quinta-feira, 26 de março de 2015

Móvel de Boanerges e Biluca é preservado



Atalíbia Boechat Borges e a caixa de fósforo de 1959, com foto de Roberto Silveira



Atalíbia Boechat Borges nasceu em 24/11/1945, em Bom Jesus do Itabapoana. Filha de Amélia Boechat Borges e Antônio José Borges, da Barra do Pirapetinga, são quatro os irmãos: Marciano, Maria das Graças, Ana Carolina, Cyrillo e Carolina. Casada com Wilson Miranda, teve dois filhos: Roulien Boechat e Ruth Boechat.

Seus avós maternos são Marciano José Domingues e Atalíbia Herdy Boechat, enquanto os paternos são Roselmira Maria Martins e Venceslau Ferreira Borges. 

Estudou na Escola Felicíssimo Leite, na Braúna, zona rural de nosso município e, posteriormente, no Colégio Zélia Gisner, na cidade. Posteriormente, formou-se professora em Itaperuna (RJ) e em São Gonçalo (RJ), realizando diversos cursos de especialização no Rio de Janeiro e Muriaé (MG). Lecionou no Colégio Estadual Padre Mello, no Colégio Zélia Gisner e no Colégio Antônio Honório, em Bom Jesus do Norte (ES). 


Caixa de Fósforo distribuída durante a campanha de Roberto Silveira em 1959 


Ela diz que "Roberto Silveira mudou a face de Bom Jesus do Itabapoana. Por aqui, muita gente só vivia do café, tendo renda anualmente. Roberto Silveira conseguiu emprego para muitos bonjesuenses, fazendo com que a realidade do município se modificasse. Seus pais Boanerges e Biluca costumavam dar o encaminhamento a estes empregos. Gostaria de ressaltar aqui o papel decisivo de Biluca, que foi uma mulher além do seu tempo. Ela opinava em tudo o que Boanerges fazia e tinha visão objetiva das coisas. Isso, certamente, influenciou no fato de ter tido dois filhos governadores", assinala.

Continua Atalíbia: " Meu avô, Marciano Domingues, era companheiro de Boanerges em negócios envolvendo café. Ele era chamado de Pai Eta. O apelido se deu pelo fato de vovô morar na Fazenda do Leite, próximo a Mirindiba. Como nós, quando crianças, não sabíamos pronunciar a palavra 'leite' corretamente, acabávamos dizendo 'eta'. Assim, passamos a chamar nosso avô de Pai Eta e nossa avó de Mãe Eta. Recordo-me que Pai Eta era integralista, da camisa-verde. Ele foi agredido em duas oportunidades, por causa disso. Na época, Getúlio Vargas tinha determinado a queima de plantações de café, para que o produto aumentasse de preço. Minha avó tinha muito medo de meu avô ser integralista. Antes de morrer, contudo, Pai Eta pediu para que fosse enterrado com a camisa verde.


Atalíbia diz que sua mãe Amélia gostava de contar histórias para ela e sua irmã Ana. "Mamãe contava que meu avô Marciano comprou, certa vez, a Fazenda do Meio, que ficava entre Barra do Pirapetinga e Calheiros, e que pertenceu a Boanerges Borges da Silveira, pais dos governadores Roberto e Badger Silveira. A compra foi feita 'com porteira fechada' , o que significa dizer que tudo o que estava dentro da fazenda foi adquirida. No primeiro dia em que minha mãe foi dormir na Fazenda do Meio com os doze irmãozinhos, juntamente com os avós, todos ficaram muito contentes, pois cada um passou a ter seu quarto. Por volta das duas horas da manhã, contudo, alguns irmãos disseram que viram assombração. Foi uma gritaria geral na fazenda e todos acabaram indo dormir no quarto dos meus avós".


E prossegue: "Assim que a  Fazenda do Meio foi vendida para meu avô Domingues, minha madrinha Carolina Domingues Boechat, que era minha tia, acabou ganhando um guarda-louça que pertencia a Boanerges e Biluca. Como, posteriormente, fui morar com minha madrinha, esta, ao final de sua vida, doou-me este móvel, assim como o almofariz que foi uma lembrança de Biluca e Boarnerges".




ALMOFARIZ E GUARDA-LOUÇA DE BOARNERGES E BILUCA




Almofariz pertenceu a Bonaerges e Biluca




Guarda-louça que pertenceu a Boanerges e Biluca







 Retornando a Roberto Silveira, ela diz que "quando vinha a Bom Jesus fazer campanha, ele deixava com meu pai material de campanha. Entre este material constavam muitas caixas de fósforo, que foram guardadas. Sobrou uma, que estou doando, agora, ao ECLBRecordo-me das maravilhosas Festas de Agosto quando Roberto Silveira era governador. Ele colocava holofotes na Praça Governador Portela, cujas luzes eram vistas até em Braúna, a cerca de 15 km de Bom Jesus. Ele trazia, também, bandas de músicas com qualidade, que era o que o povo queria. Havia ainda as espetaculares esquadrilhas da fumaça, que eram lindas."

Atalíbia diz que, após a morte de Roberto Silveira, Bom Jesus do Itabapoana e as Festas de Agostos nunca mais foram as mesmas.  "Perdemos nosso maior líder. Hoje, olho para a política e me pergunto: 'Onde está a essência da política de Roberto Silveira?'


Segundo Atalíbia, "apreciei ser professora, mas meu sonho, desde jovem, era ser funcionária do Banco do Brasil que, na época, era uma profissão de destaque. Mas não pude prestar concurso, pois só homens eram admitidos nos bancos. Além disso, por minha avó paterna, eu não sairia da Braúna, pois ela queria que eu me dedicasse à costura e bordados.

Sempre fui uma sonhadora que, contudo, não conseguiu realizar os sonhos. Hoje, continuo sonhadora, mas de outra natureza, preocupada com o futuro dos meus netos.


Repentinamente, os olhos de Atalíbia se entristecem: "Olho para o Monte do Calvário, região vizinha, e vejo algumas situações de miséria extrema.  Neste ambiente, viaturas da PM costumam aparecer, nos fins de semana, e levarem jovens presos por tráfico de droga. Jovens que, desde cedo, não possuem perspectiva de vida. Vejo, por outro lado, na televisão, falarem do projeto Criança Esperança, mas nunca vi isso em Bom Jesus do ItabapoanaApesar disso, entendo que devemos confiar na juventude. Acreditar que, através da educação desde o berço, poderemos transformar as crianças. Há grandes exemplos disso em Bom Jesus do Itabapoana e acredito que isso pode ser levado a todos os nossos jovens".

Atalíbia: esperança, apesar de tudo


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