domingo, 6 de março de 2016

ELE TRABALHOU NA FAZENDA QUE PERTENCEU A BOANERGES DA SILVEIRA E CHICHICO DAS AREIAS (I)



Tião Cosme trabalhou por 45 anos na Fazenda São Tomé, que pertenceu a Boanerges da Silveira e Chichico das Areias


Sebastião Florenço da Rosa, conhecido como Tião Cosme, nasceu no dia 25/04/1919 na Fazenda Ventania, zona rural de Bom Jesus do Itabapoana. Ele trabalhou por cerca de 45 anos na Fazenda São Tomé, que pertenceu a Boanerges Borges da Silveira e, depois, a Chichico das Areias.

Residente na Barra do Pirapetinga, esbanja vitalidade e lucidez nos altos dos seus quase 97 anos de idade e possui muita história para contar.

Ele recebeu, hoje, a reportagem de O Norte Fluminense, em sua residência.

Deixemos Tião Cosme contar sobre sua história.

" Meu bisavô Cosme Florenço da Costa era escravo e veio da Costa da África para Salvador, na Bahia. Ele se casou, e um dos filhos foi meu avô, que teve o mesmo nome dele. Meu avô também foi escravo e foi vendido para uma fazenda em Porto Novo da Cunha (MG), atual município de Além Paraíba. Nesta localidade, ele se casou com minha avó Isabel Catarina da Rosa. Posteriormente, se estabeleceram em Bambuí, no município de Itaperuna (RJ) e, finalmente, na Fazenda Ventania, localizada próximo a Vargem Alegre, hoje conhecida como Pirapetinga de Bom Jesus, onde adquiriu uma propriedade.

Meu avô materno se chamava João Francisco de Souza, enquanto Ana de Souza era minha avó. Eles possuíam uma propriedade em Mirindiba, região próxima à Fazenda da Ventania.

Certa vez, todos os meus avós decidiram vender suas propriedades e mudaram-se para Bom Jesus de Mantenópolis (ES), na época pertencente a Colatina.

Meu pai ficou de seguir posteriormente, com sua família. Meu avô Cosme deixou uma quantia de dinheiro e dois animais com balaios para levar as crianças, uma vez que a viagem durava 14 dias a pé. Ocorre que meu pai gastou o dinheiro e não pôde ir. 

Meus pais tiveram 12 filhos: José, Benedito, Antônio, Homero, Francisco, Dário, João, Alice, Maria, Luzia, Judith e eu.

Meu pai trabalhou na lavoura para Liá Borges, aqui mesmo na Barra. Liá era irmão do farmacêutico Djalma Borges, que possuía uma farmácia A qualquer hora da noite, mesmo que chovesse, Djalma montava no cavalo e ia atender as pessoas. Outro farmacêutico de destaque era o Zé Lopes, um crioulo que prestava serviços em Pirapetinga.

Certa vez, Chichico das Areias tendo boas referências de meu pai, mandou o administrador Nené Bernardes convidá-lo para ir trabalhar na Fazenda São Tomé, que pertenceu a Boanerges Borges da Silveira, pai dos governadores Roberto e Badger. Lá ficamos por 45 anos, tomando conta da propriedade.

Prédio centenário da Fazenda São Tomé que pertenceu a Boanerges Borges da Silveira, e onde viveram as crianças Roberto, Badger, Zequinha, Dinah e Maria da Penha Silveira. Hoje é preservado por Flávio de Aquino Ferreira, neto de Chichico das Areias

Na Fazenda São Tomé, colhia-se cerca de 13 a 14 mil arrobas de café. Na outra propriedade, conhecida como Fazenda das Areias, Chichico colhia cerca de 22 mil arrobas.

Na Fazenda São Tomé haviam duas tropas de burro, uma comandada por mim e outra por meu irmão João. Na Fazenda das Areias haviam três tropas.

Fazenda das Areias, em Pirapetinga de Bom Jesus, pertenceu a Chichico das Areias
   
Na Fazenda São Tomé, fiquei sabendo que Boanerges costumava realizar festas às quartas, sábados e domingos, onde havia caxambu.

Quando dava meia-noite, José, Haroldo e Aníbal,  filhos de Sebastião Felício, passavam a cantar uma música com os seguintes versos:

" Na madrugada o galo abriu
Ó seu Boanerges, é hora de correr o litro

Na madrugada o galo cantou
Ó seu Boanerges, corre o litro de cachaça e o litro de licor"

Quando houve demanda judicial entre Boanerges e Chichico das Areias pela Fazenda São Tomé, Chichico das Areias disse, certa vez: "Demanda que Boanerges toca contra mim, eu toco com o dinheiro da venda de ovos das galinhas". 

Chichico das Areias era proprietário de uma granja, de máquina de pilar arroz e café e de máquina de moer fubá. Ele possuía três caminhões para levar o café limpo que saía da lavadeira do café". 

(continua)



 









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