Foi Hayek quem afirmou, certa vez, que submeter-se a uma convicção apenas por ser aceita pela maioria é uma traição a si mesmo.
Mas a traição não se limita ao consenso fácil.
Trai-se também quando se cede à chantagem, quando se curva diante da ameaça, quando se silencia por medo do ataque.
Há algo que integra a própria tessitura da natureza humana: a integridade.
Ela não é virtude ornamental, nem discurso de ocasião, é estrutura.
E, nos dias atuais, essa integridade encontra-se violentada por um ambiente contaminado, onde grupos se devoram em nome de pertencimentos frágeis.
Esse, porém, é um drama existencial dos próprios contingentes que os compõem.
Ao encontrarem muitos outros que compartilham da mesma deficiência, constroem um sentimento ilusório de segurança.
Uma segurança que não cura, apenas anestesia.
E assim, sob o disfarce da aceitação coletiva, mascara-se a dor mais profunda: a perda da própria inteireza.
O mundo parece dominado por traidores de si mesmos.
Gente que precisa ser estridente, que faz do ruído sua identidade, que grita para não escutar o vazio que carrega.
Pois, neste tempo, o que mais faz barulho é quase sempre o que menos conteúdo possui.
Ainda assim, e isso importa, existe um vasto contingente silencioso.
Homens e mulheres que não disputam o palco, que não mendigam aplausos, que não vendem a consciência para caber no coro.
E, à sua maneira discreta, proclamam com toda a força do coração:
-Jamais seremos traidores!

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