sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Rosal celebra cultura, memória e resistência no 22º Evento da Consciência Negra


 Existem dias em que uma comunidade se reúne para ouvir o próprio coração. Em Rosal, o próximo 20 de novembro será um desses dias: a memória ganhará voz, a música encontrará as ruas e mãos de cores diferentes se tocarão, trazendo nas linhas das palmas histórias que merecem ser conhecidas. O 22º Evento Cultural da Consciência Negra de Rosal abrirá espaço para essa escuta, feita de alegria, reconhecimento e respeito.

Pela manhã, os trabalhos dos estudantes do Colégio E. M. Luiz Tito de Almeida e os livros da escritora Tereza Cristina de Nazaré convidarão cada visitante a se demorar diante de uma descoberta. Nas páginas e nas criações escolares, a cultura afro encontrará caminhos para chegar aos mais jovens, levando consigo nomes, saberes e experiências que precisam permanecer vivos. Pode ser que uma criança volte para casa com uma pergunta nova; talvez um adulto reconheça, num trabalho exposto, uma história que também é sua.

A missa celebrada pelo padre Elias Cruz reunirá as preces da comunidade. Depois, os instrumentos da Lira 14 de Julho levarão ao ar aquela emoção que uma banda desperta: basta uma melodia para que alguém se lembre de uma pessoa querida, de uma festa antiga, de um tempo guardado com carinho. Ao meio-dia, o almoço comunitário prolongará o encontro. Entre pratos e conversas, haverá lugar para a alegria simples de repartir a mesa.

À tarde, a roda de capoeira da ALAC desenhará no chão uma memória de resistência. Cada movimento carregará a força de uma arte que fez do corpo expressão, defesa e liberdade. O teatro do grupo GOTTA e a dança do Corpo em Movimento também oferecerão seus gestos e suas vozes, permitindo que outras histórias sejam contadas e sentidas.

Haverá, ainda, o instante de pronunciar nomes com gratidão: Geraldo Mendes de Morais, in memoriam, e Wellington Soares dos Santos, o querido Tãozinho. Ao homenageá-los, Rosal fará uma pausa para reconhecer presenças e contribuições. A saudade de quem partiu e o abraço em quem está entre nós terão seu lugar nessa celebração.

E a música seguirá com Dircel Amil, o grupo Koisa Nossa e Gessé Pimenta. Quando a noite chegar, encontrará uma comunidade reunida em torno de suas raízes e de seus afetos. Que a beleza desse dia acompanhe também os dias seguintes: na escola, no trabalho, nas ruas, em cada oportunidade de combater o preconceito e acolher alguém com dignidade. Assim, o encontro anunciado pelas duas mãos do cartaz poderá continuar muito além da festa, no gesto cotidiano de reconhecer o outro e lhe abrir espaço ao nosso lado.


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