"Bonjesuenses, povo da minha terra, não venho à praça pública para atacar este ou aquele candidato, mas venho para mostrar a minha plataforma de governo!” (Roberto Silveira)
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| Alcyr dos Reis Carvalho |
Algumas terras continuam falando pela voz de seus filhos. Guardam nas esquinas, nas casas e no rumor das praças alguma coisa daqueles que passaram e deixaram raízes.
Em Bom Jesus do Itabapoana, a memória de Alcyr dos Reis Carvalho conserva uma dessas presenças: Roberto Silveira, cujo nome atravessa a história fluminense e permanece ligado ao chão bonjesuense.
No Studio TM Fitness, de propriedade de Thiago Moreno e de sua esposa, Cristiane, Alcy recordou mais uma vez a infância. Ele reencontrou os caminhos que o levavam à casa de Boanerges da Silveira, pai de Roberto. No imóvel onde hoje funciona o Consultório de Psicologia da UniFAMESC, havia o movimento de um tempo de campanha, com suas expectativas e sua confiança no amanhã. O menino acompanhava aquele ambiente sem imaginar que guardaria por tantos anos lembranças capazes de devolver ao presente uma lição necessária.
Existe uma ternura nessa continuidade dos lugares. A casa que testemunhou esperanças políticas acolhe, hoje, outras histórias humanas. Pelas mesmas portas, em épocas distintas, passam inquietações, desejos e possibilidades de recomeço. Mudam as atividades; permanece o encontro com a vida.
No meio das recordações de Alcyr, uma fala de Roberto Silveira ocupa lugar especial. Segundo sua lembrança, na Praça Governador Portela, o líder dirigiu aos conterrâneos um apelo que o tempo não conseguiu apagar:
“Bonjesuenses, povo da minha terra, não venho à praça pública para atacar este ou aquele candidato, mas venho para mostrar a minha plataforma de governo!”
A força dessas palavras começa no pertencimento: “povo da minha terra”. Há, nessa expressão, a intimidade de quem reconhece os rostos diante de si e sabe que cada decisão pública alcançará casas, famílias e destinos. Apresentar uma plataforma de governo significava oferecer àquela gente algo que pudesse ser ouvido, discutido e cobrado.
A praça era chamada a conhecer propostas. O entusiasmo da campanha deveria encontrar responsabilidade; a palavra, tão capaz de ferir, deveria servir à construção de um caminho comum.
É por isso que a lembrança de Alcyr merece circular. Em dias nos quais a discussão política tantas vezes se perde em agressões pessoais, aquele apelo pode ajudar a recuperar uma exigência elementar da vida pública: dizer à população o que se pretende fazer por ela. O respeito ao adversário permite que as diferenças sejam examinadas com clareza e que o eleitor tenha melhores condições de escolher.
Não é preciso idealizar o passado para reconhecer a atualidade dessa lição. Basta escutá-la com atenção. Uma comunidade precisa de debate, de fiscalização, de divergências e de compromissos apresentados à luz do dia. Precisa também de palavras que não destruam as pontes pelas quais seus moradores terão de continuar caminhando juntos depois das eleições.
Ao preservar esse episódio, Alcyr dos Reis Carvalho oferece à cidade uma contribuição preciosa. Sua memória aproxima o menino de outrora dos cidadãos de hoje e devolve à Praça Governador Portela uma voz que ainda tem algo a ensinar.
Podemos imaginar o menino voltando para casa, levando consigo impressões cujo alcance só compreenderia mais tarde. Décadas depois, ao repartir o que ouviu, ele permite que outros também parem por um instante naquela praça.
E escutem.
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| Thiago, Alcyr e Cristiane |


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