sábado, 4 de junho de 2016

MARIA BEATRIZ SILVA: UM DOS MAIS BELOS EXEMPLOS DE LUTA POR SEUS IDEAIS


Maria Beatriz Silva 





A trajetória de Maria Beatriz Silva, de Laje do Muriaé (RJ), uma das mais novas integrantes do Conselho Estadual de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, na condição de suplente, constitui um dos mais belos exemplos de luta por seus ideais, que o Norte Fluminense registra a seguir.



TRAJETÓRIA DE MARIA BEATRIZ SILVA



Em 1962 – na cidade de Laje do Muriaé, aos 13 de maio, pelas mãos de sua avó Olívia Maria de Jesus (parteira), nasce Maria Beatriz Silva, a quarta filha de Odílio e Maria José. Sua infância foi de muita dificuldade, mas regada de proteção e amor de sua mãe. Com a primeira separação de seus pais, Maria Beatriz tinha 2 anos, sua avó paterna (filha de escrava, conhecida por Maria cozinheira), pediu a sua mãe para que deixasse o casarão da chácara onde morava com os seus quatro filhos, tendo em vista a rejeição de sua avó  materna  (Olívia Mª de Jesus) em abrigá-los. Maria Beatriz morou em um rancho de sapê cheio de buracos escorado por bambu e dormia junto dos seus irmãos e sua mãe no chão forrado por couro de boi. A luta incansável de sua mãe Maria José (lavadeira), que trabalhava dia e noite para o sustento de seus filhos, fez com que a mesma conseguisse, com ajuda de um dos patrões, a compra de um terreno, onde construiu um cômodo pequeno com melhor acomodação. Com o passar do tempo e a ajuda dos filhos, construiu uma casa (onde moram até hoje os irmãos de Maria Beatriz). Por amor aos seus filhos, não aceitou abandoná-los e lutou junto deles. Quando Maria Beatriz completou 5 anos, seu pai voltou para casa, sua mãe teve mais 2 filhos e seus pais se separaram definitivamente. Muitas dificuldades foram enfrentadas, Maria Beatriz, junto dos seus irmãos, inúmeras vezes entrou mata adentro (Fazenda Rozental), para tirar lenha, para sua mãe cozinhar os poucos alimentos que entravam em casa. Carregava lata de água na cabeça de uma cacimba que ficava distante de onde morava para a mãe lavar as roupas, pois era o trabalho de sustento da família. “Éramos felizes porque recebíamos amor sem medida da nossa mãe e ela sempre nos prometia que o dia de amanhã seria diferente, todo o nosso trabalho era feito com amor, na esperança de dias melhores.”, salienta.Não obstante as dificuldades, ela cresceu feliz, sem revolta, pois cada dia colhia da dificuldade ensinamento. Sua mãe sempre tinha uma palavra de conforto, e nunca  mostrava que carregava um peso. Nunca demonstrava cansaço e nem tristeza. Ao contrário, sempre cantava para fazer seus filhos dormirem. A luta era constante, e a esperança sempre existiu!



Período de 1969 a 1983- inicia sua vida escolar, na Escola Santos Dumont,  até a 3ª série primária, sua primeira professora foi Maura Freitas Goulart. A escola citada oferecia curso gratuito de 1ª até 3ª série. Para transferir sua matrícula para o Colégio Estadual Comandante Ary Parreira, não disponibilizava de recursos financeiros. Apesar disso, não desistia, mantendo-se sempre sonhadora, perseverante. Nutria um grande sonho: ser poeta e levar sua poesia ao mundo. Sonhava, ainda, ser jornalista, conseguindo, contudo, ter participação por um longo período no Jornal do Estudante com textos diversificados. Menina tímida, mas ousada, sempre tinha um jeitinho especial de procurar soluções nos casos que pareciam quase sem esperança. O desejo de continuar os estudos era enorme, começou a trabalhar como babá ainda muito criança. todos os dias quando deixava as crianças que tomava conta, no Jardim de Infância, Maria Beatriz sentava na escada do Colégio Estadual Comandante Ary Parreiras, com uma vontade enorme de ali entrar. Um dia, a diretora do Colégio, Derly Marcolongo, indagou o que ela fazia sentada ali todos os dias. Maria Beatriz contou sua história e pediu à diretora para ser ouvinte na sala de aula até conseguir comprar o uniforme. Seu pedido foi prontamente aceito e a diretora colocou-a na sala de aula. Maria Beatriz todos os dias comparecia no Colégio, como ouvinte, mas o fazia escondida de sua família, pois não queria deixar a mãe aborrecida por não ter condições de mantê-la naquele Colégio. Ela queria assistir as aulas até encontrar condições para se matricular. Seu desempenho como ouvinte na sala de aula era notado por todos e a professora Rita de Cássia levou o fato ao conhecimento da diretora, dizendo que “uma ouvinte tão inteligente e dedicada deveria ser mais uma aluna da turma”. A direção da escola levou, então esta informação ao conhecimento da sua patroa (dona Thereza mãe das crianças que eram cuidadas por Beatriz).

A partir dessa data foram providenciar sua matrícula. Ela não possuía, contudo, documentos, razão pela qual teve que ir ao cartório fazer seu registro de nascimento, pagando as despesas com o que recebia no seu trabalho. O primeiro desafio foi convencer sua mãe a autorizar sua filha a estudar num Colégio que era taxado como colégio de ricos. Sua preocupação era que maltratassem Maria Beatriz. Essa foi uma tarefa para dona Thereza que, com boa conversa, conseguiu convencê-la.  Contou, também com ajuda das professoras Dilma Alberoni, que ajudava com os livros, além de ser grande incentivadora. Apoio importante, também, foi o da professora Reginalda Carreiro, que se disponibilizou a dar aulas gratuitas na sua casa, pois Maria Beatriz havia perdido um período de aula, em decorrência do sarampo e, logo depois, do hepatite. Os livros de literatura que leu também foram emprestados pela professora Reginalda. “Meus professores não foram somente professores e sim amigos, conselheiros, suportes”. E, assim, em 1983 concluiu seus estudos vencendo os obstáculos. Da vida muito aprendeu e de tudo fez um pouco, dentro da luta, mas sempre com dignidade, verdade, humildade e sempre cheia de fé e esperança. Várias profissões teve de aprender, o que não pensava duas vezes para aprender e aceitar o trabalho que tivesse pela frente. Foi babá, empregada doméstica, sacoleira, telefonista, manicure, balconista, auxiliar de cabeleireiro, artesã, cartasista, letrista, educadora do PAF. (Programa de Alfabetização Funcional).




Em 1984 – pela primeira vez sua carteira é assinada. Começa a trabalhar como funcionária pública no Hospital Municipal na função de recepcionista, atuando por 3 meses, sendo promovida ao cargo de Chefe de Faturamento Ambulatorial e Hospitalar na mesma unidade (por 26 anos). Apaixonada pelo trabalho que exercia, sentiu a necessidade de ampliar conhecimento. Matriculou-se, assim, no colégio Maestro Masini, no curso Técnico em Contabilidade. Interrompeu o curso, entretanto, por motivos de saúde, eis que acometida por febre reumática por quase um ano..Segundo Maria Beatriz, "para eu me locomover, tinha de ser carregada no colo de minha mãe, dos irmãos e amigos que cuidavam de mim com imenso carinho. Eu dependia de ajuda para tudo, porque perdi também o movimento das mãos. Por amor e pela fé e por um milagre de Deus, após um ano, aprendi novamente a andar depois de sessões de fisioterapia e a ajuda paciente e carinhosa de minha família. Mas sempre insistente cheia de fé e esperança, retornei aos estudos e às minhas atividades profissionais. Concluí o curso de Contabilidade e ainda vários outros cursos profissionalizantes pelo SENAC, SENAE e oficinas/treinamentos pela SES (Secretaria de Estado de Saúde)".

Maria Beatriz sempre teve o amor de alma com Deus e costuma entregar toda a situação difícil nas mãos de Deus e de Nossa Senhora de Fátima. Nunca dispensou sua fé, suas orações. Preparada pelo padre Gervásio Gobatto, foi catequista por 12 anos. Participou também do coral da Igreja e foi organizadora das festas religiosas, por um longo período.



Em 2011, sua amiga Lúcia Lima descobriu o seu trabalho voluntário nas escolas com oficinas de artesanato. Ela incentivava a leitura e recreação com contação de histórias, que ministrava desde 1987, através da Associação Cultural e Educacional Flor de Esperança, entidade criada por ela. Maria Beatriz foi cedida para a Secretaria Municipal de Cultura ocupando o cargo de Subsecretária Adjunta de Cultura. No início de 2012 sua amiga de infância, Venina Rocha, traz para Laje do Muriaé a Exposição "O Brasil de Portinari", e convida Maria Beatriz atuar como monitora. Convite aceito, passou por treinamento e assumiu junto a outros monitores esse evento, que foi de grande importância para fazer visível a sua colaboração na cultura e na educação.   Em junho 2012, com a criação da Casa da Cultura, passa também a ser a primeira diretora da Casa da Cultura. Com a ida da Exposição "O Brasil de Portinari para Bom Jesus do Itabapoana", Maria Beatriz tomou conhecimento do Projeto Circuito Cultural Arte Entre Povos. Encantada com o evento, realizou-o, em setembro de 2012, com grande sucesso em Laje do Muriaé. Isso colaborou para o grande avanço no seu trabalho desenvolvido na cultura, realizando, também, o Circuito de Xadrez nessa mesma época. Em novembro, lançou seu primeiro livro solo (Trovas ao Luar) na Casa da Cultura. Em dezembro, realizou o Especial de Natal, finalizando as atividades culturais do ano de 2012.

  Em 2013, com a mudança de governo, passou a exercer a função de auxiliar administrativo na Secretaria Municipal de Cultura por 2 meses, sendo cedida para a Secretaria de Gabinete, exercendo a função de Secretária do Prefeito por 8 meses. Retornou à Casa da Cultura com o cargo de diretora, que mantém até os dias de hoje. Em agosto, realizou novamente o Circuito Cultural Arte Entre Povos, ocasião em que ocorreu a criação do CCMB (Centro Cultural Maria Beatriz), pela ACEFE (Associação Cultural e Educacional Flor de Esperança). O CCMB tem realizado importantes eventos, incentivando grupos artísticos e colaborando com as escolas, através de oficinas e palestras.  Além disso, colabora efetivamente para o resgate da história do município.

Posse de Maria Beatriz no Conselho de Cultura do Estado do Rio de Janeiro


TRAJETÓRIA LITERÁRIA


Maria Beatriz iniciou sua atividade na escrita aos nove anos, com mensagem de otimismo baseado nos ensinamentos de sua mãe. Sentindo-se rica e orgulhosa pela mãe que possuía, deixou que fluísse de seu coração um tesouro de palavras sem fim que eram suavemente gravadas no papel.

Aos doze anos, começou a escrever poesias em sala de aula. Percebendo que seus colegas ficavam em apuros ao responderem as cartas das namoradas, ela sempre se prontificava a ajudar. Assim, em cada carta nascia uma poesia. Não tinha regras para escrever, não buscava palavras concordâncias e nem rimas (já vinham espontaneamente), da sua alma, do seu coração. “Amo escrever e escrevo com sentimento, com emoção. Apesar de ter ficado adormecida pela escrita por vinte dois anos, hoje eu penso que seria impossível viver sem a poesia, ela me fez renascer. Meus escritos são baseados na luz e no amor. A luz que temos no nosso interior, a força, atitudes, que por vezes ignoramos a riqueza, o belo que possuímos, e que se usarmos, pode fazer grande diferença. O Amor, ah! Esse me move e é a base para toda construção. Sigo na direção da luz que sempre me conduz ao amor. Amo amar-me... Dou a ti o amor que há em mim!” sentencia.

2008 a 2009 – Certa vez, sua prima Olívia, que era sua professora de informática, convenceu-a de criar um orkut. “Eu não gostava da internet, me sentia insegura, mas após tanta insistência e, mesmo com muito receio, aceitei e comecei a gostar. Fiz amizades. Compartilhar mensagens era tudo que eu sonhava, levar palavras de esperança e amor para o mundo, mas, na época, eu ainda não conseguia enviar nenhum texto meu”. Em outubro, recebe um convite de uma amiga para participar de um site de Portugal. Aceitou o convite e fez amizade com poetas de outros países. Assim, começou a postar nesse site os seus poemas. Navegando pelo Orkut e o Netlog (site de Portugal), encontrou o Portal CEN – Cá Estamos Nós, tornando-se autora e, em seguida, foi nomeada pelo presidente desse portal, assessora de intercâmbio, podendo levar além dos seus poemas, os poemas dos amigos poetas para o outro lado do oceano. Um trabalho de dedicação e amor que faz até hoje com grande comprometimento. A convite da poeta baiana Betânia Uchôa, Ingressou na Associação Poemas à Flor da Pele de Porto Alegre, tendo os seus primeiros poemas editado no livro de papel, co-autora na Antologia Poemas à Flor da Pele vol. 2, da mentora Soninha Porto, proprietária da Editora Somar. A convite do escritor português Carlos Leite, participou de várias edições das revistas de Portugal, Gruta da Poesia e Prosas e Versos. Teve participação no período de 2009 a 2016, como co-autora em 68 antologias.

Em 2010, participou do I Congresso Nacional dos Poetas Virtuais do Brasil
na cidade de Santo Antonio de Pádua (RJ) e realizou noite de autógrafo em sua cidade – Laje do Muriaé, no Colégio Estadual Comandante Ary Parreiras.

Em 2011, participou da Conferência de Notas Para Diagnóstico Preliminar, realizada pela comissão de cultura do Estado do Rio de Janeiro. A meta principal era aprofundar o diagnóstico obtido nos Encontros Municipais de Cultura, recém realizados em todos os municípios da região. A convite de um casal português, ingressou no quadro de locutores na Web Rádio de Portugal Sonho Sem Fronteiras, realizando programações duas vezes por semana, durante 5 anos.

2012 a 2016 – Diretora da Casa da Cultura e do CCMB (Centro Cultural Maria Beatriz). Conselheira Suplente do Conselho Estadual de Política Cultural. As realizações em prol da cultura e da educação por Maria Beatriz é ativa dia após dia, incansável sem medir esforços nessa labuta, vem realizando eventos, palestras e oficinas para crianças, jovens, adultos e para integrantes da 3ª idade. Além disso, procura resgatar a história do município. Fez do CCMB o polo de cultura de Laje do Muriaé.


Agradecimento

"Eterno agradecimento à minha família, que esteve sempre caminhando ao meu lado, em especial ao meu filho pelo grande apoio. Agradeço a todos meus amigos virtuais e reais, que me seguem com respeito, dedicação, amor e apoiam o meu trabalho. Sem vocês de certeza eu não conseguiria realizar tanto. Obrigada! Maria Beatriz Silva".

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Maria Beatriz e a força de Laje do Muriaé (RJ)




6 comentários:

  1. Parabéns Maria Beatriz, abraço e sucesso

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  2. Parabéns, Maria Beatriz, que teus caminhos estejam sempre repletos de aplausos, serenidade, sucesso e muito amor em teu coração. Beijo.

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  3. Parabéns! Desejo e aplaudo por mais e mais sucesso!
    Ivone Boechat

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  4. Parabéns, Maria Beatriz. Sua trajetória dentro da cultura é dígna de respeito e muita admiração. Você traduz seu amor, seus sonhos, com sutileza e esperança. Receba o meu abraço com votos de mais sucesso nesse seu caminho.
    Beijos da L. Stella Mello

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    1. Parabéns, Maria Beatriz!
      Que maravilha de projetos você tem desenvolvido!
      Continue em seus objetos em prol da cultura de nossa região e do Brasil!
      Beijos
      Rita

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  5. Parabéns, Maria Beatriz! Você é um grande exemplo para todos nós, que às vezes desistimos dos nossos sonhos diante das primeiras dificuldades. Continue seu trabalho lindo em prol da Cultura do nosso Estado, do nosso País, do mundo Terra que habitamos!

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