segunda-feira, 18 de julho de 2016

A HISTÓRIA DE CALHEIROS









TTE FELIZBERTO GONÇALVES DUTRA
ARRAIAL DE SANTO ANTONIO DO RIO PRETO GUARDA-MOR FERNANDO ANTONIO DUTRA

(do livro "BOM JESUS DO ITABAPOANA" escrito pelo historiador ZICO CAMARGO e editado por sua filha GEORGINA MELLO TEIXEIRA, a dona NINA) 


Francisco Camargo Teixeira, o Zico Camargo

            O mais antigo Arraial da Freguesia de Bom Jesus foi o de SANTO ANTONIO DO RIO PRETO, fundado em 1840, pelo Tenente Felizberto Gonçalves Dutra, que doou 15 alqueires de terra para o povoado. Deu-lhe o nome de Santo Antonio do Rio Preto por dois motivos: Santo Antonio era o Santo de sua devoção, e Rio Preto, o nome por que era conhecido o rio àquela época.
            Chegou o Tenente Felizberto Gonçalves Dutra a estas terras, procedente das Minas Gerais, em 1836 e foi o primeiro a se estabelecer na região do atual Calheiros. Veio com sua mulher. Da. Silvéria Umbelina de Conde. Suas terras confrontavam com Rosal, Córrego da Água Limpa, Rio Itabapoana e as terras do posseiro Guarda-Mor Fernando Antonio Dutra. Em 1858 vendeu ao Major Luiz Vieira da Silva Pinto as Fazendas Fundação e Boa Ventura; ao Cap. Cândido Soares Calheiros, juntamente com o Cap. José da Costa Santos, a Fazenda São Tomé; e ao Sr. Joaquim Antonio Teixeira, a Fazenda da Serônia.

Vila de Calheiros
            Em 1867, foram nomeados para o Arraial o primeiro Juiz de Paz, Sr. Joaquim de Oliveira Penna, e o primeiro Vigário, Pe. João Mendes Ribeiro que, juntos, muito fizeram pelo progresso do Arraial. Sobre o Padre João, conta-se que não foi bem aceito na localidade por ser de cor preta. Era zeloso e cumpridor dos seus deveres, cuidava bem do seu rebanho, mas o preconceito racial era muito forte. Conta-se que, certa feita, foi abordado por um grupo de moradores, após a celebração da Santa Missa. Forçaram-no a entrar em uma canoa, sem remos. Abandonado no meio do rio, sem poder remar até a outra margem ou evitar a cachoeira que estava próxima, Padre João não se perturbou: sentou-se e abriu seu livro de orações, pondo-se a rezar. A canoa tranqüilamente teria seguido para o outro lado e novamente voltado à margem de origem. O povo que a tudo assistia, o recebeu de volta, aceitando a vontade de Deus. Nesse Arraial, o Padre João permaneceu até a sua morte; no cemitério do distrito de Calheiros, encontramos seu túmulo.
            Entre os muitos balizados e casamentos celebrados por ele, destacamos alguns realizados em 1870. Por exemplo, o batizado de ANTONIO, filho de João Teixeira de Siqueira Magalhães e de Da. Antonia Siqueira Dutra, e o casamento de Felizberto Antonio Gonçalves com Prudenciana Marcelina da Rosa, todos colonizadores. Em 1872, já era bem grande o desenvolvimento do Arraial Santo Antonio do Rio Preto. Possuía uma Igreja Católica, reconstruída em 1940 pelo casal José Nunes de Carvalho - Antônia Teixeira de Carvalho, casas para moradia, farmácia, casas comerciais e até uma banda de música.
            Nos anos de 1872 a 1874, grassou uma grande epidemia de cólera-morbo que matou 50% da população. Desgostoso, o Tte. Felizberto Gonçalves Dutra preferiu mudar-se, com sua família, para o então Distrito de São José do Calçado, na vizinha Província do Espírito Santo. Ali faleceu em 20 de novembro de 1876. Também colaboraram nesta época da epidemia o Sr. Francisco das Chagas Oliveira França e sua mulher Da. Maria Francisca de Paula Souza, com alimentos, remédios e oferecendo ao Governador sua fazenda para ser Hospital de Emergência.
             Em 1879 o Decreto n° 2389 desmembrou Varre-Sai de Bom Jesus e, em 15 de dezembro do mesmo ano, foi criado um Distrito Policial, na mesma Freguesia, com sede no Arraial de Santo Antonio do Rio Preto.
            O casal Tte. Felizberto Gonçalves Dutra - Da Silvéria Umbelina de Conde, deixou sete filhos: Francisco José Dutra - casado com Anna Theodora D'Assumpçâo; Joaquina Umbelina de Conde casada com Jacob Antonio Teixeira; Maria Silveira do Carmo; Anna Silveira de Conde; Antonio Flor de Jesus; João Francisco Dutra - casado com Maria Carolina da Silva e Pedro Francisco Dutra.
            Como já foi dito anteriormente, o Guarda-Mor Fernando Antonio Dutra, com sua mulher. Da. Theodora Maria D'Assumpçao, filhos, escravos, agregados e o necessário para começar vida em território estranho, acompanhou o Alferes Francisco da Silva Pinto, quando este veio de Ouro Preto - Minas Gerais - para a nossa Província. Vieram, também com ele, os irmãos Cel. José Dutra de Nicácio e Cel. Antonio Dutra de Nicácio. Enquanto o Guarda-Mor veio diretamente para aqui, tendo posseado o Vale do Pirapetinga, o Cel. José Dutra de Nicácio dirigiu-se para o vizinho Município de São José do Calçado e o Cel. Antonio Dutra de Nicácio, para uma fazenda no Município de Natividade do Carangola. O desenvolvimento das glebas de toda a Província do Norte do Estado foi feito quase que ao mesmo tempo: enquanto o Alferes Francisco da Silva Pinto posseava a região do Bálsamo, o Sr. Fernando Antonio Dutra o Vale do Pirapetinga; o Sr. Felizberto Antonio Gonçalves, Francisco José Denis ou Diniz e outros a região onde é hoje o Distrito de ROSAL; Felizberto Gonçalves Dutra, a região de Santo Antonio do Rio Preto, hoje Distrito de CALHEIROS; Os Srs. Jacob Mendonça Furtado, Francisco das Chagas de Oliveira França, Pé. Germano Gonçalves da Silva Xavier, a região onde é hoje o Distrito de CARABUÇU; e o Sr. Antonio da Silva Neném, supostamente a sede.
            Fernando Antonio Dutra, como outros Fazendeiros, mantinha um Oratório na sua fazenda, no qual se realizavam, além das missas, batizados e casamentos. Dentre os batizados ali realizados, os mais antigos registros encontrados foram: MARIANA, em 14 de janeiro de 1874, filha de Manoel dos Anjos e Balbina Roza de Jesus; THEODORA, em 6 de janeiro de 1850, e FRANCISCO, em 19 de fevereiro de 1851, netos do Guarda-Mor Fernando Antonio Dutra e Da. 'Theodora Maria D'Assumpção.
            Por volta do ano de 1864, o Sr. Fernando Antonio Dutra vendeu as terras que possuía aos Senhores Antonio José Borges, Francisco Borges Sobrinho e Frederico Lengruger. Ficou aqui até 1865, quando resolveu mudar-se também para São José do Calçado, juntando-se aos demais parentes. Lá ficou até a sua morte, em 19 de junho de 1870. Foi, inegavelmente, um dos grandes batalhadores do nosso município.
            O casal Guarda-Mor Fernando Antonio Dutra - Da. Theodora Maria D'Assumpção, teve treze filhos: João Fernando Dutra - casado com Carolina Maria da Silva; Maria Querubina D'Assumpção - casada com Fel izberto Dutra de Nicácio; Anna Theodora D'Assumpção -casada com Francisco José Dutra; Carolina D'Assumpção Dutra -casada com Manoel Gomes do Nascimento; Cândida Maria D'Assumpçao - casada com João Pereira da Silva Júnior; José Fernandes Dutra - casado com Antonia Maria Pereira; Francisca Maria D'Assumpção - casada com José Pereira da Silva; Antonia Maria de Jesus - casada com João Teixeira de Siqueira Magalhães (bisavô do autor); Maria da Glória D'Assumpção - casada com Francisco Gomes Furtado; Maria Carlota Dutra - casada com Francisco Rodrigues do Amaral; Joaquina Maria D'Assumpção - casada com Urbano Pereira da Silva; Antonio Fernandes Dutra - casado com Antônia Maria Pereira e Fernando Antonio Dutra Filho.



 GUARDA-MOR FERNANDO ANTONIO DUTRA



            O mais antigo Arraial da Freguesia de Bom Jesus foi o de SANTO ANTONIO DO RIO PRETO, fundado em 1840, pelo Tenente Felizberto Gonçalves Dutra, que doou 15 alqueires de terra para o povoado. Deu-lhe o nome de Santo Antonio do Rio Preto por dois motivos: Santo Antonio era o Santo de sua devoção, e Rio Preto, o nome por que era conhecido o rio àquela época.
            Chegou o Tenente Felizberto Gonçalves Dutra a estas terras, procedente das Minas Gerais, em 1836 e foi o primeiro a se estabelecer na região do atual Calheiros. Veio com sua mulher. Da. Silvéria Umbelina de Conde. Suas terras confrontavam com Rosal, Córrego da Água Limpa, Rio Itabapoana e as terras do posseiro Guarda-Mor Fernando Antonio Dutra. Em 1858 vendeu ao Major Luiz Vieira da Silva Pinto as Fazendas Fundação e Boa Ventura; ao Cap. Cândido Soares Calheiros, juntamente com o Cap. José da Costa Santos, a Fazenda São Tomé; e ao Sr. Joaquim Antonio Teixeira, a Fazenda da Serônia.

Vila de Calheiros
            Em 1867, foram nomeados para o Arraial o primeiro Juiz de Paz, Sr. Joaquim de Oliveira Penna, e o primeiro Vigário, Pe. João Mendes Ribeiro que, juntos, muito fizeram pelo progresso do Arraial. Sobre o Padre João, conta-se que não foi bem aceito na localidade por ser de cor preta. Era zeloso e cumpridor dos seus deveres, cuidava bem do seu rebanho, mas o preconceito racial era muito forte. Conta-se que, certa feita, foi abordado por um grupo de moradores, após a celebração da Santa Missa. Forçaram-no a entrar em uma canoa, sem remos. Abandonado no meio do rio, sem poder remar até a outra margem ou evitar a cachoeira que estava próxima, Padre João não se perturbou: sentou-se e abriu seu livro de orações, pondo-se a rezar. A canoa tranqüilamente teria seguido para o outro lado e novamente voltado à margem de origem. O povo que a tudo assistia, o recebeu de volta, aceitando a vontade de Deus. Nesse Arraial, o Padre João permaneceu até a sua morte; no cemitério do distrito de Calheiros, encontramos seu túmulo.
            Entre os muitos balizados e casamentos celebrados por ele, destacamos alguns realizados em 1870. Por exemplo, o batizado de ANTONIO, filho de João Teixeira de Siqueira Magalhães e de Da. Antonia Siqueira Dutra, e o casamento de Felizberto Antonio Gonçalves com Prudenciana Marcelina da Rosa, todos colonizadores. Em 1872, já era bem grande o desenvolvimento do Arraial Santo Antonio do Rio Preto. Possuía uma Igreja Católica, reconstruída em 1940 pelo casal José Nunes de Carvalho - Antônia Teixeira de Carvalho, casas para moradia, farmácia, casas comerciais e até uma banda de música.
            Nos anos de 1872 a 1874, grassou uma grande epidemia de cólera-morbo que matou 50% da população. Desgostoso, o Tte. Felizberto Gonçalves Dutra preferiu mudar-se, com sua família, para o então Distrito de São José do Calçado, na vizinha Província do Espírito Santo. Ali faleceu em 20 de novembro de 1876. Também colaboraram nesta época da epidemia o Sr. Francisco das Chagas Oliveira França e sua mulher Da. Maria Francisca de Paula Souza, com alimentos, remédios e oferecendo ao Governador sua fazenda para ser Hospital de Emergência.
             Em 1879 o Decreto n° 2389 desmembrou Varre-Sai de Bom Jesus e, em 15 de dezembro do mesmo ano, foi criado um Distrito Policial, na mesma Freguesia, com sede no Arraial de Santo Antonio do Rio Preto.
            O casal Tte. Felizberto Gonçalves Dutra - Da Silvéria Umbelina de Conde, deixou sete filhos: Francisco José Dutra - casado com Anna Theodora D'Assumpçâo; Joaquina Umbelina de Conde casada com Jacob Antonio Teixeira; Maria Silveira do Carmo; Anna Silveira de Conde; Antonio Flor de Jesus; João Francisco Dutra - casado com Maria Carolina da Silva e Pedro Francisco Dutra.
            Como já foi dito anteriormente, o Guarda-Mor Fernando Antonio Dutra, com sua mulher. Da. Theodora Maria D'Assumpçao, filhos, escravos, agregados e o necessário para começar vida em território estranho, acompanhou o Alferes Francisco da Silva Pinto, quando este veio de Ouro Preto - Minas Gerais - para a nossa Província. Vieram, também com ele, os irmãos Cel. José Dutra de Nicácio e Cel. Antonio Dutra de Nicácio. Enquanto o Guarda-Mor veio diretamente para aqui, tendo posseado o Vale do Pirapetinga, o Cel. José Dutra de Nicácio dirigiu-se para o vizinho Município de São José do Calçado e o Cel. Antonio Dutra de Nicácio, para uma fazenda no Município de Natividade do Carangola. O desenvolvimento das glebas de toda a Província do Norte do Estado foi feito quase que ao mesmo tempo: enquanto o Alferes Francisco da Silva Pinto posseava a região do Bálsamo, o Sr. Fernando Antonio Dutra o Vale do Pirapetinga; o Sr. Felizberto Antonio Gonçalves, Francisco José Denis ou Diniz e outros a região onde é hoje o Distrito de ROSAL; Felizberto Gonçalves Dutra, a região de Santo Antonio do Rio Preto, hoje Distrito de CALHEIROS; Os Srs. Jacob Mendonça Furtado, Francisco das Chagas de Oliveira França, Pé. Germano Gonçalves da Silva Xavier, a região onde é hoje o Distrito de CARABUÇU; e o Sr. Antonio da Silva Neném, supostamente a sede.
            Fernando Antonio Dutra, como outros Fazendeiros, mantinha um Oratório na sua fazenda, no qual se realizavam, além das missas, batizados e casamentos. Dentre os batizados ali realizados, os mais antigos registros encontrados foram: MARIANA, em 14 de janeiro de 1874, filha de Manoel dos Anjos e Balbina Roza de Jesus; THEODORA, em 6 de janeiro de 1850, e FRANCISCO, em 19 de fevereiro de 1851, netos do Guarda-Mor Fernando Antonio Dutra e Da. 'Theodora Maria D'Assumpção.
            Por volta do ano de 1864, o Sr. Fernando Antonio Dutra vendeu as terras que possuía aos Senhores Antonio José Borges, Francisco Borges Sobrinho e Frederico Lengruger. Ficou aqui até 1865, quando resolveu mudar-se também para São José do Calçado, juntando-se aos demais parentes. Lá ficou até a sua morte, em 19 de junho de 1870. Foi, inegavelmente, um dos grandes batalhadores do nosso município.
            O casal Guarda-Mor Fernando Antonio Dutra - Da. Theodora Maria D'Assumpção, teve treze filhos: João Fernando Dutra - casado com Carolina Maria da Silva; Maria Querubina D'Assumpção - casada com Fel izberto Dutra de Nicácio; Anna Theodora D'Assumpção -casada com Francisco José Dutra; Carolina D'Assumpção Dutra -casada com Manoel Gomes do Nascimento; Cândida Maria D'Assumpçao - casada com João Pereira da Silva Júnior; José Fernandes Dutra - casado com Antonia Maria Pereira; Francisca Maria D'Assumpção - casada com José Pereira da Silva; Antonia Maria de Jesus - casada com João Teixeira de Siqueira Magalhães (bisavô do autor); Maria da Glória D'Assumpção - casada com Francisco Gomes Furtado; Maria Carlota Dutra - casada com Francisco Rodrigues do Amaral; Joaquina Maria D'Assumpção - casada com Urbano Pereira da Silva; Antonio Fernandes Dutra - casado com Antônia Maria Pereira e Fernando Antonio Dutra Filho. 

Georigina Mello Teixeira, a Dona Nina

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