouro, que estava localizado onde atualmente está situado o DER. Aposentei-me neste serviço em 1980. "

Ele prossegue: "Assim que cheguei em Bom Jesus, passei a ser doador de sangue para o Hospital São Vicente de Paulo. O fato é que o hospital acabou sempre me procurando para doar sangue para pacientes, e acabei me tornando o maior doador de sangue de todos os tempos. Recordo-me que doei para cerca de 75 pessoas, que são meus irmãos de sangue. Doei, por exemplo, para André Luíz de Oliveira, atual presidente do Instituto de Menores Roberto Silveira, que acudi quando ele foi atropelado por uma bicicleta de carga. Eu o peguei caído na rua e o levei para o hospital e doei meu sangue para ele, que acabou perdendo um rim, mas se recuperou totalmente. O hospital reconheceu minha dedicação pelos serviços prestados e acabou me homenageando".


José Camilo costumava também ajudar o hospital em outras campanhas: "Eu ajudava voluntariamente no período de disputa para a Rainha da Festa de Agosto, quando se arrecadavam recursos importantes para o hospital. Eu costumava acompanhar os médicos na zona rural, para pedir bezerros para serem leiloados".   
José Camilo conta que foi o primeiro negro a frequentar o Aero Clube: "Certa vez doei sangue para a esposa do Noé Borges, que era presidente do Aero Clube. Ele ficou tão agradecido, que me deu um título de sócio do clube. Fui o primeiro negro a entrar no Aero ClubeHoje, sinto-me uma pessoa realizada, sou reconhecido pela sociedade, por tudo o que fiz pelo hospital e por Bom Jesus", finaliza.

Parabéns, José Camilo, por sua data natalícia! Felicidades! Viva José Camilo!!

José Camilo: o maior doador de sangue do Hospital São Vicente de Paulo


José Camilo foi o 1o. negro a entrar no Aero Clube


José Camilo, entre Luiz Carlos, Pedro Braga e Maria Tereza Braga, na Igreja Matriz Bom Jesus Crucificado e do Imaculado Coração de Maria

José Camilo e o prefeito municipal Paulo Sérgio Cyrillo

Pratique Rafting, no Rio Itabapoana!