sábado, 17 de janeiro de 2026

O Umbigo do Sonho e O Silêncio dos Pensamentos

 


Há pensamentos e sentimentos destinados a desaparecer sem deixar vestígios.

O espírito se compraz em pensar e sentir sem qualquer necessidade de exteriorização.

Existe um modo de existir que se refere exclusivamente ao eu e à própria espiritualidade.

E há outro, igualmente humano, que se manifesta no encontro com o outro, expresso em versos, textos, gestos.

Essa distinção talvez conduza à reflexão sobre o “umbigo do sonho”, conceito formulado por Freud.

Na psicanálise, o umbigo pode simbolizar origem, ligação, falta, dependência, bem como o enigma do inconsciente. Freud, contudo, utiliza a expressão “umbigo do sonho” para designar aquele ponto do sonho que não pode ser totalmente interpretado, um nó que o conecta ao inconsciente mais profundo.

Nesse sentido, o umbigo simboliza:

aquilo que escapa à linguagem;

o limite da interpretação;

o ponto em que o sentido se perde.

Assim também ocorre com certos pensamentos e sentimentos que são matéria exclusiva do espírito: eles escapam à linguagem, como o umbigo do sonho, presentes, palpitantes, mas irredutíveis à palavra.

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