segunda-feira, 9 de maio de 2016

Dezessete anos sem Badger Teixeira da Silveira




Lucília Stanzani








Natural de Bom Jesus do Itabapoana, Norte Fluminense, Badger Teixeira da Silveira, nasceu em 10 de março de 1916, faleceu em 09 de maio de 1999, era filho de Boanerges Borges da Silveira e de Maria do Carmo Teixeira da Silveira, a Biluca, atuou intensamente na vida política, assim como dois de seus irmãos, José Silveira, como deputado federal pelo Paraná de 1959 a 1963, e Roberto Silveira, como governador do estado do Rio de Janeiro de 1959 a 1961.

Boanerges Borges da Silveira, a esposa Maria do Carmo Silveira, a Biluca, e os filhos Badger, Dinah, José e Roberto. Foto de 1925
(do livro ROBERTO SILVEIRA, A PEDRA E O FOGO, de José Sérgio Rocha)
        
Casou-se com a resendense Renée Braile Ferraiolo da Silveira, na capela de Nossa Senhora do Rosário e o celebrante do casamento foi Monsenhor José Sandrup. O casal teve oito filhos, José Roberto, Ana Maria, Maria Luiza e José Luís (gêmeos), Maria Cristina, Badger, José Fernando e Maria Tereza. 





Badger Silveira, Renés Ferraiolo Silveira e os filhos José Roberto, Ana Maria, Maria Luiza e José Luis (gêmeos), Maria Cristina, Badger, José Fernando e Maria Tereza. Foto de 1962. Acervo de Ana Maria Silveira

Fez o primário em sua cidade natal, Bom Jesus do Itabapoana, cidade em que nasceu e viveu sua infância, onde alcançou o 1º. lugar no Colégio Rio Branco em 1933, atual Espaço Cultural Luciano Bastos. Cursou o secundário em Niterói, tornou-se Advogado e foi eleito presidente do Centro Acadêmico Evaristo da Veiga, concluindo o curso em dezembro de 1941. Lecionou história nos colégios Plínio Leite e Nossa Senhora das Mercês, em Niterói.

Carreira de um político Ilustre

Badger foi um dos fundadores do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) no Rio de Janeiro, foi delegado de polícia e vereador em mandatos sucessivos de 1940 a 1954 e presidente da Câmara em 1951, na legenda do PTB, em Resende (RJ), onde se radicou. Com a ascensão de Roberto Silveira ao governo do estado em janeiro de 1959, Badger foi secretário de Educação, secretário sem pasta, diretor da Fundação Anchieta, diretor da Empresa Fluminense de Energia Elétrica e ministro do Tribunal de Contas do estado do Rio de Janeiro, e teve participação ativa na campanha nacionalista pró criação da Petrobras.

Em sua campanha eleitoral, Badger Silveira defendeu a implantação das chamadas reformas de base, principal bandeira política adotada pelo presidente Goulart, apresentando um plano estadual de eletrificação que visava eliminar o déficit existente e previsto de energia elétrica. Esse plano, por sua vez, subordinava-se a uma planificação de desenvolvimento baseada em três pontos primordiais: industrialização, educação e reforma agrária. Badger criticou também a improvisação administrativa que levava à aplicação de políticas contraditórias e ociosas quanto aos recursos financeiros do estado, tendo recebido um manifesto de apoio assinado por cerca de quinhentos estudantes — inclusive pelo presidente da União Fluminense dos Estudantes, José Carlos de Almeida — afirmando que contribuiriam a seu lado para a concretização do projeto do PTB.

Com um número inédito de candidatos concorrendo ao governo do estado do Rio de Janeiro, Badger Silveira saiu vitorioso no pleito de outubro de 1962, através da coligação formada pelo PTB e o Partido Democrata Cristão (PDC), com 260.841 votos, derrotando seu principal adversário, Tenório Cavalcanti, que concorrera na coligação composta pelo Partido Social Trabalhista (PST) e o Partido Trabalhista Nacional (PTN) e obtivera 224.734 votos.
No período em que foi vereador em Resende, nos festejos de aniversário da cidade, Resende recebeu com grande manifestação popular a visita do Presidente da República Getúlio Vargas e do Governador do Estado Almirante Hernani do Amaral Peixoto. Na ocasião a Câmara Municipal conferiu aos dois o titulo de Cidadão Resendense, no diploma do então presidente da República podia-se ler:

“Diploma de Cidadão Resendense”

Conferido ao Senhor Getúlio Dornelles Vargas. O Município de Resende, por seus Órgãos de Administração, o Poder Legislativo e o Poder Executivo, sob o consenso unânime dos membros que o compõem, houve por bem, conforme lei n. 189 de 20 de julho de 1951 e sancionada em 30 do referido mês, conferir ao Cidadão Getúlio Dornelles Vargas, natural de São Borja, Rio Grande do Sul, onde nasceu em 19 de abril de 1883, o título de “Cidadão Resendense Meriti Causa” – Resende 29 de Setembro de 1951 – Badger Teixeira da Silveira, Presidente da Câmara Municipal de Resende – João Maurício de Macedo Costa – Prefeito Municipal de Resende.



Com a morte de Roberto Silveira em acidente aéreo, no dia 20 de fevereiro de 1961, Badger teve seu nome lançado pelo PTB para concorrer ao governo do estado no pleito previsto para outubro de 1962. Eleito governador do estado do Rio nas eleições de 1962, empossado em 1963 e deposto pelo golpe militar de 1964, teve seus direitos políticos cassados por dez anos com base o Ato Inconstitucional-1, mesmo havendo negado qualquer envolvimento com movimentos subversivos e reafirmando sua fé católica, nas suas últimas tentativas de se manter no poder.

Empossado em 31 de janeiro de 1963, encontrou os cofres públicos com um déficit orçamentário de 26 bilhões de cruzeiros antigos. Ao final do mesmo ano, anunciaria a redução do déficit para dois bilhões de cruzeiros antigos, o que se conseguiu graças ao crédito de diversas agências financeiras. Em agosto de 1963 foram criadas as Centrais Elétricas Fluminenses (Celf), concebidas no governo de Roberto Silveira, com o intuito de centralizar sob uma única administração o fornecimento de energia das quatro subsidiárias estaduais.

Em janeiro de 1964, Badger reuniu-se com o ministro da Educação e Cultura, Júlio Sambaqui, para tratar da campanha nacional de alfabetização implementada por esse ministério. Acompanhado do professor Paulo Freire, que fez uma exposição sobre seu método de ensino, o governador debateu a implantação do Plano Piloto de Alfabetização, em presença da secretária de Educação, Clésia Diniz, e do técnico do setor no estado.

No dia 1º de maio de 1964, a Assembléia Legislativa fluminense votou o impedimento do governador Badger da Silveira e do vice-governador João Batista da Costa por considerá-los comprometidos com o governo deposto. Em 3 de maio, após aprovação pela Assembleia estadual da reforma do regimento interno e da emenda constitucional, o general Paulo Torres e o deputado Simão Mansur, líder da oposição durante o governo Badger da Silveira, foram eleitos respectivamente governador e vice-governador do estado do Rio, eleição por via indireta.
Por ter seus direitos políticos cassados abandonou a vida pública. Beneficiado pela anistia decretada em 1979 foi aposentado em julho de 1981 no cargo de conselheiro em disponibilidade do Tribunal de Contas do Estado.

Badger da Silveira faleceu em 09 de maio de 1999, no Hospital Adventista do Rio de Janeiro, aos 83 anos, de insuficiência cardíaca. Completando 17 anos de sua ausência, Badger Teixeira da Silveira é lembrado como um dos homens mais ilustres da política do estado do RJ e personalidade Bonjesuense merecedora de honra.

Badger Teixeira da Silveira tem seu nome e vive na história de Bom Jesus do Itabapoana. Em agosto de 2016 será inaugurado o Memorial Governadores Roberto e Badger Silveira, mais um passo para que o nome desse ilustre político fique definitivamente gravado na memoria de Bom Jesus do Itabapoana.

Badger Teixeira da Silveira vive!



As informações aqui contidas são fruto de pesquisas sobre a história política de Badger Teixeira da Silveira, em materiais disponíveis na internet em especial os citados abaixo, arquivos históricos e entrevistas do ‘Jornal O Norte Fluminese’ a familiares e cidadãos bonjesuenses.





Badger Silveira, Renés Ferraiolo Silveira e os filhos José Roberto, Ana Maria, Maria Luiza e José Luis (gêmeos), Maria Cristina, Badger, José Fernando e Maria Tereza. Foto de 1962. Acervo de Ana Maria Silveira
http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/badger-teixeira-da-silveira, que cita as seguintes fontes: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CACHAPUZ, P. Cronologia; CASTELO BRANCO, C. Introdução; CENT. MEM. ELET. BRAS. Cerj; Correio da Manhã (1, 7, 12 e 21/1, 7 e 10/4/64); CORRESP. GOV. EST. RJ; Encic. Mirador; Globo (10/7/81 e 10/5/99); Grande encic. Delta; IANNI, O. Estado e planejamento; INF. BIOG.; Jornal (30/1/63); Jornal do Brasil (30/9, 3, 4, 6 e 18/10 e 6/11/62, 3 e 7/1/63); LACOMBE, L. Chefes; SKIDMORE, T. Brasil; TRIB. SUP. ELEIT. Dados; Tribuna da Imprensa (19/6/62); VÍTOR, M. Cinco.






Lucília Stanzani é advogada





















3 comentários:

  1. Belíssima homenagem a Badger Silveira!

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  2. Pequeno esclarecimento:

    O que poucos sabem: após o golpe militar, em 1° de Abril de

    1964, Badger NÃO quis ficar no poder, como muitos pensam e

    divulgam. Não é tão simples assim. Quando tomou conhecimento

    dos fatos, Badger percebeu que não teria mais condições de ficar

    no governo, mas também não iria renunciar. Tinha um

    compromisso com seu povo, foi eleito democraticamente. Os

    fatos foram se descortinando e alguns golpistas, ávidos pelo seu

    posto, o deixavam apreensivo, por serem indivíduos de má índole,

    má fé, com perfis de perseguidores e revanchistas, despreparados

    para um cargo de tal importância. Havia toda uma população a

    proteger e a respeitar e Badger se sentia responsável por ela.

    Nesses 30 dias pós-golpe, foi perseguido, ameaçado e quase

    morto por mais de uma ocasião. Recusou a oferta de exílio de

    umas cinco ou seis Embaixadas. Foi ganhando tempo para, por

    trás dos bastidores, conseguir indicar como seu sucessor uma

    pessoa de caráter.

    Por convite, foi à “posse” do “Presidente“ Castelo Branco, o que

    lhe valeu um enorme custo político, mas que em cuja ocasião

    pode solidificar o nome do General Paulo Torres, homem de bem,

    para sucedê-lo no governo. Seus contatos principais foram o

    Governador Amaral Peixoto e um dos secretários de governo, de

    patente militar.

    Badger jamais renunciaria. Como o caso de sua sucessão estava

    resolvido, não tinha mais o que fazer no governo. Estudou com

    seus correligionários uma maneira digna de deixar o cargo.

    Quando achou que a Assembleia Legislativa iria pedir seu

    impedimento, votaram maciçamente uma moção de apoio.

    Em 30 de Abril o deputado Nicanor Campanário solicitou e os

    deputados votaram o impeachment de Badger Silveira.
    Abraço, Ana Maria Silveira.

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  3. Belíssimo esclarecimento Ana Maria, é, de todos os textos, o que maior coerência oferece para analisarmos aquele momento vivido. Gostei muito de aprender um pouco mais sobre Dr. Badger. Forte abraço, Lucilia

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