Na Praça Governador Portela, a notícia encontra o povo
Jornal fundado por Ésio Martins Bastos em 25 de dezembro de 1946 e dirigido por Luciano Augusto Bastos no período 2003-2011. E-mail: onortefluminense@hotmail.com
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
O Norte Fluminense homenageia Jorge e Nara, os jornaleiros de Bom Jesus
terça-feira, 29 de setembro de 2026
UM ABRAÇO APERTADINHO... por Rogério Loureiro Xavier
Olá 🖐 pessoa amiga e do bem.
*UM ABRAÇO APERTADINHO...*
Abraço...
É demonstração de afeto, carinho e muito amor. É saudade e lágrima, mas também é calor. Abraço é amar, é querer aconchego. É sentir um amigo com todo o seu apego. Podemos abraçar uma causa, uma pessoa. Abraço é abraço: É cingir e cercar, é não sentir espaço. Abraçar uma causa é o que nos faz sentir que quem luta acredita e nunca irá desistir. Abraçar uma criança é transmitir-lhe carinho, é dizer-lhe com os braços que nunca estará sozinho. Abraçar um amigo com toda a fraternidade é como dizer estou aqui! Para a toda a eternidade. Abraçar um grande amor com toda a compreensão é desatar todos os nós e fazer laço de união. Vamos assim abraçar uma criança, uma causa, um amigo e o nosso amor? Custa tão pouco abraçar... Acredita, não dá dor!
*“Se pudéssemos ter consciência do quanto a nossa vida é passageira talvez pensássemos duas vezes antes de deixar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes!”*
*✍️ ... Rogerio Loureiro Xavier*
Kaliningrado: uma ilha de terra cercada pela História
Existem lugares que pertencem a um país, mas parecem viver separados de sua própria pátria. Kaliningrado é um deles: fragmento da Rússia lançado às margens do Mar Báltico, entre a Polônia e a Lituânia, como uma ilha de terra cercada não pelas águas, mas pelas fronteiras e inquietações da História.
Antes de se chamar Kaliningrado, foi Königsberg. Em suas ruas antigas, erguidas à sombra de muralhas e torres, caminhou Immanuel Kant, o filósofo que perscrutou os limites da razão e jamais precisou viajar para encontrar a vastidão do mundo. Talvez nenhuma cidade pudesse representar melhor as contradições humanas: ali, onde um homem procurou compreender a paz, os séculos acumularam guerras, conquistas e despedidas.
Fundada em 1255 pela Ordem Teutônica, Königsberg tornou-se o coração da Prússia Oriental e um importante centro da cultura alemã. Mas a Segunda Guerra Mundial passou sobre ela como uma tempestade de ferro. Ao final do conflito, a cidade foi conquistada pelo Exército Vermelho e incorporada à União Soviética. Em 1946, recebeu outro nome: Kaliningrado. A antiga população alemã partiu de sua terra natal, enquanto novos habitantes soviéticos chegaram para ocupar casas que ainda guardavam as sombras, os objetos e os silêncios daqueles que haviam partido.
Mudaram-se os nomes das ruas, as bandeiras e a língua. Entretanto, as pedras permaneceram. E as pedras, quando sobrevivem aos homens, tornam-se testemunhas.
Hoje, Kaliningrado é uma sentinela russa no coração da Europa Oriental. Seu porto de Baltiysk, livre do gelo no inverno, abriga a Frota do Báltico. Navios, radares e instalações militares convivem com os vestígios de igrejas, fortalezas e ruínas de outro tempo. Próximo dali encontra-se o estratégico Corredor de Suwałki, estreita faixa territorial observada com apreensão por estrategistas e governos.
Tudo em Kaliningrado parece carregar um duplo significado. O mar tanto aproxima quanto separa. O porto pode ser abrigo ou ameaça. As fronteiras protegem, mas também aprisionam. A cidade pertence à Rússia, embora esteja fisicamente apartada dela; situa-se na Europa, mas vive sob o peso de uma permanente tensão entre o Oriente e o Ocidente.
Talvez Kaliningrado seja mais do que um território estratégico. É uma metáfora do próprio mundo: habitamos o presente, mas continuamos cercados pelas decisões do passado. Sob os edifícios modernos repousam os alicerces de Königsberg; sob o nome russo ainda palpita a memória prussiana; sob a aparente tranquilidade do Báltico movem-se correntes profundas, invisíveis aos olhos apressados.
No céu de Kaliningrado, as gaivotas atravessam as fronteiras sem apresentar passaporte. Voam sobre navios de guerra, monumentos soviéticos e antigas construções alemãs, indiferentes aos mapas desenhados pelos homens.
Naquele pedaço de terra a História nunca terminou de passar.
Muchacho e o saxofone que fala à alma
Muchacho pertence ao grupo dos raros músicos que não apenas tocam: conversam com o silêncio, despertam lembranças e fazem o coração acompanhar cada nota.
Sob as luzes azuis do palco, o saxofone reluz em suas mãos como se fosse feito de ouro e luar. Muchacho se inclina suavemente sobre o instrumento e, por alguns instantes, o mundo ao redor desaparece. Permanecem apenas o músico, a respiração e aquela voz metálica e aveludada que nasce do peito antes de ganhar os caminhos da música.
Cada nota parece carregar uma história. Há nela o rumor das noites festivas, o encanto dos antigos bailes, a emoção dos reencontros e a saudade daqueles que partiram, mas continuam vivendo nas canções. O saxofone ora canta, ora chora, ora se eleva alegremente, como se soubesse traduzir todos os sentimentos que as palavras não conseguem alcançar.
Muchacho toca com a serenidade de quem conhece os segredos da música. Seus dedos percorrem as chaves do instrumento, enquanto a melodia se espalha pelo ambiente e envolve cada pessoa. Quem o escuta não permanece indiferente: alguma memória desperta, algum sonho retorna, algum sentimento adormecido volta a respirar.
No palco, ele não precisa de muitas palavras. Sua mensagem viaja pelo sopro. E o sopro, transformado em música, chega ao coração de quem ouve como uma brisa luminosa. Sob os refletores, entre o azul da noite e o brilho dourado do saxofone, Muchacho se torna parte da própria canção.
Quando a última nota finalmente repousa no silêncio, algo permanece no ar. É a sensação de que a música não terminou, apenas encontrou abrigo dentro de cada pessoa.
Quando Muchacho toca, o saxofone deixa de ser somente um instrumento. Torna-se voz, memória, emoção e poesia.








