terça-feira, 12 de maio de 2026

Dr Silvestre José Gorini: O Sopro que se Fez Luz em Varre-Sai

 

Entrar na residência do dr. Silvestre José Gorini, em Varre-Sai, é como atravessar um portal onde o tempo não passa, ele repousa. Ali, a história do homem e a do município se fundem de tal forma que as paredes deixam de ser simples alvenaria para se tornarem vitrines de uma vida dedicada à sua terra. É um museu particular de afetos e memórias materiais.

​Pelas paredes, o passado se anuncia em tons de sépia. Três fotos antigas funcionam como janelas.

​Duas delas resgatam o vigor da juventude, no tempo em que dr. Silvestre defendia as cores do Serrano Esporte Clube.

A terceira, mais solene, registra sua passagem pela centenária Lira Santa Cecília, guardiã da alma musical da cidade.

​Mas é em um canto especial da sala que a memória ganha uma função quase mágica. Ao observar uma singular luminária de mesa, o olhar atento percebe que sua estrutura não nasceu de metal ou plástico comum. Trata-se do próprio clarinete que dr. Silvestre dedilhou quando integrante da Lira Santa Cecília.

​O instrumento, que outrora preenchia as ruas de Varre-Sai com melodias, foi transfigurado. Ao recebê-lo da agremiação, dr. Silvestre não o guardou no silêncio de um estojo de veludo; ele o elevou à categoria de farol. A lâmpada, delicadamente inserida no corpo do clarinete, sugere uma metáfora visual poderosa: a música não morreu, apenas mudou de estado físico.

​Onde antes corria o ar, hoje corre a eletricidade. Onde antes vibrava o som, hoje vibra o fóton.

​Essa peça decorativa é, na verdade, uma declaração de amor à Lira Santa Cecília. A luz que emana do antigo instrumento indica que a agremiação permanece acesa em seu peito, iluminando não apenas os dias do dr. Silvestre, mas banhando em nostalgia e respeito todos aqueles que cruzam o seu umbral. Em Varre-Sai, o passado não é apenas lembrado; ele é a luz que nos guia.







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