Jornal fundado por Ésio Martins Bastos em 25 de dezembro de 1946 e dirigido por Luciano Augusto Bastos no período 2003-2011. E-mail: onortefluminense@hotmail.com
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
PATRIMÔNIO HISTÓRICO CORRE O RISCO DE DESABAR
A Casa da Farinha, construída no século XIX, e que pertenceu a Antonio Ignacio da Silveira e Maria Borges da Silveira, avós paternos dos governadores Roberto e Badger Silveira corre o risco de desabar.
A prefeita Branca Motta ignora também este patrimônio histórico de Bom Jesus do Itabapoana, que parece estar com os dias contados.
CRÔNICA DE TARCÍSIO BORGES
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Aproximando a Assunção, a comunidade celebrava – dobres de
sinos, missas e procissão.
À noite, no botequim, reuniam-se uns amigos. Bebiam e
conversavam, dando boas risadas. Por vezes falavam de coisas inexistentes, como
os latifúndios. Eram amigos ou parentes com mais de duzentos anos de história e
respeito.
Um Corpo Estranho, tolerado pelo sistema imune comercial,
fora introduzido recentemente, efeito maléfico da modernidade, telefonia móvel
e internet. Com bravatas e mentiras, o intruso fez o seu próprio diagnóstico:
misoginia, misantropia e racismo. Dava náuseas num frasco de Plasil! Mas o
comércio ia lhe ganhando o dinheiro, e o engolia, aumentando as alcunhas.
Mentiroso, Cotoco, Piquira.
A turma sorria, olhavam uns nos outros, e iam tangendo a
boiada. Lamparina dava mostra de exaustão.
Numa noite, vinha de lá a procissão. O boteco arriou as
portas até faltar um metro para fechá-las, deixando pernas à mostra. Era o
sinal de respeito da convenção.
Lamparina viu a multidão, e deu o alarme. Estava cansado.
Passara o dia no arquivo, lendo e pesquisando. Parece que escrevia umas coisas.
A procissão passando, Corpo Estranho disse: “Vontade de ir
lá e derrubar tudo, espalhar todo mundo”. Lamparina aproximou-se da parede em
frente ao balcão, e retirou do suporte uma vassoura. Pondo-se em posição de
ataque, respondeu: “Experimenta”. Corpo Estranho indagou: “O que vai acontecer?
Eles vão me bater?” Lamparina disse: “Eles, eu não sei”. E o boteco inteiro
gritou: “Mas nós vamos!”.
Tarcísio Borges, nascido em Bom Jesus do Itabapoana, é médico e escritor
BOM JESUS, OCTACÍLIO DE AQUINO E A REVOLUÇÃO DE 1930
Octacílio de Aquino é um dos grandes escritores bonjesuenses e do país. Em 1930, lançou o livro "Antes da Revolução", impresso pela Typographia Vasconcellos, de nossa cidade. Na referida obra, há um apêndice contemplando um valioso diário sobre a entrada e permanência das tropas rebeldes em Bom Jesus do Itabapoana.
O NORTE FLUMINENSE, com o objetivo de resgatar e homenagear o nome deste grande escritor e, também, contribuir para o resgate dos fatos históricos da época, divulga, a seguir, as páginas deste apêndice..
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terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Dia de Reis sem Folia
| Presépio da Prefeitura de Bom Jesus do Itabapoana |
Hoje é o Dia dos Reis.
No presépio montado pela Prefeitura de Bom Jesus do Itabapoana, na Praça Governador Portela, não se viu manifestação de qualquer Folia de Reis.
Mais um Dia de Reis sem Folia.
O blog do Espaço Cultural Luciano Bastos (www.lucianobastos.blogspot.com) postou no dia 28 de dezembro de 2012, texto de sua diretora, Paula Aparecida Martins Borges Bastos, que reproduzimos a seguir.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
A FOLIA DE REIS EM NOSSA CULTURA
Arautos do eterno recomeço
Paula Borges Bastos
As ruas adormecidas da pequena cidade parecem esquecidas pelas pessoas. O mês é dezembro ou janeiro. O calor faz as casas abrirem suas janelas para que o ar circule livremente trazendo a fresca da madrugada. A lua ilumina timidamente o céu estrelado. Quebrando a monotonia da noite, um grupo de homens caminha silenciosamente, em passos leves, como se a paisagem os acolhesse em seu anonimato. Ao chegar frente a uma casa de dois andares, o que parece ser o chefe do grupo, um senhor de aspecto maduro e olhar vivaz, faz um sinal. Todos param, perfilados e a postos. O chefe toma de um apito, que traz pendurado ao peito, e emite um silvo longo e estridente. A noite desperta, encantada. Vozes ancestrais, em cantilena, devolvem ao mundo uma história de reis, um casal em fuga, uma criança salvadora e a eterna batalha entre o bem e o mal. Sanfona e tambores se distinguem entre os sons que separam as estrofes, em um ritmo ágil e forte.
Dentro da casa todos os olhos já estão abertos. O pai levanta e se prepara para ir ao encontro da calçada, agora iluminada pelas luzes acesas na varanda. A mãe se dirige à cozinha, sem nenhum espanto, com passos lentos, mas decididos de ação. O cachorro acompanha a dona, sem hesitação. No alto uma menina viaja pela fresta da janela, inebriada pela linguagem inacessível que traz, através da melodia, a intuição de um mundo inimaginável e ao mesmo tempo tão familiar. Os irmãos, todos de pé, acompanham em expectativa e risos o desenrolar da noite. A casa, honrada, recebe uma jornada da Folia de Reis.
O grupo, masculino, não é grande. A vestimenta lembraria soldados em desfile, não fossem as cores fortes e brilhantes, tecido lembrando cetim, e chapéus cuidadosamente enfeitados em prateado e dourado. Um deles carrega um estandarte com imagens religiosas, muitas fitas coloridas e algumas mensagens. A música continua, alternando vozes e instrumentos, em ritmo uniforme, eterno, secular e sacro. Todos que estão ali são pessoas simples, alguns da mesma família, outros vizinhos ou conhecidos. Trabalhadores no dia-a-dia da vida cotidiana, que se transformam no fim de ano em arautos do eterno recomeço. Há uma dignidade encarnada, que não se personifica nem se individualiza. É o sentido da comunhão, do anonimato construtivo, do comunismo primitivo, que une esses homens na manifestação que considero mais característica de nossa cultura local.
O pai acompanha, muito ereto e compenetrado, todo o desenrolar da história trazida à nossa casa. Por fim o apito soa novamente, indicando uma pausa. Meu pai diz algumas palavras de agradecimento pela honraria, e segura, como reza a tradição, o estandarte símbolo de devoção. Todos são convidados a entrar na sala. Sobre a mesinha do centro já se encontram biscoitos e refrigerante, que minha mãe depositou tranquila e placidamente enquanto as vozes dissonantes do lado de fora inundavam nossas almas. Conversas que eu não conseguia ouvir continuavam na sala até que todos comessem e bebessem. Por fim, meu pai agradecia novamente, fazia uma doação em dinheiro juntamente com uma garrafa de vinho, e todos se dirigiam, em fila, para o lado de fora da casa.
A música retornava, e dessa vez ganhava destaque o palhaço, que cantava e se distinguia do grupo em vestimenta e cor, além de uma máscara muito grande, com cara de animal, que encobria todo seu rosto. Trazia à mão um cajado que rodava e saltitava junto com seu corpo enquanto os tambores ressoavam fortes entre os espaços de sua história. Este palhaço tem um quê de herança dos malignos indígenas, um tanto mais travessos que malvados, trazendo para as coisas e pessoas o risível de nossa humanidade.
É natural que os reis magos não poderiam manter-se intactos em nossa cultura mestiça. É na folia que se traduz nossa miscigenação, nossa leitura de mundo, nossas cores e nossa bandeira. Encarnação de nosso modernismo arcaico absorvido pela antropofagia, as raízes europeias sofrem uma visão tupiniquim embalada a sons africanos. Construimos, em nosso cotidiano, um mundo árido e de sol forte, em cujo interior de nossas almas habita, vasto e inominável, um grande sertão pelas veredas da vida que nos compõe.
ORIGEM E FORMAÇÃO DAS FOLIAS
Texto extraído do jornal O Norte Fluminense, de 25 de dezembro de 1985
As Folias de Reis são de origem portuguesa, possivelmente ligadas aos grupos de violeiros e repentistas que percorriam igrejas e aldeias de Portugal para festejar o Natal. Não tem semelhança com os pastoris comuns no Nordeste, sendo manifestação folclórica mais ocorrente na região Sudeste brasileira.
Sua organização parece sugerir reminiscências de formação militar, quer pelo uniforme usado pelos foliões em alguns municípios, lembrando bastante fardamentos, quer pelo nome de alferes dado ao Porta-Bandeira. Além deste, são figuras fixas em uma folia o mestre que tira os versos e comanda a cantoria, e os palhaços. O número de foliões é variável. Quanto aos instrumentos, modificam-se de região para região, sendo básicos os bumbos, caixas, sanfona, triângulo, chocalho e pandeiro. No Norte Fluminense podemos testemunhar a presença de instrumento de corda, cavaquinho e violões no instrumental de folias e até de flautas, estas feitas de bambu, de som muito límpido.
APRESENTAÇÃO DA JORNADA
Chama-se jornada a apresentação de folias de Reis em casas de famílias. Como pertencer a uma folia é devoção ligada à intenção religiosa de louvar o Deus-Menino, basta que se solicite a presença da folia para que ela compareça. Espera-se que os donos da casa ofereçam aos foliões comida e bebidas, dádivas, em dinheiro ou animais domésticos, que posteriormente são vendidos, revertendo o preço para a bandeira. Mas mesmo no caso de não poderem contar com sua presença, muitas vezes a jornada é uma visita de improviso.
Uma jornada completa, segundo a tradição fluminense, comporta a marcha – chegada da folia e pedido para entrar e cantar na casa visitada. Busca. Encontro e Adoração cantadas em versos tradicionais pelo mestre em coro de todos os foliões; Ceia, cantos junto à mesa de refeição oferecida pelos devotos, cantada geralmente em versos improvisados para a circunstância.
Agradecimento e despedida, composta de versos também improvisados, em atenção a todos os presentes, principalmente os donos da casa, seus familiares e demais pessoas que fazem ofertas à Bandeira.
As dádivas em dinheiro costumam ser presas à própria Bandeira, oferecendo-se, ainda, comumente, imagens, medalhas e flores para orná-las. As Bandeiras de Folia são criadas pelos próprios foliões ou pessoas de sua família, sendo feita de fitas coloridas, flores de papel, espelhos e outros ornatos brilhantes. Também manualmente produzidos são muitas vezes os instrumentos da folia, caixas, pandeiros e chocalhos, são ainda confeccionados pelos foliões, especialmente em Cantagalo, Duas Barras, Pádua e Miracema.
PALHAÇO E TRIPE
Algumas Folias trazem mulheres entre seus componentes. Entoando os versos com os demais membros do grupo, elas são encarregadas de produzir a nota final, aguda, no encerramento de cada verso , um descante emitido uma oitava acima da última frase cantada: a isso chama-se “tripe”. Essa função cabe, em outras folias, só aos meninos.
Os palhaços representam os soldados de Herodes que, cumprindo ordens desse rei, procuravam o Menino Jesus para matá-lo. Inteiramente coberto de fitas e tiras de pano, com uma cruz aplicada às costas, os palhaços de folia tem o rosto coberto com máscaras de couro. No interior do Estado são preferidas as máscaras de couro de animais silvesstres (preguiça ou quati) ou de cabrito.
Considerados indignos de comparecerem perante o Menino Jesus, os palhaços prostam-se de rosto no chão diante do presépio, para manifestar seus arrependimentos. Ser palhaço é promessa que na maioria dos Municípios fluminenses compromete o penitente por sete anos. A apresentação dos palhaços é feita no final da jornada, com música especial chamada “Chula”.
Os palhaços improvisam os versos que cantam e dançam, executando piruetas dentro de um círculo formado pelos músicos. Costumam receber moedas, que são atiradas ao chão pelos presentes.
HABITAÇÕES PARA 70 FREIRAS SÃO INAUGURADAS EM NOVO PRÉDIO DO CONVENTO
| Madre Virgínia Alves de Lima, co-fundadora do Convento, juntamente com o Monsenhor Francisco Apoliano, e a parte interna do novo prédio |
Foram inauguradas, no dia 27 de dezembro passado, no antigo sítio Oscar Campos, 70 habitações (celas) para as Irmãs de Caridade do Instituto Imaculado Coração de Maria e São Miguel Arcanjo, no novo prédio do Convento que ali está sendo construído. Centenas de pessoas marcaram presença no evento que contou com a bênção do bispo Dom Fernando Arêas Rifan, Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney que, na oportunidade, lançou o livro "Sementes", em comemoração ao 40º aniversário de sua Ordenação Sacerdotal.
| Prédio do Convento ainda está em construção |
Segundo Madre Virgínia, co-fundadora do Convento, juntamente com o Monsenhor Francisco Apoliano, "desde os 11 anos senti-me chamada por Deus para a vida consagrada. Aos 13 anos, tive a convicção plena desse chamamento. Meu pai, José Lima Alves, era o proprietário do Abrigo dos Velhos e eu sempre me identifiquei com o trabalho com os idosos", salienta.
Em relação ao Convento, ela relata que a Madre Superiora é Rosângela Guariza. Ressalta, ainda, que o mesmo "funcionava ao lado do prédio do Abrigo dos Velhos José Lima. O padre José Paulo, contudo, solicitara a área para instalar um colégio, assumindo o compromisso de, futuramente, providenciar novo local para abrigar as Irmãs. Após o precoce falecimento de Padre José Paulo, Padre Ivoli, seu sucessor, deu continuidade ao trabalho e, após a aquisição do sítio Oscar Campos, transferiu parte do mesmo para a instalação do Convento. Em 2 anos e 8 meses construímos a obra que aí está. Embora não esteja ainda concluída, tudo o que foi feito até agora é um milagre a olhos vistos. Somos, atualmente, 43 irmãs, mas construímos 70 celas, pois estamos prevendo o crescimento de vocações".
| Uma das 70 celas do Convento |
| Madre Virgínia e um dos corredores que levam às celas |
Madre Virgínia ressalta, ainda, os inúmeros apoios que têm sido dados para tornar realidade a edificação do prédio do Convento: "Nosso povo é abençoado por Deus, é generoso. Muitos têm sido os colaboradores. Nós, do Convento, também cedemos nossa força de trabalho, 'rejuntamos' o piso, pintamos as paredes com os nossos braços e realizamos toda a limpeza do prédio. Além disso, vendemos picolés, pipocas, promovemos almoços e organizamos bingos. Continuamos, entretanto, contando com o apoio de todos para concluirmos a obra".
O Convento está localizado próximo a uma área de preservação ambiental. " Há água cristalina, macaquinhos e até tucanos". No Convento, a Capela ainda está sendo construída. Há uma sala destinada para a biblioteca e outra para reuniões. Além disso, três salas serão destinadas à fábrica de paramentos mantida pelas irmãs: "A CIM PARAMENTOS fabrica e vende paramentos para todo o país", registra.
| Área de preservação ambiental ao lado do Convento |
Por ocasião da solenidade, utilizaram da palavra a Madre Virgínia, relatando aos presentes a história da construção do prédio e agradecendo à comunidade e ao Padre Ivoli Fernando Latrônico, pároco da Paróquia Pessoal Senhor Bom Jesus Crucificado e Imaculado Coração de Maria pelo apoio à obra.
| Madre Virgínia: agradecimentos e emoção |
Padre Ivoli, usando da palavra, após manifestar sua alegria por aquele momento tão significativo, apresentou a prestação de contas relativa à construção do prédio.
| Padre Ivoli Fermnando Latrônico: regozijo e prestação de contas |
O bispo Dom Fernando Arêas Rifan, presente ao evento, por sua vez, manifestou o seu júbilo com o acontecimento: " este Convento representa o coração de Bom Jesus do Itabapoana e, quiçá, da Administração Apostólica. Trata-se de Centro de Oração e de vida consagrada!"
| Dom Fernando Arêas Rifan: " este Convento representa o coração de Bom Jesus do Itabapoana" |
| Centenas de pessoas estiveram presentes à solenidade |
O vice-prefeito Jarbas Borges usou também da palavra, ao final, irmanando-se nas palavras de alegria pelo evento e ressaltando o importante trabalho social que as Irmãs de Caridade exercem junto aos idosos.
| Vice-prefeito Jarbas Borges salientou a importância da atuação social das Irmãs de Caridade |
| A bênção do bispo Dom Fernando Arêas Rifan |
| Placa de agradecimento ao Padre Ivoli Latrônico |
| Desenlace da fita inaugural |
Um evento histórico para Bom Jesus do Itabapoana.
| Dom Fernando Arêas Rifan autografando o livro |
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OUTRAS IMAGENS DO EVENTO
| Capela do Convento ainda será construída |
| O bonjesuense Josemar de Souza Rodrigues Júnior, 19 anos, pertence à Ordem de Nossa Senhora das Mercês, com sede em Brasília |
| Mercedes Fonseca Vieira, mãe do saudoso Padre José Paulo, e Madre Virgínia |
| Irmãs Rosa e Maria de Lourdes, Servas de Maria Auxiliadora, de Campos dos Goytacazes (RJ) |
| Padre Ivoli Latrônico e seus pais Glória e Ivo, residentes em Santa Catrina |
| Padres e seminaristas de Campos dos Goytacazes (RJ) |
| Seminaristas Edmar e Vinícius |
| Padre Ivoli Latrônico e Padre Alfredo Gualandi, de Porciúncula |
| Madre Rosângela, Dom Rifan, Padre Ivoli e Madre Virgínia |
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