A obra de arte no portão de uma escola pública diz silenciosamente a quem passa:
- Aqui também mora a beleza
Aquele portão é muito mais que um portão. Transformou-se numa espécie de janela
Há certas belezas que não são encontradas em praças de Bom Jesus.
Elas precisam ser procuradas.
No bairro Asa Branca, ao final do prédio da Escola Municipal Olívio Bastos, existe uma pequena rua: Rua Assú Teixeira Borges. É um daqueles caminhos discretos, quase secretos, desconhecido até mesmo de muitas pessoas que vivem no próprio bairro, simplesmente porque seus passos nunca tiveram motivo para chegar até ali.
Mas quem chega encontra uma surpresa.
No portão da escola, a arte engrandece.
E há algo profundamente simbólico nisso.
Os grandes tesouros da existência nem sempre estão nas avenidas movimentadas ou nos lugares iluminados pelos holofotes. Muitas vezes, estão recolhidos em algum canto silencioso do mundo, esperando apenas o olhar capaz de descobri-los.
A beleza gosta de morar assim: um pouco escondida.
E essa obra de arte no portão de uma escola pública diz silenciosamente a quem passa:
- Aqui também mora a beleza.
Mas não apenas ela.
Ali moram crianças, professores, sonhos, aprendizado, esperança. Ali se constrói diariamente aquilo que nenhuma fotografia consegue registrar por inteiro: o futuro.
A Escola Municipal Olívio Bastos já havia revelado essa sensibilidade de maneira emocionante no desfile cívico-militar de 14 de agosto.
Nesse dia, levou para a avenida uma homenagem às enfermeiras, personificadas em Maria Dolores, recebida com muitos aplausos pelo público.
O tema escolhido era uma pequena poesia caminhando pelas ruas:
“A enfermeira é um anjo atento que cuida e protege a vida.”
Não é por acaso que uma escola capaz de compreender a grandeza daqueles que cuidam também tenha escolhido a arte para adornar seu próprio espaço.
Há uma delicada ligação entre educar, cuidar e criar beleza.
O professor cuida ensinando.
A enfermeira cuida protegendo.
O artista cuida humanizando.
E a escola reúne um pouco de todos eles, porque educar verdadeiramente não significa apenas transmitir conteúdos. Significa ensinar uma criança a perceber o outro, reconhecer aqueles que servem à comunidade, descobrir a beleza e compreender que uma cidade também é construída pela memória e pela gratidão.
Por isso, aquele portão é muito mais que um portão.
Transformou-se numa espécie de janela.
De um lado, uma pequena rua quase desconhecida. Do outro, um universo inteiro sendo construído.
A Escola Municipal Olívio Bastos, ao investir na arte, na educação de qualidade e na valorização das personalidades que dedicam suas vidas ao município, demonstra que uma escola pode ultrapassar seus muros e tornar-se referência de humanidade para toda uma comunidade.
No bairro Asa Branca, ela permanece assim: uma luz de esperança acesa.
E essa é a mais bonita lição daquela obra escondida no final de uma rua.
Nem toda luz precisa estar no centro da cidade para iluminar.
Algumas permanecem discretamente nos bairros, atrás dos portões das escolas, entre professores e crianças, esperando que alguém passe por ali e perceba que o futuro, silenciosamente, já começou.
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