Há pensamentos e sentimentos destinados a desaparecer sem deixar vestígios.
O espírito se compraz em pensar e sentir sem qualquer necessidade de exteriorização.
Existe um modo de existir que se refere exclusivamente ao eu e à própria espiritualidade.
E há outro, igualmente humano, que se manifesta no encontro com o outro, expresso em versos, textos, gestos.
Essa distinção talvez conduza à reflexão sobre o “umbigo do sonho”, conceito formulado por Freud.
Na psicanálise, o umbigo pode simbolizar origem, ligação, falta, dependência, bem como o enigma do inconsciente. Freud, contudo, utiliza a expressão “umbigo do sonho” para designar aquele ponto do sonho que não pode ser totalmente interpretado, um nó que o conecta ao inconsciente mais profundo.
Nesse sentido, o umbigo simboliza:
aquilo que escapa à linguagem;
o limite da interpretação;
o ponto em que o sentido se perde.
Assim também ocorre com certos pensamentos e sentimentos que são matéria exclusiva do espírito: eles escapam à linguagem, como o umbigo do sonho, presentes, palpitantes, mas irredutíveis à palavra.

Nenhum comentário:
Postar um comentário